ADANA Osmaniye Issızca Karaboya 2.125 15-38 Hidrotermal Ekonomik değil markasit yatağı
12. Sonuç ve Öneriler
Figura 3.3.1-1: Croqui do sítio SLM
O sítio onde vivem Lino (65 anos) e sua esposa Maria dos Anjos (68 anos) se divide, como os demais, em uma área cercada que ora denominamos quintal e que forma o polígono compreendido entre as coordenadas UTM 21L 0185403/8322256 e 0185380/8322195 (frente) e 0185276/8322237 e 0185297/8322296 (fundos), totalizando uma área de aproximadamente 8.000m².
Há uma área no entorno imediato na qual estão localizados os currais e a área de pastagem, que se estende por entre o capão/cerrado e também uma área de pantano, onde o gado se refresca. Essa área também é cercada para evitar que o gado ultrapasse os limites entre as propriedades.
Figura 3.3.1-2: área do pântano e o detalhe da cerca de limite da propriedade de Seu Lino.
Assim como Lino, D. Maria dos Anjos também nasceu na comunidade Porto Alegre e depois se mudou para o Porto Boqueirão. Ela conta que quando se mudou com seu Lino para o Boqueirão só havia mata e no meio da mata o paiol de milho da família de Lino. Ela lembra que todas as árvores frutíferas foram plantadas por eles, mangueiras, laranjeiras, pés de mexerica, seriguela, pitanga, entre outros. Já as frutíferas nativas como a bocaiuva e o jenipapeiro nasceram e foram preservados.
Nessa época os vizinhos mais próximos eram os familiares da “comadre Maria Rosa” – a matriarca do outro grupo familiar – que vivia no Bom Futuro, local identificado e por nós denominado como SArqM – Sítio arqueológico Mangueiras. Ela conta que a antiga casa de Maria Rosa foi derrubada quando a estrada foi aberta.
Figura 3.3.1-3: Maria dos Anjos e seu neto Maguila.
Seu Lino conta que durante muitos anos trabalhou para a fazenda Santa Cruz, porém, alguns desentendimentos com o administrador fez com que ele deixasse o trabalho na fazenda para se dedicar exclusivamente as suas criações e plantações. Lino, além do gado leiteiro, também
têm criações de caprinos e ovinos. Dona Maria dos Anjos ajuda na lida com a criação, sobretudo com as galinhas, que beiram uma centena.
Figura 3.3.1-4: Ovelhas e galinhas de Lino e Maria (SLM).
Além dos animais de criação, o casal tem uma roça onde plantam milho, mandioca e outros vegetais alternadamente. Essa roça sazonal fica na entrada da propriedade, na área definida como quintal. De acordo com Lino, antigamente a roça era bem maior e se estendia para além das cercas do quintal. Mas com o aumento da área de pasto e também a desvalorização no mercado dos produtos agrícolas, hoje eles se dedicam a plantar apenas para a subsistência. Dona Maria também tem uma horta, onde planta pimentas, cebolinha, chuchu, abóbora, abacaxi entre outras ervas, frutos e legumes, conforme a época do ano, também para o consumo próprio e distribuição entre parentes e vizinhos. E como diz Kika, d. Maria tem mão boa para plantar, sua horta está sempre verdejante.
Na horta de dona Maria dos Anjos podemos verificar alguns elementos simbólicos relacionados à proteção contra olho-gordo e mau olhado de pessoas invejosas, como ela explica.
Há dois chifres de vaca encaixados em uma vara de madeira bem no meio da horta entre as hortaliças. Também a própria pimenteira, segundo dona Maria, traz proteção contra o mau- olhado, além de ser cultivada para consumo, pois é muito apreciada na culinária local. Do lado de fora da horta, também com funções simbólicas existem várias touceiras de espada-de- são-jorge.
Figura 3.3.1-6: horta (SLM); tem chifres, pimentas e espada-de-são-jorge; elementos que são utilizados para proteção contra mau-olhado.
De acordo com dona Maria o chifre pode também ser colocado pendurado na porta da casa, para evitar a entrada de energias negativas, que seriam absorvidas por ele. Há um chifre pendurado na porta da sala de D. Maria.
Não há nenhuma construção de alvenaria na propriedade. Todos os cômodos da casa são construídos a partir de padrões e técnicas vernaculares utilizadas pelos moradores da comunidade Boqueirão. Os cômodos estão todos espacialmente separados e são feitos de pau- a-pique ou de madeira, sempre cobertas com folhas de babaçu.
A primeira estrutura que se observa pela entrada principal (pela estrada) do sítio é um moquiço, utilizado para o armazenamento de ferramentas e demais produtos para a lida com a roça e as criações. Esse barracão é basicamente construído com madeira e folhas de babaçu, inclusive as paredes são feitas com a folhagem entrelaçada.
Figura 3.3.1-7: Moquiço na entrada da propriedade (SLM).
