• Sonuç bulunamadı

2.8. Geopolimer Betonlarda Dayanım ve Durabilite Parametreleri

2.8.5. Sodyum hidroksit Molaritesi

A experiência do “sentir com ” ( tradução literal do alem ão Einfühlung) já aparecia

designada pelos gregos em seu vocábulo empatheia, origem de nossa expressão

‘em patia’, indicando a enigm ática possibilidade de estar dentro, estar presente, viver com e com o o outro o seu pathos, paixão, sofrim ento e doença. Indicando ora a possibilidade de projetar de m odo im aginativo sua consciência e, assim , apreender o objeto contem plado, ora a capacidade de com preender os sentim en- tos e os pensam entos de um outro, colocando-se ‘em seu lugar’, a em patia pos- sui m últiplas inserções na filosofia, na literatura e na história dos estudos estéti- cos e psicológicos.

Em bora tenha passado despercebido para a m aioria dos leitores, Freud fez em seus textos um uso significativo do vocábulo em patia (Einfühlung) , com o já bem dem onstrou Pigm an ( 1995) em seu artigo “Freud and the history of em pathy”. Desde o livro sobre os chistes ( 1905) , encontram os no texto freudiano as m arcas de sua fam iliaridade com a Einfühlung.No texto de 1913, “Sobre o início do trata-

m ento” , Freud considera central a experiência da Einfühlung para o trabalho

terapêutico. Sugere que o estabelecim ento de processos transferenciais está con- dicionado à capacidade do analista em adotar um a posição em pática ( curiosa- m ente, na edição espanhola deste texto, a palavra alem ã Einfühlung é traduzida por

3 Cf. Coelho Junior & Figueiredo, 2003, sobre os desdobram entos da noção e da experiência da

intersubjetividade na filosofia, na psicologia e na psicanálise, a partir das seguintes dim ensões: a) intersubjetividade interpessoal; b) intersubjetividade intrapsíquica; c) intersubjetividade traum ática; d) o solo transubjetivo.

4 Para um levantam ento do uso da noção Einfühlung em autores que influenciaram Freud, com o

Theodor Lipps, por exem plo, e para um recenseam ento do uso da noção na psicanálise con- tem porânea, rem eto o leitor interessado à extensa bibliografia com pilada por Pigm an ( 1995) .

“actitud... de cariñoso interés y sim patia” e na tradução inglesa, por “standpoint... of sym pathetic understanding”) .5

Em carta datada de 4 de janeiro de 1928,6 Freud apresenta a Ferenczi, critica- m ente, sua posição quanto à im portância da em patia na clínica psicanalítica. Co- m entando um artigo que Ferenczi acaba de lhe enviar, Freud reconhece que suas recom endações técnicas ( textos de 1911-15) eram essencialm ente negativas:

“Eu considerava que o m ais im portante a ser enfatizado era o que alguém não deve- ria fazer, dem onstrar as tentações que trabalham contra a análise. Quase todas as coisas positivas que alguém poderia fazer eu deixava ao ‘tato’, que foi introduzido por você. Mas o que eu consegui com isso foi que os obedientes não se deram conta da elasticidade dessas dissuasões e se subm eteram a elas com o se fossem tabus. Isso precisaria ser revisto em algum m om ento, sem , evidentem ente, revogar as obriga- ções.” ( FREUD & FERENCZI, 2000, p.332)

Um pouco m ais abaixo, Freud apresenta seus receios quanto aos usos que Ferenczi parece sugerir para o “tato” e para a capacidade de em patia (Einfühlung) que deve sustentá-lo: “Por m ais verdadeiro que seja o que você tem a dizer sobre o ‘tato’, essa adm issão parece-m e ainda m ais questionável nessa form a. Todos aqueles que não possuem tato verão nisso a justificativa de um a arbitrariedade, ou seja, de um fator subjetivo, ou seja, a influência de seus próprios com plexos incontidos” ( idem ) . Freud conclui suas recom endações e críticas de form a enér- gica: “Regras sobre essas atitudes, evidentem ente, não têm com o ser feitas; a experiência e a norm alidade do analista serão fatores decisivos. Mas deve-se, então, despojar o tato de seu caráter m ístico para os iniciantes” ( idem ) . As reco- m endações de Freud não poderiam ser m ais claras, revelando, do m esm o m odo, seus m ais profundos receios. Com o se sabe, as prescrições e reprim endas de Freud não foram suficientes para inibir as incursões ferenczianas por um dos m ais delicados cam pos da técnica e da teoria psicanalíticas.

Freud claram ente reconhece o uso clínico da em patia, m as se isso poderia nos levar a pensar em um a atribuição de sentido de ordem m ais afetiva ou em o- cional para essa noção ( com o o fará Ferenczi) , não é o que prevalece. No conjun-

to de sua obra, a em patia (Einfühlung) possui um sentido predom inantem ente

cognitivo. A em patia revela, para Freud, processos que fazem com que possam os

5 Cf. Freud, 1913 “ Zur Einleitung der Behandlung” , in Studienausgabe, Ergánzungsband, p.199; Bi-

blioteca Nueva, v. II, p.1672; Standard Edition, v. 12, p.139-140.

6 The correspondence of Sigm und Freud and Sandor Ferenczi, v. 3, 1920-1933, carta 1.115, p.331-333. Essa carta se inicia com um a referência histórica especialm ente interessante para os brasileiros: “ O Correio de ontem trouxe duas especiais correspondências: um relato de São Paulo ( Brazil) , inform ando que um grupo de psicanálise acaba de se form ar por lá....”

com preender um outro ser hum ano através de um a capacidade cognitiva de nos colocarm os em seu lugar, consciente ou inconscientem ente.

Sobretudo nas duas últim as décadas do século XX, o debate entre Freud e Ferenczi com relação às questões técnicas envolvidas no trabalho analítico recebe o olhar interessado de vários psicanalistas ( com o por exem plo, BARANDE, 1972; SCHNEIDER, 1988; BERGMAN, 1996; GIAMPIERI-DEUTSCH, 1996; HOFFER, 1996) . Para Hoffer ( 1996) , por exem plo, as proposições freudianas revelam um a concepção assim étrica e autoritária da relação analítica, em oposição às concep- ções dos últim os textos de Ferenczi, que revelavam um autor inclinado a privile- giar a m utualidade, a igualdade e a sim etria entre analista e paciente. A despeito das conseqüências sugeridas por Hoffer, seguram ente um pouco caricatas ( a posição patriarcal, intelectualista e autoritária de Freud e o m ovim ento fraternal, afetivo e igualitário de Ferenczi gerando m odelos distintos para o desenvolvi- m en to da técn ica an alítica con tem porân ea) , n ão resta dú vida qu e a ten são estabelecida entre as posições conflitantes de Freud e Ferenczi nos obrigam a um a retom ada histórica e conceitual para não nos verm os aprisionados em defe- sas sim plistas e em ocionalm ente com prom etidas com esta ou aquela form a de trabalho clínico.

As idéias que apresentarei a seguir revelam algum as das diferentes concep- ções sobre aspectos intersubjetivos e em páticos no contexto analítico, desenvol- vidas por Sandor Ferenczi entre os anos de 1918 e 1932. Procurarei acom panhar os textos de Ferenczi do m odo o m ais próxim o possível, citando-o sem pre que necessário, para m anter as intenções de um artigo histórico-crítico e para, ao m esm o tem po, desvelar a proposição ética da concepção clínica de Ferenczi.

FERENCZI, A EMPATIA E A INTERS UBJETIVIDADE:

Benzer Belgeler