2. TÜRKİYE’DE EKSTREMİST BİR TERÖR ÖRGÜTÜ HİZBULLAH
2.5. Hizbullah’ın Yapılanma Modeli
Nas pesquisas em educação há linhas consolidadas que tratam do professor reflexivo ou do professor pesquisador Essas duas perspectivas buscam a reflexão e a pesquisa como elementos necessários à formação e atuação docente. Com isso podemos perceber a importância em refletir sobre a própria prática, pois, como afirma Nóvoa (1992), as novas tendências apontam para a necessidade de formação de um professor reflexivo. O professor, a partir da reflexão sobre sua própria prática, estabelece novas
possibilidades de ação sobre sua docência. Vários autores, dentre eles destacamos Schön (2000) e Alarcão (2010), defendem a pesquisa da própria prática como um processo fundamental na formação e atuação docente.
Para os entrevistados, percebemos elementos que mostram a implantação de um processo reflexivo sobre a própria prática pedagógica. O professor Guilherme, quando perguntado sobre o fato de, em sua aula B ter dado mais voz aos alunos, responde:
“Olha, eu acho que é um pouco de tentativa e erro. No início (aula A) eu tentei mais coisas e vi o que deu certo e o que deu errado. Você mesmo pode ver que meus argumentos agora na aula B estão bem maiores e melhores que lá no início (aula A)”.
Quando fala em tentativas e erros, Guilherme mostra estar, de certa forma, se analisando e refletindo sobre o que faz em sala de aula.
Essa atitude de Guilherme provavelmente foi favorecida pelo projeto ao qual ele participa que conta com reuniões semanais para avaliação compartilhada das aulas dadas, sendo um momento para reflexão sobre como atua em sala de aula.
Quando perguntado sobre como via as aulas dialógicas do projeto, Guilherme responde:
“Passo a pensar mais na turma né, e não só naquele aluno. Minha visão ampliou um pouco porque eu observo o aluno e a cara dele para chamar pra participar. Então, eu abri minha visão pra toda a turma e não só para o aluno que está respondendo. Aqueles que eu não via antes, com as aulas do projeto eu passei a ver”.
Guilherme deixa evidente que sua participação em um projeto de iniciação à docência o fez refletir sobre o papel do professor em sala de aula. Segundo Tardif (2002, p. 288) “a formação inicial visa a habituar os alunos – os futuros professores – à prática profissional dos professores de profissão e a fazer deles práticos reflexivos”. É, portanto, na reflexão sobre a ação que o professor desenvolve, de forma mais efetiva, a produção de saberes docentes necessários à prática docente.
O professor Felipe também relata sua paixão pela prática de sala de aula, e mostra fazer constantes reflexões sobre seu papel como professor, principalmente quando perguntado sobre o motivo de escolher fazer mestrado em educação, conforme exemplifica sua fala:
“Para o mestrado, é porque eu sou apaixonado com a prática, eu gosto de teoria, mas sou apaixonado com a prática que eu experimentei no projeto, que depois continuei nas minhas aulas na escola pública, e hoje eu me pesquiso”. (Professor Felipe)
Percebemos, pela sua fala, que esse processo de reflexão continuou para além do que ele vivenciou durante a graduação. Hoje o professor Felipe já formou e é professor em duas escolas: uma da rede pública de ensino e uma da rede particular. Ao afirmar “hoje eu me pesquiso”, Felipe nos fornece um forte vestígio de que se tornou um professor pesquisador de sua própria prática pedagógica.
Baseados nesse comentário de Felipe, ousamos argumentar que, nesse caso, a formação não se reduziu à apenas sua dimensão acadêmica, sendo um integrador dos conhecimentos práticos e teóricos, contribuindo para a constituição de uma prática reflexiva, como já indicada por Alarcão (2010). Como disse essa autora, espera-se, agora, que por meio de uma reflexão na ação e sobre a ação, esses professores possam construir um novo olhar sobre o comportamento de seus alunos, questionando-os sobre fatos acontecidos em sala de aula, procurando alternativas no sentido de construir uma nova experiência, um novo saber docente.
Observamos que os professores em formação inicial passaram a perceber que a escola pode e deve ser um espaço de reflexão e de formação permanente para professores, tanto que Felipe, hoje professor, continua desenvolvendo as ideias discutidas no projeto, realizando aulas interativas e dialógicas e afirma continuar refletindo sobre o que faz. Quando perguntado se faria sua aula A de forma diferente, se fosse hoje, Felipe faz uma auto-avaliação:
“Faria sim, e o planejamento ele é fundamental em relação a essas perguntas. Perguntar ao aluno o que ele acha é muito amplo, então tenho que fechar essa pergunta um pouquinho, mas se fechar demais corre o risco de eu oferecer resposta pra ele. Na aula A eu fiz perguntas muito objetivas, na segunda aula eu fiz perguntas que incentivaram a discussão, e o tema calor apresenta uma série de concepções alternativas e potencial pra discussão. Nessa aula A, se fosse hoje eu iria abrir um espaço melhor pra eles construírem a resposta, eu não faria perguntas tão diretas”.
Felipe mostra que, mesmo após um tempo já fora do projeto, a reflexão constante que aprendeu a fazer durante sua participação no projeto ainda se mantém. O espaço criado como oportunidade para a formação inicial de professores promovido pelo projeto “Práticas Motivadoras nas Escolas Públicas”, além de estimular a formação e a reflexão sobre a prática da docência, desenvolvida no cotidiano escolar, ainda
representa um momento singular para a troca de experiências entre os participantes do projeto, conforme relata Felipe:
“Didática na FAE me ofereceu elementos teóricos, mas quando você vai aplicar isso, se você não tiver pessoas te auxiliando, como na reunião que acontecia no projeto, fica difícil” (Professor Felipe)
Sabemos que ainda há muito a ser desenvolvido sobre os saberes da docência e seu significado na construção da identidade profissional, bem como sobre uma adequada prática escolar. É possível e necessário que encontremos algumas respostas a curto e médio prazo referentes às questões que fundamentam a prática docente. Por outro lado, temos a consciência de que o exercício da docência passa por profundas reflexões, que levam a rever alguns conceitos sobre o processo de aprendizagem. Essa reflexão e esse “pensar” sobre o papel do professor em sala de aula foi exercido pelos professores em formação inicial pesquisados, possibilitando mudança em suas formas de agir em sala de aula. Um dos exemplos é o fato de terem assumido que o discurso dialógico é uma boa ferramenta para a produção de aprendizagens.
Como já dissemos, no projeto o qual esses licenciandos participaram, ocorreram semanalmente reuniões que davam oportunidade para avaliação compartilhada das aulas, dadas pelos professores em formação inicial, bem como a troca de experiências. Hoffmann (1991, p. 16) em seus estudos com professores e alunos sobre o processo avaliativo em sala de aula com base na reflexão, ressalta que “[...] é a partir da análise de situações vividas pelos professores no seu cotidiano, através da expressão e manifestação de suas dúvidas e anseios, que podemos auxiliá-los a reconduzir suas ações e compreendê-las numa outra perspectiva”.