Construção de termas e de ambientes termais Distribuição de azeite e entrada grátis
Restaurações em geral ligadas às termas
Doações em geral ligadas às termas
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inscrições de atos constrtuvios de termas parece confirmar a tendência da sociedade romana, principalmente entre os membros da aristocracia, de valorizar as evergesías de edifícios novos. Obviamente, devemos levar em consideração a pequena quantidade de inscrições epigráficas com evergesias termais que vieram à luz durante as escavações arqueológicas, ou que sobreviveram ao tempo nos sítios arqueológicos, em relação ao número de edifícios termais existentes na Península Ibérica atualmente. Provavelmente, o número de atos evergéticos praticados pelos membros da elite provincial deveria ser muito maior do que o testemunho que chegou até os nossos dias.
Excetuando-se a inscrições atestando a construção de edifícios novos, as outras inscrições nos informam de atos que, em geral, poderiam ser praticados anteriormente e celebrados em conjunto com algum evento municipal cívico ou festival cultural ou religioso. Pelo fato de que as epígrafes construtivas representam mais da metade de todas as inscrições levantadas com relação às termas só confirma que a munificiencia edilícia ex novo realmente traria um prestigio social maior do que os outros tipos de munificiências, sejam elas doações sejam elas restaurações ou distribuição de óleo grátis. Obviamente que de todas as epígrafes que disponibilizamos no catálogo, somente aquelas que tratam das construções e das restaurações teriam algum interesse para nós no que diz respeito aos aspectos construtivos. Levando em consideração o que Serafina Cuomo diz sobre a importância das inscrições para o entendimento e conhecimento a respeito dos elementos tecnológicos e construtivos do mundo antigo, faremos uma breve consideração sobre o conteúdo das epígrafes. Com relação àquelas que tratam das construções das termas ou de algum ambiente termal, podemos dividir as epígrafes em dois grupos.
No primeiro grupo, se enquadram aquelas cujas estruturas edilícias ainda não foram localizadas pelos arqueólogos e, portanto, só temos a indicação da existência dos edifícios pela própria epígrafe. São os casos das inscrições de Archena, Aurgi43, Burguillos, Murgi, Tagili e Tarraco [epígrafes 2, 3, 9, 24, 29 e 30 respectivamente]. Na inscrição de Archena temos somente a informação de que um edifício foi construído por Turcílio, sem maiores dados. O mesmo caso se aplica para Murgi e Tagili, nos quais temos a informação dos dedicantes das termas, respectivamente Emílio Dafno e Voconia Avita, mas sem informações mais precisas sobre a sua morfologia ou os aspectos construtivos. Para Burguillos, temos a informação de que uma família de duúnviros pai e
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filho, Aufídio Vegeto e Aufídio Avito respectivamente, construíram e dedicaram uma terma com a promoção de jogos circenses. Por fim, de Tarraco nos chegou uma inscrição funerária atestando a construção de uma terma e de um ninfeu aquecido sem, no entanto, indicar o nome do benfeitor de ambas as construções.
No segundo grupo, temos as inscrições que nos informam sobre as estruturas edilícias existentes atualmente na Península Ibérica ou no Norte da África e cujo estado de conservação é considerado bom ou satisfatório. Daquelas inscrições de origem hispano-romana, nós temos a de Conimbriga [19, epígrafe 16]44, Lucentum [30, epígrafe
22] e Segóbriga [33, epígrafe 26] cujas inscrições foram localizadas nos próprios edifícios, mas que indicam apenas o nome do agente responsável pela construção ou o financiamento. Dois casos diferentes são os das inscrições de Barcino [10, epígrafe 6] e de Córduba [epígrafe 15]. A de Barcino trata da construção de uma terma, de pórticos e de canalizações por membros oriundos da elite local, mas que nada informa sobre a aparência arquitetônica do edifício. Ao contrário das três primeiras, dos vestígios da terma barcinense muito pouco se sabe com exceção de um mosaico e de parte das estruturas da zona fria; infelizmente, os resultados das intervenções arqueológicas realizadas na década de 1970 não foram completamente divulgados devido ao fato de que as estruturas se encontram debaixo de uma praça ou fazem parte de uma igreja no centro da atual Barcelona. No que se refere a Córduba, a única informação que temos foca nos responsáveis pela construção da palaestra, sem mais detalhes sobre a que edifício pertenceu ou se há vestígios atuais dessa estrutura.
