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Y. Ö.K DÖKÜMANTASYON MERKEZ Đ TEZ VERĐ FORMU

2. BÖLÜM: OP 90 MĐ MĐNÖR, OP 101 LA MAJÖR, OP 109 MĐ MAJÖR,

2.5 Sonat, Op.110 No.31, La bemol Majör

Em “Amadis, excepcionalmente, a beleza e a elegância do relato eleva o ingênuo a uma altura estética”206 percebe Angel Valbuena Pratt. Igualmente o crítico espanhol ressalta a importância do livro ao ser “a leitura favorita da corte do imperador e havia de alegrar a juventude de Juan de Valdés, Ignácio de Loyola e Santa Teresa”207, além de influenciar obras italianas como Orlando Furioso e

Amadigi, de Bernardo Tasso, pai de Torquato Tasso. Da mesma forma, a obra

espanhola desencadeou uma moda por toda a península: as continuações. Cada herói de um novo romance tem um filho, que será melhor que o pai e o superará em suas façanhas.

Os romances de cavalaria nacionalizaram-se na Espanha dos séculos XV e XVI e impuseram a moda cortesã em toda a Europa durante um século, como Menéndez Pelayo afirma.208 Para o crítico espanhol, o autor de Amadis

escreveu a primeira novela idealista moderna, a epopéia da fidelidade amorosa, o código de honra e da cortesia, que disciplinou muitas gerações. Foi, sem dúvida, um homem de gênio, que combinando e aperfeiçoando elementos já conhecidos e todos de procedência céltica e francesa, criou um novo tipo de romance mais universal do que espanhol, que em pouco ou nada recorda a origem peninsular do autor, mas que por isso mesmo alcança maior transcendência na literatura mundial, igualmente que é glória de nossa raça haver-lhe acostumado a admiração das pessoas com uma admirável força que nenhum herói romanesco alcançou antes de Dom Quixote.209

206

PRAT, Angel Valbuena. Historia de la Literatura Española. Barcelona: Gustavo Gili, 1970. p. 486. (tradução nossa)

207

Ibidem. p. 488. (tradução nossa)

208

MENÉNDEZ PELAYO, op. cit. p. 206.

209

95 O êxito do gênero é comprovado não só pelo número de obras publicadas, mas também pelo número ainda maior de edições, sem contar as traduções para as outras línguas europeias: no período que abrange um século da primeira edição de

Amadis de Gaula (1508) são publicados mais de 50 romances e 300 edições dessas

obras. Para uma Europa com um público leitor ainda muito reduzido em números absolutos, esses números são espantosos para a época e atestam a popularidade do gênero, sendo Carlos V um dos mais notáveis exemplos de leitor dessas obras.210

Assim sendo, não nos admiramos do fato de Amadis de Gaula ser uma obra “capital nos anais da ficção humana, e uma das que por mais tempo e mais profundamente imprimiram a sua marca, não só no domínio da fantasia, mas também nos hábitos sociais.”211 A conquista da América foi marcada também pela leitura dessas obras. Muitos dos homens que aqui estiveram viram as maravilhas que liam nessas obras.212 Igualmente, o comportamento dos cavaleiros e a sua ânsia por realizarem feitos iguais aos lidos nesses romances os levaram a cometer atrocidades, principalmente após a Contrarreforma, influenciados pela intolerância religiosa do período por católicos e protestantes, tal como vimos anteriormente.

Eudardo Iañez Pareja percebe no gênero a “evasão de uma sociedade nobre que estava em desagregação e que o demonstrava na própria escrita, idealizada e intemporal.”213 Isto quer dizer que os romances retratavam a sociedade como ela queria ser vista, não a realidade. Assim sendo, esse imaginário social foi visto como irreal nos séculos seguintes, principalmente com a mudança que se dá na sociedade europeia depois dos séculos XVII e XVIII.

210

AGUINAGA, op. cit. p 257-258.

211

MENÉNDEZ PELAYO, op. cit. p. 320. (tradução nossa)

212

AGUINAGA, op. cit. p 258.

213

96 Em relação ao valor da obra e sua influência, o autor de Orígenes de la

Novela nos diz:

Amadis é uma das grandes novelas do mundo, uma das que mais inspiraram

a literatura e a vida. E ainda pode acrescentar-se que em ordem cronológica é o primeiro romance moderno, o primeiro exemplo de narração extensa em prosa, concebida e executada como tal, visto que as do ciclo bretão são poemas traduzidos em prosa, amplificados e degenerados.

E assim continua:

O caso de Amadis é muito distinto. Apesar do número extraordinário de aventuras e de personagens, que formam às vezes um emaranhado labirinto, é visível a unidade orgânica, não no sentido cíclico, mas na norma e lei interna que rege todos os incidentes de uma fábula sabiamente combinada. Amadis é uma obra de arte pessoal, e de um raro e maduro primor.214

Ao tratar das imitações de Amadis, Prat elogia a obra de Francisco do Morais,

Palmeirim de Inglaterra. Na obra portuguesa vê-se

a descrição lúcida de locais e batalhas, capítulos cheios de encanto, mistério e sentido lírico da paisagem [...] dão variedade e interesse ao livro que Cervantes percebia com razão “grande artifício” e “argumentos claros e corteses”. O Palmeirim proporciona notável encanto e não merece o esquecimento em que se encontra.215

Sabemos que essas obras são longas e um pouco repetitivas, cansativas para o leitor contemporâneo, acostumado com leituras mais curtas, mas temos de lembrar que elas foram as primeiras e as melhores do gênero, gerando uma série de imitadores sem a criatividade dos originais. Assim sendo, “acabaram, pois, Amadis e

Palmeirim por últimos senhores do campo.”216

Se, por um lado, Amadis de Gaula é muito estudada e reconhecida em Espanha e no resto do Ocidente, disponível a um grande público leitor em diferentes edições, desde as cuidadosas até populares, por outro lado, as obras portuguesas

Palmeirim de Inglaterra e Crônica do Imperador Clarimundo são ignoradas pelos

214

MENÉNDEZ PELAYO, op. cit. p. 356 (tradução nossa)

215

PRAT, op. cit. p. 494. (tradução nossa)

216

97 críticos, estudiosos e grande público leitor, visto que as últimas edições das obras datam dos anos 50 do século passado. Isso quer dizer que há mais de 50 anos essas duas narrativas não estão disponíveis. Talvez essa seja uma das razões do desconhecimento e da falta de estudos a respeito dessas obras. A seguir veremos o que historiadores da literatura portuguesa dizem sobre elas.

Benzer Belgeler