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SMARANDACHE EĞRİLERİNDE HELİSLİK

Belgede Özel smarandache eğrileri (sayfa 48-60)

O estudo da tecnologia social do Instituto Bola Pra Frente é subdividido em quatro partes de acordo com os grupos da Estrutura Categórica (comunidades específicas, conhecimento construtivo, inovação social e administração e resultados). Assim, são analisadas, principalmente, a estrutura gerencial e administrativa do Bola Pra Frente.

Comunidades Específicas: A tecnologia social do Instituto Bola Pra Frente é

caracterizada pela profundidade do reconhecimento territorial em relação ao bairro de Guadalupe. A localidade das instalações foi arbitrada pelo próprio fundador, Jorginho,

podendo ser “qualificado” como um retorno ao início de sua carreira. De certa forma, a

vivência histórica do futebolista em Guadalupe tornou-se essencial para a intermediação simbólica entre o Instituto e os atores locais, engrandecendo o imaginário popular e vinculando a sua missão ao território.

Com base no critério de que as tecnologias sociais são construídas a partir das experiências e expectativas da comunidade, o Instituto Bola Pra Frente estabeleceu um contínuo envolvimento com base no desenvolvimento do bem-estar local. A ênfase entre o jogador e o território pode ser visto no seguinte trecho:

O sucesso como jogador de futebol só fortaleceu em Jorginho a vontade de

“fazer algo” por sua comunidade. Quando visitava Guadalupe para a “pelada de final de ano”, reencontrando os amigos de infância e buscando

informações sobre o que estava acontecendo no local. A experiência no exterior o ajudou a consolidar o sonho de um trabalho social: “a Alemanha me motivou muito a isso [construir o Instituto Bola Pra Frente], porque eu via muita gente investindo em trabalho social e participei de alguns eventos

Apesar de compartilhar os elementos simbólicos e culturais da comunidade, o Instituto não descortinou outros fatores, tal como a política, por exemplo. Neste ponto, a política é entendida como a intermediação do desenvolvimento da cidadania entre o sujeito e o contexto social, econômico e ambiental. Embora a tecnologia social conte com um projeto chamado Campeão de Cidadania, o trabalho é desenvolvido principalmente sob a questão da empregabilidade e qualificação profissional (DOS SANTOS, 2008). Já outros elementos, como o meio ambiente e a economia são debatidos, porém sob panoramas macro-contextuais.

Conhecimento Construtivo:O Instituto Bola Pra Frente fundamenta a sua

participação educacional diante da pedagogia de Paulo Freire e Johann Heinrich Pestalozzi (DOS SANTOS, 2008). Ambos os autores debatem a reforma do modelo pedagógico sob o viés do autoconhecimento, no entanto, Pestalozzi enfatiza a moral do indivíduo e Freire a conscientização coletiva. Para Susana Moreira dos Santos (2008), o Bola Pra Frente utiliza Pestalozzi e Freire das seguintes formas:

A educação moral, proposta por Pestalozzi e adotada pelo Instituto Bola Pra Frente, parte do pressuposto de que cada criança encerra uma potencialidade de desenvolvimento, que precisa ser estimulada pelo educador, tendo como base o modelo familiar. O teórico utilizava a linguagem na formação do educando, buscando extrair, através do diálogo, as manifestações de um

raciocínio moral, “fazendo com que conceitos de bem, bondade, fraternidade,

justiça brotassem de maneira clara e aplicável” (DOS SANTOS, 2008, p. 88).

Do educador Paulo Freire, o Instituto Bola Pra Frente retira os conceitos de liberdade-libertação, consciência crítica-consciência ingênua e trabalhador social. (...) Existe uma relação direta entre educação e liberdade. A liberdade é o ponto central do pensamento freireano e só é possível conquistá-la quando se luta pela libertação de si, do outro e do mundo (DOS SANTOS, 2008, p. 88-89).

Com base nesses conceitos são desenvolvidos os projetos que constituem a tecnologia social do Instituto. As quatro fases pedagógicas (aquecimento, esquema de

jogo, jogo e mesa redonda), por si só, possuem recursos dialógicos entre os educadores

e educandos (DOS SANTOS, 2008). Além disso, o conceito de protagonismo social, entendido sob a ótica da pedagogia freireana, torna possível a intermediação entre pais e outros atores locais. Assim, fundamenta-se uma análise mais refinada da realidade local e a possibilidade da construção de parcerias.

O Instituto Bola Pra Frente possui um trabalho de dinamização comunitária, que permite o diálogo constante com as comunidades atendidas. A figura do

dinamizador comunitário tem um papel fundamental no Instituto. Trata-se de um morador da região, contratado pelo Instituto e que tem características importantes como liderança, iniciativa, boa articulação, postura exemplar, respeito e carinho dos moradores, disposição para aprender e amor à sua comunidade (DOS SANTOS, 2008, p. 142-143).

