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Smithsonian Ulusal Posta Müzesi (Washington D.C ABD)

Belgede Antalya posta müzesi (sayfa 59-62)

2.2 Milli Mücadele Dönemi Posta Tarihi

3.1.7 Smithsonian Ulusal Posta Müzesi (Washington D.C ABD)

Ao concluir este trabalho, cujos questionamentos iniciais surgiram das constatações e necessidades de pacientes e cuidadores, observadas no cotidiano de um Serviço que atende a urgências psiquiátricas e nas farmácias locais de Unidades Básicas de Saúde, onde circulam esses usuários, destaco que foi um contínuo caminhar em busca de reflexões acerca de minha prática profissional e de possíveis intervenções da Assistência Farmacêutica, junto aos portadores de transtornos mentais, repletos em suas significâncias relacionadas a sua autonomia e à adesão ao tratamento medicamentoso, e também na perspectiva de desenvolvimento de um trabalho interdisciplinar junto aos profissionais.

Cabe destacar, portanto, alguns aspectos importantes a serem considerados pelas particularidades que representam na abordagem do tratamento desses usuários. As implicações da doença, da família e do trabalho refletem diretamente na adesão ao tratamento. Constatamos dificuldades na aceitação e mesmo a negação da doença por parte dos sujeitos da pesquisa. As relações familiares dos portadores de transtorno mental são frequentemente permeadas pelas dificuldades e pelo sofrimento no convívio e nos cuidados a eles dedicados, devendo ser considerados, portanto sujeitos que necessitam de um olhar diferenciado. O trabalho surge como uma possibilidade de melhora e de inserção social. Assim, cabe refletirmos como ampliar essas frentes de trabalho, sendo que algumas intervenções nesse sentido foram apontadas pelos usuários.

Quanto às principais condições envolvidas na não-adesão à terapêutica medicamentosa destacamos no presente estudo: a percepção dos efeitos adversos dos medicamentos, a crença de que o medicamento está fazendo mal ou prejudicando, a percepção da melhora dos sintomas associada à crença de acreditar-se curado, a automedicação, seja pelo uso abusivo ou incorreto dos fármacos prescritos ou pelas sobras de medicamentos e o uso de drogas psicoativas, a busca de terapias alternativas como a Homeopatia, o esquecimento de alguma dose e regimes posológicos complexos em função da necessidade de se tomar vários medicamentos diariamente e em horários diversificados. Assim, devemos considerar quais são as intervenções possíveis em cada um desses fatores, no sentido de minimizar o desconforto, envolver o usuário como co-participante nesse processo de adesão, estimular o auto-cuidado reforçar esse sentimento que se destacou no presente estudo, da importância do uso correto dos medicamentos. É o próprio paciente que sinaliza “tomando regularmente posso ter uma vida normal”. Basta, então, estarmos cientes de que mais do que

falar, é importante saber ouvir esses pacientes. Se o medicamento foi colocado, em um dos relatos, como coadjuvante e “quem domina a minha mente sou eu”, nós, profissionais, podemos assumir uma postura de catalisadores desse processo, sem preservar os moldes prescritivos impostos secularmente pela relação médico-paciente. Não é a imposição, ou “faça como prescrito” que vai determinar a aceitação em suportar os efeitos adversos e aderir ao tratamento.

Vimos que, apesar das dificuldades inerentes ao tratamento medicamentoso, os pacientes reconhecem que é necessário e compreendem que não podem interrompê-lo, pelos riscos que isso representa. A adesão à terapia medicamentosa dá-lhes a segurança de uma vida considerada normal. A decisão é do paciente. A terapia medicamentosa configura-se como uma “via de mão dupla”. A escolha é necessária.

O fenômeno da adesão/não-adesão passa pela compreensão de aspectos relacionados ao indivíduo – considerando-se sua autonomia, sua subjetividade, sua alteridade, sua percepção da doença, como se estabelecem as relações no círculo familiar e pela inserção no mercado de trabalho; bem como pela apreensão dos fatores ligados aos medicamentos e ao tratamento e pelas possibilidades de vínculos junto aos profissionais.

Apresenta-se como um dos desafios, particularmente no cuidado com o portador de transtorno mental, uma prática profissional alicerçada numa visão holística desse sujeito ativo em seu tratamento, como mostra este estudo, com vistas às novas demandas que surgem para atingir esse universo diferenciado e rico em perspectivas na “via de mão-dupla” que o tratamento representa.

Cabe refletirmos também, de uma forma mais abrangente, como se situam hoje as perspectivas de atendimento nas UBS e, particularmente, os avanços e desafios do SUS, do PSF e de atendimento ao portador de transtorno mental, pois esse é o novo campo de atuação do farmacêutico, culminando com a implantação efetiva da Assistência Farmacêutica no NASF.

A saúde mental é o primeiro campo da saúde em que se trabalha intensiva e obrigatoriamente com a interdisciplinaridade e a intersetorialidade. E, nesse contexto, entra também a integralidade, justificada por aspectos de natureza ideológica e de natureza técnica. Os primeiros, ao condenar a segregação, por ferir direitos à convivência e ao livre arbítrio e os segundos, ao negar o isolamento como instrumento terapêutico, paradigma essencial à sobrevivência do hospício (ALVES, 2007).

Talvez pelo objetivo a que este trabalho se propôs, não tenha sido possível fazer inferências envolvendo práticas de interdisciplinariedade, intersetorialidade e integralidade ao

cuidado do portador de transtorno mental. Constato a necessidade de aprofundamento desses pontos, talvez como foco de um novo estudo, por sua relevância no contexto da Reforma Psiquiátrica. Cabe ponderar, mesmo assim, o que Viana; Sant-Rita (2000) sugerem em relação à interdisciplinaridade que, apesar de não ter uma definição clássica, precisa ser compreendida para não haver desvio em sua prática. A idéia é norteada por eixos básicos como: a humildade, o múltiplo, a totalidade, o respeito pelo outro, etc. Não há interdisciplinaridade se, fundamentalmente, não há intencionalidade consciente, clara e objetiva por parte daqueles que a praticam. Não havendo intenção, podemos até dialogar, inter-relacionar ou integrar, sem no entanto, estarmos trabalhando interdisciplinarmente.

Apesar de não poder fazer inferências, pelo próprio objetivo deste estudo, acredito que seus resultados possam subsidiar discussões acerca de alguns princípios, quanto à interdisciplinaridade e à intersetorialidade e sobre os sentidos da integralidade no atendimento ao portador de transtorno mental, direcionando uma prática voltada para as demandas do indivíduo com todas as suas necessidades e particularidades, vislumbrando, acima de tudo, um atendimento efetivamente integral a esses usuários, contribuindo para o rompimento do estigma que a doença carrega historicamente.

Espera-se que este estudo possa contribuir para o aprimoramento da atenção prestada ao portador de transtorno mental na rede de Serviços substitutivos, diminuir o estigma, mesmo entre profissionais de saúde, incluindo os pacientes e seus familiares como co- responsáveis pelo tratamento, fortalecer a Assistência Farmacêutica no município de Belo Horizonte e ajudar a consolidar um Sistema de saúde universal, equânime, integral e que possa refletir na diminuição do sofrimento a que estão sujeitos esses pacientes e seus familiares, resgatando sua qualidade de vida e, principalmente, indo ao encontro do resgate de sua cidadania enquanto sujeitos donos de seus “diferentes” destinos.

Belgede Antalya posta müzesi (sayfa 59-62)