A análise das lâminas delgadas selecionadas sob CL (Anexo) revelou que tanto os grãos (aloquímicos ou não) da Formação Jandaíra quanto seus principais produtos diagenéticos (micritização, dolomitização, neomorfismo e cimentação) revelaram desde ausência de luminescência à luminescência em cores (amarela, laranja, vermelha, marrom e azul) e intensidades variadas (Tabelas 2 e 3).
Tabela 2 – Alguns resultados da Catodoluminescência para os diversos constituintes
(grãos, matriz e cimento) do Campo da Fazenda Belém e Lajedo do Rosário da Formação Jandaíra- Bacia Potiguar.
Sem Catodoluminescência Com Catodoluminescência Localização
Lâmina 12 Poço CRI-SD- 04 Faz. Belém Lâmina N3-B Lajedo
Contribuição da Catodoluminescência para o entendimento da diagênese da Formação Jandaíra: áreas do Campo de Petróleo da Fazenda Belém e Lajedo do Rosário
CATODOLUMINESCÊNCIA (COR) Vermelho claro Vermelho escuro Laranja claro Laranja escuro Laranja escuro com bordas amarelas
azul ausente Vermelho com bordas amarelas Amarelo forte MICRITA (MICRITIZAÇÃO, PELÓIDES) XX XXX XXXXXXXX CRESCIMENTO SECUNDÁRIO EM EQUINODERMA XXX X NEOMORFISMO X X X DOLOMITIZAÇÂO XX XX XX X PREENCHIMENTO DE FRATURA X X X CIMENTO BLOCOSO XX X X X CIMENTO EM MOSAICO < BLOCOSO X X X X X GRÃOS TERRÍGENOS XX X BIOCLASTO (?) X XXXX OÓIDE X X X X FRANJA ISÓPACA X
Tabela 3 - Cores e intensidades observada a partir da análise sob catodoluminescência
de diferentes constituintes da Formação Jandaíra, nas lâminas estudadas. A quantidade de “X” reflete a frequência com que as cores aparecem.
Os seguintes resultados foram obtidos:
- Na micrita deposicional, em grãos de natureza micrítica (pelóides e intraclastos) e naqueles parcialmente micritizados, predominou ausência de luminescência e, subordinadamente, luminescências de cores variadas (laranja escuro, vermelho claro) com intensidades fortes a fracas;
- Oóides apresentaram desde ausência de luminescência a luminescências laranja e vermelho de intensidade fraca. Grãos terrígenos exibiram emissão predominantemente azul e, subordinadamente, ausente. Bioclastos em geral apresentaram-se não luminescentes e, em menor número, com luminescência laranja claro;
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- No cimento blocoso, observou-se, predominantemente, luminescência de cor vermelho claro e, subordinadamente, ausente. Dois padrões de luminescência foram encontrados, exclusivamente, no cimento blocoso: (a) a presença de duas cores, uma na borda e outra no centro de cada cristal; (b) ocorrência de zonações do tipo oscilatória e concêntrica simples, ou seja, a segunda é paralela às superfícies de crescimento dos cristais e a primeira, provavelmente se formou em sistemas fora do equilíbrio como resultado de certos processos de difusão/precipitação sobre a superfície de crescimento do cristal (Reeder, 1991; Ortoleva, 1994);
- No cimento em mosaico de cristais menores do que o blocoso, não se observou uma cor predominante, tendo sido identificadas desde ausência de luminescência até cores amarelo forte, laranja clara e vermelha escuro/claro;
- Crescimentos secundários em equinodermas mostraram-se predominantemente sem luminescência e, subordinadamente, com luminescência de coloração amarela com intensidade forte. Gastrópodes neomorfizados apresentaram cores de luminescência laranja escuro/claro e amarelo forte. Preenchimento de fratura apresentou desde ausência à luminescência laranja. Cristais de dolomita, precipitados diretamente ou gerados a partir da substituição de outros minerais, apresentaram predominância de luminescência nas cores vermelho claro/escuro e laranja claro e, subordinadamente, cor amarela. Franjas isópacas apresentam luminescência predominantemente vermelho claro.
Contribuição da Catodoluminescência para o entendimento da diagênese da Formação Jandaíra: áreas do Campo de Petróleo da Fazenda Belém e Lajedo do Rosário
Tabela 4 - Alguns resultados da CL que revelaram a presença de zonações em cimento
blocoso no Lajedo do Rosário da Formação Jandaíra- Bacia Potiguar.
Como a calcita pura apresenta luminescência azul escuro, a ocorrência de diferentes cores de CL indica a ocorrência de um ou mais defeitos pontuais nestes cristais (elétrons livres, espaços livres e impurezas). Como foi visto no Capítulo 4, cores e intensidades de CL, em rochas carbonáticas são geralmente correlacionadas com conteúdos analisados de Mn2+ e Fe2+
.
