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1.3. ERGENLİK

1.3.1. Ergenlikte Gelişim Dönemleri

1.3.1.3. Son Ergenlik

A língua envolve todas as ações e pensamentos humanos, possibilitando ao indivíduo exercer influências ou ser influenciado pelo outro, desempenhar seu papel na sociedade, relacionar-se com os demais, participar na construção de conhecimentos e da cultura, enfim, permite-lhe se constituir como ser social, político e ideológico.

Partindo desse pressuposto, se quisermos compreender o papel da língua na vida da comunidade, é preciso ir além do estudo de sua gramática e entrar no mundo da ação social, onde as palavras são encaixadas e constitutivas de atividades culturais específicas, como o ato de nomear, por exemplo, que é considerado uma das principais funções da linguagem. Isso porque, por meio do ato de nomear, é evidenciada a importância da palavra e o seu papel como elemento revelador de aspectos socioculturais de um grupo humano.

Para Biderman (1998, p.81), a palavra é mais que uma forma de comunicação, visto que “por ser mágica, cabalística, sagrada, a palavra tende a construir uma realidade dotada de poder”. Para ilustrar seu ponto de vista sobre o poder da palavra, a autora afirma que, nas numerosas tradições culturais dos homens, a linguagem surge com a palavra instituidora que abre ao ser o espaço para ele se manifestar. É, pois, desse modo, que o homem, desde o início

6 “Uma lengua es más que un conjunto de categorías fonológicas, morfológicas, sintácticas o léxicas y una serie de reglas para su uso. Una lengua existe en el contexto de prácticas culturales que, a su vez, descansan em algunos recursos semióticos, como las representaciones y expectativas que proporcionan los cuerpos y movimientos de los participantes en el espacio, el entorno construido en el que interactúan, y las relaciones dinâmicas que se establecen por médio de la recurrencia en la actividad conjunta que realizan.” (Tradução nossa)

dos tempos, vem fazendo uso das palavras para nomear todo o seu entorno: animais, plantas, pessoas, lugares etc.

Ao se referir à nomeação dos lugares, tema central desta pesquisa, Dick (2010) afirma que o ato de nomear está diretamente relacionado aos valores, às ações e às reações do ser humano. Conforme a autora, as forças centrífugas e centrípetas do conjunto denominativo não são isoladas; são, pelo contrário, dependentes dos procedimentos que envolvem as atividades humanas e, nesse centro de influências e condicionantes, o homem se posiciona, no ato da nomeação, como protagonista. (DICK, 2010, p. 197)

Desse modo, podemos afirmar que o ato de nomear reflete a cultura e a visão de mundo do denominador que são evidenciadas por meio das escolhas dos nomes que identificam os referentes relacionados à realidade de cada grupo. É, pois, por meio do nome, que o homem organiza o mundo, representando-o, de modo a categorizar a realidade na qual se encontra inserido.

Esse processo de nomeação da realidade pode ser considerado, conforme Biderman (2001a), como a etapa primeira no percurso científico humano de conhecimento do universo, uma vez que, ao dar nomes aos seres e objetos, o homem os classifica simultaneamente.

Ao reunir os objetos em grupos, identificando semelhanças e, inversamente, discriminando os traços distintivos que individualizam esses seres e objetos em entidades diferentes, o homem foi estruturando o mundo que o cerca, rotulando essas entidades discriminadas. Foi esse processo de nomeação que gerou o léxico das línguas naturais. (BIDERMAN, 2001a, p. 13)

1.2 Léxico

Considerando a dimensão social da língua, perspectiva adotada neste trabalho, o léxico é definido, de acordo com Matoré (1953), como testemunha de uma sociedade, de uma época, na medida em que reflete as diferentes fases que marcam a história de uma sociedade, o que explica o fato de o linguista ter chamado os elementos do léxico de “palavras-testemunha” ou, no idioma do autor, “mots-témoins”. Para ele, as palavras de uma língua não devem ser consideradas como algo isolado e sim como parte de uma estrutura social.

Não estando isolada, a palavra não pode dissociar-se em nenhum caso do grupo a que pertence. As palavras no interior do grupo não têm todas o mesmo valor: constituem uma estrutura hierarquizada. Esta estrutura é móvel; os movimentos a que obedecem as palavras e os grupos de palavras têm uma maneira correlativa: um vocabulário é um todo como a época que ele representa. (MATORÉ, 1953, p.62)

Dessa maneira, de acordo com o linguista, numa perspectiva sociológica, é possível perceber, na observação do nível lexical, o reflexo das diferentes fases que marcam a história de uma dada comunidade.

