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5. ARAZİ ÇALIŞMALARI VE ANALİZLER

5.2 Farklı Trafik Senaryoları için, Farklı Tip Kavşakların Gecikme

5.2.2 Analizler

5.2.2.2 Sinyalize Kavşaklar

Parte da responsabilidade da coordenadora ao assumir sua função foi auxiliar na constituição de uma diretoria que pudesse conduzir a organização, mas, muito mais que isso, que auxiliasse na construção do que seria a “CAF”. Ter uma liderança sólida é um dos elementos que torna uma organização elegível para parcerias e subsídios, conforme declarado pelo informante 8:

(...) há outros critérios também, como por exemplo, a organização tem uma estrutura mínima para estar gerenciando, administrando essa parceira e os recursos financeiros que forem disponibilizados a ela? ela tem um conselho uma diretoria por exemplo? Então, algo que tenha a ver com capacidade, então, valores, estratégia e capacidades.

A diretoria tem a capacidade de imprimir um caráter organizacional que é muito baseado na somatória dos valores pessoais de seus dirigentes e de sua relação com a causa. Na fala da informante 7 fica evidente que a seriedade da diretoria é uma das razões que atrai o trabalho voluntário, pois esta transmite a segurança da transparência na realização do trabalho:

(...) Também resolvi apoiá-los porque fazem um trabalho sério. Podemos ver os resultados. São transparentes em sua administração e comprometidos com a causa (...) Acho que tudo começa na diretoria. O comportamento deles vai refletir diretamente nos outros voluntários e funcionários da Casa, além de refletir diretamente na vida das crianças e das famílias. Na minha opinião, tudo funciona bem porque a diretoria da CAF é realmente comprometida e unida em seus propósitos.

Para iniciar uma lista de indicações, partiu-se dos nomes que já faziam parte do círculo de colaboradores ou que haviam apoiado dona Nadir. Foi feito um levantamento daquelas pessoas que doavam ou haviam feito algum tipo de doação

nos dois últimos anos. Com essa lista reduzida em mãos, foram feitos alguns contatos telefônicos e a marcação de algumas visitas.

Os primeiros resultados dos contatos não foram animadores, as pessoas se mostravam reticentes, achando que o interesse da coordenadora era pedir dinheiro e elas não demonstravam o desejo de retomar sua participação, algumas inclusive, se disseram completamente decepcionadas com o trabalho ou com o tipo de retorno produzido pela Casa de Assistência Filadélfia, que passava aos poucos a ser chamada de CAF. Outras pessoas simplesmente não falavam sobre seus motivos reais, reiteravam seu respeito a Dona Nadir mas se opunham a tocar no assunto de sua não participação.

Para a coordenadora ficou evidente que, não havia sido feito com eles esse trabalho de conscientização e de incentivo o que levava a crer que o doador era um mero provedor e não um agente participativo, eles não se viam como pessoas com uma responsabilidade pela continuidade do trabalho.

A coordenadora levou em consideração a indicação de alguns colaboradores a respeito de possíveis candidatos, baseada em: caráter e reputação, capacitação para exercer funções específicas, identificação com a temática da ONG, a participação em algum tipo de iniciativa na CAF ou em outra organização e a voluntariedade para participar como membro da diretoria, o que implicava em doação de tempo e talento.

A aceitação do convite para ocupar um cargo de diretoria vinha carregada de senso de missão e de responsabilidade em mudar a realidade, o que fica evidenciado através da fala da presidente, a informante 2, que assumiu o cargo em lugar de dona Nadir, quando esta passou a ser presidente de honra da ONG. Ao ser questionada sobre o que a havia levado a aceitar tal responsabilidade, respondeu:

O desejo de contribuir para uma mudança, eu pensava na melhoria do país, de ser útil em alguma coisa e devido à necessidade que as pessoas tinham, porque eles não escolheram estar nessa situação, uma situação imposta, se pudessem escolher eles não escolheriam estar assim.

Compreendia-se que dentro dos membros da diretoria, alguém deveria ter uma maior ligação com a fundadora, o que traria para a mesma, maior confiança no processo e ao mesmo tempo, garantiria a ligação com o passado histórico da organização, assim, a amiga de dona Nadir que a havia assumido como mãe foi convidada a fazer parte da diretoria. Outro elemento importante foi trazer para a organização, pessoas sem um vínculo direto com a própria coordenadora, a qual, com isso, esperava ampliar o envolvimento de um maior numero de pessoas com a CAF.

A tesoureira, de antemão se havia comprometido a ficar na organização, o que era um ponto importante, uma vez que lidar com dinheiro é uma função pouco atrativa para a maioria das pessoas, pois demanda muita responsabilidade, além disso, ela conhecia os beneficiários, já trabalhava com fundadora há algum tempo e com o único parceiro da CAF naquele momento.

