• Sonuç bulunamadı

Como nos anos anteriores, este grande e bem conhecido estabelecimento faz a sua liquidação de semestre, a qual durará até o im do corrente mês; sendo esta uma excelente ocasião de comprarem fazendas, modas e armarinho por

muito menos do seu valor.

APROVEITEM!

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39a Rua de uruguaiana 39a (Antigo Alcazar)

Cruz & Viana. (Diário de Notícias, 6 jun. 1886)

Este também foi publicado em 6 de junho, à página 7, e pertencia a um estabelecimento mais ambicioso. ocupava praticamente uma página inteira do Diário de Notícias. Na parte por nós suprimida, havia uma longa lista dos produtos em oferta. Em 18 de junho, à página 4, vemos:

SARAH BERNHARDT

e o café puro e garantido da Fábrica Central a vapor da rua da Carioca n.100 têm recebido das pessoas deste Império os maiores elogios. (Diário de Notí-

cias, 18 jun. 1886)

Especulações e oportunismo à parte, a atriz chegou ao Rio de Janeiro, a

“de palanque” do dia seguinte. a estreia aconteceu em 1o de junho, no Teatro

são Pedro de alcântara:

“1o de junho de 1886: estréia com a Fédora, de v. sardou, no Teatro de s. Pe-

dro de Alcântara, do Rio de Janeiro, a célebre atriz francesa Sarah Bernhardt”. Eis o que mais tarde se há de ler nas futuras efeméridas da nossa história artís- tica. A noite de anteontem icou sendo uma data. (De palanque, 3 jun. 1886) ao contrário do que ocorreu na estreia de Eleonora duse, quando o cronista se ressentia da falta de público, dessa vez houve “enchente real” no teatro. a

segunda récita da empresa aconteceu em 2 de junho, com A dama das camé-

lias, quando se deu o episódio que culminou com a saída de artur azevedo

do Diário de Notícias, como vimos no capítulo 1. a companhia permaneceu na Corte até 10 de julho, partindo com destino ao Rio da Prata. durante es- ses quarenta dias, ainda foi a são Paulo, cidade para a qual foi vendida uma assinatura de quatro récitas do repertório de sarah Bernhardt.

No início de janeiro de 1886 era esperado no Rio de Janeiro o cenógrafo Cláudio Rossi, que durante sua estada na capital do império daria explicações

para a montagem de parte do cenário da revista O bilontra, vindo da itália.

mas o italiano também vinha na condição de empresário de uma companhia lírica que começaria os trabalhos na cidade de são Paulo, passando, poste- riormente, a oferecer uma série de espetáculos na Corte. a estreia naquela cidade só aconteceria na segunda quinzena de abril, mas já em janeiro eram constantes os informes sobre a tão esperada temporada de ópera. os temas de tais informes eram os nomes que compunham o elenco da companhia, o repertório escolhido, o preço dos bilhetes e os dias de embarque e desembar- que do empresário e dos artistas. Do início de janeiro até 25 de junho, data da

estreia da companhia no Rio de Janeiro, saíram, no Diário de Notícias, pelo

menos 22 notas a respeito dessa empresa.

Em são Paulo, a inauguração dos trabalhos se deu em 17 de abril com

Aida. Cerca de dois meses depois, a empresa estreava no Rio de Janeiro, com

a mesma ópera de Verdi. Nessa cidade permaneceu até início de agosto, ofe- recendo espetáculos no Teatro Pedro ii. o repertório incluía óperas italianas – na sua maioria –, francesas, alemãs e uma brasileira, de Carlos gomes. a inclusão da ópera do maestro brasileiro passa a fazer mais sentido quando se lê a seguinte nota:

o sr. Caio Prado, deputado à assembléia provincial de s. Paulo, apresentou um projeto autorizando o governo da província a despender anualmente a quantia de 20:000$ com a subvenção de uma companhia de primeira ordem,

que se proponha a fazer a estação lírica em s. Paulo. o projeto impõe que

no repertório da companhia entre pelo menos uma ópera de Carlos Gomes. (Grifos meus) (Foyer, 28 mar. 1886)

Confrontando a data da notícia com a estada da companhia lírica de Cláu- dio Rossi, em São Paulo e depois no Rio de Janeiro, imaginamos ter sido essa a empresa de “primeira ordem” que se propôs a “fazer a estação lírica em s. Paulo”. se num primeiro momento pensamos que o nome do maestro brasileiro só entrou no repertório da companhia devido ao caráter impositivo do projeto de Caio Prado, posteriormente, quando a empresa se apresentou no Rio de

Janeiro e incluiu Salvador Rosa na assinatura vendida para a Corte, pensamos

no reconhecimento das qualidades artísticas de Carlos gomes, pois, de acordo com o texto, a imposição se restringia à cidade de são Paulo.

