A empresa B investiu e ainda investe em terceirização na área de TI, com o intuito maior de focar em seu negócio. A concorrência no setor de refrigerantes, principalmente depois do avanço das marcas populares, tornaram o mercado extremamente competitivo, forçando as empresas tradicionais a investir em inovações e novos modelos gerenciais para garantir a competitividade frente à concorrência. Segundo Brasil (1993), as empresas já admitiram que não existe um modelo capaz de fazer com que conquistem o desempenho maximizado que as deixem à frente de todos os concorrentes por muito tempo, mas mesmo com os prós e contras, a terceirização, como maneira de se trabalhar somente no que agrega valor ao negócio, vem mostrando sucesso no resultado final dos processos.
A filosofia da área de TI consiste basicamente na idéia de que uma fábrica de refrigerantes não é uma empresa de software. O foco é manter a operação funcionando da melhor forma possível para a venda de bebidas. Esta opinião vem ao encontro da abordagem feita por Turban, Rainer e Potter (2003), na qual comenta que, mesmo quando as empresas conseguem gerenciar a TI de forma precisa, provavelmente não estarão tão capacitadas quanto empresas especializadas nessa área. Por isto, uma das melhores estratégias a ser adotada neste caso é terceirizar.
Outro aspecto que motivou a empresa B no sentido de terceirizar, diz respeito a custos. Pelas palavras do CIO, o objetivo não é diminuir custos, mas, sim, controlá-los. “Atualmente, para manter dentro da empresa uma equipe para suprir todas as necessidades dos diversos departamentos sobre desenvolvimento de sistemas, seria muito oneroso, então
resolvemos terceirizar esta parte, deixando nosso foco apenas com a manutenção do dia a dia”.
4.3.5 Vantagens, desvantagens e obstáculos
Como relata Brasil (1993), a terceirização compreende uma postura estratégica com vantagens e desvantagens. Como vantagens, a organização B percebeu um aumento significativo na qualidade dos softwares e na manutenção. Outra vantagem foi uma maior rapidez nas soluções. Segundo o CIO, uma vez que o projeto é bem definido e entendido pela terceirizada, o processo acontece de forma muito rápida.
No entanto, uma desvantagem é que algumas empresas não entregam o projeto no prazo correto, mesmo com todo o cuidado na seleção das empresas, acarretando em demora na conclusão do projeto. Também são realizadas reuniões semanais para verificar o andamento e a qualidade do projeto, mas quando o projeto já está em andamento, mesmo executando o contrato e não havendo perda de valor monetário para a organização, o prazo fica comprometido. Outro aspecto negativo, este inerente à própria idéia da terceirização, é o fato de que muitas terceirizadas não conseguem se aprofundar nas soluções por não conhecerem o negócio do contratante. Gasta-se muito tempo para aprender todos os aspectos de um negócio e, pior, existem aspectos que não podem ser divulgados, mesmo para uma empresa parceira e este aspecto pode influenciar diretamente no entendimento e, posteriormente, na qualidade do software desenvolvido, fato que influenciou alguns projetos de desenvolvimento da empresa B.
Na verdade, este aspecto negativo consiste no cerne do problema que gera obstáculos para a terceirização da TI. A área de TI da empresa B se deparou com um alerta dos acionistas na hora de terceirizar: não divulgar todos os métodos e processos do negócio. Mesmo terceirizando atividades que não agregam valor ao produto final, muitas vezes os processos ligados à atividade-fim, tais como terceirização de programas para a força de vendas ou para emissão de notas fiscais para entrega de produto, precisam ser elucidados para a empresa contratada, o que pode acarretar na abertura de informações sigilosas. Outro obstáculo encontrado pela companhia, trata da resistência interna da própria equipe de TI. Segundo o CIO, muitas vezes, na visão do funcionário, a empresa está remunerando pessoas de fora da organização, ao invés de valorizá-lo, aumentando seu salário. “Mas ele não percebe que não tem tempo, que está desgastado, está sobrecarregado, que tem a operação do dia-a-dia”.
4.3.6 Gestão de contratos e formas de controle
Segundo o entrevistado, a empresa B acredita que o acompanhamento é um dos segredos da terceirização e utiliza os contratos para alcançar quatro objetivos: (i) formalizar o acompanhamento do serviço; (ii) como forma de controle; (iii) cumprimento de prazos; e (iv) qualidade nos serviços. Por isto, os contratos passam por três avaliações: primeiro, do gerente de TI, que analisa o contrato tecnicamente; segundo, pelo departamento jurídico da empresa, que verifica a idoneidade da empresa e os aspectos legais da organização; terceiro, do setor jurídico, que verifica a sua saúde financeira. Apesar da verificação da situação financeira da empresa, mesmo que a parceira se encontre em situação desfavorável, se não comprometer a empresa no sentido de cumprir com o acordado, o contrato será assinado.
Cada contrato é elaborado separadamente, pois, atualmente, a empresa possui cerca de quarenta fornecedores. Este contrato contém as cláusulas estabelecidas no projeto, tais como prazo e valores. É interessante observar que normalmente não são aceitas modificações, salvo quando detectados equívocos da contratante, visto que se entende que, quando isto acontece, possivelmente ocorreu falha na elaboração do projeto.
4.3.7 Tendências futuras
Existe uma tendência a se terceirizar o parque de hardware, tais como servidores e mainframes. A idéia seria contratar uma empresa para alocar parte dos servidores para suprir necessidades emergenciais. A empresa passaria a não estar mais à mercê de acontecimentos eventuais, podendo garantir o andamento dos processos mesmo em situações com graves problemas de geração de energia ou falha do equipamento. Esta transferência não deve ser total, os equipamentos alocados na empresa prestadora de serviços serão apenas em número suficiente para suprir necessidades emergenciais. Embora ainda não hajam estudos formais, as negociações estão em andamento e esta terceirização aconteceria no ano de 2005.