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Sivil Havacılıkla Ġlgili Uluslararası KuruluĢlar

C. SĠVĠL HAVACILIKLA ĠLGĠLĠ ULUSLARARASI KURULUġ VE

1. Sivil Havacılıkla Ġlgili Uluslararası KuruluĢlar

O conflito de interesses entre prestadores de serviço de assistência à saúde e operadoras de planos de saúde tomou força, notadamente, a partir dos anos 70, como um efeito reverso da pressão das empresas sobre a classe médica que se viu restringida nos aspectos do assalariamento e perda do controle sobre a autonomia na fixação de honorários e tomada de decisões , como analisado em Misocsky (2000, p.9).

Considerando que a legislação federal não oferecia mecanismos de defesa à classe, relegando as questões polêmicas para o moroso e dispendioso âmbito da Justiça, a estratégia de reação da classe médica se materializou segundo dois eixos: por meio da aplicação do código de ética médica contra os dirigentes via de regra, médicos das operadoras de planos privados de saúde, submetendo-os a processos de conduta no ambiente restrito e

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hermético dos Conselhos de Medicina; e pela penetração de representantes no Poder Legislativo, no intuito de participar da formulação legal do setor da saúde, zelando por seus específicos interesses.

Em uma primeira etapa, com base em pesquisas empíricas de honorários médicos praticados pelas operadoras, em 1997, deu-se uma ampla campanha de conscientização da classe médica quanto aos seus problemas, veiculando, na imprensa, denúncias contra empresas de planos de saúde, tais como:

A Marítima, objetivando privilegiar o lucro no lugar da qualidade do atendimento, adotou, de forma truculenta e irresponsável, um corte nos honorários, descumprindo os contratos vigentes54. (...) O Instituto Municipal de Assistência aos Funcionários Públicos de São Bernardo do Campo, que mantém plano de saúde para 27 mil usuários, diminuiu o valor pago pela consulta médica, de R$25,00 para R$15,00, limitando, inclusive, um limite de quatro consultas anuais para cada paciente. (...) recentemente uma conhecida empresa ofereceu aos médicos ortopedistas um pacote, no valor de R$35,00, para atender desde um entorce ou fratura, independentemente da necessidade de raio X e colocação de gesso. (...) ganha espaço outro lucrativo filão da mercantilização da medicina: o seguro por má praxis e por responsabilidade civil. (...) os clínicos, que realizam a triagem dos pacientes, são pressionados pelas operadoras para não encaminhá-los aos especialistas. (...) são

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segundo o Colégio Brasileiro de Radiologia, referindo-se ao corte de 20% aplicado, em outubro de 1999, pela Marítima Seguros aos honorários médicos;

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ingrediente do bolo amargo que pretendem empurrar garganta abaixo do médico brasileiro 55.

A classe médica demonstra, via de regra, seguir uma estratégia de alinhamento político com os consumidores, como se depreende do teor de algumas entrevistas.

Nos EUA, um diabético pensa duas vezes em mudar de emprego, pelo job lock entre emprego e benefícios (entrevista com Mendes Ribeiro, FIOCRUZ, em 2003);

Há que evitar exclusão de patologias como AIDS e doenças mentais. (...) Reverter o quadro de atendimento dos planos privados que só visam o lucro. (...) Controlar a viabilidade financeira das empresas para dar garantias de que o usuário não ficará sem assistência repentina (entrevista com Regina Parizi, CFM, em 2001). Entretanto, no âmbito interno deste ator, sobressai um potencial de crítica quando aflora o tema do corporativismo.

Os planos de saúde não enquadram as ações de enfermeiros. Só focam os médicos. (...) O Ministro Serra reconheceu o papel do enfermeiro, aí começou a briga com o corporativismo médico (entrevista com Gilberto Linhares Teixeira, Presidente do Conselho Federal de Enfermagem - COFEN, em 2001).

A pressão da classe médica também se dá por meio de campanhas junto à população em geral, como a veiculada em junho de 2002: Planos de saúde. Enfiam a faca em você. E tiram o sangue do médico! pela qual, convida todos a denunciarem os planos e seguros de saúde que estejam descumprindo a regulamentação, negando atendimentos ou adotando medidas restritivas e coercitivas contra pacientes e profissionais.