Na crônica publicada em 6 de agosto de 1885, há o seguinte diálogo: Durante outro intervalo encontro, no corredor das frisas, o Braga Junior a conversar animadamente com o Celestino da silva:

– dois empresários juntos...Hum...ali há coisa.

Feita esta relexão, aproximo-me dos dois “furões”, e pergunto-lhes: – Que há de novo? Arranja-se uma empresa teatral?

– adivinhou. – Contem-me isso!

o BRaga – Contratamos o Furtado e a lucinda para uma excursão de sete meses.

O CELESTINO – Mas o contrato pode ser prorrogado por mais tempo, se isso convier a ambas as partes.

EU – Mas onde vão vocês?

o BRaga – a Bahia, a Pernambuco, ao maranhão, ao Pará.

Eu – Bravo! Fazem muito bem, porque a lucinda nunca por lá se perdeu. CELESTINO – E o Furtado há vinte anos seguros que lá não vai. Esse diálogo pode ser completado pelas seguintes indicações constantes de um misterioso e anônimo bilhetinho, que ontem recebi pelo correio:

“A excursão será estendida até a província de S. Paulo, indando talvez nesta corte. a companhia será toda organizada aqui, pelo empresário Braga

Junior, entre os nossos melhores artistas dramáticos, compondo-se de 12 a 14 peças o repertório, com a obrigação de serem 4 ou 5 completamente novas.

os artistas Furtado e lucinda, para a realização do contrato, obrigam-se a estar nesta corte até o dia 9 de maio do ano futuro.

Enquanto durar essa excursão pelas províncias do Norte, os mesmos em- presários terão outra companhia importante, vinda da Europa, que, encetando nesta capital os seus trabalhos, visite as províncias de s. Paulo e Rio grande do Sul, seguindo até ao Rio da Prata, se isso convier”. (De palanque, 6 ago. 1885) a concretização da anedota contada pelo cronista começou a acontecer em 30 de abril de 1886, quando o casal de artistas portugueses desembarcou no Rio de Janeiro. A empresa, com a denominação de Braga Junior & Cia, sob a direção de Furtado Coelho, estreou em 12 de maio, no Teatro lucinda, com

Demi-monde. O espetáculo de despedida aconteceu em 8 de junho, com o mes-

mo drama de estreia. dez dias depois, a companhia estreava em Pernambuco,

com o drama Fédora. No ano anterior, os dois artistas também estiveram no

Rio oferecendo uma série de espetáculos nesse mesmo teatro.

Nesse mesmo ano os espectadores ainda tiveram a oportunidade de assistir às representações da companhia dramática do Teatro d. maria ii, que recebeu licença régia para permanecer no Rio de Janeiro até os primeiros dias de ou- tubro. A estreia ocorreu em 26 de junho, no Teatro Recreio Dramático, onde

foi representada a peça A estrangeira, de alexandre dumas. a visita dessa

companhia foi mencionada no “De palanque” de 3 de abril de 1886, mas na

ocasião da estreia artur azevedo já não estava mais no Diário de Notícias.

Mudando o gênero de espetáculos, em 16 de julho estreou no Teatro São Pedro de alcântara a companhia francesa de operetas e ópera-cômica, empre- sa de César Ciacchi e direção de mauricio grau. a opereta escolhida para a

inauguração foi Madame Boniface, de Paul lacome. a assinatura constava de

vinte récitas. os libretos de algumas operetas do repertório foram colocados à venda, na bilheteria do teatro, em língua inglesa e francesa.

