• Sonuç bulunamadı

3. YÖNTEM

5.1. Sonuç

O trabalho educativo com idosos difere daquele que envolve crianças, por exemplo, pelo fato de que são pessoas mais experientes são sujeitos com uma longa vivência que buscam, por vontade própria, integrar-se socialmente, manter suas capacidades físicas e mentais para tomar decisões sobre a própria vida. Para isso, é necessário um ambiente que possibilite refletir sobre a complexidade do mundo moderno, por meio de atividades prazerosas, que viabilizem diálogos sobre o assunto estudado para uma produção de conhecimentos junto a pessoas de outras gerações.

A fim de criar um ambiente que pudesse estimular a pergunta, favorecendo o diálogo sobre os assuntos matemáticos abordados, realizaram-se reuniões do pesquisador com três bolsistas do Laboratório de Educação Matemática (LEM) do Departamento de Matemática da Unesp, câmpus Rio Claro, para o planejamento dos encontros. Os bolsistas eram estudantes do curso de licenciatura em Matemática dessa universidade, uma aluna no segundo e dois alunos no terceiro ano.

Nos encontros de planejamento, que ocorreram, semanalmente, no LEM, com duração de uma hora, refletia-se sobre: assuntos a serem propostos; procedimentos pedagógicos a serem utilizados; recursos que poderiam promover maior participação e facilitar a compreensão do tema estudado; adaptação de recursos para pessoas idosas, bem como a organização do espaço físico. Havia uma preocupação constante “na criação e no aprimoramento de uma metodologia para o trabalho educacional, que valorize as experiências acumuladas e que torne o idoso um agente de seu próprio aprendizado” (CACHIONI, 2003, p. 41). Do mesmo modo, refletia-se a respeito dos acontecimentos do encontro anterior com vistas a aperfeiçoar e/ou a refazer o planejamento, o que possibilitou escrever, em conjunto, trabalhos, que foram apresentados em eventos científicos ora pelo pesquisador ora pelos bolsistas.

Segundo a pesquisadora Cachioni (2003), é relevante para pessoas que desenvolvem atividades educativas com idosos, ter conhecimento básico sobre a velhice. Pensando nisso, colocou-se, nas reuniões de elaboração de tarefas e de reflexão sobre a ação Conversas, uma adaptação do questionário Palmore-Neri-Cachioni que visa avaliar conhecimentos acerca do envelhecimento. Este instrumento foi adaptado para um diálogo sobre envelhecimento com a equipe do projeto do LEM, vinculado ao trabalho com idosos. Associado a ele, outros textos sobre educação de idosos foram discutidos com este grupo.

Quadro 5 - Conhecimentos básicos sobre a velhice

1. A proporção de pessoas de mais de 65 anos que apresentam problemas cognitivos severos é de uma em dez;

2. Todos os sentidos tendem ao enfraquecimento na velhice;

3. A maioria dos casais acima de 65 anos perdem o interesse por sexo; 4. A capacidade pulmonar nos idosos saudáveis tende a declinar; 5. A satisfação com a vida entre idosos é maior do que entre os jovens; 6. A força física em idosos saudáveis tende a declinar com a idade; 7. O número de acidentes em motoristas com mais de 65 anos é menor em

comparação com os de 30 a 40 anos;

8. É grande a proporção de pessoas de 60 a 70 anos que se mantêm ativas; 9. É pequena a flexibilidade entre pessoas de 60 a 70 anos para adaptar-se a

mudanças;

10. A capacidade de aprender de pessoas de 60 a 70 anos é menor em comparação com os jovens;

11. Em comparação com os jovens, os velhos têm maior propensão à depressão; 12. Em comparação com os jovens, a velocidade de reação das pessoas de 60 a 70

anos é menor;

13. Em comparação com os jovens, os velhos valorizam mais as amizades chegadas/próximas;

14. A proporção de pessoas de 60 a 70 anos que vivem sozinhas é pequena;

15. A maioria dos idosos brasileiros tem rendimento mensal de até 1 salário mínimo; 16. A maioria dos idosos são, socialmente, produtivos; mas, economicamente,

inativos;

17. A religiosidade tende a crescer com a idade;

18. Com a idade, a maioria dos idosos torna-se, emocionalmente, mais seletiva; 19. Em comparação com as velhas gerações, as próximas gerações de idosos serão

mais educadas;

Fonte: Adaptado do Questionário Palmore-Neri-Cachioni in Cachioni, 2003.

Conhecer a respeito do envelhecimento contribui para se pensar nas tarefas a serem sugeridas aos idosos. Em relação aos temas abordados, os responsáveis pelo PROPARKI haviam solicitado que não houvesse uma linearidade de conteúdos, ou seja, que não houvesse uma dependência entre os temas trabalhados. Esse pedido colaborou para se selecionar e propor assuntos que não dependessem de uma explicação dada em encontro anterior, optando- se por temáticas que pudessem ser dialogadas em um período de, aproximadamente, uma hora. Contudo, ao se respeitar o tempo para que os participantes entendessem e se envolvessem em determinado assunto, mostrou-se necessário continuar um tema em encontros posteriores; inclusive, quem se ausentou do(s) encontro(s) anterior(es), da mesma forma, contribuiu com ideias/comentários/dúvidas que enriqueceram a atividade.

A preocupação de que os participantes se sentissem envolvidos na discussão sobre assuntos matemáticos era constante nos planejamentos e também na realização das atividades. Agia-se, dessa forma, por acreditar na “capacidade criadora de todo ser humano [por meio da] ação que é interação, comunicação, diálogo.” (FREIRE, 2001, p. 12)

Com o objetivo de minimizar possíveis dificuldades dos participantes, organizava-se, previamente, o local em que se realizariam os encontros para facilitar o acesso, por reconhecer, por exemplo, que na terceira idade problemas de locomoção podem ser mais frequentes. Para diminuir prováveis dificuldades de ordem visual, aumentava-se o tamanho da fonte das fichas de atividades, pois uma atividade com letra reduzida pode dificultar a leitura, prejudicar o entendimento e, consequentemente, a participação. A entonação da voz era outro cuidado assistido, pois um tom muito baixo, provavelmente, não seria ouvido e prejudicaria o envolvimento dos participantes.

Nesse contexto, igualmente, levou-se em consideração cuidados como: respeitar as individualidades; evitar generalizações; não infantilizar os participantes; não tratar idosos como incapazes; preservar sua independência e autonomia; ajudá-los a desenvolver aptidões; ter paciência, pois o tempo deles é outro, eles são mais lentos (ZIMERMAN, 2000).

Além disso, nos planejamentos, houve uma preocupação com o tempo de resposta dos participantes, tanto na compreensão da atividade a ser realizada quanto em seu

desenvolvimento. Isso ocorreu, uma vez que se concorda que o cérebro do idoso reage mais lentamente e leva mais tempo para armazenar, para recuperar e para processar informações. Os idosos, por mais inteligentes que sejam ou por mais intactas que estejam suas memórias, não se comparam aos jovens em testes mentais que envolvem o processamento de informações desconhecidas. Mas a precisão da memória e a fluência verbal não diminuem com a idade. Com tempo suficiente, o cérebro velho saudável, em geral, recupera informações tão bem quanto os cérebros jovens, apesar de não ser tão rápido (LIMA, 2001).

As considerações apresentadas conduziram às escolhas de abordagens metodológicas que serão tratadas nas seções seguintes.