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RİSKTEKİ DEĞERİN KONTROLÜ

As representações sociais de um grupo social são expressas de diversas maneiras, particularmente pela verbalização na forma de discurso. Dessa forma, nesta abordagem metodológica, buscou-se focalizar a forma

como o homem (no caso, o adolescente) representa o mundo para si mesmo, o que surge do interior da sua linguagem.

O referencial metodológico escolhido foi o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), descrito por Lefèvre, Lefèvre (2003, p. 13) como

um modo legítimo — não por certo o único — de conceber as Representações Sociais, entendendo-as como a expressão do que pensa ou acha determinada população sobre determinado tema. Este pensar, por sua vez, pode se manifestar, dentre outros modos, através do conjunto de discursos verbais emitidos por pessoas dessa população.

Utilizei o DSC nos dois estudos piloto desenvolvidos anteriormente com os profissionais de comunicação e com os alunos de ensino médio, com resultados que considerei muito interessantes, uma vez que reconstituíam um pensamento coletivo sobre o tema. Sentindo necessidade de maior aprofundamento teórico e metodológico, participei, no início do terceiro ano do doutorado, de um curso intensivo com os autores do método3. A troca de experiência que se seguiu foi muito importante para elucidação de dúvidas, tanto quanto para uma discussão com o autor sobre questões metodológicas e técnicas em relação ao projeto como um todo — essa discussão se estendeu ao longo do término da pesquisa via correio eletrônico, à medida que as fases da pesquisa se desenrolavam.

“A opção pelo método é imposta antes pela teoria que pelos fatos da realidade”(Lopes, p. 104). O método do DSC tem sido extensivamente utilizado para o estudo das representações sociais nas mais diferentes áreas do conhecimento e, particularmente, na área da Saúde e Enfermagem (Lefèvre, Lefèvre, 2005; Cubas, 2003), como divulgado pelo Instituto de Pesquisas do DSC em seu site (http://www.ipdsc.com.br/scp/index.php).

Este método pode ser utilizado por pesquisadores que desejam conhecer representações de modo sistemático, por meio de discursos verbais. A manifestação pela linguagem de um dado posicionamento sobre

3 Curso Teórico-Prático de Introdução ao Discurso do Sujeito Coletivo e ao Software

qualquer questão configura-se por uma idéia central com seus respectivos conteúdos e argumentos, ou seja, um depoimento discursivo que dá visibilidade ao pensamento ou à opinião dos indivíduos que compõem uma determinada coletividade. Argumenta-se então que, se o pensamento de um só indivíduo é exposto em um discurso, o pensamento de uma coletividade também deveria ser olhado como um discurso (Lefèvre, Lefévre, 2005).

Foi possível reconstituir, pelo DSC, a opinião coletiva do grupo de alunos, seu modo de pensar, através da reconstrução dessa coletividade como sujeito e objeto desse pensar (Lefèvre, Lefévre, 2005), pelas técnicas que o método propõe. Como ressalta Vassalo de Lopes (2003), “as técnicas são teorias particulares relativas à representação do objeto e, por conseguinte, são procedimentos que constroem empiricamente o objeto por meio dos fatos coletados” (p. 146).

O DSC valoriza também a definição quantiqualitativa do caráter coletivo do pensamento social, uma vez que é importante saber quantos indivíduos concorreram para a construção de um discurso do sujeito coletivo em sua caracterização demográfica (Lefèvre, Lefévre, 2005). Desta forma, na conceituação do DSC, existe a ênfase do componente qualitativo assim como do quantitativo na reconstituição das representações sociais, como descrito a seguir:

[O DSC é um] Conjunto harmônico de processos e procedimentos destinados, a partir de depoimentos colhidos em pesquisas sociais de opinião, a conformar, descritivamente, a opinião de uma dada coletividade como produto qualiquantitativo, isto é, como um painel de depoimentos discursivos, ou seja, qualidades provenientes de quantitativos de indivíduos socialmente situados (p. 26).

Para organização dos dados, utilizaram-se, portanto, quatro figuras metodológicas: a ancoragem, a idéia central, as expressões-chave e o DSC, resultando nos Instrumentos de Análise de Discurso I e II, tanto na Fase I (Apêndices 3 e 4) como na Fase III (Apêndices 5 e 6):

a) As expressões-chave foram transcritas como expressões literais de partes dos depoimentos que permitiram o resgate do

essencial do conteúdo discursivo (normalmente correspondente às questões de pesquisa);

b) Idéia central: foram apontadas as afirmações que permitiram traduzir o essencial do conteúdo discursivo explicitado pelos sujeitos em seus depoimentos. A seguir, realizou-se o agrupamento das idéias centrais, acompanhadas pelas expressões-chave em temas semelhantes;

c) Discurso do Sujeito Coletivo: realizou-se a busca do resgate do discurso como signo de conhecimento dos próprios discursos. Dessa forma, os discursos no DSC não se anularam ou se reduziram a uma categoria comum unificadora, mas buscou-se reconstruir com pedaços dos discursos individuais tantos discursos-síntese quantos necessários para expressar uma dada “figura”, ou seja, um dado pensar ou representação social sobre um fenômeno.

d) Ancoragem: procurei identificar, nos discursos, os alicerces em pressupostos, teorias, conceitos e hipóteses. Com base na teoria da Representação Social, entende-se que um discurso está ancorado quando é possível encontrar neles traços lingüísticos explícitos de teorias, hipóteses, conceitos, ideologias existentes na sociedade e na cultura, e que estejam internalizados no indivíduo.

Após leitura extensiva e um exercício laborioso, montei quadros em que identifiquei os Temas e Subtemas que surgiram através das Idéias Centrais Sintéticas. Pela elaboração desses quadros (Quadros 1 e 2), foi possível organizar, de forma coesa e compreensível, os discursos obtidos sobre as representações identificadas nas Fases I e III, e fazer a identificação quantitativa dos sujeitos que contribuíram para a construção de cada discurso.

A apresentação dos dados deu-se por meio da seleção das principais ancoragens e/ou idéias centrais presentes em cada um dos

discursos individuais e em todos eles reunidos, terminando em uma forma sintética, em que busquei a reconstituição discursiva da representação social da imagem do enfermeiro, antes e depois da navegação pelo site, seguida de discussão dos dados apresentados.

6.3.2 Segunda etapa: elaboração e hospedagem do site

Benzer Belgeler