THE RELATIONSHIP OF OCCUPATIONAL HEALTH AND SAFETY AND JOB SATISFACTION: AN APPLICATION IN THE CEMENT
7. SONUÇ VE ÖNERİLER
A criação desta Terra Indígena/TI por estas instituições resultou em um primeiro problema ambiental, que foi gerado assim pelo próprio Estado, na medida em que instalou indevidamente a Comunidade Indígena em uma APP, destinada à outra finalidade, a ser APP da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
A ACP nº 87.101.8182-2, movida pelo MPF de Foz do Iguaçu contra FUNAI e IBAMA data de 10.10.90, referia-se a suposta “extração ilegal de madeira” realizada em 1989 pelos Avá- Guarani do Oco’y e posterior venda dessa madeira.
Nessa ação era descrito que o fato se dava em terras caracterizadas como APP; porém, não especificava tal área, ou seja, que ela se constituía em APP de propriedade da Itaipu Binacional, havendo sobreposição com Terra Indígena/TI, questão fundamental a ser averiguada, o que de antemão já mostrava sua condição de ilegalidade.
Essa Ação em um primeiro momento voltada contra os próprios Guarani, concluiu por fim, na determinação da JF de Foz do Iguaçu de que a FUNAI e o IBAMA sofressem multa e obriga- ções ativas, em razão da não fiscalização da área – desdobramento da questão da suposta madei- ra extraída anteriormente, retirada da APP; a FUNAI deveria oferecer cestas básicas aos índios, o que foi feito somente até 1992, apenas dois anos, quando se interrompeu sob alegação de não haver verbas no órgão; quanto ao IBAMA, deveria fiscalizar a área e proceder o reflorestamento nas áreas supostamente desmatadas pelos índios.
Em 2001 o MPF e a JF de Foz do Iguaçu receberam relatório do IBAMA, que demonstrava a impossibilidade de proceder ao reflorestamento, justificavam, argumentando sobre a exiguidade da área para esse fim e para ao mesmo tempo manter na área a Comunidade Indígena.
Além de não ser possível às Instituições atender as determinações judiciais (alimentar os índios e reflorestar a área), a questão da suposta “extração” de madeira da APP, culminou em um impasse: ou os índios na TI do Oco’y ou a APP de Itaipu, espaço para os dois não havia, segundo afirmavam os técnicos do IBAMA.
Diante da resposta do IBAMA, a JF suspendeu temporariamente a multa e conforme solici- tação do Juiz Federal Dr. Rony Ferreira, em Ata de Audiência (21.08.2001) sobre autos da Ação Civil Pública, foi solicitado o “Laudo Antropológico” à FUNAI, indagando a dimensão de terras necessárias à sobrevivência dos Avá-Guarani.
Como antropóloga da FUNAI fui escalada para confeccionar tal Laudo Antropológico. A questão colocada pela ACP, afirmava que os Avá-Guarani do Oco’y teriam supostamente “extraí-
do através de desmatamento parte da área de sua reserva e posteriormente vendido a madeira”. Portanto, impunha-se antes de qualquer outra coisa, proceder junto aos índios Guarani a verifica- ção dos fatos realmente ocorridos.
Como vimos essas autoridades não questionavam a “instalação” dos índios em área inapropriada, na APP de Itaipu. Portanto, impunha-se também a verificação da legalidade da área, que apesar do próprio processo não apontar, acabava por suscitar, na medida em que esta sobreposição é ilegal. Ao esclarecer toda a questão, surgiram outros elementos diretamente rela- cionados, ligados às condições de vida da população indígena no local, que serão citados neste capítulo e explorados no Capítulo 3.
Deve-se destacar que os acontecimentos não haviam sido anteriormente esclarecidos junto aos principais protagonistas da situação, os indígenas Avá-Guarani. Face às práticas de subsistên- cia desses indígenas que implicam na necessidade fundamental de espaços florestados – pois é deles que provém a maioria dos produtos para sua subsistência, indagou-se antes, o que teria acontecido, já que o fato em si, “extração de madeira” realizada por eles, parecia contraditório e improvável, diante de seu modo de vida.
