A Licença de Instalação (LI), ou Licença de Construção, como alguns autores a denominam, “autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante”, consoante estabelece a Res. CONAMA n. 237/97210.
Farias211 salienta que é nessa segunda fase que se elabora o Projeto Executivo, que é
“uma reestruturação do projeto inicial com muito mais detalhes e no qual são fixadas as prescrições de natureza técnica capazes de compatibilizar a instalação do empreendimento com a proteção do meio ambiente por meio de medidas técnicas adequadas”.
A LI deve necessariamente ser precedida da LP, posto que só poderá ser licenciada a atividade ou o empreendimento nos moldes exatos dos planos, programas e projetos aprovados, sendo condição determinante para a sua concessão o cumprimento das medidas de controle ambiental e demais condicionantes firmadas na fase anterior. Assim, caso os planos, programas e projetos apresentados divirjam dos aprovados anteriormente, ou caso não tenha
210 Art. 8º, inciso II.
havido o exato cumprimento das medidas de controle ambiental, ou de qualquer condicionante, preestabelecidas, poderá o licenciador, de plano, indeferir o seu requerimento.
Nesta fase, será autorizada a instalação física do empreendimento, ou seja, poderá ser dado início à construção do empreendimento licenciado, podendo, igualmente, o órgão ambiental competente firmar novas condicionantes e/ou medidas restritivas ou de controle ambiental a serem regiamente obedecidas, sob pena de embargo da obra ou de indeferimento da licença a ser posteriormente concedida. Também poderão ser impostas medidas mitigadoras e/ou compensatórias dos danos ambientais juridicamente aceitos.
Exatamente por autorizar a construção do empreendimento, é que todos os cuidados devem ser tomados, a fim de evitar danos ambientais concretos. Como vimos, erros podem ser constatados na Licença Prévia, a qual deve ser atentamente revista para a concessão da Licença de Instalação. Há certos casos, por exemplo, que o empreendimento ou a atividade licenciada previamente não teve a exigência de Estudo Prévio de Impacto ao Meio Ambiente, e posteriormente se constata a sua necessidade, em virtude da sua significativa potencialidade degradadora. Em sendo constatado o equívoco, deverá o órgão licenciador imediatamente corrigi-lo, determinando a realização do EPIA como exigência para a concessão da Licença de Instalação.
Caso o empreendimento venha a instalar-se sem a observância das normas ambientais, mas amparado por licença errônea, danos ambientais poderão ocorrer, havendo inclusive o risco de irreversibilidade da situação fática. É o que podemos observar do seguinte julgado:
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AMBIENTAL. INDÍGENA. USINA HIDRELÉTRICA. VÍCIOS NO PROCESSO DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL. OMISSÃO DO COMPONENTE INDÍGENA. IRREVERSIBILIDADE DA SITUAÇÃO FÁTICA. OBRA CONCLUÍDA. RESERVATÓRIO CHEIO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AOS ENVOLVIDOS. ÁREA ESTRANHA ÀS TERRAS INDÍGENAS.
1. Resta evidenciado que ocorreu o enchimento do reservatório da UHE Monjolinho, por força da suspensão de liminar em ato da Presidência do E. Tribunal Regional Federal da Quarta Região.
2. Considerando a história do licenciamento ambiental em questão, pontuado por equívocos, que acabaram consolidados, sendo irreversível a situação de fato e considerando ainda as diversas tentativas de acordo e o TAC firmado perante o MPE, não se mostra produtivo ou prudente anular o acordo ou o que de consensual já foi construído, acordo que pode ser aperfeiçoado, retificado, ratificado (inclusive com a presença do MPF), e no qual não diviso potencialidade danosa.212
212 BRASIL. Tribunal Regional Federal da 4a Região. Apelação Cível n. 25754 RS 2009.04.00.025754-3.
Relator: Marga Inge Barth Tessler. Data de julgamento em 18 de novembro de 2009. Data de Publicação em 18 de dezembro de 2009. Disponível em
< http://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/6934457/agravo-de-instrumento-ag-25754-rs-20090400025754- 3-trf4 >. Acesso em 10 de jun. 2012.
No Estado do Ceará também há situações em que as licenças ambientais também são concedidas sem a efetiva observância das normas ambientais, e não raras vezes isso acontece por equívoco na análise realizada pelo órgão ambiental estadual. Para exemplificar, trazemos a baila o caso do empreendimento “Villa dei Fiori”, situado no Distrito Sede do Município de Guaramiranga-CE, na Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra de Baturité. Em atendimento à solicitação formulada pelo Delegado de Polícia Federal, Dr. Cláudio Joventino, o IBAMA realizou vistorias técnicas na área onde estava em construção o empreendimento, no intuito de se averiguar denúncias sobre possíveis intervenções praticadas em Área de Preservação Permanente. Tratava-se de uma construção de uma vila residencial, composta por 12 unidades unifamiliares, com área individual de 75,0m², perfazendo uma área construída total de 900,0m², em um terreno com área de 1.632,40m².
O referido empreendimento contava com a Licença de Instalação nº 77/2008, de 24 de Junho de 2008, emitida pela SEMACE (órgão ambiental estadual), válida até 24/06/2009, bem como com o Alvará de Licença nº. 12/07, de 24 de Julho de 2007, emitido pela Secretaria de Obras e Planejamento Urbano da Prefeitura de Guaramiranga. Até que se ultimasse a conclusão do Laudo Técnico, a obra fora embargada pelo próprio IBAMA, com fundamento nos Princípios da Prevenção e da Precaução. O laudo realizado constatou que referido empreendimento estava inserido na Área de Preservação Permanente do curso d’água localmente denominado Riacho Nanci (veja o Laudo Técnico no Anexo I).
Portanto, como nesta fase já será dado início às obras, caso concedida a licença pretendida, o órgão ambiental deverá atentar para o efetivo cumprimento das medidas de controle ambiental impostas na primeira fase, e, ainda, impor novas condicionantes a serem cumpridas ao longo da instalação, posto que nesta fase há um enorme risco de concretização dos danos ambientais, sendo recomendável ao licenciador acompanhar todo o período de construção, a fim de verificar o fiel cumprimento das normas e princípios ambientais, sob pena de paralisação das obras.