Por sua vez, das inscrições de origem norte-africana, temos as de Cartago [39, epígrafe 10], de Lepcis Magna [41, epígrafe 20], de Bulla Regia [38, epígrafe 8] e a de Cuicul [41, epígrafe 17], as duas primeiras trazem o nome do dedicante, ou em nome de quem é dedicada a terma (Antonino e Adriano, respectivamente), enquanto que as duas últimas atestam claramente a existência da construção de uma terma pelo evergeta, sem, no entanto, maiores informações sobre o aspecto do edifício. Todavia, cabe destacar que as inscrições se vinculam a edifícios cujas estruturas e morfologias arquitetônicas são muito bem conhecidas nos dias atuais.
A respeito das inscrições que tratam da restauração de algumas termas, o quadro geral não é muito diferente. Para a inscrição sobre a terma de Olisipo [epígrafe 25] sabe- se que foi feita uma restauração do edifício desde as suas fundações (renovatae a solo
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iuxta iussionem), uma vez que o estado de degradação do edifício deveria ser grande, ou apenas uma renovação total do espaço interno e externo da Thermae Cassiorum pelo governador responsável pela província da Lusitânia Numério Albano no século III d.C., sem maiores detalhes sobre o aspecto da terma construída originariamente no século I d.C. pela família olissiponense dos Cássios (D’ENCARNAÇÃO, 2004: 482-483; FERNANDES, 2009: 202). Não temos, todavia, informações publicadas sobre a intervenção arqueológica e os vestígios estruturais45 do edifício que hoje se encontram debaixo da sede do Palácio do Correio-Mor em Lisboa. Já a inscrição de Tarraco [epígrafe 32] sobre a terma Montanaro, a situação é um pouco diferente daquela de Olisipo, ou seja, há a indicação epigráfica de um edifício, que poderia existir desde o século II d.C. com base em algumas inscrições epigráficas analisadas por Geza Alföldy, mas que hoje não se tem a identificação dos seus vestígios estruturais (RODÁ de LLANZA, 2000: 126). A inscrição de Lepcis Magna [42, epígrafe 21] que trata da restauração e decoração do frigidarium da terma Adriana já foi comentada no início deste capítulo. Já a inscrição de Cesaréia [40, epígrafe 14], na província da Mauritânia Cesariana, não traz qualquer informação relevante acerca da aparência da terma, a não ser que o edifício sofreu uma restauração na época de Teodósio, no século IV d.C. Não obstante, os vestígios arqueológicos do edifício e a sua planta são plenamente conhecidos e foram estudados por Fikret Yegül (1995) e Yvon Thébert (2003).
O que pode ser dito acerca da importância das epígrafes selecionadas para os aspectos construtivos e tecnológicos das termas é que, em geral, elas não nos fornecem quase nenhum elemento terminológico ou qualquer informação relevante que possa ser utilizada com segurança para a análise construtiva das mesmas. Com a devida exceção daquelas inscrições que foram localizadas ou associadas às estruturas edilícias conhecidas dos arqueólogos nos dias de hoje no Norte da África ou na Península Ibérica. Nestes casos, a importância não jaz na própria inscrição, mas nos edifícios que as hospedaram e cujas informações estão disponibilizadas nas fichas de registro ou nas tabelas presentes em nosso catálogo.
45 Segundo Maria Pilar Reis (2004: 73), apesar de as informações sobre a investigação arqueológica não estarem publicadas e divulgadas, houve em 1993 escavações de urgência na calçada do Correio Velho que permitiram o estabelecimento de uma sequência estratigráfica da terma. Há um artigo relevante escrito pela arqueóloga lisboeta Lídia Fernandes (2009) sobre um artefato arquitetônico de caráter decorativo atribuído à terma dos Cássios – um capitel jônico. Neste artigo, Lídia apresenta uma revisão geral do conhecimento arqueológico e histórico que até o momento se sabe sobre a terma dos Cássios.
