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Ante o exposto no subcapítulo anterior, a Região Metropolitana de Natal foi instituída em 1997 por meio da Lei Complementar nº. 152, articulando apenas seis dos municípios que hoje fazem parte da RM - Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Ceará-Mirim e Extremoz. Segundo essa mesma lei complementar, os critérios utilizados para adesão de municípios na RMNatal se justifica pelo fato de demanda e serviços que exijam parcerias e soluções conjuntas que os mesmos venham a necessitar, sem deixar claro quais são e em que medida esses serviços podem caracterizar uma forma de integração metropolitana.

Diante da precária regulamentação de critérios, outros municípios foram adicionados a RMNatal ao longo dos anos. Por meio da criação da Lei Complementar nº. 221 de 2002 foram inclusos outros dois municípios: São José do Mipibu e Nísia Floresta. Em seguida, em 2009, os municípios de Monte Alegre e

Vera Cruz; em 2013 a Lei Complementar nº. 485, de 25 de fevereiro incluiu Maxaranguape. Hoje a RMNatal é formada por onze municípios: Natal, Parnamirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante, Extremoz, Ceará-Mirim, São José do Mipibu, Nísia Floresta, Monte Alegre, Vera Cruz e Maxaranguape.

Figura 25 – Atual formação da Região Metropolitana de Natal

Fonte: GOMES et al., 2015.

Com a entrada de Maxaranguape, em 2013, a RMN passa a ter 11 municípios, sendo a décima quinta maior aglomeração urbana do Brasil, com mais de 1.350.840 habitantes. Sua área territorial supera 2.819,11 quilômetros quadrados, o que corresponde a mais de 5,3% do território estadual.

Apesar da institucionalização, os municípios que compõem a RMN possuem processos diferentes quanto à metropolização e por isso apresentam níveis de integração distintos com o polo metropolitano. Todos os municípios que a compõem atualmente estão territorialmente muito próximos de Natal, favorecendo assim a grande mobilidade entre esses municípios.

Os processos de identificação da dinâmica metropolitana começaram a se explicitar ainda no início da década de 1990 com a conurbação e o transbordamento (periferização de um centro principal por sobre municípios vizinhos) populacional da capital do Estado em direção a alguns dos seus municípios limitantes como Parnamirim e São Gonçalo do Amarante. Além disso, outros municípios se

constituíram em cidades dormitórios e com significativa mobilidade pendular em direção a Natal, a exemplo de Macaíba e Extremoz.

Nessas relações entre polo e periferia metropolitana, a capital norte-rio- grandense exerce liderança devido a sua importância econômica e por concentrar a maioria dos serviços públicos, especialmente repartições do âmbito federal. Clementino e Souza (2009) sublinha que o fenômeno de metropolização avança com vigor nos demais municípios da RMN, configurando novos arranjos espaciais e redobrando a importância da capital no plano econômico e social do território potiguar.

Entende-se que a maneira pela qual os municípios se integram ao polo de uma região metropolitana se dá também, pela execução ou existência de serviços públicos e fluxo de pessoas que caracterizam movimentos pendulares. Essa característica é analisada segundo nível de integração da dinâmica do aglomerado urbano. Os níveis de integração foram elaborados e estabelecidos com metodologia desenvolvida pelo Observatório das Metrópoles (2012) utilizando indicadores que expressem os componentes da dinâmica metropolitana; taxa de crescimento populacional; densidade demográfica; contingente e proporção de pessoas que realizam movimento pendular; proporção de emprego não-agrícola; e grau de urbanização, de modo que os municípios podem ser classificados em: Muito baixo, Baixo, Médio, Alto, e Muito Alto nível de integração em relação ao polo.

De acordo com essa metodologia8, no Brasil existem unidades com maior participação de municípios com nível alto ou médio de integração, para os quais são possíveis atribuir um estágio de transição em direção a uma participação mais efetiva no processo de metropolização. Já as unidades que apresentam maior presença de municípios com nível de integração baixo ou muito baixo não podem ser identificadas como de natureza metropolitana, embora sejam consideradas regiões metropolitanas, em termos institucionais.

Assim, para compreender a espacialidade do fenômeno metropolitano da aglomeração urbana de Natal, como também para esboçar os limites reais da

8 Para consulta e esclarecimentos acerca da metodologia atribuída ao Observatório das Metrópoles: Relatório de pesquisa, Níveis de Integração dos Municípios Brasileiros em RMs, Rides e AUs à Dinâmica da Metropolização. Disponível em: http: //observatoriodasmetropoles.net/dowload/relatório_integração.pdf

aglomeração observamos a região institucionalizada segundo o nível de integração na dinâmica do aglomerado. A partir da tipologia construída pelo Observatório das Metrópoles (2012) os municípios da RMN foram classificados de acordo com sua integração à metropolização brasileira como demonstra a tabela a seguir.

Tabela 5 – Nível de integração na dinâmica da aglomeração da Região Metropolitana de Natal

MUNICÍPIO NÍVEL DE INTEGRAÇÃO

Ceará- mirim Muito Baixo

Extremoz Alto

Macaíba Médio

Monte Alegre Muito Baixo

Natal Polo

Nísia Floresta Baixo

Parnamirim Alto

São G. do Amarante Alto

São José de Mipibu Muito Baixo

Vera Cruz Muito Baixo

Fonte: Observatório das Metrópoles, 2012, editada pelo autor.

Como observado na tabela, o espaço urbano da RMN contempla no nível de integração regional o aspecto extremado muito baixo, o que nos permite analisar os municípios de acordo com a tipologia do Observatório das Metrópoles (2012):

I. Alta Integração: São aqueles municípios que possuem interações fortes no espaço da aglomeração e apresentam ocupação contígua à Natal. Apresentam taxas de crescimento populacional elevadas desde a década de 1970; predominam consideravelmente as atividades urbanas; o volume de deslocamento de pessoas é superior a 25% da população do município. Enquadram-se nessa classificação os municípios de Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e recentemente Extremoz.

II. Média Integração: São municípios limítrofes ao Polo Natal que por apresentarem fluxos significativos na dinâmica de aglomeração configuram áreas de expansão da mancha contígua de ocupação. É o caso do município de Macaíba.

III. Baixa Integração: De maneira geral, são aqueles municípios que possuem um distanciamento físico em relação ao polo, no entanto, apresentam dinâmica que os caracterizam como áreas de expansão regional. Característica do município de Nísia Floresta.

IV. Muito Baixa Integração: Integram esse grupo os municípios de São José de Mipibu, Monte Alegre, Vera Cruz e Ceará-Mirim, esses possuem ocupações não-agrícolas beirando os 70%. Contudo, o município de Ceará-mirim é o único entre os demais dessa classificação que a população ultrapassa 50 mil habitantes, além de apresentar um volume considerável de pessoas que realizam movimento pendular.

De acordo com essa tipologia, percebemos que o município de Ceará-Mirim se enquadra no nível muito baixo de integração metropolitana acompanhado de mais três municípios: Monte Alegre, São José de Mipibu e Vera Cruz. Apenas o município de Macaíba apresenta integração média ao Polo da RMNatal, enquanto Parnamirim e São Gonçalo do Amarante apresentam alta integração. Os aspectos que definem essa baixa integração do município de Ceará-mirim ao Polo Metropolitano serão abordados no próximo subcapítulo.

Benzer Belgeler