• Sonuç bulunamadı

Firma X Vaka Analizine İlave BIM İle İlgili Uzman Görüşleri 5.7

6. SONUÇ VE ÖNERİLER

Segundo Carlos Maximiliano, a hermenêutica jurídica “(...) tem por objeto o estudo e a sistematização dos processos aplicáveis para determinar o sentido e o alcance das expressões do direito”.34

A interpretação seria o momento em que efetivamente se coloca em prática a sistematização dos métodos elaborados pela teoria hermenêutica. Em analogia, poder-se-ia afirmar que a hermenêutica está para o sistema da ciência do Direito assim como a interpretação está para o sistema de Direito Positivo. Quer-se dizer com isso que a hermenêutica trata de possibilitar, isto é, criar critérios à interpretação do Direito Positivo.

Para Carlos Maximiliano, a aplicação do Direito significa o enquadramento de um caso concreto à norma. O mecanismo de aplicação se dá passo a passo. Em suas palavras35:

Busca-se, em primeiro lugar, o grupo de tipos jurídicos que se parecem, de um modo geral, com o fato sujeito a exame; reduz depois a investigação aos que revelam semelhança evidente, mais aproximada, por maior número de faces, o último na série gradativa, o que se equipara, mais ou menos ao caso proposto, será o dispositivo colimado.

No sistema proposto por Carlos Maximiliano, existe a essência das coisas. Eis sua afirmação clássica: “Para atingir, pois o escopo de todo o direito objetivo é força examinar: a) a norma em sua essência, conteúdo e alcance (quoetio júris, no sentido estrito)(...)”.36

O momento da crítica (fase em que se apura a autenticidade, constitucionalidade de lei, regulamento ou ato jurídico), da interpretação jurídica (descobrir o sentido e alcance do texto), do suprimento de lacunas e do exame das questões possíveis de ab-rogação ou derrogação são as condições necessárias para que ocorra a aplicação do fato à norma. Nas palavras de Carlos Maximiliano, interpretar é: “Explicar, esclarecer; dar o significado de vocábulo, atitude ou gesto; reproduzir por outras palavras um pensamento exteriorizado; extrair, de frase, sentença ou norma, tudo que na mesma se contém.37

34

MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do Direito. 13ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1988. p. 1.

35

Ibidem, p. 7.

36 Idem. 37

Desde já se nota que para Carlos Maximiliano as palavras possuem significação de base, ou seja, cabe ao jurista revelar o significado de determinadas palavras e expressões por meio do mecanismo denominado interpretação.

Carlos Maximiliano rejeita o brocardo que “lei clara não precisa de interpretação”. Entende que a hermenêutica não se estende somente a textos defeituosos ou obscuros, pelo contrário, o objetivo dessa disciplina seria extrair o conteúdo da norma, seu sentido e alcance. Eis suas palavras: “(...) obscuras ou claras, deficientes ou perfeitas, ambíguas ou isentas de controvérsia, todas as frases jurídicas aparecem aos modernos como suscetíveis de interpretação”.38

Na obra de Carlos Maximiliano percebe-se claramente o importante papel atribuído à jurisprudência. Isso quer dizer que, mesmo o autor trabalhando com a “essência” das coisas, isto é, cabendo ao jurista extrair do texto do Direito Positivo o verdadeiro sentido e alcance das expressões, seria por meio da jurisprudência, segundo ao autor, que o Direito evolui. Não ocorrendo alteração na legislação, o Direito, devido à interpretação jurídica, pode, em determinado momento histórico, alterar o sentido e alcance das normas jurídicas. O Direito “viveria pela jurisprudência”.39

Carlos Maximiliano estipula alguns critérios que servem à interpretação dos textos de Direito Positivo. Enumerando os critérios mais importantes:

a) interpretação literal, em que o jurista se limita à análise da “letra” da lei na integridade constitutiva. Vale desde logo frisar que o autor condena a aplicação isolada desse critério. Isso quer dizer que o critério literal deve ser conjugado com outros critérios, ou seja, nunca poderá ser tomado como o único critério para a interpretação jurídica;

b) critério histórico, em que se analisa a evolução histórica do ordenamento com relação a determinado preceito jurídico. Estabelecendo-se dessa forma uma interpretação pautada na análise evolutiva da legislação. Também este critério não pode ser tomado como absoluto;

c) critério lógico, em que para descobrir o conteúdo, alcance e sentido das normas, dispensável o auxílio de qualquer elemento exterior ao Direito. Desta feita, o

38 MAXIMILIANO, C. Op. cit., p. 35. 39

intérprete se utilizaria de regras da lógica em geral para extrair normas do Direito Positivo;

d) critério teleológico em que a finalidade da norma é o elemento fundamental a ser alcançado pelo jurista. A função do jurista é descobrir não a vontade do legislador, mais sim a vontade da norma. Em outros termos, a interpretação jurídica deve ser voltada para a finalidade que a prescrição jurídica pretende alcançar. Neste ponto a lógica do Direito é de fins e não de meio;

e) critério sistemático, por excelência o mais importante. Embora Carlos Maximiliano, enfatize que todos devam ser conjugados, ou melhor, percorridos pelo jurista, sem dúvida alguma este é o mais importante. Este critério consiste em analisar as prescrições jurídicas postas à interpretação com outras prescrições jurídicas que possuam conteúdos de análise em comum. Nas palavras de Carlos Maximiliano: “Consiste o processo sistemático em comparar o dispositivo sujeito a exegese, com outros do mesmo repositório ou de leis diversas, mas referentes ao mesmo objeto”.40 O papel do jurista seria a observação do conjunto de prescrições jurídicas, para posteriormente extrair o conteúdo, sentido e alcance das normas isoladas.

Carlos Maximiliano acredita que o juiz não é um autômato que meramente aplica a lei. Pelo contrário, seu papel é fundamental, ou seja, de descobrir o sentido e alcance das normas de Direito que estão nos textos de Direito Positivo.

Imperioso por fim ressaltar que, para Carlos Maximiliano, a “moral” deve ser considerada pelo intérprete jurídico.

No momento de exegese dos textos normativos, as leis ou os costumes, dependendo do tipo de ordenamento jurídico, devem necessariamente ser interpretados de acordo com a ética (utilizada no sentido de moral). Sendo assim, qualquer forma de interpretação contrária à moral de determinada sociedade, regulada pelo Direito Positivo que se está analisando, jamais deverá prevalecer.

Em outros termos: estender ou restringir o sentido de determinado texto de Direito Positivo só pode ser feito se não contrair os princípios da moral.

40