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1.4. RİSKLİ DAVRANIŞ

1.4.1. Riskli Davranışların Altında Yatan Nedenler

Os nomes próprios constituem uma classe bastante heterogênea de itens nominais e, por esse motivo, várias são as tentativas de classificá-los.12

Geralmente são considerados nomes próprios os nomes de pessoa (antropônimos), lugares (topônimos), organizações sociais, marcas, títulos de obras, etc. (ALLERTON, 1987; BAJO PÉREZ, 2002, 2008; JONASSON, 1994; LÓPEZ GARCÍA, 2000; VAN LANGENDONCK, 2007; WILMET, 1995). (...) Apesar de, como visto, os nomes próprios constituírem uma classe bem heterogênea, todos os autores incluem nessa classe os antropônimos e os topônimos, ou seja, os nomes de pessoas e de lugares, respectivamente. Esses dois subconjuntos de nomes próprios chegam a ser um consenso quando se fala em membros da classe, o que não se verifica para outros itens como nomes de línguas e dialetos, apresentados por Allerton (1987), ou das pessoas do diálogo, defendidos como nomes próprios por López García (2000). (AMARAL, 2011, p. 63-67)

Para os gramáticos tradicionais é clara a distinção entre nomes próprios e nomes comuns; estes designam a totalidade dos seres de uma espécie – designação genérica – e aqueles designam um indivíduo de determinada espécie – designação específica. Em Cunha (1984, p.187-188), por exemplo, lê-se:

12

Os nomes próprios têm sido objeto de estudo em diferentes áreas, como na Psicologia (Martins, 1991, Leite, 2004), na Psicopedagogia (Russo, 2000), na História e na Antropologia (Christin, 2001), na Lógica e na Filosofia (Mill, 1984, Frege, 1978, Russell, Kripke, 1982, Brito, 2003 e muitos outros), etc. Entre os trabalhos mais relacionados à Linguística, os nomes próprios têm interessado a diversos campos de pesquisa, como a Sociolinguística (Allerton, 1987 e Allerton, 1996), a Semântica (Recanati, 1983; Flaux, 1991), a Dialetologia (Amaral, 2003), a Linguística Histórica (Mendes, 2000), a Lexicologia e a Lexicografia (Fontant, 1998, Lecomte-Hilmy, 1989), a Tradução (Moya, 2000) e a Linguística de Corpus (Leroy, 2002, 2004 e 2005; Marin; Martinez e Miramón, 2003; Maurel, 2004).” [AMARAL, 2003, p.20]

Quando se aplica a todos os seres de uma espécie ou quando designa uma abstração, o substantivo é chamado comum. Quando se aplica a determinado indivíduo da espécie, o substantivo é chamado próprio. Assim, mulher, continente, oceano são comuns, porque se empregam para nomear todos os seres e todas as coisas das respectivas classes. Amélia, Ásia e Atlântico, ao contrário, são substantivos próprios, porque se aplicam a uma determinada mulher, a um dado continente e a um certo oceano.

Apoiando em J.S. Mill (1843) para quem nomes próprios não têm qualquer conotação, mas apenas denotação, Brito (2003) define nomes próprios como expressões referenciais para objetos particulares. Seus exemplos típicos são as expressões linguísticas que especificam seus objetos sem descrevê-los e com os quais podemos, por exemplo, batizar objetos, não importa a sua natureza, tais como o fazemos com os nomes de pessoas, cidades, países etc. É, pois, desse modo, que o autor demonstra que, diferentemente dos nomes comuns, os nomes próprios não descrevem os objetos a que se referem. Assim, nas palavras do autor:

A diferença entre nome de espécie e um nome próprio poderia ser então formulada nos seguintes termos: um nome de espécie designa todo objeto, qualquer que ele seja, que, em função de um conjunto de qualidades, possa ser classificado como elemento da espécie. Tenha a espécie um ou mais membros (se algum membro tiver), todos serão designados pelo mesmo nome indiscriminadamente. Característico dos nomes próprios é, ao contrário, que por meio deles não é designado qualquer objeto de um certo tipo, mas um objeto singularmente determinado. Nomes de espécies podem referir-se a vários objetos sem se tornarem por isso ambíguos. O mesmo nome próprio pode nomear diferentes objetos, mas isso abre espaço para a instauração de ambiguidades na comunicação, pois nomes próprios servem para referir inequivocamente um objeto particular específico. (Brito, 2003, p.27)

Para Mari (2003), enquanto o nome comum tem uma função descritiva, ele nada mais é do que um feixe de propriedades partilhadas pelos membros de um determinado conjunto, o nome próprio tem uma função designativa, ou seja, de nomear objetos. Assim, “o nome próprio é índice em virtude da sua natureza designativa; o nome comum fixa condições de pertinência para uma classe em virtude de propriedades descritivas” (MARI, 2003, p. 15).

