A: Şahit örnek için kullanılan demir amonyum sülfat çözeltisi miktarı, mL B: Örnek için kullanılan demir amonyum sülfat çözeltisi miktarı, mL
6. SONUÇ VE ÖNERİLER
Segundo o relatório do embaixador brasileiro, o general Spínola, insatisfeito
com o processo de descolonização dos territórios africanos e a influencia do MFA,
no Estado português, acaba renunciando em meio dos acontecimentos de
setembro de 1974, como podemos acompanhar no seguinte trecho,
A manifestação não se realizou. Nos dias 28 e 29 o país esteve à deriva, sem governo, com o PCP caçando e encarcerando “fascismo”, a polícia recolhida aos quarteis e o COPCON a agir segundo ordens dadas a esmo. Descontrolados, os meios de comunicação da massa criam clima de histerismo que prenuncia a guerra civil, se combatentes houvesse da outra parte... A 30, privado de condições para continuar no poder, do qual não mais dispunha, Spínola, praticamente prisioneiro no Palácio de Belém, renuncia perante o Conselho de Estado. Com ele caem os membros da JSN de sua confiança (Galvão de Melo, Silvério Marques e Diogo Neto). O órgão de soberania fica reduzido a três membros, um dos quais se encontra ausente em Angola. Com o voto deles, além do seu próprio. Costa Gomes, apesar da inexistência de “quórum” deliberativo, chega à Presidência da República. O discurso de renúncia inquieta ainda mais a nação já traumatizada. Sem medir palavras, pois já lhe era desnecessário o jogo político em busca do equilíbrio para o qual sua formação militar psicologicamente pouco o predispunha, Spínola põe o dedo na ferida. Carrega nas tintas ao pintar o quadro apocalíptico de um país que oscila da servidão à desordem, abraços com crises econômicas, social e politica, as quais, em seus efeitos cumulativos, “impediam as prometidas restauração das liberdades públicas e instauração de democracia autentica”.47
47 Secreto nº 8 PORTUGAL (CONTINENTE) TERRITÓRIOS AFRICANOS DE EXPRESSÃO PORTUGUESA PERSPECTIVA DAS RELAÇÕES COM O BRASIL. EMBAIXADA DO BRASIL LISBOA, 31 DE OUTUBRO DE 1974.
Com a renúncia do general Antonio Spínola, justamente por não concordar
com a direção que o processo revolucionário estava tendo com as diretrizes do
MFA em relação ao processo de libertação das então “colônias africanas”. Assim
como o próprio caminho que o Estado português tomava.
Assume em seu lugar o marechal Costa Gomes, como apontado por
Fontoura, sendo indicado pela Junta de Salvação Nacional. O período que ficou
no poder é considerado pela historiografia portuguesa como o período mais radical
da revolução, embora ressalte que seu mandato impediu uma guerra civil em
Portugal
48.
O relatório aponta diversos aspectos do Estado português, alguns muito
caros à nossa pesquisa. A comunidade Luso-Brasileira foi um dos pontos
discorridos pelo embaixador Carlos Alberto da Fontoura, trazendo informações
sobre a relação dessa comunidade com ambos os Estados (Portugal e Brasil).
Quando se iniciam os processos de independência em África, os
portugueses residentes naquele continente se refugiam no Brasil, valendo registra
que grande parte da colônia aqui residente apoiava o salazarismo, contundo,
havia uma parte que era contrária ao governo, especialmente aqueles vinculados
ao PCP e ao MABLA. Fontoura faz a seguinte consideração
O 25 de Abril trouxe profundo impacto nas relações exteriores de Portugal. Até então cortado do “Terceiro Mundo”, hostilizado nas Nações Unidas, sem negócio com o Bloco Socialista e cada vez menos tolerado na Europa Ocidental, o país se encontrava vítima de isolamento progressivo. Para que este não se tornasse total, o Palácio das Necessidades concentrava seus modestos efeitos em áreas prioritárias, onde por razões históricas, afetivas e estratégicas, o Governo de Lisboa ainda conserva certos laços. Assim, essas relações especiais, sobretudo com Brasília, Madrid,
48Maxwell sobre esse episodio escreve: Em fins de setembro de 1974, o conflito entre o MFA e Spínola chegou ao clímax. Spínola tentou contornar a influencia do MFA pedindo uma demonstração de apoio à “maioria silenciosa”. Preocupados membros da velha oligarquia financeira e empresarial ajudaram a financiar a propaganda para o apelo de Spínola. Mas àquela altura os sindicatos dos bancários estavam vigiando de perto todas as transferências de numerário extraordinárias, e prontamente publicaram a notícia do financiamento clandestino do PPD e dos partidos de direita. O MFA, os comunistas (sob a cobertura de sua organização de fachada, o Movimento Democrático Português) e os socialistas mobilizaram seus partidários e entrincheiraram Lisboa contra os que tinham vindo manifestar apoio a Spínola, forçando-o a cancelar o evento. Em consequência disso, o general renunciou à presidência em 30 de setembro. Foi substituído pelo General Costa Gomes, que havia sido a escolha original do MFA e cuja flexibilidade política refletia-se em seu apelido, “o Rolha”. (MAXWELL, 2006:117)
Washington e Londres, o Governo português procurou solidificar tendo em mira principalmente a defesa de sua política colonial. Para isso, serviram os instrumentos internacionais já existentes da Comunidade Luso-Brasileira, do Pacto Ibérico, dos acordos referentes à cessão das bases açorianas e da aliança medieval com o Reino Unido.