E por im, no Príncipe Imperial, a 29 de julho, estreou a companhia dramá- tica portuguesa do Teatro Príncipe Real, de Lisboa. Nessa noite representou-se

a peça A morte civil, de Paulo giacometti. Como vemos, durante esse período

aqui retratado, os luminenses tiveram uma vida cultural bastante intensa com a presença dessas várias empresas europeias em solo brasileiro.

um mapeamento do repertório teatral da época para a qual nos voltamos nos fornece informações que põem em dúvida a ideia de hegemonia dos gêneros ligeiros em detrimento do teatro com valor literário. Não há dúvida de que a opereta, a mágica e a revista de ano eram gêneros que dispunham de um certo prestígio diante do público; prova desse prestígio é a criação de companhias especializadas em tais gêneros. No segundo semestre de 1885 havia a empresa portuguesa de ópera-cômica, dirigida pela atriz irene manzoni, cujos espe- táculos eram oferecidos, em um primeiro instante, no Teatro Fênix dramá- tica, passando posteriormente para o Teatro lucinda. Essa empresa obteve

um sucesso bastante signiicativo com a ópera-bufa A princesa das canárias,

alcançando a margem de mais de trinta representações consecutivas. mesmo com essa aceitação por parte do público, a empresa dissolveu-se em setembro do mesmo ano.

Resistindo à invasão estrangeira, também estava a atriz Fanny, cuja empresa trabalhava no Teatro Politeama Fluminense. No inal de junho estreou a má-

gica Gênio do fogo, de Primo da Costa, com música de Cardoso de meneses.

semelhantemente à empresa manzoni, a de Fanny teve vida breve.

Explorando o mesmo gênero, havia a companhia do ator português Jacinto Heller, que segundo J. Galante de Sousa (1960) foi uma das mais duradou- ras companhias teatrais do século XIX: de 1870 a 1893. Ocupava o Teatro sant’anna, mas eventualmente oferecia espetáculos em outras salas, como a do são Pedro de alcântara e a do Pedro ii. durante a permanência das companhias “forasteiras” no Rio de Janeiro, o empresário buscou refúgio em são Paulo, estendendo a excursão por santos e Campinas. antes de seguir viagem, porém, realizou uma jogada de mestre, valendo-se de dois ingre- dientes para levar uma “enchente” ao Sant’Anna: em 26 de julho, fez subir

ao palco o Boccacio, uma opereta de sucesso, em homenagem à atriz Eleonora

duse, que assistiu à representação acompanhada por Teobaldo Checchi e César Ciacchi, marido e empresário, respectivamente. Não resta dúvida de que foi uma grande jogada que o ajudou a arrecadar fundos para concorrer com as despesas da viagem. Como lembra Mencarelli (2003), os empresários dessa época viviam numa “gangorra inanceira” por conta da incerteza em relação ao sucesso ou insucesso das peças que levavam à cena. uma viagem para são Paulo demandava muitas despesas. ainda segundo o historiador, em geral, os empresários acumulavam uma longa lista de processos pelo não pagamento

de dívidas. quando o empresário do sant’anna estava de malas prontas para

seguir viagem, na seção “a pedidos”, do Diário de Notícias, publicava-se:

Teatro

Pergunta-se a um empresário que vai para fora, o motivo pelo qual não paga aos pobres carpinteiros os seus ordenados atrasados. só se espera para volta, estes pobres hão de pagar as suas dívidas quando ele voltar, ou morrer à fome?

Deste que vai construir um chalé. (Diário de Notícias, 30 jul. 1885)

levando-se em conta as observações de mencarelli e o contexto em que se insere a nota, acreditamos que a cobrança é dirigida a Jacinto Heller, o único empresário que estava de viagem marcada.

de qualquer forma, a companhia seguiu viagem, e, após uma temporada de quase dois meses por essas três cidades, voltou ao Rio de Janeiro no início

de outubro, reinaugurando seus trabalhos com a Mascote. aquele era também

o momento de pensar em uma revista de ano para ser representada no começo do ano seguinte. Em 29 de outubro os leitores eram informados de que va- lentim magalhães e Filinto de almeida escreveriam a revista para o Teatro Sant’Anna. Em 6 de novembro, Jacinto Heller já tinha em mãos o prólogo da

Mulher-homem, assim se chamava a revista; em 16 do mesmo mês, recebeu o

primeiro ato, e já em 4 de dezembro, a revista entrou em ensaios. de tudo isso o que importa salientar é a rapidez com que se escrevia uma peça desse gênero: no caso em questão, algo em torno de 36 dias. A revista tinha 106 persona- gens. a música era de Chiquinha gonzaga, miguel Cardoso e Henrique de Magalhães. Da parte cenográica se encarregaram Orestes Colliva, Gaetano Carrancini e Frederico de Barros.

