II. ANLAMLA ĠLGĠLĠ SANATLAR
II.7. Rhetorical-Question-Hypophora:
II.8.1 Sihr-i Helal
2666 es una de las primeras novelas en dar cuenta de la realidad global del siglo XXI, una novela total no sólo en el sentido de los muchos temas que abarca, sino por la sensación de estar trabajando muchos lugares al mismo tiempo.41
Juan Villoro
A originalidade total e absoluta é muito difícil de existir dentro das formas artísticas e a literatura não escapa a isto. As narrativas acabam sendo uma reescrita, uma retomada do que houve anteriormente, portanto ser original dentro de um gênero narrativo, como o policial, é um grande desafio. Roberto Bolaño o encarou e tentou compor uma narrativa nova dentro de um gênero já existente e muito explorado, o gênero policial. Percebe-se que sua tentativa fugiu das outras variantes que derivaram desse gênero, por isso propõe-se uma leitura infrapolicial do capítulo La parte de lós Crímenes.
Durante toda elaboração do seu projeto literário, talvez um dos mais lúcidos da última década do século passado, Bolaño conviveu em um espaço marginal (à deriva) que o potencializou e o moldou, recebendo influência de muitos autores, desde os que escreveram os romances policias clássicos, passando por Jorge Luis Borges (escritor muito admirado por Bolaño e fundamental para compreender os caminhos da literatura latino-americana, pois deixou uma rota do que deve ser entendido atualmente como ficção, em
41 Palavras do escritor Juan Villoro no documentário de Erik Haasnoot, Bolaño cercano. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=7sCZoxNy_Fs. Acesso em: 02.11.2016
um mundo, em que cada vez parece mais difícil delimitar aquilo que se escreve com o plano de experiência do individuo), chegando à geração dos escritores do boom latino-americano. Influências à parte, seu projeto pode ser lido e/ou analisado como original, na medida em que aparece como escrita de final de ciclo, uma ponte entre dois séculos.
A obra de Bolaño fecha o século XX e abre o século XXI, já que a maioria de seus livros foi escrita nesse período. Mas por que Bolaño e não outro, já que havia outros no cenário e com muito mais visibilidade? Talvez a resposta a essa pergunta esteja no fato de Bolaño, não só criar um grandioso projeto literário, mas o de apresentar aos leitores uma nova vertente do romance policial, o romance infrapolicial.
O romance infrapolicial como uma variante do gênero, ajuda a instaurar uma paranoia de sentido que caracteriza a época atual, considerando o comportamento, os gestos, as posturas corporais, as palavras pronunciadas, as que ainda não foram ditas e as que se apresentam inseridas na trama cotidiana como parte da paranoia. Se os romances neopoliciais latino- americanos, dos últimos tempos, tratam o crime dentro de um ambiente de ausência ou degradação da lei, como se o conjunto de leis não fosse mais capaz de criminalizar o réu, os romances infrapoliciais extrapolam, ultrapassam o ambiente da degradação social coletiva e da deterioração do individuo, apresentando o que está nas camadas mais infras tanto dentro da sociedade, assim como dento do abismo mais interno do ser humano ou ainda dentro da transcendência do entendimento do que é ser humano.
Bolaño escreveu um texto, no qual uma das funções é o intercambio fluido entre tradição e renovação que pode dar conta de algumas questões polêmicas do cenário global. O autor constrói, de modo proposital, uma narrativa da ficção sobre a ficção ou que oscila entre realidade e ficção assumida de maneira infrarrealista (visceral) como realidade, onde coloca em cheque, todo o tempo, o conceito de ética. Usa de uma estética ―absurda‖ (no sentido de não ter regra, ou destituída de racionalidade) para denunciar a falta de ética que assola a sociedade atual, principalmente a que vive na fronteira do norte do México. Outra função é lançar mão da palavra e, a partir dela, propor uma nova forma de narrativa, com o intuito de mergulhar no mais profundo do
mundo caótico, anômico, desvanecido, sujo, corrompido, que outras formas de escritas não dão mais conta de mostrar.
