• Sonuç bulunamadı

Sobre a disponibilidade de preservativo masculino, 18 USF afirmaram sempre tê-lo disponível para a população, enquanto uma afirmou que algumas vezes chega a faltar. Porém, quando se trata da disponibilidade do preservativo feminino, apenas 3 afirmaram sempre estar disponível, 2 às vezes e as outras USF (N=14) afirmaram nunca estar disponível. Essa mesma ausência de insumo ocorre com relação ao gel lubrificante íntimo, o qual foi referido sempre estar disponível apenas por uma USF, algumas vezes por 8 e nunca por 10 USF.

Também verificou-se que 17 USF afirmaram que a quantidade de preservativos masculinos recebida por mês é sempre suficiente, havendo até bastante excedente. No entanto, duas USF consideram a quantidade recebida insuficiente para o bom atendimento da demanda, uma indicando que isso acontece algumas vezes e a outra indicando que nunca é suficiente, estando em falta, inclusive, no momento da realização da pesquisa. Sobre esta quantidade, todas as USF referiram receber mensalmente cerca de 7.200 preservativos masculinos, o que corresponde a uma caixa grande. Ao se questionar sobre a falta deste insumo no ano anterior (2010), uma unidade afirmou sempre ter faltado, outra afirmou algumas vezes ter faltado, duas não souberam responder, enquanto que as demais (N=15) afirmaram nunca ter faltado este insumo no referido ano.

Neste sentido, Paula e Guibu (2007) apontam que nem sempre os municípios recebem a quantidade necessária de preservativos para a demanda da população, complementando-a com verba própria. Por isso, segundo a pesquisa delas, alguns municípios criam soluções como o treinamento adequado do profissional responsável para a dispensação do insumo, gerando um sistema único para a captação de informações do usuário e uma quota mensal do insumo, o que possibilita criar um perfil da demanda.

Sobre o preservativo feminino, em estudo realizado por Pereira, Wiese e Saldanha (2009), observa-se o desconhecimento deste método pela população adolescente, revelando que, mesmo sendo um método de dupla proteção, ou seja, que promove proteção às DST/Aids e também à gravidez, e que oferece maior autonomia à população feminina, há pouca divulgação e também, como revelado na presente pesquisa, pouca disponibilidade deste insumo nos serviços de saúde.

Acerca da distribuição dos preservativos, na maioria das USF (N=12) esta é livre, ou seja, o usuário pode pegar a quantidade que queira, enquanto nas demais (N=7) limita- se a distribuição entre 10 a 40 preservativos por pessoa (M=20; DP=11,18), de acordo com

cada unidade. Destas USF que limitam, algumas (cerca de duas) chegaram a relatar, no momento da pesquisa, que utilizam cartões de entrega mensal, onde o usuário tem o seu cartão e neste é anotada a quantidade e a data da entrega dos preservativos, possibilitando maior controle da saída do insumo, já que algumas vezes a USF recebe pouca quantidade.

Na pesquisa realizada por Paula e Guibu (2007) verificou-se que 72,6% das unidades de saúde possuem critérios bem definidos para a distribuição do preservativo, enquanto 27,4% distribuem aleatoriamente. Porém, elas alertam que os serviços não devem colocar nenhum tipo de obstáculo para essa oferta, impedindo a aquisição do insumo de prevenção, como cadastros, pedidos de documento, entre outros. Também enfatizam que, apenas a partir de uma ação educativa pode haver uma negociação da quantidade distribuída por pessoa, possibilitando o atendimento de mais usuários e de forma adequada, ao oferecer, por exemplo, maior quantidade para profissionais do sexo. Porém, a participação do preservativo não pode estar atrelada, de forma alguma, à participação compulsória em atividades educativas, pois essa deve indicar a qualidade do atendimento e não uma condição para se obter o insumo.

Estas autoras, por outro lado, indagam que o preservativo só se constitui em insumo de prevenção às DST/Aids se usado adequadamente, o que ocorre a partir da orientação quanto ao seu uso. Sobre isso, verificou-se que, no momento da distribuição, apenas 3 USF afirmaram sempre realizar orientações quanto ao uso adequado do preservativo, enquanto 6 realizam apenas quando necessário e 10 nunca realizam. Tal fato revela a necessidade de capacitação dos profissionais das equipes, no sentido de incorporar em sua rotina reais práticas de cuidado e de prevenção à saúde da população, aperfeiçoando a dispensação dos insumos.

Verificou-se que, em 16 USF os adolescentes podem pegar preservativo independente da companhia de um adulto e que, de acordo com os profissionais

respondentes, a população que mais pega preservativo na unidade é a de mulheres (N=6), seguida dos homens (N=3) e adolescentes/jovens (N=3), apesar de 7 USF não saberem essa informação, justamente por não terem um controle da distribuição, por isso não responderam a questão. Já com relação ao gel lubrificante íntimo, as mulheres e os idosos foram as populações citadas como alvo da distribuição deste insumo por 4 USF cada, enquanto as demais não souberam responder (N=11).

Pesquisas apontam que adolescentes e jovens são mais propensos a dispensar o preservativo no decorrer de suas relações sexuais, isto ocorre por não terem acesso a ele, por não saberem convencer o(a) parceiro(a) da necessidade de seu uso, pelas questões relacionadas ao gênero, pelo mito do amor romântico, gerando confiança, e por isso a dispensação do uso do preservativo nos relacionamentos estáveis, entre outras causas, tornando estas populações vulneráveis às DST/Aids (Pimentel, Silva & Saldanha, 2008; Ribeiro & Saldanha, 2010; Galvão Neto, Pereira, Wiese & Saldanha, 2011; Ribeiro, Silva & Saldanha, 2011).

Um estudo realizado em Portugal com jovens (Oliveira, Oliveira, Pita & Cardoso, 2009) revela que o acesso ao preservativo é dificultado quando este se faz, por exemplo, em locais que fiquem perto da casa dos pais e/ou que tenham a presença de determinadas pessoas, que possam ser conhecidas, o que é o caso das unidades de saúde. Inclusive, ainda nesse estudo, verificou-se que apenas 10,7% dos jovens procuram os serviços de saúde para adquirirem o preservativo gratuitamente, sendo essa procura um pouco maior por parte do sexo feminino. Tais dados, segundo os autores, revelam a necessidade de encontrar locais mais adequados para a disponibilidade destes insumos a esta população, melhorar a informação sobre estes locais onde a disponibilização exista e melhorar as condições de atendimento aos jovens nesses locais, tornando-os mais adequados e atrativos, mas que também garanta a privacidade e a garantia de entrega.

Dessa forma, percebe-se a necessidade de intensificar as ações de prevenção nesta faixa etária nos serviços de AB, mesmo nesta presente pesquisa verificando-se que há uma aquisição do preservativo por parte deles. Mas, como antes referido, para tornar o preservativo, de fato, um insumo de prevenção, é necessária a realização de atividades educativas que discutam acerca da importância do seu uso adequado e constante.