Em 13 de janeiro de 1886, o empresário português a levou à cena com grande sucesso de público, embora a crítica a tenha recebido com algumas restrições. de certo modo, o prestígio desse gênero dramático era percebido pelo espaço de que dispunha na imprensa. mesmo antes da primeira récita da

Mulher-homem já se publicavam algumas coplas, evidenciando-se sempre o

nome do autor das partituras. No período subsequente à estreia, abria-se espa- ço para os comentários acerca do prólogo, colocando em evidência os principais papéis e seus respectivos intérpretes, os cenógrafos e os músicos. digna de observação também é a corrida da imprensa para oferecer ao público a primeira apreciação sobre a revista. Era de praxe que os folhetins acerca de uma peça em

cartaz fossem publicados dois dias após a estreia. No caso da Mulher-homem,

as críticas eram esperadas para o dia 15 de janeiro, mas, astuciosamente, no dia 14 artur azevedo saiu à frente e publicou seu “de palanque” com base no que viu durante o ensaio geral da revista. No dia seguinte, publicou uma espécie de crônica complementar acerca da revista de valentim de magalhães e Filinto de almeida.

o sucesso de público e de crítica favorecia o trabalho de criação dos autores, ao mesmo tempo que interferia nesse processo. devido à boa aceitação dessa revista, os autores escreveram um novo quadro intitulado “maxixe da Cidade Nova”, que foi à cena em 13 de fevereiro, ou seja, um mês após o primeiro espetáculo. a verdade é que se criava uma grande expectativa em torno do

sucesso das revistas. No caso da Mulher-homem, chegavam a contabilizar a

quantidade de espectadores que haviam se dirigido ao teatro para assisti-la. Segundo o “Foyer”, até 25 de fevereiro o número de pessoas já chegava a 45.506 e a expectativa do empresário Jacinto Heller era a de que alcançasse 200 mil. É pouco provável que essa margem tenha sido alcançada, pois em 13 de março já era anunciada a substituição da revista pela opereta A donzela Teodora, libreto de Artur Azevedo e partitura de Abdon Milanez. No entanto, devido ao estado de saúde do ator Foito, que tinha papel na opereta, mas que fora atacado pela febre amarela, a estreia só ocorreu em 19 de março. No dia anterior, o Diário publicava nota sobre a morte do ator, para quem o empresário Jacinto Heller e o ator gama mandaram celebrar uma missa. o sucesso da nova opereta pode ser mensurado a partir dos vários artigos publicados nos dias subsequentes ao da primeira representação. lacônicas ou extensas, essas notas são sinais da aceitação da revista junto ao público.

Mais ousado do que Jacinto Heller foi o empresário Braga Junior, que decidiu excursionar com sua companhia de operetas por algumas regiões do Norte e do Nordeste. As notícias sobre o itinerário dessa empresa chegavam

à redação do Diário de Notícias através de telegrama e eram passadas aos lei-

tores na seção “Foyer”. a companhia teria estreado seu repertório em 17 de junho de 1885, na Bahia, percorrendo em seguida os estados de Pernambuco, maranhão e Pará. após seis meses de excursão, chegou à capital do império, em 22 de dezembro, e fez sua estreia no Teatro lucinda, com a revista de ano

