Optamos por considerar como sujeitos da pesquisa professores que ensinam Matemática para alunos com TEA atuantes em escolas regulares e de Educação Especial, da rede pública ou privada, e que apresentassem em sua prática bases metodológicas que a justificasse.
Definido tais critérios, realizamos um levantamento e posterior contato com as instituições de ensino que continham em seu quadro crianças e/ou jovens com autismo com a finalidade de localizar nossos sujeitos da pesquisa.
De um total de vinte e três instituições contatadas, sendo três de Educação Especial, nove escolas da rede Particular, sete da rede Estadual e quatro da rede Municipal, localizadas nas regiões sul e oeste da grande São Paulo, somente em três delas, duas instituições de Educação Especial e uma escola regular da rede particular de Ensino Fundamental e Médio, pudemos contatar profissionais que trazem em sua prática bases metodológicas que poderiam fornecer elementos significativos para análise da prática destes profissionais que ensinam Matemática para alunos com TEA.
A seguir passamos a descrever as professoras contatadas e participantes da coleta de dados. Com o objetivo de preservar suas identidades, nesta dissertação serão chamadas de P1
(Professora 1), P2 (Professora 2) e P3 (Professora 3).
P1 é formada em pedagogia e fonoaudiologia. Como fonoaudióloga trabalhou em atendimento domiciliar, home care, e em escola regular realizando encaminhamento de alunos para serviços de atendimento especializado. Em 2007, concluiu o curso de pedagogia e iniciou seu trabalho como professora de alunos de 1° a 4° ano, no mesmo ano, ingressou em uma
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instituição de Educação Especial, onde teve início seu trabalho com crianças com autismo. Por um tempo trabalhou em ambas as instituições, após um período decidiu se dedicar unicamente a instituição de Educação Especial onde atua até esta data. Sua formação para o trabalho com crianças com autismo se deu por meio da prática diária, leituras e treinamentos voltados a esta temática.
P2 concluiu o curso normal superior, sua formação acadêmica foi voltada para a área de didática, com bases construtivistas. Para P2, o ensino deve ser para todos independente das limitações dos educandos. Durante um período atuou como professora da Educação Infantil, posteriormente do Ensino Fundamental I, quando num dado momento decidiu contribuir para a educação de crianças que demandam de uma atenção maior. Atualmente está à frente de um projeto de educação inclusiva com foco na aprendizagem do aluno em uma instituição particular de Ensino Regular Fundamental e Médio. Há oito anos não atua em sala de aula, suas atividades são voltadas ao atendimento a estes alunos, a seus familiares, e a todos os profissionais envolvidos. Seu trabalho é sempre direcionado a proporcionar o avanço dos alunos e a definir o plano escolar que deverá ser traçado para atingir esta meta.
P3 se formou aos dezessete anos de idade em magistério e antes de concluir o curso, permaneceu por um período responsável pelos cuidados de crianças em uma creche. As salas as quais ela era responsável faziam parte de uma escola Montessoriana. Durante este tempo, pleiteou um emprego na instituição, mas para isso era necessário participar de um curso de formação Montessoriana. Devido a seu bom desempenho, foi convidada, pela então diretora, Madre Valentina37, na época, fundadora do Instituto Montessori-Lubienska, para participar do curso, foi quando iniciou seus trabalhos como auxiliar de sala. Após concluir o magistério, assumiu uma sala de pré-primário, onde parte das crianças era interna e não tinha família. Lá permaneceu por onze anos ministrando aulas para salas de pré-primário. Nos três anos seguintes trabalhou em escola regular, cujas bases metodológicas eram as técnicas Montessorianas. Após este período recebeu uma proposta da instituição para se tornar coordenadora, mas recusou porque na época sua filha havia sido diagnosticada com autismo. Para conciliar seu trabalho com o atendimento de sua filha, voltou a trabalhar em uma escola regular, também com bases metodológicas Montessoriana, onde permaneceu até completar vinte e cinco anos de carreira como professora. Dois anos antes, em busca de um atendimento mais adequado para sua filha, procurou uma escola de Educação Especial, onde trabalhou
37 Madre Valentina fez parte do primeiro grupo a se formar no Programa de formação de professores na didática
do Sistema Montessori, criado em 1956, São Paulo, por Celma Perry. Fonte: <http://omb.org.br/educacao- montessori/a-classe-agrupada>. Último acesso em: 27 de junho de 2015.
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como voluntária e, posteriormente, entre os anos de 1991 e 1992, foi contratada como coordenadora e responsável pela implantação do método TEACCH na instituição. Paralelo a este trabalho na instituição, P3 passou a utilizar seus conhecimentos acerca do método Montessoriano principalmente para a alfabetização e desenvolvimento de habilidades matemáticas por alunos com TEA. Atualmente, P3 atua na instituição como voluntária, ministra cursos e palestras acerca de diversas áreas de conhecimento voltadas ao atendimento de crianças/jovens com autismo de baixo, moderado e alto funcionamento.
Para esta dissertação consideramos as atividades elaboradas pela professora P3, esta escolha se deu frente a sua vasta experiência profissional com o ensino da Matemática para alunos com TEA.
Ressaltamos que, de acordo com a professora, as atividades que fazem parte de nossas análises são aplicadas por outros professores da instituição onde a professora atua e tem apresentado bons resultados no ensino de habilidades matemáticas para alunos com TEA.
Destacamos que os dados fornecidos pelas outras professoras serão considerados em estudos futuros.