Foucault ([1966] 2002), em sua obra As palavras e as coisas, apresenta o conceito de nome próprio e a função singular que ele desempenha no interior da linguagem. Embora reconheça, ao longo de sua reflexão, a importância primeira do verbo para a constituição do discurso, ele afirma que:

A articulação primeira da linguagem (se se puser de parte o verbo ser, que é condição tanto quanto parte do discurso) faz-se, pois, segundo dois eixos ortogonais: um que vai do indivíduo singular ao geral; outro que vai da substância à qualidade. No seu cruzamento reside o nome comum; numa extremidade, o nome próprio; na outra, o adjetivo. (Foucault, 2002, p. 137)

Há que se ressaltar, ainda, que, para Foucault, a distinção entre nomes próprios e nomes comuns é extremamente necessária para a ordem dos discursos, pois permite eliminar a confusão de ideias e facilitar a relação de sentido e representação entre as palavras e as coisas:

A palavra designa, o que quer dizer que, em sua natureza, é nome. Nome próprio, pois que aponta para tal representação e mais nenhuma. Assim é que, em face da uniformidade do verbo – que nunca é mais que o enunciado universal da atribuição – os nomes pululam e ao infinito. Deveria haver tantos nomes quantas coisas a nomear. Mas então cada nome seria tão fortemente vinculado à única representação que ele designa, que não se poderia sequer formular a menor atribuição; e a linguagem recairia abaixo de si mesma: “Se tivéssemos por substantivos somente nomes próprios, seria preciso multiplicá-los ao infinito. Essas palavras, cuja multidão sobrecarregaria a memória, não poriam ordem alguma nos objetos de nossos conhecimentos, nem, por conseguinte, em nossas ideias, e todos os nossos discursos estariam na maior confusão.” Os nomes podem funcionar na frase e permitir a atribuição somente se um dos dois (o atributo ao menos) designar algum elemento comum a várias representações. A generalidade do nome é tão necessária às partes do discurso quanto à designação do ser; à forma da proposição. (Foucault, 2002, p. 136)

Segundo Searle (1981, p. 45), “à primeira vista, nada parece mais fácil de ser compreendido, na filosofia da linguagem, que o uso dos nomes próprios: aqui está o nome, lá está o objeto. O nome representa o objeto.” No entanto, assim como no âmbito da linguística, várias são as discussões acerca do conceito e da função dos nomes próprios entre os filósofos. Zamariano (2010), em seu trabalho intitulado Estudo toponímico no espaço geográfico

das mesorregiões paranaenses, aborda com profundidade a questão do nome/nome próprio na

literatura traçando um percurso histórico e demonstrando como se deu o processo de construção do conceito em diferentes perspectivas teóricas. Nessa abordagem, a autora apresenta-nos um quadro sinótico, reproduzido a seguir, com diferentes concepções filosóficas acerca do conceito de nome/nome próprio que ilustra muito bem essa questão.

QUADRO 1 – Nome próprio do pensamento filosófico.

Grécia – onoma = qualquer coisa que fosse uma palavra: nome próprio e comum (substantivos), verbos e adjetivos.

Platão - onoma (nomes) e rhéma (verbos).

Crátilo - diálogo entre convencionalismo (apresenta a justeza dos nomes como mera convenção e acordo) e naturalismo (admite haver uma correlação dos nomes por natureza atribuídos a cada um dos seres).

Aristóteles - nomes - três gêneros (espécies de nomes: simples, duplo e vazio de sentido); formação do nome (pode ser de três, de quatro, e até mesmo de vários outros nomes); nomes (masculinos, femininos e neutros)

Dionísio da Trácia - o nome (onoma) - reunia nomes próprios e comuns - parte do discurso que possui flexão de caso e que significa pessoa ou coisa.

Varrão - partes do discurso: nominatus - i.) vocabula (nomes comuns); ii.) nomina (nomes próprios).