Como o tingimento das lâminas delgadas estudadas com alizarina e ferrocianeto de potássio revelou ausência de carbonatos ferrosos nos diferentes constituintes da Formação Jandaíra (grãos, matriz e cimento), as diferentes cores e intensidades da CL devem-se, muito provavelmente, à presença de íons ativadores (Ex: Mn2+) e não de uma combinação ativador / inibidor. Da mesma forma, a ausência de luminescência muito provavelmente deve-se à ausência de íons ativadores e não a uma baixa concentração de íons inibidores________________________________________________________________________________ Lâmina N3 Lajedo Lâmina N3- A Lajedo
Contribuição da Catodoluminescência para o entendimento da diagênese da Formação Jandaíra: áreas do Campo de Petróleo da Fazenda Belém e Lajedo do Rosário
(Ex: Fe2+). O Mn2+ e o Fe2+ estão presentes nos fluidos, em condições anóxicas, e poderão ser incorporados no cimento. Já em condições subóxicas, o íon Mn2+ pode existir em solução e incorporar- se no crescimento do cristal, porém o Fe2+ permanece em solução. Portanto, no caso das amostras da Formação Jandaíra, a incorporação do Mn2+, nos diferentes constituintes, deve ter sido controlada através do estado redox do meio ambiente deposicional e diagenético, portanto é possível que os constituintes luminescentes tenham se formado (Ex: oóides) ou sido modificados (Ex: neomorfismo de gastrópodes) sob condições redutoras, ainda no ambiente deposicional; em subsuperfície, durante o soterramento; ou, no caso das amostras do Lajedo do Rosário, no retorno às condições superficiais, pós- soterramento. No que diz respeito às zonações, as mudanças bruscas da luminescência de escura para moderada a forte provavelmente devem-se à precipitação de um fluido com flutuações químicas (Almeida et al., 2007).
A fim de que se estabeleçam, com maior precisão, sob que condições as diferentes intensidade e cores de CL, na Formação Jandaíra, foram geradas, sugere-se que as mesmas sejam correlacionadas com conteúdos analisados de Mn2+ e Fe2+ e dados de isótopos estáveis, para determinar salinidade, temperatura, pH e Eh durante deposição.
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Capítulo 6
Conclusões
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Contribuição da Catodoluminescência para o entendimento da diagênese da Formação Jandaíra: áreas do Campo de Petróleo da Fazenda Belém e Lajedo do Rosário
A realização deste trabalho foi possível obter as seguintes conclusões:
a) A técnica da Catodoluminescência (CL) permite inferir a composição química das fases cimentantes através dos diferentes padrões de luminescência emitidos pelo aparelho e detectados na imagem formada no computador;
b) Lâminas delgadas de rochas carbonáticas da Formação Jandaíra foram analisadas sob CL, a qual revelou que tanto os grãos (aloquímicos ou não) da Formação Jandaíra quanto seus principais produtos diagenéticos (micritização, dolomitização, neomorfismo e cimentação) apresentaram desde ausência de luminescência à luminescência em cores (amarela, laranja, vermelha, marrom e azul) e intensidades variadas;
c) Como a calcita pura apresenta luminescência azul escuro, a ocorrência de diferentes cores de CL, nos diferentes constituintes da Formação Jandaíra (grãos, matriz e cimento), devem-se, muito provavelmente, à presença de íons ativadores (Ex: Mn2+) e não de uma combinação ativador / inibidor. Da mesma forma, a ausência de luminescência muito provavelmente deve-se à ausência de íons ativadores e não a uma baixa concentração de íons inibidores (Ex: Fe2+);
d) A incorporação do Mn2+, nos diferentes constituintes, foi largamente controlada através do estado redox do meio ambiente deposicional e diagenético, portanto é possível que os constituintes luminescentes tenham se formado (Ex: oóides) ou sido modificados (Ex: neomorfismo de gastrópodes) sob condições redutoras, ainda no ambiente deposicional; em subsuperfície, durante o soterramento; ou, no caso das amostras do Lajedo do Rosário, no retorno às condições superficiais, pós-soterramento. No que diz respeito às zonações, as mudanças bruscas da luminescência de escura para moderada a forte provavelmente devem-se à precipitação de um fluido com flutuações químicas;
e) Sugere-se a aplicação de técnicas mais precisas de identificação da mineralogia dos constituintes (ex.: absorção atômica, emissão atômica, fluorescência atômica) e emprego de análise de isótopos estáveis para uma indicação mais precisa dos ativadores responsáveis pela CL e sob que condições eles atuaram.