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A partir do que foi exposto, nos cabem algumas considerações sobre o mundo da construção romana. Como comentamos anteriormente, quando tratamos da abordagem da Arqueologia da Construção e os aspectos construtivos, jurídicos e econômicos que se encontram envolvidos numa obra, a construção de um edifício romano comporta diversas fases. Simplificando, as fases vão desde a intenção da construção pelo magistrado local (para edifícios públicos) ou por algum membro da elite (para edifícios públicos ou privados)46, passando pela escolha do terreno, da elaboração do design do edifício, da preparação das fundações e vai até a colocação da cobertura em telhamento e a decoração interna e externa do edifício com pinturas, revestimentos em mármore e estátuas. Tudo isso sem contar todos os processos de produção, transporte e aquisição dos materiais de construção e da preparação da mão de obra. A construção de um edifício, seja ele qual for, é um processo complexo, longo e que envolve inúmeras variantes de ordem econômica (que não abordaremos aqui), jurídica (a lex Irnitana trata brevemente do tema), social e cultural.
Na impossibilidade de analisarmos todos os processos envolvidos na construção das termas nas Hispaniae, uma vez que o nosso levantamento gerou uma quantidade muito grande de edifícios que foram construídos e restaurados em épocas e locais diferentes e, certamente, por agentes com objetivos também diferentes, além do mais, levando em consideração a própria natureza descentralizada das pesquisas arqueológicas em andamento na Península Ibérica, nos faltam muitas informações para realizar este tipo de análise arqueológica para cada um dos edifícios em nosso catálogo. Propomos, por isso, apresentar em seguida uma síntese de alguns aspectos construtivos e tecnológicos que consideramos mais relevantes na edificação das termas.
2. Técnicas construtivas dos paramentos
Primeiramente, nos parece pertinente apresentarmos algumas definições terminológicas ligadas aos paramentos. Para tanto, a princípio, iremos focar na obra editada por René Ginouvès – Dictionnaire Methodique de l’Architecture (1985-1998), e no Tratado de Arquitetura de Vitrúvio Polião. Em seguida, faremos algumas breves considerações sobre a forma como as diversas técnicas construtivas (opera)47 são
46 Comentaremos no quarto capítulo os agentes responsáveis pela construção das termas, sejam eles membros do ordo decurionum (como os ediles e os duóviros) sejam os membros da elite local em sua prática do evergetismo.
47 Ao longo do nosso texto, utilizamos o termo latino no plural neutro opera (do singular neutro opus) significando técnicas construtivas, e não operis que é o genitivo singular. Da mesma maneira, utilizamos
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abordadas em nossa tese. Por fim, faremos uma descrição dos principais opera que foram utilizadas nas termas hispano-romanas, procurando analisar como os paramentos são elaborados e construídos no mundo romano.
No quadro abaixo sistematizamos as principais definições propostas na obra de Ginouvès, posteriormente elas serão mais bem trabalhadas:
c. Quadro com as nomenclaturas e descrição dos opera
Nomenclatura Termo latino ou grego Definição geral
Aparelho Opus Alvenaria feita de elementos
colocados ou assentados numa construção. Os elementos podem ser de material pétreo ou de laterício. O aspecto que apresenta a parte visível de um elemento num determinado aparelho é propriedade deste elemento. Segundo Ginouvès, a soma destas propriedades é uma característica de uma construção e, portanto, os aparelhos formados por um determinado elemento constituiria um paramento, parede, muro, etc...
Fiada Corium Série de elementos construtivos
colocados sobre o mesmo nível de uma alvenaria.
Aparelho incerto Opus incertum Aparelho colocando em fiadas os seixos de forma irregular. Aparelho quase-reticulado Opus quasireticulatum Aparelho intermediário entre o
incerto e o reticulado constituído de pedras trabalhadas sobre várias faces com formato quadrangular ou trapezoidal e
de forma intercambiável os termos em português –técnicas construtivas e/ou tipos construtivos para o aparelho ou opus.
