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O roteiro de entrevista final (APÊNDICE I) foi estruturado de maneira que fosse possível obter avaliação crítica dos profissionais participantes sobre prática colaborativa desenvolvida que incluiu investigação e formação. Foi conduzido por um pesquisador externo a esse estudo, mas que também fazia parte do grupo de pesquisa GPFOREESP.

Os relatos dos profissionais tanto dos professores como da equipe técnica foram unânimes em afirmar a pertinência e relevância do tema para a sua vida profissional. Porém, afirmaram a dificuldade de compreensão e a assimilação da parte teórica. Ao serem indagadas se a dificuldade teria sido em razão do conteúdo ou da didática, os profissionais relataram ter sido em razão do tema ser muito amplo, pela complexidade de termos técnicos, e a não familiaridade com a área da deficiência visual. Uma professora (P4) citou a importância da teoria como embasamento para a prática diária do trabalho que desenvolve.

Os relatos com relação à parte prática, propriamente o programa de consultoria colaborativa, que constou da avaliação dos alunos, discussão dos resultados da avaliação e da

proposição de orientações e estratégias, mostraram que esta parte foi a mais apreciada e considerada a mais fácil de ser acompanhada. De maneira geral, destacaram a possibilidade que tiveram de entrar em contato com os diferentes testes e instrumentos utilizados para avaliação; da importância de detectar problemas visuais nos seus alunos que não eram de conhecimento prévio; a grande variabilidade de achados e a consequente noção de que as estratégias e orientações devem ser individualizadas, como ilustram os realtos abaixo.

...embora os casos sejam diferentes pudemos elaborar estratégias e discutir as mesmas... a partir das orientações... e... entender que é necessário estar sempre buscando novas estratégias pra cada caso... (P3)

...também de extrema importância para a prática pedagógica, a partir das orientações... a elaboração das estratégias... ficam mais fáceis e claras de serem feitas.... (P2)

A professora P4 ressaltou que a parte prática forneceu-lhe condições para estar mais atenta quando um aluno não apresenta o rendimento esperado e, também, cautelosa quando propõe atividades para seus alunos.

As professoras P3 e P5 destacaram a possibilidade de interação com os outros profissionais na apresentação dos estudos de caso além do conhecimento de outras estratégias e orientações:

... foram muito boas as estratégias apresentadas... aprendemos que devemos sempre inovar para criar novas estratégias...pois cada caso é um caso.. (P5)

Quanto aos pontos negativos do programa foi ressaltada a extensão do programa de maneira geral, em especial pela diretora da escola e professores. Inicialmente, com relação à parte teórica, a ressalva principal foi quanto à questão tempo, tanto no que disse respeito ao número de horas do curso teórico, como também, da dificuldade de agendamento de um horário extra ao período de trabalho que fosse possível a participação de todas. Isto foi justificado em função das muitas atribuições que acumulam além da atividade profissional, e em decorrência o cansaço para se dedicarem ao curso. Isto ficou reforçado pelo fato de que apesar da vontade

expressa a princípio, duas professoras abandonaram o programa após terem já iniciado a formação teórica. Embora destacando que não é possível para a escola a diretora fala:

...é que assim...se tivesse sido no nosso horário de trabalho... talvez... tivesse sido melhor prá todas... porque estariam menos cansadas...mais dispostas... (diretora)

A parte prática, embora também tenha sido reconhecida também como longa em função de muitos alunos, diversidade de achados, necessidade de novas avaliações e aplicação de outros instrumentos, foi destacada a necessidade de mais discussão e aprofundamento:

...porque ela tinha uma proposta... mas... ela encontrava desafios novos...que ela não esperava...ai tinha que encontrar novas formas... novas estratégias diante dos casos que vinham...porque nenhum caso lá foi igual...nem sempre tinha uma estratégias pronta... tinha que buscar...dava trabalho também neste sentido..

(fonoaudióloga)

...porque o que era mais rico era ahora que entrava na discussão de caso... alguma coisa assim... aí tinha o tempo... a gente não tinha...tava lá dentro da escola...todo muito preso... sem os alunos ... os alunos com poucas pessoas ... tinha um horário restrito... (terapeuta ocupacional)

A terapeuta ocupacional destaca ainda a necessidade de que a prática seja continuada:

...pelo menos mais tempo ...ter discutido mais... e:: ter um tempo até pra pensar estratégias novas... até prá poder mesmo... como se fosse... uma educação mais continuada...daqui um tempo ter um novo encontro prá discutir... (TO)

Os profissionais de maneira geral enfatizam que em cursos futuros deve ser mantido o formato da parte prática do curso, especialmente o contato com os testes de avaliação,

a discussão dos achados e a proposição de estratégias em grupo e a possibilidade de compartilhar resultados entre os profissionais.

...foi muito legal interagir com os materiais para avaliação da deficiência visual... e se envolver na avaliação com demais profissionais... (P3)

... gostei muito de ter conhecimento dos materiais que podemos utilizar na avaliação da deficiência visual... foi também legal ter conhecimento das avaliações realizadas pelas colegas do curso.... (P5)

Quanto à prática colaborativa as opiniões de maneira geral mostraram que não existe dificuldade de atuar dentro deste modelo de trabalho e que todas consideraram que este contribui positivamente para o desenvolvimento profissional além de ser útil para melhorar a prática profissional favorecendo os alunos. O conceito geral é que a instituição já atua neste modelo.

...importante para uma discussão mais ampla... troca de saberes... reflexões... questionamento... (P2)

... hoje na reunião a assistente social de outra instituição... ficou meio assim...de

boca aberta com a maneira como a gente atende... eu sou fono... ela é TO... e a gente trabalha junto...ela achou que isso não é possível...pelo amor de Deus... eu trabalho assim a vida inteira..nem sei trabalhar de outro jeito...prá mim é a coisa mais normal..que é uma coisa que acontece lá...

Todas concordaram que o pesquisador atuou de maneira colaborativa:

... nunca agiu como uma pessoa superior a nós...por mais que ela detivesse mais o conhecimento...foi a impressão que ela me passou... (diretora)

... quando a gente questionava...que a gente percebia alguma coisa...a gente

...foi muito proveitoso... pois... a partir daí eu pude verificar o que estava fazendo...de certo e... de errado... (P5)

Interessante notar que a maioria dos profissionais afirmou a necessidade de divulgação deste tipo de trabalho em razão da relevância, da necessidade para a prática pedagógica.

Embora tenha sido cansativo todo o processo, e ter se estendido além das expectativas iniciais de todo o grupo, e aí, se incluem também as do pesquisador, na opinião dos participantes os efeitos do programa desenvolvido foram positivos na formação profissional continuada, assim como no coletivo da escola pela possibilidade de troca entre os profissionais.

Benzer Belgeler