6.3.3.1 Procedimentos
No primeiro semestre de 2007, assim que se estabeleceu a navegabilidade do site, obtive autorização do mesmo colégio onde coletei a primeira fase da pesquisa para contatar os estudantes em sala de aula e convidá-los a participar do estudo. Abordei os alunos que cursavam o terceiro ano naquele semestre, explicando os objetivos da pesquisa e convidando aqueles que tinham interesse pela área da saúde a participar. Dos 82 alunos, 16 manifestaram interesse em fazer algum curso na área de saúde; desses, 10 foram voluntários em participar da pesquisa. Na ocasião, entreguei aos voluntários orientações por escrito (Apêndice 13) contendo:
a) Esclarecimentos sobre a voluntariedade de sua participação;
b) Orientações sobre o funcionamento do site e da realização do download da tecnologia flash, solicitando-lhes que, durante as três semanas seguintes, navegassem pelo site quantas vezes desejassem, em seu próprio espaço e tempo, mas que o fizessem ao menos por quatro vezes. Encorajei-os a encaminhar perguntas para o e-mail indicado no site e solicitei que, durante a terceira semana, entrassem na sala de bate-papo por alguns minutos, visando ao esclarecimento de dúvidas.
Durante as duas semanas seguintes, enviei mensagem a cada um pelo correio eletrônico, lembrando-os de sua participação e solicitando um horário para conversarmos na sala de bate-papo. Esses encontros nas salas de bate-papo foram muito interessantes, porque demonstraram claramente como o jovem se comunica livremente através do computador, com uma linguagem própria e espontânea. Com freqüência, ao serem contatados por mim via telefone, mostravam-se tímidos e não responsivos, o que não acontecia na sala de bate-papo. Não houve intenção de minha parte em analisar o conteúdo das conversas conduzidas durante as interações, mas sim de esclarecer suas dúvidas. Limitava-me a responder suas perguntas e apontar áreas que eles ainda não haviam explorado no site. c) Esclarecimento de que, após as três semanas, eu realizaria uma entrevista com eles, a qual seria gravada.
Agendei, então, uma entrevista com cada aluno, de acordo com sua disponibilidade, e um novo termo de consentimento foi obtido dos pais dos alunos menores ou dos próprios alunos (Apêndices 14 e 15). Eu os entrevistei pessoalmente, utilizando-me das mesmas perguntas da Fase I. As entrevistas foram, então, transcritas, checadas para a detecção de erros e novamente se realizou a análise dos dados, utilizando-se a metodologia do DSC.
A seguir, apresento os resultados encontrados nas Fases I e III da pesquisa.
7 REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO ADOLESCENTE - FASE I
Dos 105 alunos que estudavam nas duas salas de aula do terceiro ano, 36 manifestaram possuir interesse pela área de saúde e destes 19 foram voluntários para participar da pesquisa. Dos 19 alunos participantes, 5 eram do sexo masculino e 13 do sexo feminino. A faixa etária variou de 16 a 19 anos, sendo que 3 alunos tinham 16 anos; 13 alunos, 17 anos; 2 alunos, 18 anos e 1 aluno, 19 anos. As escolhas profissionais estavam assim distribuídas: Fisioterapia 4; Enfermagem 1; Psicologia 1; Odontologia 1; Biologia 1; Medicina 10 e Farmácia 1.
Pela extensiva análise e procedimentos metodológicos já descritos anteriormente, foi possível construir os discursos coletivos pautados nas expressões-chave. Pelo mapeamento dessas expressões- chave agrupadas (Quadro 1), foi possível identificar temas e subtemas dentro das três perguntas principais.
QUADRO 1 - TEMAS E IDÉIAS CENTRAIS SÍNTESE - FASE I - Londrina, 2007
1- Você acha que o enfermeiro, alguém que quer ser enfermeiro, tem alguma coisa que o diferencia das outras pessoas? Fale um pouco sobre isso.