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dispostos em fiadas pouco regulares
Aparelho reticulado Opus reticulatum Aparelho feito de pedras trabalhadas em forma piramidal e assentadas num ângulo de 45º. Aparelho em pedras
quadrangulares
Opus vittatum Aparelho constituído de pedras quadrangulares assentadas em fiadas horizontais alternando, quando possível, as juntas. Aparelho em espiga Opus spicatum Aparelho constituído por seixos
planos ou por pedras alongadas e dispostas em fiadas horizontais e em cada fiada em oblíqua com relação à horizontal.
Aparelho retangular Opus quadratum Aparelho no qual os blocos de silhares formam paralelepípedos retangulares e são assentados em fiadas horizontais.
Aparelho de tijolo cru Opus latericium Aparelho utilizando tijolos crus Aparelho de tijolo cozido Opus testaceum Aparelho utilizando tijolos
cozidos em fornos.
Aparelho misto Opus mixtum Aparelho combinando partes
assentadas de tijolos e partes de pedras.
Apesar da grande variedade de opera listados por René Ginouvès, uma variedade muito maior do que a apresentada no quadro acima, quando analisamos as nossas fontes textuais acerca das informações sobre os aparelhos, verificamos que não são muitos os operis comentados pelos autores antigos, ao contrário do que os estudiosos desde o século XV vêm registrando a partir dos estudos dos paramentos dos edifícios romanos na Itália e em outros países europeus.
Das fontes textuais que trazem informações sobre os aspectos tecnológicos construtivos ou sobre os diversos materiais empregados pelos romanos na construção, é basicamente na obra de Vitrúvio que encontramos informações importantes sobre os tipos construtivos utilizados pelos romanos no século I a.C. É no livro II que o arquiteto cita e
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comenta os dois opera mais empregados na construção em sua época, além de analisar a qualidade das construções dos muros feitos com tijolos.
De acordo com Vitrúvio (Livro II, capítulo 8.1), o aparelho reticulado (opus reticulatum) é aquele mais utilizado no século I a.C. e apesar de ser um tipo construtivo elegante, traz problemas com fendas devido à forma como as pedras são assentadas e que levaria as juntas a se desagregarem.
Por sua vez, o opus incertum, considerado o mais antigo, constituído de pedras irregulares assentadas uma sobre as outras é considerado pelo arquiteto mais seguro, apesar de ser um aparelho deselegante quando comparado ao reticulado. Como um bom arquiteto, Vitrúvio não apenas indica e comenta os melhores tipos construtivos, mas aconselha também sobre a melhor forma de conservar os muros mantendo a sua durabilidade por mais tempo. Assim, para se evitar que os muros venham a ruir com certa facilidade, devido às falhas na estruturação das paredes que levam pequenas pedras conjuntamente com as argamassas de cal e areia, deve-se elaborar o travamento das paredes. Para tanto, as paredes devem contar, além dos muros externos dos paramentos, com um núcleo interno de dois pés de espessura construídos com pedras ou tijolos dispostos regularmente e amarrados com grampos de metal (Livro II, capítulo 8. 2-4).