O mandarim, de artur azevedo. Enquanto a empresa excursionava, artur

azevedo e moreira sampaio escreviam O bilontra, outra revista dos aconte-

o alarde acerca desta revista era ainda maior do que o que se fazia sobre a do sant’anna. isso acontecia até pelo fato de o empresário investir maior soma de dinheiro no espetáculo. Para se ter uma ideia, parte do cenário foi pintada no Rio de Janeiro por Orestes Coliva, Gaetano Carrancini e Frederico de Barros, e parte na Itália. Entre outubro de 1885, quando foi noticiado que os autores estavam escrevendo a revista dos acontecimentos daquele ano, e janeiro de 1886 encontramos ao menos dezoito notas na seção “Foyer” acerca dessa revista. Havia uma grande expectativa sobre o aparecimento de uma peça assinada por artur azevedo, o que sinaliza para o prestígio por ele adquirido no meio intelectual. Mas sobre o que versavam tais notas? Falava-se sobre a prosa, a chegada de gomes Cardim para organizar a música, a confecção dos cenários, a contratação de bailarinos em madri, o teatro onde seria representada, a possível data da chegada do cenário que vinha da Itália, a exposição do igurino dos principais personagens em lugar ainda a ser divulgado, os preparativos para os ensaios, especulações sobre a data de estreia e a descrição dos quadros da revista. Não resistimos à tentação de transcrever dois trechos:

o correspondente desta Corte, para o Diário Mercantil, de s. Paulo, escre-

veu o seguinte sobre a nova Revista do ano, do nosso colega artur azevedo e do dr. moreira sampaio:

O bilontra tem a seu favor a recomendação de duas penas já experimen-

tadas no Mandarim e na Cocota, além de se achar coniado ao desempenho

da companhia Braga Junior, que incontestavelmente conta bons elementos para o mais feliz êxito, quer quanto ao aparato cênico, quer quanto à exibição dramática”. (apud Foyer, 29 dez. 1885)

o distinto cenógrafo Cláudio Rossi que deve chegar da Europa depois de amanhã, aproveitará a sua estada aqui para dar as explicações necessárias, como im de serem montadas no Teatro Lucinda as belíssimas cenas vindas da itália para o Bilontra. sabemos que uma das cenas representa o reino do jogo, alusiva à febre de loterias existentes nesta Corte, e outra é uma soberba

apoteose a Victor Hugo, isto é, o grande poeta na imortalidade. No Bilontra foi

aproveitado o maravilhoso bailado das horas, da Gioconda. Há outros bailados interessantíssimos, o dos arlequins e o das loterias. Para esse im contratou Bra- ga Junior algumas bailarinas que serão coadjuvadas pelas coristas. Os trechos mais notáveis da música da Gioconda, a ópera favorita do público, na última temporada lírica, da companhia Ferrari, foram escolhidos para o Bilontra. de

outras partituras novas e velhas, das mais importantes, foi tirada o resto da música, além dos números originais, composição do distinto maestro Cardim, que fazem honra ao seu talento. Há alguns tangos e lundus que certamente se tornarão logo populares, e que hão de ser sempre bisados. o lundu do Recreio

da Cidade Nova, cantado pelo próprio ator Felipe, que esteve dirigindo aquele teatro, é de uma grande originalidade. Enim, a nova Revista do nosso colega Artur Azevedo e Moreira Sampaio deve fazer um sucesso extraordinário. (Grifo do autor) (Foyer, 8 jan. 1886)

Esses dois trechos ilustram muito bem o prestígio dos autores, da expectativa em torno da estreia e do empenho da empresa de Braga Junior para fazer subir ao palco uma peça com todo o aparato cênico. artur azevedo não se pronunciou a respeito da representação de estreia, que icou a cargo da seção “Foyer”:

Não causará espanto se dissermos que o Lucinda apresentava anteontem um aspecto de deslumbramento festivo; camarotes, varandas, cadeiras estavam literalmente cheios do que de melhor encerra a sociedade luminense; não só no jardim, mas nos corredores do teatro, havia uma massa compacta de povo, que se aglomerava numa promiscuidade original, ansioso, sôfrego por ver o

Bilontra, a segunda revista de 1885, escrita pelo nosso colega Artur Azevedo

e pelo dr. moreira sampaio, os iniciadores, entre nós, deste gênero de peças, que parecem fadadas a grande popularidade, para regalo do público e felicidade dos empresários. (Foyer, 31 jan. 1886)

após a primeira representação, a empresa adotou o sistema de divulgar a recepção crítica de jornais como o Mequetrefe, Distração e Gazeta de Notícias, colada nos próprios anúncios da revista. Concomitantemente às representa- ções, os quadros da revista eram publicados em uma espécie de folhetim, na

parte central da segunda página do Diário.

Benzer Belgeler