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Os contentores usados para a armazenagem de resíduos ficam no ponto de recolha, exceto quando os resíduos são removidos para cubas ou outra localização, sendo esvaziados.

O sistema de contentores estacionários pode ser usado na recolha de todo o tipo de resíduos. Existem dois tipos de sistemas estacionários (Tchobanoglous & Kreith, 2002):

2. Sistema no qual se usa a recolha e carga manual.

Devido às vantagens económicas envolvidas, quase todos os veículos de recolha atualmente usados estão equipados com mecanismos internos de compactação, especialmente quando se está perante distâncias de longo - curso (Tchobanoglous & Kreith, 2002).

Para otimizar a carga útil, muitos dos novos veículos de recolha podem conter sistemas de peso a bordo, incluindo células de carga nos braços das gruas mecânicas, para pesar os contentores individualmente, e/ou células de carga nos chassis do camião, para pesar o material carregado (Tchobanoglous & Kreith, 2002).

No sistema de recolha, utilizando veículos com meios de carga mecânicos, o tamanho dos contentores e a sua localização não são fatores tão críticos como acontece no sistema de recolha e carga manual (Tchobanoglous & Kreith, 2002). Assim, a utilização de meios, possuindo carga mecânica, são muitas vezes dotados de contentores compactadores, ao contrário do que acontece com o sistema que utiliza camiões grua. A viagem para o local de deposição, estação de transferência ou estação de processamento é efetuada depois de determinado número de contentores ter sido recolhido e compactado, e ou depois do veículo de recolha estar cheio.

Uma comparação entre a utilização de viaturas com e sem compactador mecânico é apresentada na tabela 3.3.

Tabela 3.3 – Sistema de contentores estacionários com e sem compactador mecânico

Sistema de contentores estacionários Método de carga Taxa de compactação Tempo necessário para esvaziar os contentores que se encontram carregados (horas/contentor) Tempo no local (horas / volta) Compactador mecânico Mecânico 2 – 2,5 0,050 0,10 Sem compactador mecânico Mecânico - - 0,10*

A partir da análise da Tabela 3.3, verifica-se que não existem diferenças significativas quanto ao tempo de carga dos dois tipos de contentores. No entanto, do ponto de vista logístico, o tipo de equipamento a utilizar torna-se importante, uma vez que a utilização do contentor compactador permite transportar uma maior quantidade de resíduos, diminuindo desta forma o número de rotas a efetuar.

As exigências de formação e requisitos dos operadores que efetuam a recolha de acordo com o SCS podem variar, dependendo se o veículo utiliza meios de carga mecânicos ou manuais (Tchobanoglous & Kreith, 2002).

Tipicamente, o sistema de recolha manual pode originar a fadiga do(s) operador(es), podendo resultar possíveis danos ou lesões com possíveis implicações no aumento de absentismo.

No sistema de contentores estacionários, em que os veículos são carregados manualmente, o número de colaboradores varia entre um e três, dependendo do tipo de serviço e do equipamento de recolha (Tchobanoglous & Kreith, 2002).

De acordo com Vicente & Reis (2007), a prossecução de uma estratégia nacional capaz de solucionar o problema da produção excessiva de resíduos sólidos urbanos e da sua recolha tem-se baseado na promoção da separação e deposição seletiva de resíduos com vista à sua reciclagem junto das empresas e da sociedade civil em geral. A recolha destes materiais faz-se sobretudo através de ecopontos. Neste sentido, para identificar fatores determinantes da intenção das empresas em aderirem à reciclagem, pode ser aplicado o modelo de regressão logística, permitindo comparar o efeito das variáveis independentes na intenção das empresas em aderirem à separação e deposição seletiva de resíduos, sendo recomendado que a qualidade do modelo seja avaliada antes da sua aplicação definitiva.

As razões identificadas como motivadoras da colaboração, dos intervenientes na separação e deposição dos resíduos para reciclagem são (Vicente & Reis, 2007): i) conservação dos recursos naturais e ambiente; ii) redução de áreas de terreno ocupado por aterros sanitários; iii) contribuir para a resolução de um problema nacional.

No estudo de Vicente & Reis (2007), antes da especificação do modelo de regressão logística destinado a identificar os referidos fatores, foi aplicada uma Análise de

Componentes aos catorze estímulos à separação e deposição seletiva que permitiram encontrar cinco novas componentes, as quais estão indicadas na tabela 3.4.

Tabela 3.4 – Componentes principais sobre os estímulos

Componentes

Componente 1 – Melhorar a manutenção dos Ecopontos Manter os Ecopontos limpos

Colocar os ecopontos em lugar agradável e seguro Despejar os Ecopontos com regularidade

Componente 2 – Dispor de mais informações sobre reciclagem

Dispor de informação sobre todo o processo de separação, recolha, triagem e reciclagem Dispor de mais informação de como e quando fazer, e que materiais são aceites

Dispor de informação sobre os resultados da adesão da população do concelho e do país à recolha seletiva

Componente 3 – Facilidade em fazer a separação e deposição Receber recipientes para efetuar a separação

Dispor de recolha porta - a - porta

Componente 4 – Sancionar as empresas que não colaboram e recompensar as empresas que colaboram

Sancionar as empresas que não separam os resíduos

Receber um prémio monetário por separar e colocar os resíduos para reciclar Saber que personalidades de elevada notoriedade pública separam os resíduos Componente 5 – Ter a participação e o apoio de outros

Saber da participação de outras empresas

Ter o apoio dos trabalhadores na separação dos resíduos

Fonte: Vicente & Reis (2007)

A regularidade de esvaziamento dos ecopontos deve ser diferenciada por zonas, para evitar que se encontrem sempre cheios e em condições de não poderem ser utilizados,

tendo em atenção a localização do ecoponto, a sua manutenção e limpeza (Vicente & Reis, 2007).

Apesar de muito se ter feito para melhorar e aumentar as práticas de reciclagem em Portugal, o empenho para prosseguir as estratégias com resultados positivos na adesão das empresas à separação e deposição seletiva de resíduos deve continuar e deve ser sustentado por conhecimento empírico apoiado em investigações (Vicente & Reis, 2007).

Segundo Vicente & Reis (2007), os estudos futuros sobre este tema podem considerar outras variáveis explicativas da adesão das empresas à reciclagem, como o tipo de zona onde a empresa se insere, seja meio urbano ou rural, podendo também focalizar-se no impacto que estratégias específicas de comunicação terão na alteração de práticas e na vontade de cooperação por parte dos diferentes intervenientes, no processo de reciclagem.

Benzer Belgeler