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A experiência em sala de aula é pessoal e intransferível. Considerando a necessidade de maior atenção com os cursos de formação de professores, por representarem um espaço/tempo privilegiado para que ações sejam construídas visando uma melhoria da qualidade da educação em nosso país, projetos de iniciação a docência tais como o projeto “Práticas Motivadoras nas Escolas Públicas” e o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) estão sendo inseridos nesses cursos. Esses projetos buscam contribuir para uma ação nas escolas, no sentido de superar o modelo de ensino por transmissão/recepção e de fortalecer a escola como instituição formadora.

Nos dados obtidos em nossa pesquisa, observamos grande evolução dos professores pesquisados referente ao uso do discurso dialógico, nos tipos de interações que favorecem o diálogo em sala de aula e no favorecimento e oportunidade para que as falas dos alunos aparecessem mais. Perguntado na entrevista sobre a que atribui essa evolução de sala de aula, Guilherme responde:

“...eu só melhorei como professor por causa do projeto, então ele é importantíssimo”.

Guilherme assume a importância do projeto em sua formação. O exercício de docência, proporcionado por projetos como os citados acima, busca uma forma de reflexão, afim de que o professor possa sempre aprimorá-lo, tendo como objetivo principal o aluno e seus interesses. O relato de Guilherme afirmando sua melhora como professor vai ao encontro do que Tardif (2002) coloca em relação a prática nos cursos de formação. Segundo esse autor “(...) a prática pode ser vista como um processo de aprendizagem por meio do qual os professores retraduzem sua formação” (TARDIF, 2002, p. 53).

Os momentos de avaliação compartilhada, que ocorreram no projeto, também foram fundamentais para que cada um dos professores percebesse em quê o seu trabalho poderia ser melhorado.

Acreditamos que projetos de iniciação à docência contribuem para a formação desses professores, incentivando mais a reflexão, a discussão e a problematização das interações em sala de aula, de modo que novas estratégias possam ser adotadas para favorecer o processo de ensino-aprendizagem. É uma oportunidade ou um caminho de amadurecimento sobre a docência, ao longo do tempo em que vivencia a sua licenciatura.

Ao melhorar a sua percepção sobre o que acontece em sala de aula, o professor consegue ter uma prática mais voltada para a aprendizagem de Ciências, como é percebido pelos professores entrevistados quando perguntamos sobre a importância de dar voz aos alunos e promover uma aula mais dialógica:

“eu acho que fazendo isso a gente faz o próprio aluno pensar no que ele disse e os outros também começarem a pensar e discutir” (Professor Guilherme)

“Quando você pega uma turma apática e dá uma aula como essas do projeto, você ganha o engajamento dos alunos” (Professor Felipe)

Guilherme assume que dar voz ao aluno é uma oportunidade de fazer com que esse aluno e os demais que participam da dinâmica discursiva de sala de aula façam reflexão sobre os conhecimentos e ideias que circulam em sala de aula. Ele percebe a importância da fala e de considerar o pensamento dos alunos, e passou a favorecer a criação de um ambiente dialógico/interativo em sala de aula. Na fala do professor Felipe percebemos seu entendimento de que o discurso dialógico – abordagem valorizada no projeto – é uma ótima ferramenta para significar o ensino e produzir aprendizagem de ciências em sala de aula.

Conforme Pimenta (2011), que discute a importância do estágio na formação do professor e a importância do futuro professor conhecer a realidade do ambiente em que ele vai trabalhar, para fazer algo é necessário conhecer e ter os instrumentos necessários para aquilo que se quer realizar e, uma das formas de conhecer é experimentando, praticando. Os relatos dos entrevistados nos mostram que a experiência vivida por eles em um projeto de iniciação à docência permitiu, a esses professores em formação inicial, terem ferramentas para pensarem o papel de professor e ampliarem o olhar para as particularidades de uma sala de aula, para as dificuldades e para as concepções alternativas de seus alunos.

Na fala do professor Felipe, também percebemos a importância dada por ele ao envolvimento do estudante como fator preponderante para o aprendizado, quando fala do “engajamento”. Em um momento da entrevista, Felipe também relata:

“...participei de um processo seletivo em uma escola particular e dei aula para o diretor e a coordenação, e eles queriam uma aula expositiva e eu não consegui dar (risos), eu perguntava e dialogava com eles, passei vergonha pois eles não respondiam”

Essa situação vivenciada por Felipe mostra que ele realiza suas aulas de maneira preocupada com as interações em sala de aula, utilizando-se de uma abordagem dialógica, conforme fazia no projeto em que participou. Apesar de relatar que passou “vergonha” por não conseguir ser um professor informador, Felipe afirmou que conquistou a vaga de professor e que trabalha nessa escola.

Nossa experiência de sala de aula como professores nos mostra que a maior parte do tempo da aula é ocupada pela fala do professor, enquanto o aluno possui uma postura passiva. Nas aulas que analisamos, os professores em formação inicial mostraram uma tendência a esse tipo de aula, conforme a analise dos dados para aula A. Porém, a vivência no projeto fez com que as aulas (aula B) se mostrassem mais dialógicas e

interativas e percebemos que tenderam a valorizar mais o estudante, ouvindo suas falas e seus questionamentos, deixando-os expor suas ideias.

Benzer Belgeler