6. ALTI BACAKLI ROBOT MODELĐ ĐÇĐN KONTROL
6.3. Bulanık Mantık
FO TO GRAFI A XXI V
Ao fazer a análise do desenho, podemos observar que a criança pôde colocar em jogo a conduta da função simbólica e da imagem mental desenvolvida a partir de um tema de interesse e que possibilitou estabelecer relações entre a vida do pintor e sua própria vida. É por meio do desenho que a criança coloca em jogo a influência da cultura em seu cotidiano, por materiais e suportes com que fez seus trabalhos.
Pudemos comprovar, a partir dos estudos de Iavelberg (2003, p. 83), que através das produções das crianças estão presentes as seguintes influências culturais:
x local e época histórica em que vive; x suas oportunidades de aprendizagem;
x suas ideias ou representações sobre o que é desenho e para que serve desenhar; x seu potencial para fazer desenho e refletir sobre a produção de desenhos;
Observamos que é a partir do desenho que a criança representa tais experiências, construções, transformações e aprendizagens no percurso escolar. “A penetração da realidade é sempre mediada por linguagens, por sistemas simbólicos, ou seja, acontece a construção
Fotografia XXIII
Conhecimento da trajetória histórica do pintor, seu primeiro contato com a arte. Um momento feliz para Candido Portinari.
Produção artística: representação de situações da vida da criança que a deixa feliz.
Fotografia XXIV
Apreciação da obra “Retirantes”. Momento em que Candido traz em suas obras, questões sociais que o chocavam. Produção artística: representação daquilo que choca a criança.
que se realiza pela representação de objetos, ideias e conceitos” (GUERRA; MARTINS; PICOSQUE; 2009, p 32).
Como pudemos ver através das produções das crianças, trabalhar com arte favorece momentos de reflexão do “estar-no-mundo”, trabalhando na linguagem artística “seu coração e sua mente” (GUERRA; MARTINS; PICOSQUE; 2009, p. 35).
Quando a criança trabalha em uma produção artística, deposita em cada gesto a cor, o movimento, uma postura, o traçado. Para cada ação, são colocados em jogo os sentidos, a intuição, a imaginação, o intelecto, as sensações, revelando o modo singular de captar e pensar a realidade.
Como podemos observar a partir das produções acima, o desenho não é apenas a representação do mundo visível e sim uma linguagem, com características próprias, com fortes marcas de decisões individuais, culturais e coletivas. Portanto é fato afirmarmos que o desenho tem forte influência do contexto sociocultural.
Observamos também que através do processo educativo, novos sentidos e saberes possibilitam a construção de conhecimentos e vendo-se desafiadas, as crianças colocam em jogo a imaginação, a sensibilidade, a cognição e a memória. Partindo destas ações, com o lápis, a tinta e o papel; com as palavras escritas e orais; os educandos aguçam o olhar, a escuta, o movimento, constituindo formas sensíveis de se apropriar de conhecimentos sobre o mundo, sobre o outro e sobre o espaço escolar.
Percebe-se que na apreciação das imagens, as crianças puderam identificar possibilidades de sentir e refletir sobre ações no sentido crítico da constituição da sociedade.
O trabalhado realizado por parte destas professoras buscou ser reflexivo e contextualizado, estabelecendo relações com o mundo da criança e o fazer artístico.
Outra experiência realizada na escola e relatada por uma professora do quarto ano do Ensino Fundamental (2º ano ciclo II), também nos dá mostras do importante papel do ensino de arte dentro do processo educativo. Relata esta professora que, ao trabalhar com apreciação musical, trouxe para aula uma ópera e buscou explicar um pouco da história daquela música, bem como a composição dos instrumentos. Os alunos, que em suas rotinas não costumam apreciar tal tipo de música, ficaram atentos à explicação da professora, até que um dos alunos buscou uma relação com a vida cotidiana, dizendo: “- Professora, às vezes, eu
escuto esta música no desenho da TV – Tom e Jerry ou Picapau”. Neste momento a professora buscou explicar que este recurso é utilizado, pois a música apresenta um ritmo que possibilita a associação dos movimentos juntamente com a história dos personagens.
Podemos constatar a partir deste relato, as importantes relações que as crianças estabelecem com o ensino da arte. Mesmo sendo crianças da periferia, que não vivenciam concertos musicais, ainda assim estabelecem relações com o que é possível na vida cotidiana. A professora, ao trabalhar com determinado conteúdo, possibilitou a ampliação do repertório cultural da criança, abrindo novas perspectivas para além daquela situação real da periferia.