A reunião para a composição da diretoria aconteceu num sábado pela manhã, sendo aberta com o depoimento de um beneficiário que falou sobre o apoio que a Casa Filadélfia prestava aos beneficiários. A diretoria foi eleita por aclamação, uma vez que não haviam associados para votar a favor ou contra, na verdade, era como se estivessem iniciando a organização a partir daquela reunião3.

A nova diretoria teve o desafio de desenvolver uma idéia de equipe entre pessoas que não se conheciam e não tinham uma relação entre si, em nome de uma causa nova para todos, numa estrutura financeiramente bastante fragilizada. Eles teriam que conquistar novos associados e colaboradores a partir das relações que eles próprios iriam desenvolver entre os seus contatos e, sem dúvida, o convite para que participassem da diretoria tinha também esse propósito.

A reunião para posse e apresentação da nova diretoria aos potenciais colaboradores e aos beneficiários aconteceu no salão de uma das igrejas

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colaboradoras, que primeiramente aceitou reticente a solicitação, mas, que ao perceber a seriedade do evento se mostrou prestativa. Todos os beneficiários foram convidados, bem como pessoas de outras igrejas, a empresa que fornecia lanches para as reuniões, a única empresa a auxiliar sistematicamente a CAF, organizações com quem já havia sido feito algum tipo de contato e outras pessoas e organizações sugeridas pelos membros da nova diretoria.

Era a primeira vez que uma reunião de posse acontecia com a presença dos beneficiários. Eles prepararam um coral para cantar nessa reunião, que foi regada de palavras de boas vindas à diretoria e de congratulações à dona Nadir4.

A participação como membro de uma diretoria ou conselho de uma organização social é um importante exercício de cidadania, é um tipo de participação social pouco divulgada sendo talvez, um dos trabalhos mais árduos de participação, pois, mais do que defender uma bandeira ou causa, é literalmente ceder o próprio nome a ela.

DRUCKER (1997) fala da temática da liderança em organizações sem fins lucrativos onde aponta como elemento fundamental para as lideranças, a capacidade de preverem crises. Para ele o sucesso é mais perigoso para uma organização do que a crise, pois o sucesso “cria sua própria euforia”, já a crise possibilita a inovação.

No caso da nova diretoria da CAF foi num ambiente de crise de continuidade que a nova liderança foi se apropriando da própria organização e conseqüentemente da temática da AIDS. Eles começavam a se identificar com a temática no momento em que buscavam colaboradores, solicitavam doações e divulgavam o trabalho. Era nesses momentos também que eles se aproximavam dos detalhes do dia a dia da organização e da vida e realidade dos beneficiários.

Para a amiga de dona Nadir que passou a fazer parte da diretoria, cujo principal interesse era preservar o papel da fundadora na organização, a transposição de um

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interesse particular para o interesse da causa não ocorreu. Sua postura e falas eram sempre na defensiva de Dona Nadir e não propriamente no interesse da organização, o que em certa medida era esperado. A apropriação percebida nos demais, de fato não ocorreu até o final de seu mandato.

Aos poucos, cada membro da diretoria ia espalhando a causa entre os seus próprios contatos, empresas, amigos, companheiros de trabalho, igrejas, e a CAF foi engordando a lista de contatos, naquele momento, fundamentais para construir a sustentabilidade, tanto do ponto de vista financeiro quanto do ponto de vista do trabalho voluntário e do associativismo.

Havia uma grande confiança de que a coordenadora estaria cuidando bem da organização. Isso se expressava no grau de responsabilidade e de liberdade que delegavam. No entanto, essa delegação de poder, expressava também um progressivo distanciamento de alguns membros da liderança. Em muitas organizações, a centralização de poder em um mesmo ator é a causa de casos graves de desvio de verba e que culminam na finalização das atividades da organização com o envolvimento dos diretores em verdadeiros escândalos.

Se por um lado a participação da diretoria que ia acontecendo de forma mais indireta gerava um certo desconforto e insegurança para a coordenadora, porque implicava em que ela assumiria grande parte da responsabilidade, por outro lado, possibilitou a ela e aos demais membros da equipe que foram sendo agregados, maior liberdade de ação, fundamental para que as principais medidas fossem sendo tomadas no sentido do desenvolvimento da organização.

Para a própria segurança da coordenadora, ações que envolvessem dinheiro, mudanças de orçamento, compras de equipamento, organização de eventos eram comunicadas à presidente e ao vice antes de ser feita a solicitação de verba à tesoureira.