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Segundo Ana Mae Barbosa (2008, p. 229), a partir deste reconhecimento é importante que os educandos possam interpretar, apreciar e valorizar a arte local , como também possam ter uma participação crítica. O ensino de arte, dessa forma, realiza os objetivos educacionais para uma prática educativa que busca a mudança social através do processo de conscientização.

Essa proposta educativa deve muito às ideias de Paulo Freire: “a educação é um processo político que ou reforça as injustiças sociais, pelo controle da consciência ou promove mudanças pelo processo de reflexão crítica chamada ‘conscientização’” (BARBOSA, 2008, p. 230).

Fot ografias - XXXVII e XXXVIII

Aluno Gilbert o e o professor Ronne, parceria ent re professor e aluno no projet o “ Econom ia Solidária” .

Fot ografia XXXIX Projet o “ M em órias”

Trabalho com o resgat e do repert ório musical dos alunos e ampliação dest e repert ório para novos est ilos musicais.

Freire enfatizou a posição do “aprendente” em relação ao mundo como propiciando as condições essenciais à interpretação. Assim, é fundamental considerar o contexto que envolve o ato de aprender.

Segundo Barbosa (2008, p. 233), a arte que existe em nossa vida cotidiana é invisível. Já a arte local é interpretada a partir de seu contexto, e essa interpretação aciona não só uma maior compreensão da arte em si, mas também de uma análise crítica da produção de sistemas de produção de valores nela refletidos. O estudo da arte, própria da cultura dos alunos favorece o desenvolvimento destas habilidades, para que possam interpretar, questionar e participar conscientemente na cultura e sociedade local.

A experiência cultural como pudemos ver, é recurso imprescindível na educação e o trabalho com arte é intrínseco à experiência. Dentro deste trabalho, tanto na Proposta Curricular do município, quanto na teoria de Ana Mae Barbosa, são apresentados os três princípios no trabalho com arte: o fazer, o criar e o apreciar.

Ana Mae Barbosa propõe uma metodologia de ensino da arte, levando o educando a produzir, a ver e entender seu lugar na cultura através do tempo:

Quando falo em conhecer arte, falo de um conhecimento que nas artes visuais se organiza inter- relacionando o fazer artístico, a apreciação e a história da arte. Nenhuma das áreas sozinhas corresponde à epistemologia da arte. (IAVELBERG, 2003, apud BARBOSA, 1991, p. 31 -2)

A apreciação como ato de criação estética, e não como atitude passiva ou olhar conformado que apenas produz, está ligada ao grau de intimidade com as diferentes linguagens e produções artísticas. Intimidade essa que permite a apropriação de sua história, característica e técnica própria e produz o reconhecimento do prazer e do significado dessa relação; que constrói o olhar, que ultrapassa o cotidiano, colocando-o em outro plano, transgredindo-o, construindo múltiplos sentidos, leituras e formas de compreensão de vidas. O olhar aguçado pela sensibilidade, pela emoção, pela afetividade, pela imaginação, pela reflexão e pela crítica. “Olhar que rompe, quebra a linearidade, ousa, inverte a ordem, desafia a lógica, brinca, encontra incoerência e divergência, estranha, admira e se surpreende para então estabelecer novas formas de ver o mundo”.66

Considerando as boas práticas no ensino de arte, podemos perceber que a ação da escola pode favorecer na construção e mediação da identidade pessoal de cada educando, bem como na importância do seu reconhecimento diante da diversidade de pontos de vistas na perspectiva da

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BORBA; GOULART. In: M EC/ FNDE. Orient ações para inclusão de crianças de seis anos de idade no Ensino Fundament al ,

2006, p. 51.

educação para compreensão. Expor os educandos não só ao conhecimento formal, conceitual e prático em relação às artes, como também como parte da sua cultura e da cultura de outras sociedades.

Como podemos ver e presenciar na prática educativa, o ensino de arte pode mediar a compreensão da realidade dos educandos, favorecendo a ampliação do olhar e da percepção do que os rodeiam, de maneira questionadora, construindo pontos de vistas, não só diante das experiências cotidianas, mas também diante das realidades distantes do seu tempo e espaço. Quando alguém se aproxima das experiências de outras pessoas, ou de outros pontos de vista, as próprias experiências adquirem uma maior perspectiva, e a compreensão sobre a realidade é enriquecida.

Daí a necessidade de não perdermos de vista as práticas educativas, que respondem a movimentos sociais e culturais que vão além dos muros da escola e que o ensino de arte pode constituir reflexos do que se vive em sociedade.

5. Capítulo – O OLHAR DE CADA ATOR E AS FORMAS DE DIÁLOGOS

EXISTENTES: diferença aos diferentes

O objetivo deste capítulo é dar voz aos “atores” que compuseram esta pesquisa, buscando validar as experiências. Nesta organização, primeiramente formulamos um questionário com perguntas abertas aos familiares da EMEB Octávio Edgard de Oliveira. A escolha por esta organização partiu da preocupação de não sugestionarmos ou induzirmos os pais às respostas, portanto os familiares registraram suas ideias conforme a questão apontada. Convidamos os familiares dos alunos e alunas a respondê-lo e desta ação obtivemos a contribuição de 143 questionários. As respostas foram analisadas de maneira quantitativa - expressas através dos gráficos; e qualitativas - a partir das indicações das porcentagens analisadas a luz da fundamentação teórica e dos registros escritos dos familiares. Esta é a primeira organização que irá compor este último capítulo.

A segunda ação aconteceu através da contribuição dos professores que concederam entrevistas e preencheram um questionário elaborado com perguntas abertas, também considerando a primeira preocupação, ou seja, a de não intervirmos na concepção posta de cada professor. As contribuições dos professores deram sentido e validaram algumas hipóteses levantadas nesta pesquisa, como também ilustraram a fundamentação teórica. Desta ação, buscamos articular e tecer uma rede de relações estabelecidas entre cultura, classes sociais e aprendizagens.

Todas estas contribuições fundamentaram a função eminentemente cultural e social, baseada nas relações e sistemas simbólicos, que acabam por interferir na experiência individual, como também no imaginário da comunidade no dia a dia do ambiente educativo.

Os dados a seguir nos auxiliaram a compreender como as funções culturais, sociais e simbólicas integram aos substratos da realidade compartilhada em condições desiguais e a forma como é produzida e distribuída a cultura dentro do território de cada sujeito.

5.1. COM A PALAVRA: OS FAMILIARES

Análise da questão 1

A questão um teve por objetivo investigar a origem dos familiares da escola, considerando a dinâmica cultural da cidade, a fusão das culturas e o processo de migração

interna, fruto da década de 1950 e do desenvolvimento industrial, que fez da cidade um polo de indústrias automobilísticas, como também promoveu seu crescimento desordenado. Neste sentido, buscamos compreender se ainda é relevante o regionalismo dos familiares dos alunos desta unidade escolar.

Benzer Belgeler