Algumas dessas características estruturais e da composição do investigador/detetive já foram mencionadas anteriormente, agora serão mais ampliadas, definidas (talvez). Uma das características fortes do romance infrapolicial é seu aspecto esquizofrênico e caótico, quanto à composição de estrutura, a escolha dos personagens, os crimes que serão apresentados, passando pelo perfil dos investigadores/detetives.
No capítulo La parte de los crímenes, diferente da estrutura de romance policial clássico que é puramente geométrica, quando no final da narrativa desvenda-se o crime e se descobre o assassino que deve sofrer algum tipo de punição e da novela negra, que segue, amplia e desloca a estrutura da variante anterior, Roberto Bolaño mostra os crimes como tivessem sido retirados das páginas dos jornais, tais como se apresentaram, promovendo um cruzamento de informações e indícios que não são nada comuns; a preocupação do autor está no fato de sinalizar a cumplicidade existente entre autor/leitor; cidade∕território de fronteira, crime/falta de punição e sociedade/capital.
La parte de los crímenes pode ser lido como novela negra, romance neopolicial, pois também apresenta características desses gêneros, fugindo da lógica estrutural da novela policial clássica, já que as pistas para desvendar um enigma são frágeis, sempre apontam para várias direções, não existe apenas um investigador, mas um grupo que tenta desvendar o que acontece na cidade de Santa Teresa. Além disso, o relato mostra uma visão de mundo que desemboca em um mistério, que pode ou não ser desvendado, onde a figura do detetive aparece como secundária e o crime, no caso os crimes, escondem, talvez, um segredo.
Apesar dessa possibilidade de leitura, a obra difere da novela negra e do romance neopolicial, porque, além de apresenta outro narrador que não o investigador ou o assassino, também utiliza de estratégias narrativas que confundem o leitor, que se deslocam e transitam por outros tipos de narração que não é unicamente policial, que não só distraem, durante trama, os investigadores, mas também o leitor. Será que essa forma de montar a estrutura do romance infrapolicial é uma estratégia para encobrir, até o final, as
informações necessárias para chegar a alguma conclusão? Ou já não existe nenhuma possibilidade de resposta para os crimes que acontecem na atualidade, já que a violência virou algo corriqueiro, e não choca mais?
Roberto Bolaño se inspira, para escrever essa parte do seu romance, no livro do jornalista mexicano Sergio González Rodríguez “Huesos en el desierto”, um testemunho sobre os crimes contra as mulheres em Ciudad Juárez, que se situa na fronteira do México com os Estados Unidos. Não só a obra de González Rodríguez serve de inspiração, mas também o próprio jornalista, se converte em um dos personagens do capítulo:
Por aquellos días el periódico La Razón, del DF, envió a Sergio González a hacer un reportaje sobre el Penitente. Sergio González tenía treintaicinco años, se acababa de divorciar y necesitaba ganar dinero como fuera. Normalmente no hubiera aceptado el encargo, pues él no era un periodista de crónica policial sino de las páginas de cultura. […] Sergio González supo que en Santa Teresa, además del famoso Penitente, se cometían crímenes contra mujeres, la mayoría de los cuales quedaba sin aclarar. Durante un rato, mientras barría, el cura habló y habló: de la ciudad, del goteo de emigrantes centroamericanos, de los cientos de mexicanos que cada día llegaban en busca de trabajo en las maquiladoras o intentando pasar al lado norteamericano, del tráfico de los polleros y coyotes, de los sueldos de hambre que se pagaban en las fábricas, de cómo esos sueldos, sin embargo, eran codiciados por los desesperados que llegaban de Querétaro o de Zacatecas o de Oaxaca, cristianos desesperados, dijo el cura, un término extraño para venir, precisamente, de un cura [...] (BOLAÑO, 2013, p. 470 e 474)
O livro de Sergio González Rodríguez registra o panorama do terror que parece, em um primeiro momento, acontecer unicamente naquela região do continente americano, mas com agudeza pode-se perceber que González Rodríguez aponta para as contradições sociais e econômicas da América Latina. As mulheres assassinadas são jovens pobres, têm entre 10 e 35 anos de idade, e os crimes têm um caráter misógino, violam e assassinam as mulheres porque, culturalmente, a sociedade patriarcal, sobretudo a mexicana, as vê como valor de troca. Além disso, o Estado é omisso, negligente, ineficaz e só consegue um ―bode expiatório‖ como sendo o assassino, por meio de tortura, ferindo os protocolos internacionais dos direitos humanos e, em muitos momentos, aparecem os seus representantes, nos meios de comunicação denegrindo a honra e a dignidade das vítimas e de sua família. O livro ainda expõe uma junção de forças, de um lado o narcotráfico e de outro a exploração das indústrias maquiladoras.
