I. HAYAT DIŞI BRANŞLAR İÇİN GEREKLİ ÖZSERMAYE
17. Sigorta Yükümlülükleri ve Reasürans Varlıkları
anteriormente, normatizar, uniformizar o estilo e a edição do jornal. Funcionam como cartilhas do bem escrever:
Este manual contém as normas e recomendações que norteiam o trabalho dos jornalistas da Folha. (Manual da Redação da
Folha de S.Paulo, 2001: 7)
De qualquer forma, o objetivo deste trabalho continua o mesmo: expor, de modo ordenado e sistemático, as normas editoriais e de estilo adotadas pelo Estado. (Martins Filho, 1997: 9)
Com efeito, o lide é uma das partes constituintes da notícia jornalística e é justamente aquela que abre, que introduz o texto noticioso. Dessa forma, a preocupação com sua elaboração é clara e evidente na literatura que trata sobre a estrutura do texto jornalístico e, como não poderia deixar de ser, também nos manuais de redação dos jornais.
O Manual Geral da Redação (1984) está organizado em verbetes dispostos em ordem alfabética, e mostra-se bastante impositivo quanto à elaboração do lide ao utilizar locuções verbais como “deve começar”, “são admitidos”, “deve conter”, “deve ser observado”, “não deve exceder”:
Na Folha todo texto noticioso deve começar com um ‘lead’. São admitidos dois tipos de ‘lead’:
a) Quando se trata de noticiário factual, o ‘lead’ deve conter o que há de mais importante na notícia, resumindo-a em aproximadamente 5 linhas. O procedimento para redigi-lo é responder as clássicas perguntas – o que, quem, quando, onde, como e por que – dispondo as respostas em ordem decrescente de importância. Às vezes, o mais importante é quem, às vezes é onde etc. Esse critério de importância decrescente deve ser observado não apenas no ‘lead’ como ao longo de todo o texto, de forma que as informações menos importantes apareçam sempre no final. Isto facilita cortes que por razão de espaço são freqüentemente necessários. Recomenda-se redigir o ‘lead’ na ordem direta. Raramente se justifica o uso do verbo no início da frase. O ‘lead’ pode conter mais de uma frase, mas não deve exceder um parágrafo.
b) Quando se trata de noticiário não-factual (histórias humanas,
sides etc), o ‘lead’ não precisa resumir o texto, mas deve destacar aspectos dele que, não sendo necessariamente os mais
importantes, conduzem à leitura. (Manual Geral da
Redação, 1984: 55)
A nova edição reformulada desse manual, denominado Manual Geral da
Redação (1987), organizado, como vimos, diferentemente da versão anterior
sobretudo pelo fato de estar dividido em capítulos, trata do verbete lide em dois momentos distintos: no capítulo que discute a “Padronização de estilo” e no que apresenta o “Vocabulário jornalístico”.
Em “Padronização de estilo”, o lide é apresentado com seis regras para sua melhor construção. Quatro delas estão presentes na primeira versão do manual (conter as informações essenciais; ter apenas cinco linhas; obedecer à ordem direta de uma oração; não iniciar o lide com verbo ou advérbio), e apenas duas foram acrescentadas, priorizando, ambas, o leitor:
b) seja tão completo que o leitor possa se sentir informado sobre o assunto apenas com a sua leitura; (...)
f) não utilize, sem explicar, nomes, palavras ou expressões pouco familiares para a média dos leitores. (Manual Geral da
Redação, 1987: 86)
Já, em “Vocabulário jornalístico”, o verbete lide é colocado, sinteticamente, como um estrangeirismo; é definido pelo Manual e é apontada sua tipologia (noticioso e não-factual). A partir do Manual de 1987, esse verbete deixa de ser grafado como se escreve no inglês, lead, e passa a ser lide.
Nesta versão, procurou-se dar um caráter mais ameno às regras de elaboração do lide, utilizando-se, inclusive, o verbo recomendar, que substitui o
dever da edição anterior. No entanto, a topicalização iniciada por um verbo parece
manter o caráter autoritário, impositivo e unilateral dessa elaboração.
O Novo Manual da Redação da Folha de S.Paulo (1992), assim como as versões anteriores, reserva um verbete específico para detalhar o lide. Esse verbete aparece em três capítulos diferentes do manual, ou seja, no “Produção”, no
“Texto” e, em seguida, no “Edição”. Nesses três momentos, o lide é definido e caracterizado exatamente da mesma forma e, essa forma se assemelha à edição anterior. Na verdade, o verbo deixa de ser o ameno recomendar, para voltar a ser o impositivo dever da edição de 1984, além da presença da topicalização com verbos no infinitivo, que possuem uma característica de obrigatoriedade.