A comunidade Luso-Brasileira passou, assim, a ser usada por Lisboa, antes tudo, como recurso para vincular o Brasil à concepção lusitana referente às chamadas “Províncias Ultramarinas”. Nesse contexto essencialmente político, eram marginais as vantagens, destituídas, aliás, de reciprocidade proporcional, concedidas de fato, quase que unilateralmente, aos cidadãos portugueses residentes em território brasileiro. O que interessava realmente a Lisboa era promover o alinhamento mecânico de outra parte por suas posições em África.49
Como é possível notar no presente relatório, Portugal ficava cada vez mais
isolado, restando apenas o apoio de países que tinham laços históricos, políticos e
econômicos. O caso dos Estados Unidos estava ligado à base militar
estadunidense nos Açores concedida com o Tratado do Atlântico Norte, que foi
realizado entre Estados Unidos e países europeus, que tinham como intuito criar
uma zona de segurança contra uma possível investida militar da União Soviética
50.
Com a Revolução dos Cravos, as relações entre Portugal e Estados Unidos
ficaram estremecidas a ponto do chefe da delegação da CIA em Londres, Cord
Meyer, proferiu
o seguinte comentário: “Quando a revolução aconteceu em
Portugal, os Estados Unidos tinha saído para almoçar” (MAXWELL, 2006, p100).
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, comentou em seu
livro Anos de Renovação (1999) sobre a parceria entre Portugal e EUA,
Não vemos como poderia ser possível tolerar um governo marxista no seio da OTAN [...]. Dadas as inclinações de esquerda ou de esquerda radical dessas pessoas, o mais certo é que acabe por surgir um governo comunista, e uma tal situação seria totalmente
49 Secreto nº 8 PORTUGAL (CONTINENTE) TERRITÓRIOS AFRICANOS DE EXPRESSÃO PORTUGUESA PERSPECTIVA DAS RELAÇÕES COM O BRASIL. EMBAIXADA DO BRASIL LISBOA, 31 DE OUTUBRO DE 1974.
50 A respeito a base no Açores registra-se: Salazar manteve Portugal neutro durante a Segunda Guerra Mundial. Simpatizava com Hitler e Mussolini, e por algum tempo o país forneceu tungstênio tanto para a Alemanha como para os Aliados. Mas em 1943, depois que a maré claramente virou contra o eixo, Salazar permitiu que os britânicos e seus aliados americanos recorressem ao Trado de Windsor para obter sua permissão de usar bases submarinas e áreas nos Açores. Como recompensa, o Ocidente garantiu-lhe que a integridade dos territórios coloniais de Portugal na África e Ásia seria respeitada e, posteriormente, que Portugal seria membro da Otan. (MAXWELL, 2006:37)
inaceitável para nós se eles pertencem à OTAN. (KISSINGER, 1999, p. 557)
Embora o relatório da Fontoura discorra sobre uma aproximação entre
Lisboa e Washington, o Estado norte-americano tinha várias ressalvas com o
atual governo, mas numa conjuntura de Guerra Fria, deixar de participar e se
distanciar era um perigo maior ainda. Podemos ainda inferir que por conta da base
em Açores, os EUA fizeram “vista grossa” mediante a questão das colônias em
África e, foi também pelo mesmo motivo que, mesmo discordando da postura
ideológica do novo Estado português, os Estados Unidos mantiveram relações
diplomáticas com o país.
Como se observa, Não obstante, os próprios Estados Unidos, na
declaração do funcionário da CIA, Cord Meyer, a revolução pegou os EUA de
surpresa, sendo assim esse não pode se planejar. Contudo, a ação não tardou
como verificamos na fala de Kissinger,
Era de facto muito sério o perigo da participação comunista no governo português. Em 25 de abril de 1974, o governo autoritário conservador foi derrubado pelo general António Spínola e por um grupo de oficiais do exército desencantado com as guerras que Portugal levava a cabo para manter as colônias africanas. Pouco ou nada sabíamos a respeito das personalidades envolvidas, apenas tínhamos conhecimentos de que estavam empenhadas na descolonização do império português em África. Entre setembro de 1974 e novembro de 1975, a Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo- Verde, São Tomé e Príncipe e Angola alcançaram a independência sob a égide de governos de esquerdas. Estabelecemos rapidamente relações diplomáticas com todos eles exptos com Angola, dada a presença militar cubana e soviética nesse país.