Dentro da proposta da estrutura infrapolicial, tudo pode ser analisado e tem valor. Onde estaria esse valor em 2666? Não só La parte de los crímenes, mas todo romance não foge a essa regra e poderia ser lido como um gênero híbrido, pois, além do viés criminal, apresenta traços de filmes, de séries de TV, de crônicas policiais, de reportagens jornalísticas, de diário, de folhetim, de tragédia, de thriller. O valor de ler a narrativa como romance infrapolicial também estaria inserido neste aspecto, o de transitar por todos esses gêneros, além de poder falar sobre a negligência do Estado e de sua relação com o crime; sobre a verdade e suas formas de aparição; sobre a política e sua relação com a moral e os costumes; sobre a lei e de suas formas de coação.
Da maneira como Roberto Bolaño o estruturou, o gênero também questiona o valor do campo literário e acaba abrindo um espaço para esse tipo de narrativa, pois em Bolaño a escrita entendida como canônica e a que passa pelos meios massivos se misturam, atingindo um patamar onde a hibridez é valorizada. O lógico e o paradoxo, a ficção e a realidade circunstancial, o versátil e o único podem fazer parte de um mesmo lugar, nesse caso, o literário que assume o desafio de provocar um diálogo, ou até mesmo um enfrentamento que ocorre na fronteira dos patamares mencionados (cânone e cultura de massa).
Para deixar essa marca mais forte, o autor percebe que uma das pistas para intensificar sua ideia está no modo como apresenta a violência. Por exemplo, quando mostra a violência extrema, o corpo das meninas sem sua humanidade, revelando uma anomalia descabida, não só aquela que aparece no corpo violado das vítimas, mas também a que está na mente de quem cometeu o crime. A vítima sem sua forma humana é descrita sem nenhuma censura, pois o que deve ser mostrado é a brutalidade com que foi tratada, como se fosse algo, apenas um troço, qualquer coisa que não é considerada. Sobre a desumanização dos corpos femininos e confirmando o modo como o autor vai construindo o seu gênero, como mostram alguns fragmentos do romance:
En junio murió Emilia Mena Mena. Su cuerpo se encontró en el basurero clandestino cercano a la calle Yucatecos, en dirección a la fábrica de ladrillos Hermanos Corinto. En el informe forense se indica que fue violada, acuchillada y quemada, sin especificar si la causa de la muerte fueron las cuchilladas o las quemaduras, y sin especificar
tampoco si en el momento de las quemaduras Emilia Mena Mena ya estaba muerta. [...] (BOLAÑO, 2013, p. 466)
[...] murió en su casa y en su casa encontraron su cadáver, no en un baldío, ni en un basurero, ni entre los matojos amarillos del desierto. Se llamaba Felicidad Jiménez Jiménez y trabajaba en la maquiladora MultizoneWest. Los vecinos la encontraron tirada en el suelo de su dormitorio, desnuda de cintura para abajo, con un trozo de madera incrustado en la vagina. La causa de la muerte fueron los múltiples cuchillazos [...] (Idem, 2013, p. 491)
[...]En el caso de Mónica Posadas, ésta no sólo había sido violada «por los tres conductos » sino que también había sido estrangulada. El cuerpo, que hallaron semioculto detrás de unas cajas de cartón, estaba desnudo de cintura para abajo. Las piernas estaban manchadas de sangre. Tanta sangre que vista de lejos, o vista desde una cierta altura, un desconocido (o un ángel, puesto que allí no había ningún edificio desde el cual contemplarla) hubiera dicho que llevaba medias rojas. La vagina estaba desgarrada. La vulva y las ingles presentaban señales claras de mordidas y desgarraduras, como si un perro callejero se la hubiera intentado comer [...] (Idem, 2013, p. 577)
