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2.6. Sonlu Elemanlar Analizi

2.6.4. Sonlu Elemanlar Analizinin Avantajları

São órgãos com capacidade decisória de composição intergovernamental, nos termos do art. 2º do Protocolo de Ouro Preto: o Conselho do Mercado Comum (CMC); o Grupo Mercado Comum (GMC); e, a Comissão de Comércio do Mercosul (CCM).

A.1) Conselho do Mercado Comum (CMC)

O referido Conselho é o órgão superior da estrutura institucional do bloco, sendo o responsável pela efetivação dos fins estabelecidos pelo Tratado de Assunção, através da condução política do processo de integração156.

É o primeiro dos três órgãos mercosulinos com capacidade decisória157, exercendo esta por meio de Decisões, vinculativas para os Estados Partes158.

Vale salientar, por pertinente ao tema central do presente trabalho, que constitui atribuição do CMC o esclarecimento do conteúdo e alcance de suas Decisões, quando entenda necessário159. Este é um importante dado a considerar para instituição mercosulina, visto que o próprio órgão pode esclarecer seus motivos na conformação de seus atos, antes mesmo do acesso ao mecanismo de solução de controvérsias.

155 Incorporado ao direito brasileiro pelo Decreto nº 6.105, de 30 de abril de 2007. 156 Protocolo de Ouro Preto, art. 3º.

157 Protocolo de Ouro Preto, art. 2º. 158 Protocolo de Ouro Preto, art. 9º. 159 Protocolo de Ouro Preto, art. 8º, VIII.

É, também, através do Conselho de Mercado Comum que é exercida a personalidade jurídica do Mercosul160, da qual é o titular, cabendo-lhe inclusive as decisões em matéria financeira e orçamentária161 e a homologação do Regimento Interno162 do bloco. É composto pelos Ministros das Relações Exteriores e Ministros de Economia – ou equivalentes – dos Estados Partes163.

A atividade do Conselho do Mercado Comum é a que exige mais sensibilidade no processo de aproximação entre os Estados Membros, pois escolhe e estabelece os caminhos a serem seguidos e os instrumentos a serem utilizados para a consecução do fim proposto pelo Tratado de Assunção164.

Dentre as medidas mais importantes adotadas pelo CMC, chamam atenção, por exemplo: a adoção de medidas de Supervisão Bancária Global internacionalmente reconhecidas, conforme Decisão nº 012/1994, bem como da Padronização da Informação para o Mercado de Valores, nos termos da Decisão nº 013/1994, ambas de 17 de dezembro de 1994; o estabelecimento do Programa de Ação do Mercosul até o Ano 2000, versando especialmente sobre a Consolidação e Aperfeiçoamento da União Aduaneira (I) e Aprofundamento do Processo de Integração [em direção ao mercado comum] (II), conforme Decisão nº 009/1995, de 07 de dezembro de 1995; a regulamentação do Protocolo de Brasília para a Solução de Controvérsias, conforme Decisão nº 017/1998, de 10 de dezembro de 1998; as definições sobre o Regime de Origem, conforme Decisão nº 041/2000, de 14 de dezembro de 2000; e a formação do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul, pela Decisão nº 045/2004, de 14 de dezembro de 2000, bem como do Fundo Mercosul de Apoio às Pequenas e Médias Empresas, nos termos da Decisão nº 013/2008, de 30 de junho de 2008.

Merece destaque, ainda, o Relançamento do Mercosul, conforme Decisões nºs 022 (Acesso aos Mercados), 023 (Incorporação Normativa), 024 (Secretaria Administrativa), 025 (Aperfeiçoamento do Protocolo de Brasília), 026 (Análise de Órgãos dependentes do GMC e da CCM), 027 (Tarifa Externa Comum), 028 (Defesa Comercial e da Concorrência), 030 (Coordenação Macroeconômica), 031 (Incentivos aos Investimentos) e 032/2000 (Relacionamento Externo), todas de 29 de junho de 2000, constituindo um verdadeiro plano

160 Protocolo de Ouro Preto, art. 8º, III. 161 Protocolo de Ouro Preto, art. 8º, X. 162 Protocolo de Ouro Preto, art. 8º, XI. 163 Protocolo de Ouro Preto, art. 4º.

164 CASELLA, Paulo Borba. Instituições do Mercosul – Estudos da Integração, v. 14. Brasília: Senado

de ação para debelar as crises extrabloco provocadas por sucessivos atritos comerciais durante o ano de 1999, em razão das crises internacionais econômicas165.

Também é da competência do Conselho a atribuição a outros países da condição de Estado Associado do Mercosul, conforme Decisões nºs 042, 043 e 044/2004, de 16 de dezembro de 2004, que alçaram Venezuela, Equador e Colômbia, respectivamente, à condição de Estados Associados.

Por fim, ressalta-se que coube ao Conselho determinar as Regras de Procedimento perante o Tribunal Permanente de Revisão, nos termos da Decisão nº 030/2005, de 08 de dezembro de 2005, bem como adotar as medidas necessárias à criação do Parlamento do Mercosul, conforme Decisão nº 049/2004, de 16 de dezembro de 2004. Destas, se projeta a preocupação com a segurança jurídica, tanto do ponto de vista da produção de normas quanto de sua aplicação.

Assim, restam exemplificadas as atividades do principal órgão normativo do Mercosul, responsável por conduzir o processo de integração com base no escopo de constituir um mercado comum entre os Estados Membros. Decorre dessa atividade a necessidade de um órgão destinado a executar as políticas estabelecidas.

