• Sonuç bulunamadı

O computador permite a utilização de vários tipos de programas. No que se refere à escrita, podemos utilizar, por exemplo, um processador de texto.

Ao longo do projeto, verifiquei que vários alunos estavam já familiarizados com o computador e com o processador de texto, sendo que, este fator foi essencial no decorrer das atividades. Os alunos já sabiam, de antemão, que num processador de texto podiam escrever textos através da utilização de um teclado, que podiam apagar as vezes que quisessem e voltar a escrever, mudar o tamanho e o tipo de letra. Alguns afirmaram até que, em casa, gostavam de ir ao computador para escrever textos e fazer cópias.

Ora, nos momentos de melhoramento de texto, o processador foi utilizado. O texto era exposto na folha do programa e projetado no quadro interativo. Neste caso, o processador não serviu para escrever um texto, mas sim, para se fazer a sua revisão e melhoramento (para o reescrever). Verifiquei que o processador se mostrou bastante útil, já que podíamos partir de qualquer ponto do texto para apagar alguma frase que estivesse a mais ou que não fizesse sentido, ou, por outro lado, acrescentar mais informação, sem que fosse necessário apagar tudo e voltar a escrever. Nos momentos a pares no computador, os alunos também se revelaram familiarizados com esse aspeto.

No que diz respeito à própria formatação de um texto, o processador também permitiu que os alunos fizessem a sua divisão por parágrafos, bem como a colocação de um título, ou seja, tudo aspetos que eles também já faziam ao escrever o texto na folha de papel. Portanto, isto permite-me dizer que, quando trabalhavam com o processador de texto, estes alunos transferiam aquilo que já sabiam e que costumavam utilizar ao escrever numa folha de papel. Outro aspeto que achei

89 interessante observar foi a ortografia. O processador de texto está preparado com um corretor ortográfico que pode ser ligado ou desligado, conforme o gosto do seu utilizador. No caso desta investigação, o corretor ortográfico esteve sempre ligado e foi bastante positivo perceber que isso ajudou estes alunos na deteção de palavras mal escritas, ou até mesmo de frases que não faziam sentido. De acordo com os dados recolhidos, a maior parte dos alunos apenas o utilizou para a deteção dos erros e não para a sua correção, ou seja, não clicavam em cima da palavra sublinhada a vermelho para ver quais as sugestões de palavras que o próprio corretor dava. Esta situação também me pareceu positiva, pois isso levou a que os alunos conversassem acerca dos próprios erros e tentassem perceber onde estava o erro, ao invés de lhes ser dada a palavra já bem escrita. Não digo que esta última ideia também não seja uma boa forma de perceber onde estava o erro, pois isso obrigava os alunos a fazerem a comparação entre a palavra mal escrita e a palavra bem escrita, mas não passava disso. Em contrapartida, o desconhecer onde se encontrava o erro obrigava-os a pensar mais, a conversar. A maior parte dos alunos desconheciam o facto de ser possível clicar em cima da palavra mal escrita e ver as sugestões de palavras do corretor e, os alunos que já conheciam esta opção, raramente se lembravam de a utilizar, o que me leva a crer que, para eles, essa opção não era relevante, já que, normalmente, nesta turma, os erros são corrigidos, conversando sobre eles e sobre o seu sentido. Em relação à pontuação, verifiquei dificuldades ao nível do teclado, na forma como os sinais são introduzidos. Contudo, essa questão não foi inibidora de utilizar pontuação por parte dos alunos, pelo contrário, estes mostraram muita vontade em aprender e em perceber como é que se colocavam determinados sinais de pontuação com o teclado do computador. Também verifiquei que, o facto de os alunos estarem a visualizar a pontuação no próprio teclado, fez com que estes conseguissem, mais rapidamente, perceber qual era o sinal que deveriam utilizar em determinada situação, mesmo sem se lembrarem do seu nome, pois basta conhecerem o símbolo para o poderem introduzir.

Outro aspeto interessante de observar foi em relação ao facto de, no teclado do computador, as letras estarem todas em maiúsculas. Não observei, nem me apercebi de nenhuma intervenção por parte dos alunos em relação a esse aspeto, quer seja um comentário, quer seja uma dificuldade. Os alunos já sabiam que cada tecla representava uma letra, bem como se a escrevessem, ela iria ficar em minúscula e, só clicando na função de letra maiúscula, esta ficava como tal. Desta forma, foi possível que os alunos escrevessem os seus textos, colocando as maiúsculas e as minúsculas nos devidos sítios. Entretanto, o próprio corretor ortográfico tinha ativa uma função relacionada com as letras maiúsculas e minúsculas. Sempre que um aluno escrevia

90 uma frase, colocava um ponto final e continuasse a escrever com letra minúscula, automaticamente, o corretor fazia a transformação da primeira letra da primeira palavra, escrita depois do ponto final, para letra maiúscula. Nos momentos de escrita a pares, foi interessante observar a reação dos alunos acerca desse aspeto, mostrando- se admirados mas, ao mesmo tempo, agradecidos, pois se tinham esquecido de modificar a letra.

O corretor ortográfico mostrou-se bastante útil na escrita de textos pois, para além de ser uma atividade diferente do habitual, permite o desenvolvimento de algumas aprendizagens e conteúdos do programa, de uma forma mais interativa do que quando escrevem os seus textos no papel. Desde pontuação, ortografia, divisão por parágrafos, tudo é possível fazer, tal como também já faziam na folha de papel. Para além disso, penso que a utilização do corretor ortográfico acaba por ser uma forma de promover um pouco a autonomia dos alunos nestes momentos, já que, ao detetar os erros, faz com que o aluno não necessite tanto da intervenção do professor. Mais uma vez, estamos perante uma ideia construtivista, pois é o próprio aluno que chega ao conhecimento e é agente da sua própria aprendizagem.

Benzer Belgeler