Dessa forma foi verificado através do relato dos próprios Avá-Guarani que após eles passa- rem a habitar a Terra Indígena do Oco’y em maio de 1982 – surpreendentemente em fração da APP do reservatório de Itaipu – mais tarde o Chefe de Posto da FUNAI no Oco’y solicitou à Itaipu a retirada de madeira caída às margens do referido reservatório.
Isso se deu porque com o advento criado por meio de inundação artificial do reservatório de Itaipu, que ocorreu em fins de outubro de 19822, as árvores existentes nessa área, ás margens do
Córrego Santa Clara, afluente do rio Ocoí, que por sua vez era afluente do rio Paraná, áreas estas de terras, todas, que em suas margens eram antes, florestadas, essas árvores tornaram-se desvitalizadas, mortas. O fato é comprovável através das imagens produzidas na TI do Oco’y e APP de Itaipu, nas quais nota-se até hoje (2012), a existência de árvores desvitalizadas tanto no interior quanto às margens dos locais que vieram a ser o reservatório da Itaipu Binacional. (Fotos 1 a 6)
2 A Itaipu Binacional criou o reservatório em 14 dias, por meio da inundação do rio Paraná e de seus afluentes, no período de 23 de outubro a 05 de novembro de 1982. Disponível em: http://www.itaipu.gov.br/nossa-historia/ desafiohumano. Acesso em 26.ago.2012.
Figuras 1 e 2. Árvores desvitalizadas no interior do reservatório de Itaipu em frente à TI do Oco’y e APP de Itaipu.
Maria Lucia Brant de Carvalho, 2001
Figuras 3 e 4. Árvores desvitalizadas ás margens do reservatorio de Itaipu, em frente à TI do Oco’y e APP de Itaipu.
Maria Lucia Brant de Carvalho, 2001
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Figuras 5 e 6
A princípio, segundo depoimento dos Avá-Guarani, seu interesse em utilizar esta madeira era dela fazer lenha para cozinhar seus alimentos e, assim, suprir necessidades básicas de subsistência. Deve-se ressaltar que a tecnologia indígena normalmente empregada nas atividades de subsistência é de baixo impacto – corte de madeira a machado, levando considerável tempo para transformar um tronco de árvore desvitalizado em lenha para uso, sendo o mesmo utilizado pelas famílias ao longo do tempo, contexto o qual, ecologicamente não agridem os ambientes preservados.
Ao constatar que esses índios passavam por sérias dificuldades para manter a própria subsis- tência – o que também se mostrava como fato surpreendente, pois legalmente Terra Indígena deveria apresentar espaço e ambiente, suficientes para sua sustentabilidade – o Chefe de Posto da FUNAI resolveu ser interessante vender parte dessa madeira, para assim obter recursos financei- ros, os quais seriam destinados à compra de produtos alimentares básicos. O Chefe de Posto da FUNAI, Reinaldo, segundo o testemunho dos indígenas, com o intento de ajudá-los, assistindo ao problema imediato das famílias que passavam fome, aconselhou-os assim, a cortar a madeira para uso (lenha) e para venda.
Constatou-se que o referido funcionário da FUNAI, agiu de forma assistencial e não técnica, talvez não se apercebendo do contexto que o rodeava. Optou por medida de curto prazo, sem procurar resolver o problema maior: a falta de condições desses indígenas de proverem sua alimentação, no seu próprio espaço, nesta fração territorial e nas formas costumeiras como con- cebem fazê-lo, como é de direito Constitucional das populações indígenas.
Autorizada a retirada de madeira pela Hidrelétrica, a ação foi feita com uma “moto-serra” fornecida pela própria Itaipu Binacional. Ela se prestou aos dois usos: à subsistência dos índios (lenha) e venda através da FUNAI, o que serviu para suprir necessidades alimentares básicas dos Guarani. O procedimento foi realizado por duas vezes.