Biderman (1981), em seu estudo a respeito da estrutura mental do léxico, endossa a visão de Matoré, apresentando-nos a seguinte definição para o léxico de uma língua:

Se considerarmos a dimensão social, podemos ver no léxico o patrimônio social da comunidade por excelência, juntamente com outros símbolos da herança cultural. Dentro desse ângulo de visão, esse tesouro léxico é transmitido de geração a geração como signos operacionais, por meio dos quais os indivíduos de cada geração podem pensar e exprimir seus sentimentos e ideias. Matoré tem razão quando afirma que a palavra tem uma existência psicológica e um valor coletivo. Também está certo ao afirmar que é pela palavra (diríamos a nomeação) que o homem exerce a sua capacidade de abstrair e de generalizar o individual, o subjetivo. A palavra cristaliza o conceito resultante dessa operação mental, possibiltando a sua transmissão às gerações seguintes. (...) O léxico pode ser considerado como o tesouro vocabular de uma determinada língua. Ele inclui a nomenclatura de todos os conceitos linguísticos e não-linguísticos e de todos os referentes do mundo físico (M1) e do universo cultural (M3), criado por todas as línguas humanas atuais e do passado. Por isso, o léxico é o menos linguístico de todos os domínios da linguagem. Na verdade, é uma parte do idioma que se situa entre o linguístico e o extra-linguístico. (BIDERMAN, 1981, p.132; 138)

As palavras da autora são, em nosso entendimento, uma das definições mais completas para o nível linguístico sob enfoque. Trata-se de uma abordagem que prioriza, acima de tudo, a necessidade e a importância de, em uma pesquisa linguística, correlacionar-se língua, cultura e sociedade.

Também enfatizando a importância dessa correlação para os estudos da linguagem, Sapir (1961) destaca o léxico como o nível da língua que mais bem revela o ambiente físico e social dos falantes de um povo. De acordo com o autor, as atitudes linguísticas assumidas por uma comunidade predispõem algumas opções de interpretação que, por sua vez, fixam o modo pelo qual os membros dessa comunidade percebem a realidade que os cerca. Sapir reconhece, entretanto, que a influência do meio físico só se reflete na língua, na medida em que atuem sobre ele fatores de natureza social. Sob essa perspectiva, o sistema lexical de uma língua constitui uma forma de representação da realidade de um povo, uma vez que o léxico completo de língua pode se considerar, na verdade, como o complexo inventário de todas as ideias, interesses e ocupações da comunidade. (SAPIR, 1961, p.45)

O léxico, saber partilhado que existe na consciência dos falantes de uma língua, constitui-se no acervo do saber vocabular de um grupo sócio-linguístico-cultural. Na medida em que o léxico configura-se como a primeira via de acesso a um texto, representa a janela através da qual uma comunidade pode ver o mundo, uma vez que esse nível da língua é o que mais deixa transparecer os valores, as crenças, os hábitos e costumes de uma comunidade, como também, as inovações tecnológicas, transformações socioeconômicas e políticas ocorridas numa sociedade. Em vista disso, o léxico de uma língua conserva uma estreita relação com a história cultural da comunidade. Desse modo, o universo lexical de um grupo sintetiza a sua maneira de ver a realidade e a forma como seus membros estruturam o mundo que os rodeia e designam as diferentes esferas do conhecimento. Assim, na medida em que o léxico recorta realidades de mundo, define, também, fatos de cultura. (OLIVEIRA e ISQUERDO, 2001, p.9)

Podemos afirmar, então, que, como uma forma de registrar o conhecimento do universo, mais do que o conjunto de palavras de um idioma, o léxico deve ser compreendido como o patrimônio linguístico-cultural dos membros da comunidade em que é usado. Cumpre dizer ainda, no que concerne à gênese do léxico de uma língua natural, que a geração do léxico se processou e se processa por meio de atos sucessivos de cognição da realidade e de categorização da experiência, cristalizada em signos linguísticos: as palavras. (BIDERMAN, 2001a, p.13)

Sob esse enfoque, apoiando-nos nas palavras de Seabra,

definir o léxico seria talvez mostrar sua complexidade e sua heteregeneidade já que “designa convencionalmente o conjunto de palavras por meio das quais os membros de uma comunidade linguística comunicam entre si”7 através de intersecções – condição básica para que haja comunicação. (SEABRA, 2004, p.34-35).