A finales de septiembre fue encontrado el cuerpo de una niña de trece años, en la cara oriental del cerro Estrella. Como Marisa Hernández Silva y como la desconocida de la carretera Santa Teresa- Cananea, su pecho derecho había sido amputado y el pezón de su pecho izquierdo arrancado a mordidas. Vestía pantalón de mezclilla de la marca Lee, de buena calidad, una sudadera y un chaleco rojo. Era muy delgada. Había sido violada repetidas veces y acuchillada y la causa de la muerte era rotura del hueso hioides. Pero lo que más sorprendió a los periodistas es que nadie reclamara o reconociera el cadáver. Como si la niña hubiera llegado sola a Santa Teresa y hubiera vivido allí de forma invisible hasta que el asesino o los asesinos se fijaron en ella y la mataron. (Idem, 2013, p. 584)
A multiplicidade de perspectivas e os diferentes pontos de vista que compõem o relato favorecem cenas desse tipo. Personagens enfermos ou enlouquecidos mostram, através de seus próprios olhos doentios, a realidade tal e qual e como eles a observam e a compreendem.
Existe uma exaltação da monstruosidade que alcança outro patamar. Por um lado, uma mente paranoica que comete o delito e por outro, um corpo destruído, que se torna sublime42, mesmo quando toma o sentido de ser objeto. O autor quer passar, ao leitor, a sensação de quem assassina, o seu momento de êxtase. E, talvez, cause, em que lê, o sentimento de experimentar um duplo impulso de repulsa e curiosidade, de repugnância e sublimação. O corpo se transforma em um desejo, em uma busca pelo excesso, lugar onde o que não pode ser dito se manifesta para adquirir uma natureza poética. O cenário, onde os corpos são depositados como coisa, é composto por uma natureza dura, obscura e asfixiante. São os lixões, os espaços e as paisagens desérticas ou
de sujeira intensa, ao redor das maquiladoras, que favorecem a sensação de caos, além de intensificar a sublimação desses mesmos corpos multilados. Há um antagonismo entre os corpos delicados, jovens e vitais e os lugares brutos, ásperos, mortos.
Esses espaços aparecem como metáfora de uma sociedade à deriva, sem perspectiva, sem alento, sem vida. E quem consegue fazer a leitura, conclui que os personagens, dessa sociedade doente, encontram-se diante de novos espaços de opressão, geograficamente ilhados, marginalizados, como vivessem em lugares de pesadelo. Bolaño é cruel, pois não permite que o leitor recupere o alento, não há saída para o respiro e o coloca de frente com o pior do ser humano, que pode ser também o pior em si mesmo. Os seus personagens deixam a impressão de viverem sempre perturbados, dentro das esferas infernais e diante de uma verdade reveladora, dizendo a todo instante que o mal está aí e que a crueldade faz parte do cotidiano e se expande sem ser sorrateira, vai além do que está visível, não pede mais licença para aparecer, porque essa onda diabólica sempre existiu, mas não tão escancarada. Na trama, a barbaridade sempre é evocada e sobrevive independente de qualquer condição humana, pois acompanha os seres humanos como se fosse uma condenação difícil de ser enganada.
A presença dos crimes, dos assassinos, dos diversos investigadores e detetives, que fazem parte do enigma, do segredo, dão ao romance uma dimensão dupla: uma que se entende dentro do cânone do gênero policial, como uma peça essencial que reclama a solução do crime, restabelecendo a verdade dentro da ficção e a outra estética que valoriza uma espécie de ―beleza‖ do crime, trazendo à tona o mal que se impõe. Existe uma aproximação do romance criminal à crônica jornalística; no romance a verdade pertence à ordem discursiva do texto (a narração em si) e na crônica a verdade está no âmbito do factual.