Vemos através das produções escolares, como a proposta educativa pode proporcionar ao educando a reflexão sobre a sua realidade, sobre sua situação concreta, tornando-o mais consciente, comprometido e pronto para intervir e mudar sua realidade.
A ideia de Freire já nos orientou sobre a construção de saberes a partir das vivências dos alunos – “saber da experiência feito”, e não desmerecemos o fato de que se faz necessário que as crianças avancem na construção destes saberes de maneira significativa e reflexiva sobre o mundo. Entendemos que alguns conteúdos são importantes para assimilação dos saberes universais ou para a inclusão da cultura da comunidade na qual a escola está inserida. O aluno se aproximará desses saberes de modo distinto, conforme seu momento de desenvolvimento e de suas aprendizagens anteriores, dentro e fora da escola. Portanto, a escola deve ter um cuidado especial ao olhar para estes conteúdos.
Na periferia, vemos que a arte é um instrumento essencial dentro do processo educativo. É por meio dela que os professores, muitas vezes, compreendem a cultura de seus alunos como uma cultura diferente da sua.
Outro relato também traz, a partir de uma proposta de trabalho realizada por uma professora do segundo ano (2 º ciclo I), as possibilidades de compreensão da rotina de cada criança, através de uma simples atividade de desenho utilizando como recurso alguns materiais diferenciados e que eram novidade para seus alunos (giz pastel, lápis metalizado, lápis de cor fluorescente e canetão). O objetivo era explorar o material nunca usado pelas crianças e de uma atividade com pouca intencionalidade pudemos comprovar o quanto da representação social e do imaginário infantil uma simples atividade pôde denunciar.
Nesta atividade, pedimos maior atenção para o desenho Y. Trata-se do desenho de um aluno que é acompanhado pela escola, no que diz respeito à negligencia familiar. Esta criança é acompanhada pela assistente social, por agente comunitário e pela UBS (Unidade Básica de Saúde), em virtude de inúmeras situações de negligência da família, com falta de cuidados básicos de higiene (a criança apresenta mau cheiro) e cuidados com relação a sua saúde, com sérias alergias respiratórias e de pele, apresentando ferimentos no rosto e nariz.
A criança Y, dentre todos os desenhos da turma, no momento da apreciação da sua produção, compartilhou com o grupo, dizendo que havia desenhado a represa Billings e
seu pai pescando. Seu desenho diferencia-se pela noção de perspectiva e pela representação social que o compõe, com a Rodovia Imigrantes e torres de eletricidade. O desenho desta criança não é uma exceção dentro do contexto da periferia e sim um padrão. Percebe-se que a dura realidade destas crianças, seu modo diferenciado de vida, a vivência da rua, em comparação com as crianças de outra classe social, possibilita uma produção artística bem diferenciada. Levanto a hipótese de que crianças como esta apresentem maiores competências de representação que as crianças de outras classes sociais, hipótese essa que não poderá ser respondida nesta pesquisa.
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Fotografia XXV
No m om ent o da apreciação, o aluno socializou sua hist ória. Uma baleia que engoliu peixes e os mesmo t ent avam fugir pela vent osa, ant es de serem engolidos por um t ubarão.
Fotografia XXVI
Refeit ório - O espaço reservado para aulas de art e.
FO TO GRAFI A XXV
Fotografia XVI
A aluna desenhou uma cena com princesa, príncipe e um coração brilhant e, simbolizando o am or.
Fotografia – XXX e XXIX
Desenho Y – aluno em sit uação de negligencia fam iliar. Represent ou a realidade em que vive em uma at ividade de produção livre.
Fotografia XVI
Represent ação da fam ília.
FO TO GRAFI A XXVI I FO TO GRAFI A XXVI I I
FO TO GRAFI A XXX
A produção das crianças, revelou um envolvimento intenso com a realidade em que vivem, seja através do imaginário infantil, seja pela realidade social. As propostas de trabalho para o ensino da arte oportunizaram às crianças o momento privilegiado de trazer para a cultura escolar a cultura de cada um. Puderam colocar em jogo, aquilo que é sensível aos olhos, pensando e discutindo sua cultura, sua forma de vida, sua ótica de enxergar o mundo e os conflitos existentes neste mundo, que nem sempre são perceptíveis aos professores, considerando que muitos deles não participam desta realidade da periferia. As aulas de arte abrem esta perspectiva, fazendo com que os professores possam enxergar à realidade da criança a partir da apreciação de suas obras, podendo entender e contextualizar o
Fot ografia XXXII
Represent ação do cam pinho de fut ebol do bairro
Fot ografia XXXI
O aluno desenha o carro que o pai gost aria de t er para t rabalhar com ent regas
Fot ografia XXXIV
Represent ação da oficina de barcos, localizada pert o da escola.