Primeiramente, o Novo Manual designa uma função pragmática e específica para o lide, que é a de introduzir o assunto a ser tratado pela notícia e a de prender a atenção do leitor, procurando garantir a leitura do restante do texto.
Em seguida, ele define dois tipos de lide: o noticioso e o não-factual. O lide
noticioso deve responder a seis questões principais de um fato: o quê?, quem?,
quando?, como?, onde?, por quê?, e seguir alguns procedimentos técnicos que
determinam o que se deve fazer e o que se deve evitar no momento de elaboração de um lide. A respeito do que se deve fazer, o Novo Manual da Redação (1992: 37) propõe:
a) Sintetizar a notícia de modo tão eficaz que o leitor se sinta informado só com a leitura do primeiro parágrafo do texto; b) Ser tão conciso quanto possível. Procure não ultrapassar cinco linhas de 70 toques (lauda) ou de 80 toques (terminal de computador da Folha);
c) Ser redigido de preferência na ordem direta.
Em relação ao que se deve evitar, o Manual propõe que não se esconda o fato principal em meio a informações como ambientação, horário, idade, e nem que se inicie um lide com advérbio, gerúndio ou uma declaração entre aspas.
Possendoro (2002) discorda de Caprino (2001) ao enfatizar que esse procedimento teórico aprisiona o jornalista em uma espécie de ‘camisa de força’ repressora e dogmática, que transforma o lide, em grande parte das vezes, na única opção possível. Segundo ele (op. cit: 34), “ganha-se na mecânica, perde-se na criação”.
Quanto à outra tipologia de lide, o não-factual, o Manual parece ser um tanto vago, pois além de não apresentar uma fórmula, ainda afirma serem necessários outros recursos para atrair a atenção do leitor, que não são especificados.
Entretanto, como afirma Possendoro (2002: 34),
a técnica jornalística são todos os procedimentos – que de tempos em tempos se renovam, devido às inovações e mudanças tecnológicas, sociais e políticas – que constituem o processo de produção do veículo jornalístico.
É exatamente uma técnica jornalística renovada que pudemos encontrar no
Manual da Redação da Folha de S.Paulo (2001). Esta nova edição também
reserva um verbete específico para tratar do lide que aparece uma única vez, no capítulo “Procedimentos” e que se configura menos dogmática do que as edições anteriores.
Tanto na edição anterior, quanto na atual (2001), há uma descrição da função do lide dentro da estrutura da notícia, que é a de introduzir o leitor na notícia e a de despertar seu interesse pelo fato noticiado, já nas linhas iniciais. Diante disso, verificamos que os objetivos da presença do lide no texto jornalístico continuam a ser os mesmos.
A maior mudança reside na estruturação do lide. Nas edições anteriores pudemos observar um detalhamento imperativo e excessivo do lide, ou seja, uma tentativa de padronização do primeiro parágrafo da notícia jornalística. Entretanto, nesta nova edição, o tom da explanação é mais brando, parece haver um aconselhamento daquilo que é possível ser feito em um lide, porém sua mecanização, de que Possendoro (op. cit.) trata, não aparece.
No Manual da Redação da Folha de S.Paulo não há a distinção entre lide
não haver uma fórmula para elaboração de um lide, uma vez que uma construção de primeiro parágrafo formulada a partir de um modelo pode causar um desinteresse no leitor e este não continuar a leitura da notícia:
Imprescindível à valorização da reportagem e útil à dinâmica da leitura – por ser uma síntese da notícia e da reportagem –, não existe, no entanto, um modelo para a redação do texto do lide. Nem pode ele ser realizado de maneira automática, com escrita burocrática. Se assim for feito, mesmo que contenha o núcleo da reportagem, poderá gerar desinteresse instantâneo ou provocar no leitor a impressão de irrelevância da notícia. (Manual da
Redação da Folha de S.Paulo, 2001: 28-9)
Há um aconselhamento para que a automatização do lide não seja feita. Nas edições anteriores falava-se em “o lide deve” e “o lide não deve”, usa-se o verbo no infinitivo ou modo imperativo. Na edição de 2001 do Manual, fala-se em “se assim for feito”, “eles tendem a impor” e passa-se a priorizar o “interesse do leitor”:
Se os fatos são urgentes e fortes, eles tendem a impor ao lide um estilo mais direto e descritivo, respondendo às questões principais em torno do acontecimento (o quê, quem, quando, como, onde, por quê, não necessariamente nessa ordem). (op. cit.: 29) Embora não se trate mais de lide noticioso, as questões principais que devem ser respondidas logo de início, ainda estão presentes. Isto significa que os lides continuam muito presos a formulações tradicionais e rígidas, como trataremos mais adiante, e que, portanto, as mais inovadoras, cujo objetivo é o de interagir com o leitor e convidá-lo a continuar a leitura da notícia, são colocadas à parte da arte do bem escrever dos jornalistas, pois eles têm sua capacidade de bem escrever avaliada pela boa construção ou não do lide:
O texto do lide dependerá sobretudo da própria argúcia do jornalista para descobrir, no conjunto de sua apuração, aquilo que é o ponto mais forte, atual e de mais amplo interesse em relação à realidade que está vivendo. (Manual da Redação da Folha
Há, também, um verbete específico para detalhar o lide no Manual de
Redação e Estilo de O Estado de S.Paulo (1997), assim como em sua versão
anterior, que data de 1990. Entretanto, a padronização da notícia jornalística neste manual aparece muito antes dos verbetes, pois há no primeiro capítulo de ambas as edições, o título “Instruções gerais”, cuja função é a de normatizar os textos publicados no jornal.