Da entrada do sítio é possível ver a cozinha externa, que também é a sala de recepção dos visitantes que chegam a casa, sobretudo nos dias de calor. Trata-se de um cômodo sem paredes e recoberto com palha de babaçu, onde fica o freezer, potes para armazenamento de leite e ração, além de uma série de outros itens relacionados com as atividades cotidianas realizadas por D. Maria e Seu Lino. A cozinha fica próximo ao poço, onde também há os galões para armazenamento de água, local onde se lava a louça e outro onde D. Maria lava as roupas.
Figura 3.3.1-8: Dona Maria nas atividades cotidianas
Notemos que neste espaço onde D. Maria dos Anjos recebe as visitas há um vaso com planta comigo-ninguém-pode, que também é utilizada para afastar energias negativas e está colocada estrategicamente nesse local de parada de visitantes.
Figura 3.3.1-10: Dona Maria dos Anjos recebe os vizinhos Seu Martinho e D. Maria; no detalhe a planta- comigo-ninguém-pode.
O próximo cômodo é a cozinha formada por dois ambientes, o primeiro para o consumo e o outro para o preparo das refeições, onde também está o fogão a lenha. Essa habitação é feita de madeira e coberta com folhas de babaçu.
Ao lado da cozinha outra habitação feita de pau-a-pique é destinada aos dormitórios e a sala de visitas. Este conjunto já foi a entrada principal da casa antes da construção da estrada, era o dormitório da casa voltado para o povo que vem da “rua”, como diz D. Maria.
Assim, em frente a essa habitação há muitas plantas como a espada-de-são-jorge, comigo- ninguém-pode, guiné e a dracena vermelha, ou pomba-gira como é chamada pela Dona Maria dos Anjos.
Em seu depoimento Dona Maria dos Anjos demonstrou seu conhecimento sobre plantas, tanto do seu uso medicinal, quanto simbólico.
Ainda na parte da frente da casa, porém fora do quintal, em direção ao pasto dona Maria tem um pé de pinhão-branco, outra planta que também é usada com fins de proteção, além de servir para tratar coceira na pele e também como chá para emagrecimento.
Dona Maria conta que quando vem uma pessoa que está carregada ou que tem inveja ou algum sentimento ruim, essa energia negativa é absorvida pelo pinhão e todas as suas folhas caem. D. Maria diz que tanto o pinhão branco, quanto o roxo tem essas propriedades de proteção e suas folhas podem ser usadas nos banhos de descarrego.
Figura 3.3.1-12: Pinhão-branco, planta de proteção utilizada por dona Maria dos Anjos.
Outra planta que d. Maria dos Anjos diz ser eficaz contra o mau olhado é a mangueira, uma das primeiras árvores por ela plantada quando veio viver nesse local.
Uma das maiores mangueiras do quintal de D. Maria dos Anjos não tem dado fruto nos últimos anos e ela diz que está aguardando alguma mulher grávida aparecer para poder abraçar a mangueira. Essa simpatia, segundo ela é bastante eficaz para a frutificação da mangueira.
Figura 3.3.1-13: Mangueiras plantadas no quintal do sítio SLM.
Além das folhas da mangueira e do pinhão, dona Maria listou algumas outras ervas boas para fazer banhos de limpeza contra energias negativas: assa-peixe, comigo-ninguém-pode, alecrim, guiné e arruda, que podem ser cozidas todas juntas e temperadas com um punhado de sal grosso. Ela completa dizendo que pode colocar todas as ervas de proteção “que é pra descarregar mesmo”.
Maria dos Anjos também conta que o povo antigo fazia uso do alecrim, porém tem que ter bastante cuidado, pois ninguém pode tocar na planta. Dona Maria lamenta não ter entre suas plantas a arruda, que diz ser uma erva bastante protetora. A arruda não se adapta ao clima de Vila Bela, por esse motivo ela não é cultivada por D. Maria.
No quintal de Seu Lino e D. Maria há muitas árvores frutíferas. Algumas já existiam e foram preservadas, outras foram plantadas. O jenipapeiro e o pé de bocaiuva já existiam e logo depois, nasceram dois pés de tarumã, que d. Maria resolveu deixar, pois gosta muito do suco.
Figura 3.3.1-14: Jenipapeiro e o fruto de bocaiuva.
Outras árvores já existiam no local e foram preservadas. Como no caso do cedro que está ao lado do moquiço na porteira de entrada, cerca de vinte metros das habitações. Está árvore, por
seu porte e por estar na entrada da propriedade também pode ser utilizada como um ponto de referência. De acordo com Seu Lino o cedro é uma madeira que “chama raio”, porém não cortou quando se mudou, pois se tratava de uma madeira nobre e hoje em dia o IBAMA não permite o corte desse tipo de árvore.
Figura 3.3.1-15: cedro
Das árvores que foram plantadas por Lino e Maria, estão as laranjeiras, pitangueiras, cerejeiras, goiabeiras, jambo, cajueiro e pés de mexerica, todas espalhadas pelo quintal.