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Como visto no subcapítulo anterior, a cidade tornou-se o lugar polarizador de capitais e de trabalho num processo de urbanização baseado no modelo

socioeconômico que materializa e acentua os papeis urbanos sobre o industrialismo, o que provoca segundo Sposito (2005) o desenvolvimento de novas formas de produção e consumo na cidade, provocando o aprofundamento das contradições nos espaços urbanos. Tal analise é corroborada por Santos (2013, p. 11) quando explana que

Ao longo do século, mas, sobretudo, nos períodos mais recentes, o processo brasileiro de urbanização revela uma crescente associação com o da pobreza, cujo lócus passa a ser, cada vez mais, a cidade, sobretudo a grande cidade.

No caso brasileiro, o intenso processo de urbanização dos últimos 50 anos trouxe implicações na forma, configurações e funções das cidades, observando-se em algumas delas uma expressiva concentração de população, serviços e também demandas. De fato, esses espaços exigem uma abordagem complexa sobre os processos derivados da urbanização, já que nesse largo período as cidades experimentaram transformações significativas no seu perfil socioeconômico, sócio espacial e sociocultural. Trata-se de observar a cidade a partir de uma escala ampliada da urbanização com componentes qualitativos mais complexos (SOARES, 2013).

Nesse contexto, a metropolização dos espaços apresenta-se como intensificadora dos aspectos que definem uma metrópole, tanto de forma concentrada quanto diluída no território da região metropolitana. Sendo assim,

Todo processo de metropolização é em si uma determinação histórica que submete a urbanização relacionada à cidade, pois é uma determinação atual e define os rumos da história urbana de determinado lugar’ (PESSOA, 2012, p.56).

O processo de metropolização pode ser observado segundo Clementino e Souza (2015) a partir da inserção das cidades e das áreas metropolitanas como pontos estratégicos nos processos de reestruturação produtiva, onde a busca pela inserção das mesmas na economia globalizada promove mudanças nos padrões de mercado de trabalho, competitividade econômica na acentuação das desigualdades. Portanto, a metropolização imprime ao espaço características que até então eram exclusivas das regiões metropolitanas. Esses aspectos analíticos fazem com que não só as práticas sociais, mas, inclusive as identidades dos lugares fiquem sujeitas aos códigos metropolitanos o que segundo Lencione (2005, p.35) “são esses códigos os avatares dos novos valores e signos da sociedade contemporânea.”.

Nesse momento cabe ressaltar a importância da distinção entre metropolização, metrópole e região metropolitana. Podemos assim definir;

I. Metropolização: Processo relacionado a macro urbanização

II. Metrópole: Forma sócio espacial resultante do processo de metropolização.

III. Região Metropolitana: Definida por decisão institucional de âmbito federal ou estadual.

No caso brasileiro hoje nos referimos muito mais a regiões metropolitanas do que a metrópoles. As regiões metropolitanas brasileiras estão na verdade relacionadas à "necessidade de ordenamento do território na escala regional e cuja cidade-polo não é necessariamente uma metrópole" (FIRKOWSKI, 2012).

O processo de metropolização atua nas características de transformações da natureza e de configuração espacial das cidades que se estabelecem a níveis distintos de integração nos territórios dessa dinâmica. Entre os processos a serem destacados como propulsores desse fenômeno urbano, a conurbação aparece como importantes definidores da dinâmica de expansão metropolitana.

O fenômeno de conurbação caracteriza-se pela fusão de áreas urbanas, quando uma cidade em crescimento absorve ou gera outros núcleos urbanos à sua volta (VILAÇA, 2001), ou seja, quando áreas urbanas de municípios limítrofes se fundem constituindo uma mancha urbana única e contínua. Apesar de ser característico das metrópoles, ele não está ligado necessariamente às áreas centrais do núcleo metropolitano. Essa particularidade faz com que se compreenda a cidade além dos limites municipais, onde serviços urbanos, fluxos de mercadorias e os movimentos pendulares de pessoas são compartilhados na aglomeração.

A partir de 1973, foi promulgada a lei definindo a criação das Regiões Metropolitanas, justamente para ordenar de maneira planejada o território urbano,

A despeito da previsão constitucional de 1967 e da Emenda nº 1 de 1969, as regiões metropolitanas foram criadas somente em 1973, circunstância que demonstra e sinaliza, a par da realidade socioeconômica, ter estado o legislador ordinário afastado da realidade dos Municípios. A Lei Complementar nº 14, de 8 de junho de 1973, criou as Regiões Metropolitanas de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Curitiba, Belém e Fortaleza, ao passo que a Lei Complementar nº 20, de 1º de julho de 1974, criou a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, estabelecendo, para sua manutenção, um fundo contábil metropolitano, de cuja previsão e

constituição não cuidara a Lei Complementar nº 14/73. (TEIXEIRA, 2005, p.64.).

Com a constituição de 1988 a ordenação do seu território, estando, entre estas atribuições, a definição das regiões metropolitanas passou a ser prerrogativa das unidades da federação. Conforme os termos da política urbana que a constituição de 1988 delegou aos governos de unidades de federação, ampliou-se o número de regiões metropolitanas no país, apresentando não apenas capitais estaduais como também espaços sub-regionais e aglomerações urbanas não metropolitanas que não atingem 100 mil habitantes.

Algumas regiões metropolitanas criadas após 1988 não atingem 1 milhão de habitantes e seus municípios centrais, muitas vezes, não possuem 400 mil habitantes. Nesse contexto, em 1997 a Região Metropolitana de Natal é instituída por meio da Lei Estadual Complementar nº 152, de 16 de janeiro. Logo em sua primeira formação, o município de Ceará-Mirim e mais 5 municípios; Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Macaíba e Extremoz são incluídos na mesma. No próximo subcapítulo trataremos melhor da institucionalização da RMNatal.

Benzer Belgeler