A.2) Grupo Mercado Comum (GMC)

Constituindo o órgão executivo do referido bloco166, o Grupo Mercado Comum é responsável, principalmente, por tomar as medidas necessárias ao cumprimento das Decisões do Conselho de Mercado Comum167, além de competências específicas168, dentre as quais se destacam: criar, modificar ou extinguir órgãos internos169 (a exemplo da criação do Tribunal Administrativo-Trabalhista do Mercosul), aprovar o orçamento170 e eleger171 o Diretor da Secretaria Administrativa do Mercosul, podendo inclusive negociar por delegação do CMC172.

165 BARBOSA, Rubens. Mercosul e a integração regional. São Paulo: Fundação Memorial da América Latina

– Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2010, p. 36.

166 Protocolo de Ouro Preto, art. 10. 167 Protocolo de Ouro Preto, art. 14, III.

168 PEREIRA, Ana Cristina Paulo. Direito Institucional e Material do Mercosul. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen

Juris, 2005, p. 34.

169 Protocolo de Ouro Preto, art. 14, V. 170 Protocolo de Ouro Preto, art. 14, VIII. 171 Protocolo de Ouro Preto, art. 14, XII. 172 Protocolo de Ouro Preto, art. 14, VII.

Segundo órgão na estrutura decisória do Mercosul, exerce seu poder decisório por meio da produção de Resoluções173. É composto por oito membros, sendo quatro titulares e quatro alternos, designados pelos governos de cada Estado Membro dentre os Ministérios das Relações Exteriores e de Economia, e dos Bancos Centrais, sob a coordenação dos Ministérios das Relações Exteriores174.

Dado o caráter mais minucioso da atividade do GMC em razão da necessidade do acompanhamento de aspectos técnicos referentes à integração, a numerosidade de sua produção normativa é significativamente maior em comparação à do CMC175. Dentre as principais realizações do Grupo Mercado Comum estão, por exemplo: a elaboração da Nomenclatura Harmonizada do Mercosul e suas modificações posteriores, aspecto muito importante para a facilitação do fluxo comercial entre os Membros, nos termos da Resolução nº 010/1992, de 1º de abril de 1992; e a determinação de Regulamentos Técnicos Mercosul sobre algumas mercadorias comercializadas intrabloco, a exemplo das Decisões nºs 131 (Produtos Médicos), 135 (Qualidade do Leite) e 143/1996 (Destilado Alcoólico Simples), todas de 14 de dezembro de 1996.

Ainda, em referência à logística, o Grupo Mercado Comum disciplinou a adoção da Harmonização de Novas Tecnologias em Comunicação, conforme Resolução nº 024/1994, de 03 de agosto de 1994; a Classificação de Veículos, pela Resolução nº 035/1994, de 03 de agosto de 1994; o estabelecimento de Garantia para o Abastecimento de Matérias-Primas e Insumos, pela Resolução nº 022/1995, de 03 de agosto de 1995; a identificação de Padrões de Qualidade para o Serviço Postal, via Resolução nº 038/2004, de 26 de novembro de 2004; e conformou o Acordo sobre Pesos e Dimensões para Veículos de Transporte Rodoviário, nos termos da Resolução nº 065/2008, de 28 de novembro de 2011.

Estabelecidos os princípios e os instrumentos de efetivação do intercâmbio entre os países do Mercosul, a atenção se volta especialmente ao comércio, mola-mestra de aproximação e convergência nos processos de integração regional. Por esta relevância central, o tema do comércio recebeu atenção destacada do bloco com a criação de um órgão especificamente encarregado da questão.

173 Protocolo de Ouro Preto, art. 15. 174 Protocolo de Ouro Preto, art. 11.

175 Como é possível constatar ao se observar o arquivo digital das normas do Mercosul. Disponível em:

<http://www.mercosur.int/t_generic.jsp?contentid=484&site=1&channel=secretaria&seccion=5>. Acesso em 22 de junho de 2011.

A.3) Comissão de Comércio do Mercosul (CCM)

Ante aos precípuos fins econômicos do bloco regional, não poderia deixar de haver um órgão com capacidade decisória, especialmente destinado a tratar dos assuntos de política comercial comum dos Estados Partes, encarregado de regular o funcionamento da união aduaneira e seus aspectos adjacentes176.

Manifestando seu caráter decisório por meio de Diretrizes ou Propostas177 – sendo apenas as primeiras de caráter vinculativo –, incumbe prioritariamente à CCM o acompanhamento da aplicação dos instrumentos de política comercial comum por parte dos Estados Membros178, bem como a adoção do Regimento Interno179, a ser submetido à homologação do GMC.

Sendo o último órgão na estrutura decisória do Mercosul180, é integrada por quatro membros titulares e quatro membros alternos por Estado Parte, submetidos à coordenação dos Ministérios das Relações Exteriores181.

Na atividade normativa da CCM, se destacam as seguintes: os numerosos Ditames de Classificação Tarifária, que enquadram produtos na Lista de Mercadorias, iniciados pela Diretriz nº 006/1995, de 31 de maio de 1995; e as diversas Ações Pontuais no Âmbito Tarifário por Razões de Abastecimento, referentes à aplicação de baixas tarifárias temporárias para produtos específicos, inauguradas pela Diretriz nº 011/1996, de 18 de julho de 1996.

Delineada a estrutura decisória do Mercosul, se faz necessário conhecer os órgãos de suporte, encarregados de realizar as atividades-meio em prol da evolução do processo de integração regional.

Benzer Belgeler