Essas “Instruções gerais”, também em ambas as versões, são formadas por quarenta e nove regras, que abordam como deve ser elaborada a estrutura da notícia (frases e períodos), o que pode ou não estar presente enquanto escolha vocabular, e mais doze exemplos de bons textos noticiosos publicados nas primeiras páginas de O Estado de S.Paulo.
Ao tratar da estrutura da notícia e o lide constituir parte integrante dessa estrutura, quatro tópicos são utilizados na tentativa de padronizá-lo:
25 – Nas matérias informativas, o primeiro parágrafo deve fornecer a maior parte das respostas às seis perguntas básicas: o que, quem, quando, onde, como e por quê. As que não puderem ser esclarecidas nesse primeiro parágrafo deverão figurar, no máximo, no segundo, para que, dessa rápida leitura, já se possa ter uma idéia sumária do que aconteceu.
26 – Não inicie matéria com declaração entre aspas e só o faça se esta estiver importância muito grande (o que é a exceção e não a norma).
27 – Procure dispor as informações em ordem decrescente de importância (princípio da pirâmide invertida), para que, no caso de qualquer necessidade de corte no texto, os últimos parágrafos possam ser suprimidos, de preferência.
28 – Encadeie o lead de maneira suave e harmoniosa com os parágrafos seguintes e faça o mesmo com estes entre si. Nada pior do que um texto em que os parágrafos se sucedem uns aos outros como compartimentos estanques, sem nenhuma fluência: ele não apenas se torna difícil de acompanhar, como faz a atenção do leitor se dispersar no meio da notícia. (Martins Filho, 1997: 17-8)
Optamos por fazer esta longa citação para que se pudesse observar que as regras deste manual são imperativas. Utilizam-se verbos no modo imperativo para que não se tenha dúvida sobre o caráter rígido e obrigatório da construção do lide.
Aliás, a única mudança existente nessas quatro regras, entre o manual de 1990 e o de 1997, é a de torná-las mais rígidas, uma vez que na primeira versão falava-se em “evite iniciar matéria por declaração entre aspas” (Martins Filho, 1990: 18) e é substituída na segunda por “não inicie matéria com declaração entre aspas” (op. cit., 1997: 18), ou seja, a partir de 1990, a declaração entre aspas no lide poderia ser feita, porém não com freqüência e, sim, raramente. Entretanto, a partir de 1997, tal declaração passa a ser totalmente proibida.
Essas regras também ordenam a construção de um lide que responda às seis perguntas básicas. Vimos anteriormente que esta também era a regra no Manual da
Folha de S.Paulo de 1985, 1987 e 1992, mas que se tornou mais flexível na edição
de 2001, representando uma tendência no caso dos fatos mais urgentes e fortes. Como veremos mais adiante, Hohenberg (1962) considera tal elaboração tradicional e ultrapassada, pois houve nos últimos anos uma mudança na função do jornal impresso para a sociedade.
Conforme explicitamos anteriormente, as regras de construção do lide no
Manual de Redação e Estilo de O Estado de S.Paulo (1990/1997) são imperativas.
É importante ressaltar que quase todo o manual faz uso da forma imperativa do verbo.
Quanto ao verbete lide do mesmo Manual, situado na parte das “Instruções específicas”, há, primeiramente sua definição, afirmando ser este o responsável pela abertura da matéria e que, portanto, deve fornecer ao leitor uma síntese completa do fato principal, respondendo sempre às seis questões primordiais do jornalismo (o quê?, quem?, quando?, onde?, como? e por quê?). Há, em seguida, no Manual (1990: 42- 6), uma vasta exemplificação de lides bem e, também, mal construídos, focando um problema qualquer de elaboração, como o da objetividade, das repercussões e suítes4, da falta de informação, das aberturas de __________
4. Suíte é originário do francês suite, isto é, “série, seqüência. Em jornalismo, designa a reportagem que explora os desdobramentos de um fato que foi notícia na edição anterior”. (Novo Manual da Redação da Folha de S.Paulo, 1996: 44)
matérias “humanas’, das interpretações, das intercalações, das aberturas não- noticiosas, do óbvio ou lugar-comum e de criatividade.
