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Encontramos, na apresentação da história da Contabilidade, diferentes abordagens quanto as suas divisões e estágios de desenvolvimento. Embora nenhum autor saiba precisar seu surgimento, acredita-se que ela seja tão antiga quanto à origem do homem.

SA&SA (1993:229) apud ANTUNES, menciona a divisão estabelecida por Frederigo Melis, que consiste em quatro períodos distintos e que de forma resumida, destacamos a seguir:

x História Antiga ou da Contabilidade Empírica, referente ao período que vai da Antiguidade até 1202. Compreende os estudos do registro de fatos contábeis na Suméria, Egito, Elão, etc.

x História Média ou da Sistematização da Contabilidade, que vai de 1202 a 1494. Compreende o período em que a Contabilidade assumiu formas sistemáticas de registro, tendo como ponto máximo a publicação do método das partidas dobradas, por Luca Pacioli, na obra Summa de Aritmética Geometria Proportioni at Proprogionalitá.

x História Moderna ou da Literatura da Contabilidade, que vai de 1494 a 1840. Caracterizada como a fase, em que os primeiros livros, divulgando o processo de registro na forma puramente técnica, foram publicadas.

x História Contemporânea ou Científica da Contabilidade, que vai de 1840 até os nossos dias. Caracteriza-se pelos estudos de natureza científica com plena sistematização do conhecimento.

Pelos estudos e pesquisas elaboradas por SA, a origem dos termos Contabilidade e Contador são de berço Ibérico. Em 2 de novembro de 1437 e em 30 de novembro de 1442, o Rei Dom João II da Espanha, emite ordenanças onde se lê as expressões “Contadoria” e “Contadores”.

Segundo IUDÍCIBUS (2000:31), o grau de desenvolvimento das teorias contábeis e de suas práticas está diretamente associado, na maioria das vezes, ao grau de desenvolvimento comercial, social e institucional das sociedades, cidades ou nações. É assim fácil de entender, passando por cima da antigüidade, porque a Contabilidade teve seu florescer como disciplina adulta e completa, nas cidades de Veneza, Genova, Florença, Piza e outras. Estas cidades e outras da Europa fervilhavam de atividade mercantil, econômica e cultural.

3.1.1 A Contribuição das Escolas Italiana e Norte Americana

Com o surgimento do método contábil, divulgado pela obra de Pacioli, a escola Italiana ganha notável importância e a partir do século XIX dissemina-se por toda a Europa. Esse período é tratado por muitos autores como científico e que IUDÍCIBUS (2000:32), prefere chamar de romântico, afirmando: É nesse período, que talvez pela primeira vez a teoria avança em relação às necessidades e as reais complexidades da sociedade.

O final do século XIX e início do século XX, são marcados pelo surgimento das primeiras fábricas e o relevante papel do capitalista na sociedade e na economia. É durante esse período que nasceu a escola Norte Americana. IUDÍCIBUS (2001:33) comenta: O surgimento das gigantescas corporações, principalmente em inícios do século aliado ao formidável desenvolvimento do mercado de capitais e ao extraordinário ritmo de desenvolvimento que aquele País experimentou e ainda experimenta, constitui um campo fértil, para o avanço das teorias e práticas contábeis Norte Americanas. Não podemos esquecer, também de que os Estados Unidos herdaram da Inglaterra uma excelente tradição no campo da auditoria, criando lá, sólidas raízes.

O autor apresenta ainda, a argumentação que a evolução da Contabilidade nos Estados Unidos, apóia-se em um sólido embasamento, a saber:

x O grande avanço e o refinamento das instituições econômicas e sociais; x O investidor médio é um homem que deseja estar permanentemente bem

informado, colocando pressões não percebidas no curtíssimo prazo, mas frutíferas nos médios e longos prazos, sobre os elaboradores de demonstrativos financeiros, no sentido de que sejam evidenciadores de tendência;

x O governo, as universidades e os corpos associativos de contadores empregam grandes quantias para as pesquisas sobre princípios contábeis.

x O Instituto dos Contadores Públicos Americanos é um órgão atuante em matéria de pesquisa contábil, ao contrário do que ocorre em outros países.

Mais recentemente, a criação do FASB (Financial Accounting Satandard Board) e, a muitos anos do SEC (a CVM deles), tem propiciado grandes avanços na pesquisa sobre procedimentos contábeis.

3.1.2. A Contabilidade no Brasil

A respeito da Contabilidade no Brasil, IUDICIBUS (2000:36-37) comenta, que provavelmente a primeira escola especializada no ensino da Contabilidade foi a Escola de Comércio Álvares Penteado, criada em 1902. Entretanto foi com a fundação da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da USP em 1946 e com a instalação do curso de Ciências Contábeis e Atuariais, que o Brasil ganhou seu primeiro núcleo de pesquisa contábil nos moldes norte-americanos, isto é, com professores dedicando-se em tempo integral ao ensino e pesquisa. Assim conclui o autor:

... diríamos que a Contabilidade no Brasil evolui sobre sob a influência da escola Italiana, não sem aparecerem traços de uma escola verdadeiramente brasileira, até que algumas firmas de origem anglo-americanas, certos cursos de treinamento em Contabilidade e Finanças, por grandes empresas, tais como o excelente BTC da General Electric, e a Faculdade de Economia e Administração, em seu curso básico de Contabilidade Geral, acabassem exercendo forte influencia revertendo essa tendência.

Quadro 2: Evolução do conhecimento contábil em função das mudanças da sociedade

Sociedade Primitiva

Cenário Mundial: economia baseada na agricultura e pecuária, individual ou restrita a pequenos grupos.

Reflexos na Contabilidade: nenhum. Apenas a contagem física dos bens (Inventário Periódico).

Sociedade Agrícola

Cenário Mundial: economia baseada na agricultura; método de produção artesanal; início das relações

comerciais com o advento das descobertas marítimas; formação das sociedades comerciais denominadas comandita.

Reflexos na Contabilidade: necessidade de controle mais apurado em virtude das expedições marítimas;

investimentos contabilizados no início das expedições e resultado apurado após venda das mercadorias para atender as necessidades dos sócios e do estado, para controle dos impostos.

Sociedade Industrial

Cenário Mundial: economia baseada no capital e no trabalho; mecanização do trabalho e da produção em

série; formação de grandes empresas na área industrial e na prestação de serviços; obrigatoriedade de pagamento de impostos para pessoas físicas e jurídicas; Administração Científica; as duas grandes guerras mundiais.

Reflexos na Contabilidade: sistema de informações contábeis, sistema de informações gerenciais,

divulgação de relatórios para atender acionistas, gerentes e governo; auditoria externa; separação dos custos da produção; reconhecimento sistemático da depreciação; organização formal de institutos e órgãos contábeis; realização do orçamento governamental e formas de controle e divulgação; mensuração dos custos, produtos e performance gerencial. Primeiro trabalho sistemático envolvendo o goodwill.

Sociedade do Conhecimento

Cenário Mundial: economia globalizada; recurso do conhecimento; informatização da produção e do

trabalho; difusão da tecnologia da informação e das telecomunicações.

Reflexos na Contabilidade: harmonização das normas internacionais de contabilidade; sistema de

informações contábeis para decisões estratégicas; novas formas de mensuração do valor da empresa.