Santo Agostinho - as palavras são nomes, seus significados são os objetos que elas substituem aos quais estão relacionadas e as frases são simples combinações de nomes, que descrevem como são as coisas.

São Tomás de Aquino - o nome ou é abstrato ou concreto; os nomes exprimem a substância qualificada e uma coisa é a origem da qual um nome tira a sua significação, e outra, o objeto que ele designa.

Thomas Hobbes - um nome é uma palavra tomada arbitrariamente para servir como marca que pode trazer à nossa mente um pensamento semelhante a um pensamento que tivemos antes. Distinguia nomes em positivos ou afirmativos e negativos; comuns e próprios.

Fonte: ZAMARIANO, 2010, p.65

Além dessas considerações acerca de como o nome próprio é visto por diferentes filósofos até Thomas Hobbes, Zamariano apresenta-nos também um quadro com as teorias filosóficas da referência e das descrições, transcrito a seguir:

QUADRO 2 – Nome próprio do pensamento filosófico: teoria da referência e teoria das descrições.

Teoria da referência Teoria das descrições

John Stuart Mill - nomes próprios denotam,

mas não têm conotação.

Divide os nomes em gerais e singulares ou individuais.

Gottlob Frege - vincula aos nomes

próprios o sentido.

Peter Frederick Strawson - alguns tipos de

palavras possuem predominantemente um papel referencial, como os pronomes e os nomes próprios.

Bertrand Russell - nome próprio:

abreviações de descrições definidas.

Michel Foucault - o nome próprio é

consensualmente usado com uma característica estável ou durável: ele sempre designa o mesmo indivíduo.

Ludwig Wittgenstein - um nome pode

ser exemplificado por um conjunto indeterminado de descrições; o nome corresponde a uma ou outra dessas descrições, de tal maneira que sua significação nunca é rígida.

Saul Kripke - opõe nomes próprios e

descrições definidas. Nomes próprios: designadores rígidos.

John Searle - um nome próprio tem

sentido não porque descreva características de um objeto (não descreve), mas sim porque está logicamente conectado com o conjunto de descrições definidas necessárias e suficientes para a descrição de um objeto particular.

Fonte: ZAMARIANO, 2010, p.65

Com esse quadro comparativo, a autora demonstra que, no âmbito da filosofia, os trabalhos clássicos sobre nomes próprios distinguem fundamentalmente dois grupos de autores: i) aqueles que defendem a tese de que o nome próprio tem um sentido – como Frege (1978) e Kripke (1996) – e concordam com Russel (1974), ao considerá-lo como descrição definida abreviada; e ii) aqueles que argumentam que os nomes próprios não possuem sentido. Nesse grupo, estão autores com Mill (1989), para quem os nomes próprios somente

denotam e não conotam e Kripke (1996), segundo o qual o nome próprio é um designador rígido. (ZAMARIANO, 2010, p.26)13

Apresentamos, a seguir, de forma sintética, um pouco dessa discussão.

A respeito da referencialidade do item nominal sob enfoque, vale frisar, por exemplo, que segundo Frege (1978, p. 65), a referência de um nome próprio é o objeto que por seu intermédio designamos; sua representação é subjetiva e entre a referência14 e a representação, situa-se o sentido que não é tão subjetivo quanto à representação, mas também não é o objeto propriamente dito.

Pelo fato de ser o referente de um nome próprio normalmente único, conclui-se, algumas vezes, que o nome próprio é uma simples etiqueta colada sobre uma coisa, que ele tem um referente, mas não sentido, ou, de acordo com Mill (1989), uma denotação, mas não conotação:

Nomes próprios não são conotativos; denotam os indivíduos a quem dão o nome, mas não afirmam nem implicam qualquer atributo como pertencente a esses indivíduos. Quando chamamos uma criança de Paulo ou um cachorro de César, esses nomes são simples sinais usados para indicar esses indivíduos como sujeitos possíveis de um discurso. Pode-se dizer, na verdade, que deve ter havido alguma razão para lhes dar esses nomes em vez de qualquer outro, e é verdade; mas o nome uma vez dado, é independente do motivo. Um homem pode se chamar João porque este era o nome de seu pai; uma cidade pode se chamar Dartmouth porque é situada na foz do rio Dart. Mas não há, na significação da palavra João, nada que implique que o pai da pessoa assim chamada tinha o mesmo nome; nem mesmo da palavra Dartmouth implica que esta cidade esteja situada na foz do rio Dart. Se a areia obstruísse a foz do rio ou um terremoto mudasse o seu curso e o afastasse da cidade o nome da cidade, o nome da cidade não seria necessariamente mudado. Esse fato, portanto, não pode fazer parte da significação da palavra; pois, se, caso contrário, o fato cessasse reconhecimento de ser verdadeiro, ninguém mais pensaria em chamá- lo do mesmo nome. Os nomes próprios estão vinculados aos objetos em si e não dependem da permanência de qualquer atributo do objeto. (MILL, 1989, p.99)15