Problemas como falta de objetividade, de informação, de criatividade e lides construídos a partir do óbvio ou do lugar-comum são assuntos já bastante discutidos pela literatura jornalística, uma vez que ao elaborar a notícia, o jornalista deve procurar construir textos claros, precisos, diretos, objetivos e concisos. Seguindo esses cinco princípios, dificilmente um desses problemas acima citados apareça.
Faremos um estudo mais detido sobre as aberturas de matérias “humanas”, as interpretações e as aberturas não-noticiosas, por ser a função interacional o foco dessa dissertação.
Possendoro (2002: 19) distingue o lide da notícia do lide da reportagem, sendo o segundo, assunto discutido em sua dissertação. Ele considera que o jornal redige seus lides de maneira padronizada, ou seja, seguindo sempre o princípio da relevância, da pirâmide invertida, cujo objetivo é o de garantir uma qualidade mínima necessária à notícia, pois coloca sempre no lide o fato mais importante e segue essa ordem de importância até o final da notícia, não obedecendo, portanto, a uma seqüenciação cronológica do fato:
Nos jornais diários, sobretudo na produção das notícias, o problema de se redigir a abertura ideal é resolvido, digamos, de forma automática, na medida em que o repórter escreve de imediato o lide – a novidade ou a informação mais importante. Para Possendoro (op. cit.: 41), as aberturas de matérias “humanas”, as interpretações e as aberturas não-noticiosas são lides praticados em reportagens impressas, pois os dois primeiros são subitens do lide não-noticioso:
O Estado destaca outros tipos de lides, como os lides ‘humanos’, ‘interpretados’ e ‘não-noticiosos’. Estes, assemelham-se às aberturas praticadas nas reportagens impressas. São os lides chamados de não-factuais, para os quais não é primordial o
aspecto noticioso da informação.
Podemos considerar o lide não-noticioso como parte integrante de uma reportagem, pois como o próprio Manual de Redação e Estilo de O Estado de
S.Paulo (1997: 157) preconiza,
é preciso sempre levar ao leitor o ponto central da informação de maneira atraente e de forma que ele perceba que não está diante de uma notícia propriamente dita.
Por sua vez, o lide interpretado pode aparecer tanto em uma reportagem quanto em uma notícia. Utilizaremos o exemplo dado pelo próprio Manual para justificar tal opinião:
A mais significativa vitória de um lobby articulado na atual Constituinte não foi de empresas especializadas e organizadas para esse fim ou financiados pelas poderosas multinacionais. Foi a do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), que conseguiu a inclusão, no projeto da Comissão de Sistematização de 38 reivindicações de 9 confederações de trabalhadores, 9 federações de funcionários públicos de nível nacional, 3 centrais sindicais e mais de 300 sindicatos. (op. cit.: 157)
No lide acima, além do grau interpretativo, “a mais significativa vitória”, existe, também, um grau noticioso: o fato de o Diap ter conseguido a inclusão de 38 reivindicações no projeto de votação da Constituinte. Logo, se há um fato noticioso, há uma notícia.
Quanto ao lide “humano”, não há uma definição presente no Manual de
Redação e Estilo (Martins Filho, 1997: 156), mas apenas dois exemplos com uma
observação anterior, afirmando que ele é uma das aberturas mais difíceis de ser redigida por exigir do jornalista criatividade e atenção para que o texto não se aproxime do pieguismo.
jornalistas como Hohenberg (1962) e Erbolato (2002). Eles o concebem como um outro tipo de lide possível na notícia, cuja função é a de despertar o interesse por parte do leitor.
Para finalizar tal análise do Manual de Redação e Estilo de O Estado de
S.Paulo, julgamos pertinente apontar uma das raríssimas diferenciações presentes
entre as edições de 1990 e 1997. Esta distinção está relacionada ao tamanho do lide, ou seja, na primeira versão, há a exigência de que o primeiro parágrafo tenha de quatro a sete linhas. Todavia, na versão de 1997, esse número cai para quatro ou cinco no máximo. Eis mais um exemplo de que o processo de produção da notícia sofre constantes modificações e de que é cada vez maior a exigência por objetividade e concisão no texto jornalístico:
Graficamente, recomenda-se que o lead tenha de quatro a sete linhas da lauda padrão do Estado. (op. cit., 1990: 42)
Graficamente, recomenda-se que o lead tenha no máximo 4 a 5 linhas de setenta toques. (op. cit., 1997: 154)