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Planos de saúde, Entidades reag em contra a diminuição de honorários médicos. CFM Conselho Federal de Medicina, In: Acervomédicos, 13.03.2000,< www.webmedicos.com.br >, 21.03.2003;

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Em síntese, a posição da classe médica frente às operadoras de planos privados de saúde, pode ser sintetizada no pensamento de Regina Parizi, Conselheira do CREMESP, representante de São Paulo no CFM e integrante da Câmara de Saúde Suplementar:

A recente onda de redução de honorários unilateralmente ou o descredenciamento, em escala, de profissionais descontentes , tornou ainda mais vulnerável uma relação que já era desigual, marcada pela preponderância do capital financeiro em detrimento dos códigos de ética dos médicos e dos direitos dos cidadãos. 56

Partindo para a estruturação formal desta visão, o Conselho Federal de Medicina aprovou a Resolução CFM nº 1.642, de 02.08.200257, prescrevendo os princípios que devem nortear o relacionamento de operadoras para com os médicos e seus usuários, determinando sua observação por empresas de medicina de grupo, cooperativas de trabalho médico, seguro- saúde, empresas de auto-gestão, além de outras que atuem sob a forma de prestação direta ou intermediação dos serviços médico-hospitalares, ressaltando que:

Artigo 1º_

a) respeitar a autonomia do médico e do paciente em relação à escolha de métodos diagnósticos e terapêuticos;

b) admitir a adoção de diretrizes ou protocolos médicos somente quando estes forem elaborados pelas sociedades brasileiras de especialidades, em conjunto com a Associação Médica Brasileira;

c) praticar a justa e digna remuneração profissional pelo trabalho médico, (...); d) vedar a vinculação dos honorários médicos a quaisquer parâmetros de restrição de

solicitação de exames complementares;

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Planos de saúde, Entidades reag em contra a diminuição de honorários médicos. CFM Conselho Federal de Medicina, In: Acervomédicos, 13.03.2000,< www.webmedicos.com.br >, 21.03.2003;

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e) respeitar o sigilo profissional, sendo vedado a essas empresas estabelecerem qualquer exigência que implique na revelação de diagnósticos (...);

Com base neste dispositivo, inúmeros processos éticos foram impetrados contra médicos pertencentes aos quadros de operadoras de planos de saúde, constituindo-se, com o tempo, em uma relevante preocupação para estas 58.

O segundo eixo da estratégia auferiu materializar, em 1996, uma expressiva bancada política na esfera Legislativa, com 250 representantes na Câmara dos Deputados, em um total de 42%, organizando-se como um grupo político com interesses manifestos na isenção de impostos e aplicação da CPMF para pagamento de hospitais privados, além de forte atuação em uma fase crítica da elaboração da Lei nº 9.656, de 03.06.199859.

O jogo de interesses no campo, com base na crença dos valores, como descrito por Bourdieu (2001) pode ser identificado tanto no contínuo combate às operadoras de planos de saúde, assim como na fortíssima pressão contra inúmeras Resoluções da Agencia Nacional de Saúde Suplementar- ANS, logrando quase sempre êxito, como no rumoroso caso da tentativa de institucionalização, por meio da Medida Provisória nº 2.177-4360, da figura do

gatekeeper61, importada do sistema de saúde norte-americano Managed Care62, cuja função equivaleria ao do médico generalista que norteia os pacientes para especialistas, mas que foi interpretado como mais um instrumento de restrição da livre autonomia do médico e paciente, na tentativa de mera redução nos custos das operadoras nos exames de diagnósticos e terapêuticos.

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Golden Cross (entrevista, 2003);

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Departamento Intersindical de Apoio Parlamentar DIAP, de 1996;

60 Neste caso, houve uma sólida união de esforços do CFM e da AMB com entidades de defesa do consumidor

contra a MP, logrando êxito, na medida em que esta foi retirada da pauta do Congresso pelo Ministro da Saúde;

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Médico guardião ou triador , na expressão utilizada pela ANS na MP nº 2.177-43, de 2002;

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A seguir, alguns exemplos da acirrada crítica orquestrada contra a MP nº 2.177-43, expressas nos depoimentos de vários médicos, inclusive do Presidente da Associação Médica Brasileira- AMB, Eleudes Paiva63 :

Nunca podíamos imaginar que tantos benefícios conquistados na lei seriam reduzidos a pó, com apenas uma MP. (...) a medida provisória em vigor favorece escancaradamente as empresas de planos de saúde em detrimento dos consumidores. (...) o processo de transição dos contratos antigos para as novas normas, por exemplo, deixa a maior parte dos consumidores à mercê das empresas de planos de saúde .

(...) restará ao cliente aceitar as condições impostas pela empresa ou cair na vala comum do SUS. Se aceitar, ele sairá da frigideira para o fogo, pois o critério de livre escolha do médico e do hospital torna-se uma ficção a partir da criação da rede hierarquizada , que delega à empresa a escolha do médico-seletor na MP consta o neologismo triador um clínico geral que dirá se existe ou não necessidade de consulta a um especialista.

(...) à semelhança do que é empregado nas empresas de saúde dos Estados Unidos. Aqui, os seletores receberiam cotas diárias de internação e atendimento especializado com as conseqüências que se pode imaginar para a imagem do sistema e o estado de saúde dos segurados .

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