13 Amaral (2008), apoiando-se em Fernández Leborans (1999a), também apresenta uma divisão dos trabalhos clássicos sobre o assunto em grupos de autores. Além dos dois grupos de filósofos citados por Zamariano (2010), o autor acrescenta os trabalhos de um terceiro grupo em que “estariam os trabalhos de autores que pertencem mais ao campo da Linguística. Muitos dos autores não colocam a questão como simplesmente presença ou ausência de sentido. Em geral, partem do trabalho de Kleiber (1981), que associa o sentido do nome próprio ao predicado de denominação.” (AMARAL, 2008, p. 23)

14 Por “referencia”, em el ámbito del lenguaje, se entiende genéricamente la relación existente entre el lenguaje e el mundo, entre nuestras palabras y los objetos o indivíduos del mundo. La noción de referencia expresa uma relación, más concretamente, uma relación entre una expresión y una entidad; essa entidad, que será, por regla general, uma entidad extralingüística, constituye el referente de La expresión; por tanto, la relación de referencia tiene lugar entre uma expressión y su referente. (MORENO, 2006, p. 13)

15 (...)

quer isto dizer que o nome próprio (igual a topônimo e/ou antropônimo) não participa de um universo de significação porque é OPACO, vazio de sentido, empregado sempre como referencial, sem relação com a primitiva etimologia, o que não acontece com o substantivo comum, cuja significância é TRANSPARENTE. (DICK, 1990b, p.6)

Frege sustenta o contrário, que nenhuma referência é possível sem um sentido. E por esse motivo, ele não reconhece nenhuma distinção lógica entre os nomes próprios gramaticais – substantivos próprios, Maria, Paris, África – e as descrições definidas – SN definido mais uma asserção descritiva como, por exemplo, A menina mais falante do bairro – considerando ambos como nomes próprios lógicos.

Segundo Cardoso (2003, p. 50), Frege apresenta uma distinção crucial para a construção de uma das mais importantes teorias da significação de todos os tempos por meio de um sistema ternário, formado de nome próprio, sentido e referência:

Chama de nome próprio qualquer expressão significativa (palavra, expressão, grupo de palavra ou sentença assertiva) cuja referência seja um objeto singular. Chama de sentido “o modo de apresentação do objeto”. Chama de referência da expressão o objeto do qual a expressão é nome. Sentido e referência são dois aspectos da significação de um nome. É possível dizer com Frege que uma expressão (nome próprio) nomeia a sua referência e expressa o seu sentido. (Cardoso, 2003, p. 50)

No entanto, conforme Searle (1981, p. 215), “um nome próprio não predica a propósito do objeto e, consequentemente, não tem um sentido”, ou seja, de acordo com o autor, o nome próprio é usado para referir e não para descrever determinado ser. A esse respeito diz o autor:

Mill tinha razão em pensar que os nomes próprios não implicam qualquer descrição particular, que eles não têm definição, mas Frege estava certo ao supor que todo termo singular deve comportar um modo de apresentação e, portanto, de certa forma, ter um sentido. O erro foi considerar como definição a descrição identificadora que podemos substituir pelo nome do objeto. (...) Frege observou certamente que, se utilizamos os nomes próprios para fazer afirmações de identidade, factualmente informativas, os nomes próprios têm então necessariamente um sentido, mas equivocou-se ao supor que esse sentido é tão imediato como no caso das descrições definidas. (Searle, 1981, p. 224-226)