Com relação aos paramentos de tijolos estes podem ser nomeados opus latericium, ainda que Vitrúvio não os nomeie assim. No século I a.C., os paramentos laterícios poderiam ser construídos com tijolos crus, daí o uso do termo latericium (de lateris: tijolo, ladrilho), ao contrário do opus testaceum que é citado na obra vitruviana, mas só aparecerá em larga escala nas construções entre o final do século I a.C. e o começo do século I d.C., principalmente a partir da época de Nero. Embora, na época de Vitrúvio, os edifícios construídos em material laterício, sejam aqueles de tijolos crus ou de tijolos cozidos (a distinção nem sempre é clara em Vitrúvio), nos parece interessante ver qual a perspectiva do autor acerca destes tipos de opera, considerando que é a ótica de alguém que viveu numa época em que as maiores e mais duradouras construções eram feitas em pedras. Devemos enfatizar, contudo, que a técnica do opus latericium raramente é empregada na construção das termas, seja nos paramentos seja no hypocaustum, devido justamente ao fato de serem tijolos secos ao sol e a durabilidade deles ser muito baixa, o oposto dos tijolos cozidos em fornos cerâmicos a altas temperaturas, ou seja, o opus testaceum. Segundo a perspectiva de Vitrúvio (Livro II, capítulo 8. 9-18), ainda que as paredes de tijolos permaneçam a prumo e sejam utilizadas em vários tipos de construções no mundo greco-romano, o arquiteto não recomenda o emprego deste tipo de tecnologia
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no levantamento de paramentos em Roma. Em razão de as leis públicas romanas limitarem a largura das paredes, o autor atesta que os paramentos feitos exclusivamente de tijolos não sustentariam mais do que um andar, numa cidade cada vez mais populosa e carente de boas habitações. Por isso, os andares superiores dos edifícios deveriam ser construídos utilizando-se vigas de pedra, estruturas de tijolo cozido e paredes de pedra e cal. Embora, o emprego de tijolos cozidos comece a ser uma realidade edilícia na Roma de Augusto, fica nítido na leitura dos conselhos vitruvianos sobre as paredes laterícias que boa parte das construções ainda emprega a técnica do opus latericium o que justificaria, segundo o autor, um reforço de material testáceo, portanto de tijolo cozido, em construções laterícias. É justamente no Livro II e capítulo 8.18 que Vitrúvio faz uma distinção entre os dois tipos construtivos empregados na construção.
À parte ao que foi comentado até o momento, elaboramos para o nosso catálogo um gráfico em conjunto com uma tabela [gráfico 4] dos tipos construtivos – os opera – a partir das informações coletadas sobre cada uma das termas, e que se encontram disponibilizadas nas fichas de registro. Para a tabela e o gráfico, listamos todos os tipos construtivos para os paramentos e os pavimentos e empregados nas termas. Dessa forma, o nosso levantamento rendeu uma quantidade muito grande e diversificada de técnicas, o que nos leva, para este segmento do capítulo, a apresentar um novo gráfico com base apenas nos aparelhos dos paramentos termais.
No gráfico abaixo48, podemos visualizar a porcentagem de cada um dos aparelhos
parietais empregados nas Hispaniae, isto é, desde os aparelhos menos utilizados até aqueles mais empregados na construção das paredes, levando em conta que algumas técnicas foram empregadas nas fundações ou como revestimento dos pavimentos, como é o caso do opus spicatum. Além disso, em cada ficha de registro identificamos o opus e onde foi empregado em cada parte do edifício.
48 Uma nota de esclarecimento. Os números dos opera, ou técnicas, levantados para cada terma é apenas uma amostragem feita a partir do que foi identificado claramente como um determinado opus pelos arqueólogos ou descrito com outros termos por eles, mas sendo possível a nós identificar a que opus uma determinada descrição se referia.
65 | P á g i n a II. Gráfico dos tipos construtivos nas Hispaniae
Sigla do catálogo Aparelho Quantidade de opera
identificados nas termas hispano-romanas
OQu Opus quadratum 10
OIn Opus incertum 20
OCa Opus caementicium 26
OVi Opus vitattum 11
OMi Opus mixtum 2
OSp Opus spicatum 4
OTt Opus testaceum 7
OAf Opus africanum 1
OLa Opus latericium 4
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Para simplificarmos o nosso objetivo neste segmento do capítulo, apresentaremos uma breve síntese de cada um dos opera49 acima, mas enfatizando uma vez mais que
49 O estudioso francês Jean-Pierre Adam (2011) comenta em sua obra os inúmeros monumentos romanos e etruscos que utilizam os diferentes tipos construtivos, nos isentando assim de exemplificar cada uma das técnicas. O que, certamente, seria exaustivo e desnecessário. Num artigo de síntese, o arqueólogo espanhol Manuel Bendala Galán (1997: 149-155) comenta origem e as técnicas edilícias mais empregadas nas
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