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4. ARAŞTIRMA BULGULARI

4.3 A.nesiotes’in İskelet Sisteminin Makro-Anatomisi

4.3.3 Skeleton appendiculare

Como afirmamos tantas vezes, Platão conhece a realidade da polis, sabe da existência da corrupção, não desconhece a demagogia dos políticos de sua cidade. Ele quer salvar e regenerar a cidade. Lança mão de sua mais significativa filosofia: a

513 PLATÃO. O Banquete. 219 a. 514 PLATÃO. República. 508 c. 515

educação. O mito ou alegoria da caverna que ele apresenta aos seus discípulos não é um mito novo, não é uma coisa de outro mundo, ao contrário, essa alegoria em certo sentido, já estava presente a partir de uma conotação religiosa e mística da época. Inicialmente as respostas que os homens tinham sobre sua existência, sobre a origem do universo, do cosmos, dos deuses, eram respostas constituídas por explicações míticas. As respostas míticas são explicações que podem orientar a fantasia, embora não sejam verdadeiras. Platão sabe disso perfeitamente. Do ponto de vista da alegoria da caverna, expressa Bernard Piettre: “Trata-se de um tema que não é novo. Sem dúvida, na obra de Platão, mas no pensamento grego, por detrás do qual há toda uma história que Platão não desconhecia [...]. ” 516 Nessa perspectiva, seu projeto é logo compreendido pelos seus. O processo pedagógico de seu programa é revestido da cultura de seu povo. Platão propõe uma formação única, específica para os seus guardiões. Além dos tradicionais ramos de conhecimento: a música e ginástica, ele agora contempla outros: a geometria, o cálculo, a astronomia, a dialética, portanto, a filosofia. Daí nasce uma cultura especial para a formação do pupilo. Logo no início do livro sétimo de A República, Platão, por meio de seu personagem, Sócrates convida seu interlocutor Glauco a imaginar esta cena:

I _ Depois disso continuei, compara nossa natureza, conforme seja ou não educada, com a seguinte situação: imagina homens em uma morada subterrânea em forma de caverna, provida de uma única entrada com vista para a luz em toda a sua largura. Encontram-se nesse lugar, desde pequenos, pernas e pescoço amarrados com cadeias, de forma que são forçados a ali permanecer e a olhar apenas para frente, impossibilitados, como se acham, pelas cadeias, de virar a cabeça. A luz de um fogo aceso a grande distancia brilha no alto e por trás deles; entre os prisioneiros e o foco de luz há um caminho que passa por cima, ao longo do qual imagina agora um murozinho, à maneira do tabique que os pelotiqueiros levantam entre eles e o público e por cima do qual executam suas habilidades.

Figuro tudo isso, respondeu.

Observa, então, ao comprido desse murozinho homens a carregar toda sorte de utensílios que ultrapassam a altura do muro, e também estátuas e figuras de animais, de pedra ou de madeira, bem como objetos da mais variada espécie. Como é natural desses carregadores, uns conversam e outros mantêm-se calados.

Imagens muito estranhas, disse, como também os prisioneiros de que falas.

Parecem-se conosco, respondi. Para começar, achas mesmo que, em semelhante situação, poderiam ver deles próprios e dos vizinhos

alguma coisa além da sombra projetada pelo fogo, na parede da caverna que lhes fica em frente?

De que jeito, perguntou, se a vida inteira não conseguem mexer a cabeça?

E com relação aos objetos transportados, não acontecerá a mesma coisa?

Como não?

Logo, se fossem capazes de conversar, não acreditas que pensariam estar designando pelo nome certo tudo o que vêem?

Necessariamente.

E se no fundo da prisão se fizesse também ouvir um eco? Sempre que falasse alguma das estátuas, não achas que eles só poderiam atribuir a voz às sombras em desfile?

Sim, por Zeus! Exclamou.

De qualquer forma, continuei, para sempre semelhante gente a verdade consistiria apenas na sombra dos objetos fabricados.