De acordo com o Cacique, antes da venda das duas levas de madeira, essa intenção não passava pela cabeça dos Avá-Guarani: “A gente nem sabia que era possível vender as árvore..., a FUNAI e a Itaipu que ensino pra gente...”; em seguida afirma: “vendeu como lenha cortada, desta largura...” (mostra a extensão entre as mãos, cerca de 70 cm de largura). O pajé completou afirmando que as madeiras boas, de lei, já não existiam na área quando os Avá-Guarani chegaram, pois “os colonos já tinham tirado toda a madeira boa antes de nós”.
Segundo relataram os Avá-Guarani, o Chefe do Posto Indígena/PI Reinaldo negociou com a serraria próxima à Vila de Santa Rosa do Ocoí, solicitando que viesse buscar a madeira. A serraria comprou e pagou aos Avá-Guarani. Nesse ínterim foi substituído o Chefe de Posto. O novo Chefe Walderico, pouco familiarizado com o contexto vivido no Oco’y, ao assumir o Posto
deparou-se com a saída de caminhão de madeira da área, e, no seu raciocínio – a princípio correto, tentou impedi-lo, denunciando às autoridades a situação. Os Avá-Guarani ficaram des- contentes com o procedimento do novo Chefe, pois o antigo já havia firmado anteriormente o acordo com a serraria.
Neste contexto, foi iniciada a Ação Civil Pública nº 871018182-2. O objeto dessa Ação foi a segunda vez em que foi retirada e vendida a madeira. Nela consta que os Avá-Guarani teriam “extraído” madeira de parte de sua reserva e posteriormente vendido.
O comentário do Cacique à respeito de todo incidente: Tinha lei e a gente nem sabia..., nem de índio... nem de ambiente.... .
O que foi constatado se resume aos seguintes fatos:
a) No momento em que o IBAMA visitou o local, para verificar as possibilidades de reflo- restamento, atestou de maneira genérica que não seria possível fazê-lo devido ao pequeno espa- ço disponível na APP. Dessa forma, afirmaram os técnicos do IBAMA que “o local comportava ou a população indígena ou o reflorestamento, pois espaço para os dois não havia”. Acrescenta- mos ainda em 2001, em informação preliminar à Justiça Federal e ao Ministério Público Federal, ambos de Foz do Iguaçu, que realmente não haveria espaço para o reflorestamento por duas razões: As árvores caídas, mortas, cortadas e vendidas eram provenientes do interior e das mar- gens do reservatório, onde não se poderia mais reflorestar face à óbvia umidade existente nesses locais. Afirmava que apesar de toda a área se tratar na verdade de uma pequena Mata Ciliar do reservatório da Itaipu Binacional, tudo o que não consistia em área de roças ou de residências indígenas, eram Matas. Observou-se naquela época que por insuficiência de terras os Avá-Guarani estavam também se utilizando da área que consideravam ser APP de Itaipu, para a coleta de produtos florestais.
b) A madeira foi “vendida” por ideia e indicação de funcionário da FUNAI, contando com a contribuição de Itaipu, na medida em que forneceu a moto-serra e deu autorização para a retirada da madeira. Fato que realmente não poderia acontecer dado que tanto TI quanto APP são Áreas de Preservação Permanente. Especialmente em Terra Indígena os índios tem livre acesso aos recursos ambientais para a finalidade de subsistência. Por seu turno na APP de Itaipu não pode haver extração de madeira saudável, pois do contrário a área corre o risco de assorear, fato que é proibido pelo Código Florestal, Lei nº 4777 (15.09.1965), Artigo 2º, letra “a”, item 33. Muito
menos pode ocorrer a venda delas.
3 BRASIL. Lei nº 4777 (15.09.1965). Código Florestal. Disponível em: http://licenciamento.cetesb.sp.gov.br/ legislacao/federal/leis/1965_Lei_Fed_4771.pdf. Acesso em 26.ago.2012.
Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). 3 – de 100 (cem) metros para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989).
c) Até que se esclarecesse “a forma” da retirada e venda das madeiras, suspeitava-se que os indígenas teriam “extraído a madeira” através de desmatamento do local. O que foi comprovado é que a madeira não havia sido extraída, e, sim que foi aproveitada de árvores já caídas, desvitalizadas, mortas, existentes em grande quantidade nas margens e no interior do reservató- rio criado artificialmente por Itaipu, área essa, margens do Córrego Santa Clara, que antes da formação daquele reservatório, era florestada.
A questão de possível “desmatamento”, por parte dos índios foi esclarecida e descartada já de início, através dos depoimentos dos indígenas. Comprovou-se o que desde o início julgáva- mos improvável, a possibilidade de “desmatamento”, na medida em que ele seria uma profunda contradição com o modo de reprodução sociocultural em que a população indígena realiza suas atividades de subsistência, pois é da Mata que advém a maioria dos produtos necessários à sua sobrevivência, não sendo, portanto, a ação, de interesse dos Guarani. O que era fato, é que o interesse dos indígenas pela madeira morta resumia-se a princípio obter lenha para a satisfação das necessidades de subsistência na área em que viviam o que é seu direito Constitucional, con- forme Artigo 231 #1 da Constituição Federal/CF4.
Art. 231 – São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradi-
ções, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º – São terras tradicionalmente ocupa- das pelos índios, as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
d) O Chefe de Posto Reinaldo orientou equivocadamente os índios pela decisão da “venda de madeira”, auxiliado pela Itaipu, na medida em que autorizou a ação, emprestando ainda a moto-
serra; tanto a ideia da venda de madeira, a contratação da mesma junto a serraria, quanto o material utilizado para cortar a lenha com o qual é possível produzir madeira em grande quantidade e por fim a autorização da hidrelétrica, fazem parte de realidades exteriores e inusuais aos usos e costumes indígenas. Assim notou-se que os índios foram levados por terceiros a praticar a ação.
e) O Chefe de Posto mediou a contratação da venda de madeira, com intenção de suprir “necessidades básicas de subsistência” no sentido de auxiliar assistencialmente a população indí- gena de forma imediata e urgente, pois esta passava fome na área de terras que havia sido desti- nada a ela. O problema é que a Terra Indígena do Oco’y deveria ser sustentável, suprindo as diversas necessidades de subsistência da população indígena que abrigava, o que não acontecia no local, pois as terras para a população indígena apresentavam-se insuficientes, qualitativamen- te em termos ambientais e quantitativamente em termos de extensão territorial, o que era contra- ditório com a Constituição Federal da época, assim como com o Artigo 231 #1 da Constituição Federal atual (1988)5.
f) A existência de clara ilegalidade quanto à sobreposição de APP de Itaipu e Terra Indígena do Oco’y; Somadas, a largura da APP em frente ao Oco’y e a largura da própria Terra Indígena, perfazem um total de 238 metros em média, o que corresponde quase a mesma medida somente da APP de Itaipu no Brasil, oficialmente declarada pela empresa como perfazendo 210 metros.
Como vimos os indígenas não praticaram “extração de madeira”, mas aproveitaram madeira morta do interior e das margens do reservatório para obter a lenha de que necessitavam. Se na Terra Indígena a população necessita utilizar dos recursos ambientais para sua subsistência, na APP do lago de Itaipu não se pode utilizar nenhum recurso. Diante do fato que as terras disponí- veis a população indígena se apresentavam muito pequena em extensão, estaria evidente que os Avá-Guarani iriam acabar por utilizar também a área considerada como APP.
