2.3. Üst Biliş Düşünme Becerileri
2.3.2. Karar Verme
As observações reflexivas do pesquisador se referem às anotações, realizadas por ele, após a realização de cada um dos encontros. Por meio delas, foi constituído um Diário de Campo que possibilitou registrar interações durante a realização de investigações matemáticas e também trechos de conversas informais, quando os sujeitos compartilhavam suas impressões e suas ideias sobre a ação Conversas.
Segundo Lüdke e André (1986), num processo de adaptação da etnografia para a educação, ocorrem modificações como, por exemplo, o termo etnografia distanciar-se do
sentido de descrever “um sistema de significados culturais de um determinado grupo” (p. 13- 4). Para essas pesquisadoras, em um ambiente educacional, reflete-se sobre os processos de ensino e de aprendizagem, contemplando um contexto sociocultural mais amplo. Entendendo o ambiente da ação Conversas sobre Matemática com idosos como um espaço educativo, buscou-se refletir sobre essa atividade extensionista, aproveitando ao máximo o tempo com os sujeitos para realizar observações relacionadas à participação dos idosos nas atividades sugeridas. Sendo assim, a presente pesquisa pauta-se nos princípios da pesquisa etnográfica.
O pesquisador estava aberto ao inesperado nos encontros, por exemplo, para o fato de haver alguma crítica às atividades sugeridas ou algum senhor ou senhora não ter vontade de desenvolver alguma tarefa. Em cada encontro, havia um roteiro de observação, apêndice 3, em que havia perguntas que visavam responder à pergunta de pesquisa.
Para o assunto ‘Conversa sobre regularidades em sequências matemáticas, utilizando calculadoras’ (esse assunto foi discutido em três encontros), buscou-se registrar o seguinte: Alguém conhecia algo sobre o assunto?; No geral, os idosos realizaram as tarefas? Como?; Houve alguém que não quis desenvolver alguma tarefa?; Houve compartilhamento de ideias no grupo?; Os participantes expressaram ter gostado das tarefas?
Cabe dizer que os objetivos para o trabalho com as sequências matemáticas eram: exercitar, por meio de sequências numéricas a dedução, a análise e a generalização; refletir sobre princípios matemáticos como a equivalência, a decomposição, a igualdade e a compreensão da estrutura do sistema de numeração decimal; estimular a busca de diferentes procedimentos para solucionar um problema e favorecer a análise e a comparação desses procedimentos no que se refere a sua validade; estimular capacidades como concentração e persistência. Considera-se que esses objetivos foram alcançados, como é possível ver no item ‘Há outra maneira de fazer essa conta, depois do que foi falado aqui?’, no subtema 6.2.2.
Fazer anotações, logo após os encontros, contribuía para não esquecer aquilo que foi discutido. O registro das observações possibilitou um entendimento sobre a atividade desenvolvida; nesse sentido, concorda-se com André (1995) de que, por meio desta técnica, seja possível “descrever as ações e representações dos seus atores sociais, reconstruir sua linguagem, suas formas de comunicação e os significados que são criados e recriados no cotidiano do seu fazer pedagógico”. (p. 41).
Além do roteiro de observação contido no planejamento, o pesquisador poderia anotar algo que considerasse pertinente como, por exemplo, se alguém comentasse um assunto que pudesse ser trabalhado em outros momentos.
É importante destacar que o pesquisador informou aos participantes, desde o primeiro encontro, que eles contribuíam em uma pesquisa de doutorado que investigava as possibilidades de educação Matemática para a terceira idade.
O trabalho com essas notas possibilitou um primeiro exercício de análise. As notas foram escritas, pois se queria registrar como os participantes realizavam as atividades propostas, o que acontecia durante os encontros, como se desenvolvia o diálogo no grupo, como as senhoras e os senhores expunham suas ideias para a resolução dos problemas sugeridos.
Pensando em um padrão para as notas de campo, colocou-se, na primeira página, um cabeçalho que contém o título do encontro, o dia em que ele ocorreu, um roteiro sucinto, o nome do observador. Nem sempre isso ocorreu, pois, às vezes, o pesquisador recorreu a folhas em branco para fazer suas anotações.
As reflexões do investigador, em geral, eram produzidas, diretamente, no computador. Cada uma das notas foi realizada no mesmo dia do encontro. Elas foram escritas após refletir sobre o objetivo da pesquisa, realizando um primeiro movimento de análise, de acordo com a literatura que fundamenta a investigação. Para isso, foram valiosas as sugestões de Bogdan; Biklen (1994) referentes à escrita das notas de campo: i) ir direto à tarefa, sem adiá-la, pois quanto mais o tempo se passa para a anotação das observações reflexivas, mais frágil pode se tornar a lembrança do que ocorreu; ii) registrar a observação sem falar dela a outrem, pois isso pode gerar confusão entre o que de fato aconteceu no encontro e o que foi compartilhado a alguém; iii) encontrar um local sossegado, longe de distrações e com equipamento adequado para entregar-se à tarefa do registro; iv) dedicar um tempo maior para a escrita do que o utilizado no encontro. Nesse contexto, gastou-se, aproximadamente, três vezes mais tempo para escrever sobre o que ocorreu; v) utilizar, inicialmente, frases curtas para pontuar o que aconteceu e o que interessa à pesquisa, esse processo pode auxiliar muito à elaboração do registro; vi) organizar o texto segundo uma ordem cronológica, de acordo com a observação; vii) esforçar-se para transcrever as conversas sobre os assuntos dialogados no encontro; viii) acrescentar algo de que se lembrou e que não havia sido anotado; ix) entender que a escrita das notas é algo trabalhoso, mas recompensador no final.
Ao compor essas notas, o investigador se esforçou para registrar, objetivamente, os detalhes ocorridos, admitindo que escolhas foram feitas e juízos atribuídos. Porém, dentro desses limites, buscou-se produzir um texto com o máximo possível de informações que contemplassem o objetivo da pesquisa (BOGDAN; BIKLEN, 1994).