Desse modo, o léxico pode sim ser definido, de maneira geral, como o repertório total de palavras existentes na língua, ou seja, o conjunto de palavras de uma determinada língua. Essa noção de conjunto, entretanto, não pode levar ao entendimento errôneo de que o léxico é um sistema fechado de unidades. Na verdade, as constantes modificações socioculturais são, inevitavelmente, refletidas no arcabouço lexical dos falantes de uma determinada comunidade linguística. Nesse sentido, o léxico oferece recursos para construção de novas palavras, permitindo assim sua própria expansão, apresentando-se como um sistema dinâmico, capaz de ampliar-se de acordo com as necessidades de nomeação que surgem constantemente no

7 “désigne conventionnellement l’ensemble des mots au moyen desquels les members d’une communauté linguistique communiquent entre eux.” NIKLAS-SALMINEN (1997, p.13) apud SEABRA (2004, p.35)

cotidiano do falante. As mudanças culturais são, pois, refletidas no léxico, já que a língua se adapta, continuamente, às transformações da sociedade. Segundo Biderman (2001b, p.179),

As mudanças sociais e culturais acarretam alterações nos usos vocabulares: daí resulta que unidades ou setores completos do Léxico podem ser marginalizados, entrar em desuso e vir a desaparecer. Inversamente, porém, podem ser ressuscitados termos que voltam à circulação, geralmente com novas conotações. Enfim, novos vocábulos, ou novas significações de vocábulos já existentes, surgem para enriquecer o Léxico. (BIDERMAN, 2001b, p.179)

Ao tratar do conceito de léxico, Krieger (2006) ressalta o fato de o léxico de uma língua não ser homogêneo, pelo contrário, conforme a autora, constitui-se como um conjunto heterogêneo em vários ângulos de sua composição. Dentre os fatores que determinam a variada formação do léxico, destacam-se o tempo, o espaço e o registro que estão relacionados com as variações diacrônica, diatópica e diastrática, respectivamente. Segundo a autora, é perceptível, dessa forma, o dinamismo e a heterogeneidade constitutiva do léxico. No entanto, vale dizer que essa heterogeneidade constitutiva não é desordenada, “já que o léxico apresenta um alto teor de regularidade e é um componente fundamental da organização linguística, tanto do ponto de vista semântico e gramatical quanto do ponto de vista textual e estilístico.” (BASÍLIO, 2004, p.7)

Entretanto, essa noção faz parte da contemporaneidade, já que, inicialmente, o léxico era visto pelos estudiosos da linguagem como o nível linguístico em se concentravam todas as irregularidades da língua, conforme aponta Lorente (2004):

Nas primeiras formulações da Gramática Gerativa Transformacional, Chomsky (1957) toma emprestada de Bloomfield a visão do léxico como “o saco de irregularidades da língua”. Ridicularizada até a exaustão, esta afirmação deve ser inserida em seu contexto: em seu programa de pesquisa, Bloomfield situa as generalizações por indução na fonologia, na morfologia e na sintaxe e, consequentemente, inclui no léxico tudo aquilo que seu modelo não consegue descrever sistematicamente. Seria absurdo pensar que um linguista de seu porte fosse incapaz de detectar regularidades lexicais, que inclusive já haviam sido observadas por autores clássicos como Aristóteles. Chomsky (1957) se mostra coerente ao acolher essa ideia, já que com o seu modelo tenta explicar a aquisição da linguagem e estabelece que, através da gramática interiorizada, os falantes são capazes de gerar expressões corretas. O poder generalizador das regras de estrutura sintagmática e das regras transformacionais de seus primeiros modelos o leva a lançar a hipótese de que o léxico inclui somente informação imprevisível (mínima informação). Deste modo, caracteriza simplesmente as entradas do componente lexical com traços funcionais e semânticos, para estabelecer as restrições que devem

ser impostas às regras de subcategorização sensíveis ao contexto. (LORENTE, 2004, p. 24-25)8

Para Krieger e Finatto (2004), essa visão de que o léxico só comporta irregularidades “relaciona-se largamente ao dinamismo do componente lexical das línguas que amplia e se transmuta conforme crescem e se alteram as necessidades de referência designativa e conceitual das sociedades.” (KRIEGER e FINATTO, 2004, p.44) As autoras acrescentam ainda que em virtude dessa visão equivocada, os estudos lexicais tardaram a ser valorizados.