Afirmamos que neste local, as duas formas APP e TI não convergiam para os mesmos interesses, ou seja, a preservação ambiental para o meio ambiente e para os índios, pois não havia espaço suficiente para a sobrevivência da população indígena. A APP de Itaipu no local justifica- se por se tratar de pequena Mata Ciliar para proteger o reservatório de assoreamento, e, não exatamente de Preservação Permanente de recursos ambientais, os quais ela quase não possui (por ex.: quase nenhuma fauna).
g) As Terras Indígenas são de uso exclusivo dos mesmos, o que não acontece no local já que é utilizada também como APP do reservatório de Itaipu, fato que contradiz o Artigo 231 # 6º da 5 Ibidem.
Constituição Federal/CF6 e os Artigos 18 e 39 # 2º do Estatuto do Índio/EI, Lei nº 6001 de
19.12.1973. Ainda de acordo com a legislação, até as águas do lago/reservatório deveriam ser de uso exclusivo dos indígenas, conforme o Artigo 231 # 2º/CF e Artigos 22 e 24 #1º/EI. Citamos aqui somente a CF:
Art. 231 – São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradi-
ções, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.
§ 2º – As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, caben-
do-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.
§ 6º – São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a
ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé.
Ou seja, a lei estava em conflito por conta do estabelecimento indevido dos indígenas pela própria FUNAI e Itaipu, em APP do reservatório da hidrelétrica de Itaipu. Afirmávamos que neste caso, a consideração da legislação pelas autoridades (JF e MPF) estavam atendendo às necessidades da Usina Hidrelétrica de Itaipu, na forma de uma APP, e não estavam atendendo aos direitos indígenas, que garantiriam terras sustentáveis e de uso exclusivo das Terras e dos Recur- sos Naturais existentes nela. Acrescentávamos que pela avaliação em campo, mesmo que se tornasse a área toda (APP de Itaipu somada a TI) de uso exclusivo dos indígenas, estas terras, estariam ainda assim, longe de ser suficientes para aquela Comunidade Indígena. Pretender equi- librar, em um mesmo diminuto local, pequena APP, com pequena TI, que apresentava grande número de população, demonstrava ser impossível.
Denunciado o caso da venda de madeira, sem que os órgãos federais tivessem ciência plena dos fatos ocorridos na aldeia, foram imputadas as responsabilidades, a princípio contra os Avá- Guarani, posteriormente contra a FUNAI e IBAMA.
Enfim, o problema na verdade surgiu porque os índios foram inadequadamente instalados na APP de Itaipu, área que não poderia de forma alguma ser utilizada. Fatos que indicariam a neces- sidade de uma retratação pública por parte das autoridades quanto a acusação feita sobre os Avá- Guarani, e, revisão jurídica do processo, questionando antes de qualquer coisa a instalação ilegal dos indígenas na APP, fato de responsabilidade da FUNAI e da Itaipu Binacional.
A partir destas considerações, este estudo indagava (0ut/2001):
a) Porque a população indígena Avá-Guarani foi assentada em um local totalmente impró- prio para sua habitação, em uma área com ínfimas dimensões e que se caracterizava ambientalmente por ser apenas uma pequena Mata Ciliar, APP do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu? Dessa forma não foi reconhecida a sua organização social, pois esta não pode se dar neste espaço mínimo. Assim sequer a área poderia ser demarcada como Terra Indígena.
b) Os Guarani teriam direito a território de igual extensão e ambientalmente semelhante ao anterior, aonde habitavam, conforme reza a lei. Segundo depoimentos dos indígenas seu territó- rio tradicional se constituíam de terras de maior amplitude e mais ricas em termos ambientais7.
Portanto, não foram reconhecidos seus direitos originários sobre as terras que ocupavam. c) Esta APP não é um local de dimensões tanto qualitativas quanto quantitativas que se possa considerar, por exemplo, um “refúgio biológico” de espécies animais ou vegetais. Ela não tem esta característica. Dado o diminuto território, ele é considerado APP tão somente por apre- sentar uma pequena Mata Ciliar que visa proteger as margens do reservatório da Itaipu contra possível assoreamento, sendo esta sua finalidade principal, e, não possui características suficien- tes para ser Terra Indígena.
d) Quanto ao uso exclusivo dos índios, este não se dá, dada a superposição com a APP; a