Inovação Social: Em 2006, o Instituto Bola Pra Frente criou um Núcleo de

Inovação Social para “procurar, experimentar, descobrir e consolidar novos processos de atuação, tendo como base o método deliberativo e dialógico, que estimula e valoriza a participação cívica e democrática de todas as partes interessadas” (DOS SANTOS, 2008, p. 141). O Núcleo é composto por um educador físico, um pedagogo social, um especialista em serviço social e por um dinamizador comunitário. Para Susana dos

Santos (2008), essa estrutura possibilita a “tradução de demandas” comunitárias, sendo

um mecanismo de aperfeiçoamento constante das práticas sociais. A produção do Núcleo visa:

Realizar periodicamente o diagnóstico social da área de atuação do Instituto Bola Pra Frente; pesquisar, descobrir e criar novas soluções de transformação social; elaborar, avaliar e revisar os programas sociais de acordo com os protocolos democráticos adotados pelo Instituto; monitorar e avaliar os resultados dos programas e projetos sociais; avaliar o impacto social dos programas sociais; desenvolver, acompanhar, avaliar e revisar a metodologia pedagógica; produzir artigos e publicações sobre os estudos realizados; elaborar materiais e palestras para capacitação e consultoria; elaborar anualmente o Balanço Social; e elaborar e inscrever os projetos sociais para editais e títulos de isenção fiscal (DOS SANTOS, 2008, p. 142).

De acordo com a Estrutura Categórica, as atividades da inovação social do Instituto são relacionadas, especificamente, aos elementos descritos pela Colaboração

Participativa, Criação e Aperfeiçoamento e Aplicabilidade. A Visão e Liderança, no

entanto, é menos abordada, sendo critério estratégico do Diretor Executivo, Jorginho, além de outras posições gerenciais.

Administração e Resultados: Para estabelecer uma estrutura de gerenciamento,

execução e controle, o Instituto Bola Pra Frente projetou as principais ações da organização. O objetivo foi sistematizar a administração das ações sociais tendo em vista a peculiaridade de cada eixo. Para tanto, foi desenvolvido um setor de Gerenciamento de Projetos, como ressalta Dos Santos: “A gerência de Projetos Sociais abrange as coordenações dos projetos, o Núcleo de Pesquisa em Inovação Social e o Centro de Atendimento Comunitário” (DOS SANTOS, 2008, p. 74-75). Para

estabelecer uma política de articulação, o Instituto destaca a interação entre as partes interessadas e a medição de indicadores:

O modelo de gestão do Instituto Bola Pra Frente contempla a participação democrática em todas as suas etapas, destacando-se o modelo de construção dos seus indicadores, que dá voz a todas as partes interessadas e permite que o Instituto oriente todos os seus esforços no atendimento a estas demandas. Da mesma forma, o seu modelo pedagógico tem como prioridade o desenvolvimento integral e o protagonismo dos educandos (DOS SANTOS, 2008, p. 144).

Além dos aspectos gerenciais, outros fatores podem ser identificados na implementação da tecnologia social do Bola Pra Frente. No relato da diretora, Susana Moreira Dos Santos, é descrito o grau de impacto social em relação ao desenvolvimento social do território. Neste caso, a mudança foi obtida em relação à diminuição da evasão escolar:

A avaliação do impacto social do Instituto Bola Pra Frente no Complexo do

Muquiço mostra “uma realidade manifesta”: os jovens que chegaram ao

Instituto, atraídos pelo esporte e inspirados pelos exemplos do Jorginho e do Bebeto, saíram de lá, não atletas melhores, mas estudantes muito mais aplicados. Apenas 0,5% dos egressos abandonou a escola contra 41,91% dos jovens com o mesmo perfil, mas que nunca frequentaram o Bola Pra Frente (DOS SANTOS, 2008, p. 151).

Segundo Dos Santos (2008), a sistematização da tecnologia social do Bola Pra Frente tornou-se um caso que possivelmente pode ser reaplicado. Inclusive, a diretora relata que há possibilidades em “exportar” a tecnologia para outros estados e países.

A sistematização do conhecimento adquirido ao longo dos seus oito anos constitui um passo importante para gerar mais eficácia, eficiência e efetividade para o próprio Instituto.Vale lembrar (...): a ideia de sistematizar as ações do Instituto, com vistas à reaplicação, surgiu a partir da solicitação de visitantes oriundos até mesmo de outras partes do mundo, como é o caso da Alemanha, onde Jorginho jogou. O Instituto sai fortalecido e melhor fundamentado desta empreitada que tomou para si (DOS SANTOS, p. 152, 2008).

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