No romance infrapolicial a estratégia narrativa é inversa, não segue uma lógica de raciocínio. Os muitos assassinatos não permitem que se chegue a uma conclusão, sem contar os vários espaços percorridos, pelos investigadores, durante a trama, tais como ruas, igrejas, casas, sanatório, bares, TV, etc. que também ajudam a camuflar pistas também, deixando os casos de assassinatos inconclusos. Não existe uma investigação lógica, que
privilegie as relações dedutivas, muito pelo contrário, o que aparece é outra forma de investigação, uma investigação múltipla que colhe, de vários investigadores policiais, informações que levam a um ponto comum, de convergência (se é que existe um): chegar a um assassino ou a um hipotético assassino, que precisa ser entregue para que as autoridades se sintam satisfeitas, apresentando, assim, à sociedade uma suposta solução. Mas não há ponto em comum nos assassinatos das mulheres de Santa Teresa que possa definir um assassino em série, que cumpra sempre com a mesma assinatura nos cadáveres encontrados. Tirando um número pequeno de mulheres que foram mortas da mesma maneira, nas outras centenas não existe um padrão de execução.
Não existe uma conclusão final sobre os assassinatos, nem nada que explique, até o final do romance, o porquê dessas atrocidades, deixando o leitor confuso e sem ter uma resposta igual a que era dada nos romances policiais clássicos, o enigma desvendado. Por isso a insistência em afirmar que a lógica do romance infrapolicial é inversa, pois se opõe a outras lógicas, compondo uma lógica alternativa, diferente, revolucionária que reorganiza a forma de narrar do relato policial, não seguindo as que já foram mostradas anteriormente. Os indícios também são outros e estão além da trama, se encontram dentro das partes emocionais mais abismais de cada personagem, em cada canto lúgubre dos lugares mostrados (as casas, as maquiladoras, os desertos, as ruas, etc.), nas entrelinhas dos discursos das autoridades e dos meios de comunicação. Os indícios são elevados a outro estágio, passam a ser ilógicos não permitindo a resolução dos assassinatos. Os únicos válidos são os crimes cometidos e narrados a exaustão, indícios que passam a figurar no seguinte aspecto: é assim que se conta dentro de uma forma infratextual.
As pistas não servem somente para alimentar a estratégia de compor a trama, mas extrapola e salta do espaço literário (ficcional) para o espaço real (factual), onde narrador e leitor se deparam com as mazelas humanas e ficam estarrecidos em constatar que a humanidade, além de não saber ou ter um caminho de saída, não tem muito que fazer nem sabe qual caminho seguir, se deparam com a encruzilhada narrativa e pessoal.
A estrutura do romance traz um discurso intertextual e infratextual, além de ser uma conversa entre discursos diferentes, aprofunda-se em si
mesmo, olha para si, trazendo à tona essa proposta inovadora do autor, de montar um romance com aspectos originais. Embora alguns outros autores tenham ousado no modo de narrar, tais como: Julio Cortázar e Jorge Luís Borges, Bolaño desconstrói e reorganiza, readapta, reestrutura, repagina a partir das leituras desses autores e cria sua maneira, tentando ser diferente. Uns dos aspectos que ele tenta inovar são os relacionados à criação de personagens/narradores inválidos, incapazes de levar até o leitor informações necessárias para resolução do mistério (no caso, os crimes).
A ordem de estrutura do romance infrapolicial traz o que é mais inconsciente e que pode parecer inconsistente dentro de uma sociedade, cujo principal sentido da vida é sobreviver, ainda que seja para denunciar a violência corriqueira que já não cabe mais dentro de cada um, dentro de cada cidade e dentro de cada composição que serve para construir um novo gênero ou revisitar algum que já exista, mas que precisa ser renovado.
A estratégia proposta pelo autor, e muito bem utilizada pelo narrador da trama, é a de desorientar os leitores, o encaminhando para um nível de leitura