Em suma, Searle defende a ideia de que a distinção entre nomes próprios e descrições definidas pode ser explicada pelo fato de que a originalidade dos nomes próprios – e o que, segundo ele, os torna de grande utilidade do ponto de vista pragmático – é precisamente o fato de que eles possibilitam a referência aos objetos sem que haja a necessidade de recuperar as características que devem apresentar a identidade do objeto. “Eles não funcionam como descrições, mas como cabides, nos quais se prendem as descrições. Assim, a imprecisão desses critérios, no que diz respeito aos nomes próprios, é então uma condição necessária para

isolar a função referencial da função descritiva da linguagem” (Searle, 1981, p. 227). Essa afirmação pode ser entendida, sobretudo, quando pensamos nos nomes próprios de pessoas – antropônimos – e de lugares – topônimos, uma vez que esses nomes designam seus referentes sem descrevê-los. No particular dos topônimos, é possível, no entanto, que um locativo seja nomeado a partir uma de suas características, o que não significa, que com o tempo, perdendo a característica que motivou a denominação, esse nome, necessariamente, será mudado. Um rio batizado como rio do Peixe, por exemplo, pela quantidade volumosa desse elemento, mesmo que, no futuro, os peixes ali não sejam mais encontrados, o acidente pode preservar o topônimo para a posteridade.

Merece destaque também a teoria do filósofo Kripke, para quem o nome próprio deve ser entendido como um designador rígido:

(...) o filósofo Saul Kripke, ao delinear uma proposta denominada teoria casual da referência que motivou uma fortíssima polêmica em torno do nome próprio, centro de questões filosóficas detalhadamente disputadas. Trata-se de uma teoria de referência cuja orientação é mais filosófica que linguística, pois está menos dirigida à explicação de fatos linguísticos que à extração de argumentos ou teses de caráter metafísico. (...) A teoria concebida por esse filósofo parte de considerações semânticas, como as relações entre a linguagem e a realidade e, posteriormente, aplica os resultados obtidos no ataque ou defesa de certas teses filosóficas. Disso provém a atenção que têm recebido essas teses e o interesse que têm despertado, constituindo-se uma referência obrigatória da filosofia contemporânea. (...) Para o autor, nomes próprios não são sinônimos de descrições definidas, pois essas possuem um conteúdo que diz algo acerca do objeto, enquanto os nomes não têm esse conteúdo, não indicam qualidades acerca de seus referentes, ou seja, não descrevem uma ou mais propriedades dos objetos. (...) Em síntese, o nome próprio é, para Kripke, o eixo sobre o qual se constroem os enunciados contrafactuais, e isso só possível porque ele funciona como um designador rígido do objeto real que nomeia, e sobre o qual se constroem mundos possíveis. (ZAMARIANO, 2010, p. 61-64)

Dessa forma, podemos dizer que, para Kripke, ao nomear um objeto do mundo real, o nome próprio individualiza-o entre todos os outros objetos existentes. Designar rigidamente significa, então, independente da época em que se deu a nomeação, identificar um ser como único em todas as realidades possíveis.

Em certos aspectos, conforme Zamariano (2010, p. 63), a teoria kripkiana pode ser aplicada ao estudo dos nomes de lugares, foco desta pesquisa, uma vez que estes “são ‘designadores rígidos’, que em uma situação de comunicação representam ou são os próprios referentes, além de um mesmo nome identificar diferentes lugares, correspondentes a diferentes realidades.”

A esse respeito, vale citar o trabalho de Seabra (2006) intitulado Referência e

Onomástica, em que a autora define nomes próprios de pessoa – antropônimos – e nomes próprios de lugar – topônimos – como

entidades que vão além da expressão linguística e envolvem, obrigatoriamente, os referentes que destacam. Dentro dessa “teoria casual da referência”, Oliveira (1996) diz que o nome próprio é um “designador rígido”, pois designa um indivíduo de maneira única e direta. Mais que isso, acrescentamos que os nomes próprios de lugares, assim como os nomes próprios de pessoas são “designadores rígidos” já que representam ou são os próprios referentes em situação de comunicação, podendo- lhes atribuir, por isso, no âmbito dos estudos linguísticos certa singularidade. (SEABRA, 2006, p.1956)

Do foi que exposto até agora, percebemos que, apesar de a noção de referência ser fundamental para a definição de nomes próprios, não há um consenso entre os estudiosos da linguagem a esse respeito. A ideia em torno da qual parece haver certo consenso entre os teóricos é a de que os nomes próprios são uma categoria que pede tratamento diferenciado, o que pode ser explicado, conforme Rajagopalan, pelo fato de que

a singularidade inerente a essa denominação é algo que desafia o próprio empreendimento da construção de teorias sobre a linguagem, motivo pelo qual os

Benzer Belgeler