TEMA I - ATRIBUTOS PESSOAIS DO ENFERMEIRO SUBTEMA IDÉIA CENTRAL SÍNTESE
A1- Gosta de ajudar as pessoas, tem o dom de compreender (D) (L) A2- Pessoa atenciosa, calma, paciente, dedicada (N)
A3- Não pode ser frio; tem que mostrar interesse em ajudar (G) A4- Pessoa boa e “anjo da guarda” (B) ( F)
A5- Tem que ser cuidadoso e ter coragem (A)
A- Pessoa com qualidades valorosas
A6- Tem que ter muita responsabilidade, pois as conseqüências são grandes (C)
B1- É quem fica a maior parte do tempo ao lado do paciente (no hospital), mais que o médico (I)
B- É quem fica ao lado do paciente e faz
procedimentos
B2- Faz procedimentos (ataduras, horários, remédios) (T) C1- Pessoa que se sacrifica, desdobra-se, sem ego e humilde (S)
C- Característica de sacrifício
C2- A motivação não pode ser o dinheiro (U)
TEMA II - A PROFISSÃO DE ENFERMAGEM D- Uma profissão bonita, que
ajuda, cuida, salva vidas D1- Uma profissão que salva vidas, que ajuda, cuida (D)
E1- Tem que gostar do que faz porque deve ser um trabalho difícil (E)
E- É um trabalho difícil, pior, pesado, não valorizado
E2- Lida com pessoas machucadas e atividades de higiene que não é qualquer um que agüenta. (P)
F1- O médico está num patamar acima, só dá o diagnóstico (H) F2- Auxiliar do médico, limpa e arruma tudo para o médico (O)
F- Auxiliar do médico, subalterno do médico
F3- Obedece às ordens médicas em relação aos procedimentos e vive papel de servo (Q)
G1- Enfermagem é uma profissão do gênero feminino, delicado (J) G2- É um complemento para as outras áreas de saúde, um trabalho complementar, secundário (M)
G- Profissão dependente, sem opção de escolha,
complemento para outras áreas da saúde, de atuação essencialmente hospitalar
G3- O enfermeiro não tem opção de escolha, de atendimento e remuneração, pois trabalha para o hospital (R)
2- Onde o enfermeiro pode trabalhar?
TEMA IDÉIA CENTRALSÍNTESE A- Somente hospitais e
clínicas A1- Somente hospitais e clínicas
B1- Postos de Saúde
B- (Hospitais) e Saúde Coletiva
B2- Favelas
C- (Hospitais ) e casas C1- Nas casas (Enfermagem particular)
D- (Hospitais) e escolas,
universidades D1- Escolas e universidades E- (Hospitais ) e áreas
3- O que o enfermeiro faz nesses lugares?
TEMA IDÉIA CENTRAL SÍNTESE
A1- Faz e ajuda a fazer procedimentos (F)
A2- Faz procedimentos obedecendo a ordens médicas (B) A3- Sem ordem do médico não pode fazer nada (C)
A- Faz procedimentos
A4- Atendem pacientes não muito graves (G)
B- Um vigia atento B1- Lembra os horários, vigia complicações (K)
C- Orienta e dá informações C1- Conversa, dá apoio, informações, orientações sobre a doença (D) D- Auxilia o médico D1- Ajuda o médico, auxiliar de médico (M)
E- Atividade de ensino E1- Na universidade, vai dar aulas teóricas e práticas (I)
F- Atividade domiciliar F1- No domicílio, a enfermeira pode auxiliar idosos e deficientes quando a família não está em casa (L)
Em relação à primeira pergunta: “Você acha que um enfermeiro/enfermeira ou uma pessoa que deseja ser enfermeiro tem alguma coisa que o diferencia de outras pessoas? Fale um pouco sobre isso”, obtive, como resultado da análise, dois temas principais: primeiramente, as representações que os alunos possuem sobre os atributos do enfermeiro e, depois, sobre os atributos da Enfermagem.