Apesar de valorizado só tardiamente, conforme Abbade (2008), o estudo do léxico “é deveras importante e necessário para desvendar os inúmeros segredos da nossa história social e linguística, segredos estes que podem ser desvendados pelo estudo e análise do léxico existente nessas línguas em momentos específicos da história de cada povo” (ABBADE, 2008, p. 716).

Além do conhecimento extralinguístico, o léxico de uma língua, ao ser estudado, permite que diversos conhecimentos sejam relacionados, tais como fonético-fonológicos, morfológicos, semânticos, sintáticos, pragmáticos e discursivos, por exemplo. Assim, como um componente de muitas faces, o sistema lexical ocupa um lugar central nas línguas, tornando-se, consequentemente, um ponto de cruzamento dos estudos linguísticos, o que justifica, de acordo com Krieger (2006), as diversas possibilidades de enfoques para seu estudo.

As várias possibilidades de abordagens [do léxico], relacionadas seja à feição multifacetada da palavra, seja a seu papel na articulação do discurso, seja ainda à interligação com o mundo exterior, justificam a diversidade de campos gramaticais, linguísticos e discursivos que a ele se voltam ou com ele se interconectam.

(KRIEGER, 2006, p.160)

Historicamente, cumpre dizer que um dos primeiros estudos lexicais remonta ao séc. IV a.C., quando, na Índia, Panini estudou a linguagem com fins religiosos e definiu elementos significativos da língua, distinguindo as palavras simples das compostas, as palavras reais das

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Vale dizer que, depois de apresentar e justificar a visão chomskyiana do léxico, Lorente (2004) pontua que quase vinte anos depois são introduzidos vários sistemas de princípios que dão conta das restrições de projeção das unidades lexicais na sintaxe, assegurando a preservação da informação lexical, o que garantiu a evolução em direção a um léxico mais autônomo e cada vez mais estruturado.

palavras fictícias e a forma do conteúdo. Sua maior preocupação, na verdade, foi com a forma das palavras o que o levou ao estudo notável da Morfologia.

Já no Ocidente, as primeiras reflexões conhecidas envolvendo o léxico são atribuídas aos gregos que, ao se preocuparem com a palavra como conceito, relacionaram ideia e forma, partindo de reflexões filosóficas, contribuindo, assim, para o surgimento do campo da Semântica. Aos latinos, devemos o desenvolvimento dos estudos gramaticais em que foi mostrando a oposição entre sistema (gramática da língua) e norma (uso social efetivo), que atuam como forças que conservam a língua, ao mesmo tempo em que lhe permitem mudanças.

Dando continuidade à tradição greco-latina, na Idade Média, a discussão acerca da exatidão das palavras é retomada. Tem-se aí a oposição entre realistas (as palavras são apenas reflexo das ideias) e nominalistas (os nomes foram dados arbitrariamente às coisas). No período posterior, compreendido entre o Renascimento e o século XVIII, o estudo do léxico desenvolveu-se, de forma geral, em duas perspectivas: a confecção de dicionários e o estudo da palavra, sob o enfoque filosófico.

Nos séculos XIX e XX, os estudos lexicais desenvolveram basicamente sob três perspectivas, quais sejam: da Linguística Histórica, da Geografia Linguística e da Linguística Moderna. Iniciamente, sob a ótica da Linguística Histórica, buscava-se a origem das palavras pelo Método Histórico-Comparativo – em que linhas de parentesco entre as línguas eram investigadas a partir da observação de palavras isoladas – e pelo Método Palavras e Coisas – em que se investigava a origem das palavras através do significado das “palavras” e do conhecimento das “coisas” que elas designam. Sob o enfoque da Geografia Linguística, através do método de Gilliéron, observando-se a sua distribuição geográfica, as palavras eram e continuam sendo estudadas, na contemporaneidade sobretudo nos diversos estudos dialetológicos representados pelos Atlas Linguísticos, o que tem permitido reconstruir a existência de estágios anteriores de língua. Acrescenta-se ainda que, à luz da Linguística Moderna, marcada pelo estruturalismo saussuriano, o léxico passa a ser estudado numa perspectiva sociológica.