É mais do que certo, respondeu. 517

Após ter narrado essa primeira parte da alegoria, Platão esclarece que é necessário aplicar essa alegoria a tudo o que foi dito até então. Essa situação paralisada, adormecida, enternecida, e carcerária dos indivíduos no interior da caverna analogicamente é uma comparação à situação existencial dos indivíduos no mundo. Essa situação existencial não pode ser resolvida sem drama. Até então, se imaginássemos a cena descrita por Platão, saberíamos que aqueles prisioneiros só podem enxergar sombras e penumbras, mesmo porque todos os indivíduos ali presentes estão na escuridão. De acordo a alegoria de Platão, a imagem das estátuas é projetada na parede da caverna tendo em vista o foco de luz que advém da parte superior da caverna. Nessa mesma dinâmica, se um dos prisioneiros consegue dali sair, e assim, ver a luz do sol, certamente aos retornar para o interior da mesma, onde seus companheiros continuam ali, presos e amarrados, ele sem dúvida se deparará com uma realidade diferente. Essa é a primeira ideia que Platão quer mostrar. Depois ele prossegue com sua história:

Considera agora, lhe disse, quais seriam as consequências da libertação desses homens, depois de curados de suas cadeias e imaginações, se as coisas se passassem do seguinte modo: vindo a ser um deles libertado e obrigado imediatamente a levantar-se, a virar o pescoço, andar e olhar na direção da luz, não apenas tudo isso lhe causaria dor, como também o deslumbramento o impedira de ver os objetos cujas sombras até então ele enxergava. Como achas que responderia a que, lhe afirmasse que tudo o que ele vira até ali não passava de brinquedo e que somente, agora, por estar mais próximo da realidade e ter o rosto voltado para o que é mais real é que ele via com

maior exatidão; e também se o interlocutor lhe mostrasse os objetos, à medida que fossem desfilando, e obrigasse, à custa de perguntas, a designá-los pelos nomes? Não te parece que ficaria atrapalhado e imaginaria ser mais verdadeiro tudo o que ele vira até então do que quanto naquele instante lhe mostravam?

Muito mais verdadeiro, respondeu.

II _ E no caso de o forçarema olhar para a luz, não sentiria dor nos olhos e não correria para junto das coisas que lhe era possível contemplar, certo de serem todas elas mais claras do que as que lhe então apresentavam?

É isso mesmo, disse.

E agora, perguntei; se o arrastassem à força pela rampa rude e empinada e não o largassem enquanto não houvesse alcançado a luz do sol, não te parece que sofreria bastante e se revoltaria por ver-se tratado daquele modo? E depois de estar no claro, não ficaria com a vista ofuscada, sem enxergar nada do que lhe fosse, então, indicado como verdadeiro?

De fato, respondeu; pelo menos no começo.

Precisaria, creio, habituar-se para poder contemplar o mundo superior. De início, perceberia mais facilmente as sombras; ao depois, as imagens dos homens e dos outros objetos refletidos na água; por último, os objetos, e no rasto deles, o que se encontra no céu e o próprio céu, porém sempre enxergando com mais facilidade durante a noite, à luz da lua e das estrelas, do que de dia ao sol com todo o seu fulgor.

Não há dúvida. 518

Continuando nesse mesmo entendimento, e se os prisioneiros também fizessem a mesma experiência? O que Platão quer demonstrar com essa história? Não é senão mostrar que a realidade pode ser percebida pelo mundo sensível e pelo mundo inteligível? As sombras são as aparências sensíveis das coisas que os indivíduos percebem. Platão quer alertar que o individuo deve olhar as coisas para além das aparências. Em relação ao projeto educativo do rei-filósofo, significa que esse dirigente, na qualidade de governante da pólis, precisa superar o mundo sensível, logo, superar as aparências, as crenças, a ignorância, a irracionalidade, enfim, o mundo das opiniões, tendo em vista atingir o mundo inteligível.

A caverna para Platão representa o mundo dos sentidos, e o fora dela, – o dia legítimo: o exterior, o dia claro, representa o mundo do inteligível. Estes dois mundos – sensível e inteligível, também representam as diferentes etapas da educação do pupilo de Platão, bem como sua progressão rumo ao conhecimento e ao Bem. Tendo ele chegado ao ápice de seus estudos, embora continue sempre essa caminhada, ele deverá governar em prol da cidade. Por isso, Platão deixa evidente que seria preciso não somente entender o sentido da alegoria, mas aplicar na vida prática esses

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