Estudar o léxico de uma língua, contemporaneamente, é estudar a história e a cultura de quem a utiliza, como foi feito em nossa pesquisa. Para o empreendimento de tal tarefa, destacam-se as ciências do léxico: a Lexicologia, que é o estudo científico do léxico; a

Lexicografia e a Terminologia, que estudam o léxico com fins aplicados na tentativa de identificar e estabelecer o léxico ou os subconjuntos léxicos das línguas para organizá-las em

dicionários gerais e dicionários especializados, respectivamente. Fazemos, a seguir, uma breve explanação do que se ocupa cada uma dessas ciências.

1.2.1 Lexicologia

Durante um bom tempo da história da linguística, os estudos lexicais foram deixados de lado em função dos estudos fonético-morfológicos e sintáticos. No século XIX, entretanto, a comparação-histórica abriu caminhos para diversos estudos científicos das línguas e a palavra passou a ser vista como forma cuja natureza fonética, morfológica e semântica deveriam ser observadas (ABBADE, 2008, p. 717). Surge aí a Lexicologia,

como um campo de conhecimento de caráter transdisciplinar, dado que a palavra é um lugar de encontro e interesse particular de muitas ciências a iniciar pela Filosofia que, desde seus primórdios, apreendeu a importância do logos para a vida dos homens quer na perspectiva de sua individualidade, quer na da constituição da vida social. (KRIEGER e FINATTO, 2004, p.44)9

Como estudo científico do léxico, a Lexicologia tem como objeto de análise as palavras no seu relacionamento com os diferentes subsistemas da língua, focalizando a análise da estrutura interna do léxico nas suas relações e inter-relações, apresentando, segundo Andrade (2001), aspectos teórico e prático. Nas palavras da autora:

Pode-se dizer que a lexicologia é o estudo científico do léxico, isto é, propõe-se a estudar o universo de todas as palavras de uma língua, vistas em sua estruturação, funcionamento e mudança, cabendo-lhe, entre outras tarefas: definir conjuntos e subconjuntos lexicais; examinar as relações do léxico de uma língua com o universo natural, social e cultural; conceituar e delimitar a unidade lexical de base – a lexia –, bem como elaborar os modelos teóricos subjacentes às suas diferentes denominações; abordar a palavra como um instrumento de construção e detecção de uma “visão de mundo”, de uma ideologia, de um sistema de valores, como geradora e reflexo de sistemas culturais; analisar e descrever as relações entre a expressão e o conteúdo das palavras e os fenômenos daí decorrentes. (ANDRADE, 2001, p. 191)

Pela definição apresentada e pelo fato de, como já mencionamos, o léxico de uma língua ser um componente de muitas faces, os estudos lexicológicos são necessariamente de caráter interdisciplinar. Na concepção de Matoré (1953), por exemplo, a lexicologia é uma

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De acordo com as autoras, é também sobre o viés filosófico que nascem os estudos sobre as relações entre palavras e coisas, entre tantos ângulos que envolvem o uso da palavra. No entanto, é na perspectiva dos estudos linguísticos que se estabelece a Lexicologia.

disciplina muito próxima da sociologia, porque, em muitos casos, parte do estudo das palavras para explicar uma sociedade. Segundo ele,

A lexicologia ocupa uma posição especial entre a linguística e a sociologia. Situação difícil, uma vez que exige documentação múltipla: disciplina sintética, a lexicologia deve pegar emprestado seu material à história da civilização, à linguística, à história econômica, etc. (MATORÉ, 1953, p.5)

Ao destacar a relevância da lexicologia nas aplicações linguísticas por suas afinidades com a gramática – especialmente pelas relações entrelaçadas com a fonologia, a morfologia, a sintaxe e a semântica – Nunes (2006) afirma que o seu direito à ciência foi questionado em paradigma purista e função imanentista que a Linguística Moderna passou. A seu ver, isso ocorreu ao mesmo tempo em que a “semântica se mostrava indispensável”. Dessa forma, enquanto “puristas” recusavam a lexicologia, “sociólogos, etnólogos, psicólogos, psicanalistas, patologistas tinham interesse pelo léxico” (NUNES, 2006, p. 151).

Lorente (2004), por sua vez, ao se referir ao estatuto da lexicologia no âmbito dos

Benzer Belgeler