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O gênero Ocotea foi estabelecido por Aublet em 1775 com a espécie

Ocotea guianensis, sendo considerado o maior gênero da família Lauraceae.

Apresenta cerca de 350 espécies, a maioria nas Américas tropical e subtropical (BAITELLO, 2001), desde o México até a Argentina, com poucas espécies na África e em Madagascar e ausentes na Ásia (ROHWER, 1993). No Brasil, o gênero é bem representado com cerca de 170 espécies (QUINETet al., 2012).

Figura 3 - Mapa de distribuição do gênero Ocotea Aubl., representado em

verde.

0 20 40 60 80 100 120 Oc orrê nci a de es péc ie s Regiões Geográficas

Nordeste Norte Centro-Oeste Sudeste Sul

É um gênero muito variável, servindo como depósito de espécies (WERFF, 1991). Segundo ROHWER (1993) é o gênero menos definido da família. Suas espécies não possuem constância na frutificação, fato que dificulta sua propagação (ZANIN; LORDELLO, 2007).

Figura 4 - Distribuição das espécies de Ocotea no Brasil por região

Fonte: Adaptado de: (http://floradobrasil.jbrj.gov.br/2012/FB008440), Acesso em 19/01/2012

Ocotea compreende árvores ou arbustos, com flores monoclinas ou

diclinas, com 6 tépalas, as flores estaminadas, androceu com 9 estames férteis, anteras quadrilocelares, locelos dispostos em pares superpostos; estames das séries I e II com 3 estames cada, anteras introrsas; estames da série III com 3 estames, par de glândulas na base dos filetes, reduzidos, anteras extrorsas; série IV estaminodial ausente ou quando presente com 3 estaminódios, em geral reduzidos, filiformes, ou raramente estaminódios bem desenvolvidos, cordados ou sagitados; pistiloide presente ou ausente. Flores pistiladas com estaminódios reduzidos, de morfologia semelhante aos estames das flores estaminadas, com vestígio de locelos dispostos em dois pares superpostos. Fruto bacáceo, sobre ou parcialmente envolvido pela cúpula, em geral com margem simples e tépalas decíduas (QUINET; ANDREATA, 2002).

Espécies do gênero Ocotea são utilizadas na medicina popular para o tratamento de infecções, picada de cobra, úlceras (Ocotea caparrapi), dor de cabeça (Ocotea bullata), febre, tosse (Ocotea species), cólicas menstruais (Ocotea nicaraguensis), diarréia (Ocotea quixos), dentre outras (NAPRALERT, 2009). No Norte e Nordeste brasileiro, várias espécies do gênero são utilizadas na medicina popular para o tratamento da dor, neuralgia, dispepsia e anorexia (MORAIS et al., 1998b).

Ocotea Aubl. merece um especial destaque devido ao grande número de

espécies que são utilizadas para diferentes fins. Ocotea puberula Nees, por exemplo, possui características próprias para caixotaria, sendo utilizada também para a fabricação de papel. Possui um odor bem característico, muito semelhante ao anis. Ocotea diospyrifolia (Mez) é uma espécie encontrada nas regiões sul e sudeste do Brasil, sendo comum ainda na Argentina e no Paraguai. Sua madeira é considerada boa para postes e tábuas de assoalho, já a casca contém tanino. Ocotea guianensis Aubl. fornece madeira branca, leve, fácil de trabalhar, podendo-se obter pasta para papel. Ocotea aciphylla (Nees) Mez, possui madeira amarela, aromática, resistente aos insetos, principalmente aos cupins, própria para a construção civil e taboados de assoalho. A espécie

Ocotea canaliculata (Rich.) Mez é uma árvore cuja madeira de cor pardo-

escura é usada em marcenaria. Outras espécies, como Ocotea spectabilis (Meiss.) Mez, Ocotea divaricata (Nees) Mez, Ocotea porosa (Nees) L. Barroso e Ocotea elegans Nees também são empregadas em marcenaria e construções em geral (MARQUES, 2001).

Dentre as atividades farmacológicas já encontradas em algumas espécies de Ocotea, destacam-se como antioxidante (BRUNI et al., 2004), antibacteriana e antifúngica (SOUZA et al., 2004), antiinflamatória (ZSCHOCKE et al., 2000), relaxante muscular (RIBEIRO et al., 2003) e antimalárica (NAPRALERT, 2009). Estudos relatam ainda que do óleo essencial extraído dos frutos de Ocotea quixos foram identificados 40 compostos, onde o principal é o trans-cinamaldeído. Este óleo demonstrou atividade antioxidante, bem como ação antibacteriana contra Enterococcus foecalis, Staphylococcus

antifúngica contra Candida albicans, Saccharomyces cerevisiae, Pythium

ultimum e Trichophyton mentagrophyte (BRUNI et al., 2004). Souza et al.

(2004) avaliaram a atividade antimicrobiana de extratos metanólicos de 18 plantas medicinais usadas no Rio Grande do Sul. Dentre as espécies estudadas, Ocotea odorifera demonstrou ação contra Saccharomyces

cerevisiae, embora tenha sido inativa, frente a S. aureus, Staphylococcus epidermidis, E. coli, Bacillus subtilis, Micrococcus luteus e Candida albicans.

Vários alcaloides aporfínicos comumente encontrados no gênero Ocotea apresentam pronunciada bioatividade, como a nantenina (bloqueador de

contração muscular, translocação de Ca2+), coclaurina (anti-HIV), dicentrina

(inibição da topoisomerase II, atividade antineoplásica (ZANIN; LORDELLO, 2007); a dicentriona, isolada de O. leucoxyn apresentou atividade inibitória para topoisomarase I (ZHOU et al., 2000).

Diversas pesquisas têm sido conduzidas com diferentes espécies de

Ocotea, visando o isolamento e a caracterização de compostos químicos.

Dentre os metabólitos vegetais identificados, destacam-se os alcaloides benzilisoquinolínicos e aporfínicos (VILEGAS et al., 1989, DIAS et al., 2003), lignanas e neolignanas (SILVA et al., 1989) e óleos essenciais, constituídos por monoterpenos, sesquiterpenos e fenilpropanóides (BRUNI et al., 2004; LACERDA, 2004). O quadro 1 (pág.36) mostra alguns constituintes químicos isolados de diversas espécies do gênero Ocotea.

Quadro 1 - Alguns constituintes químicos de plantas do gênero Ocotea.

Classe do composto Substância isolada Espécie vegetal Referência

Alcaloides

Reticulina O. duckei MORAIS et al., 1998b O. caparrapi SUAREZ, 1980 Coclaurina O. duckei SILVA et al., 2002

O. lancifolia FOURNET et al., 2007 Laureliptina Ocotea pretiosa MOLLAN, 1961 N-acetilnorjuzifina O. duckei DIAS et al., 2003

Benzenoides Piperonal O. pretiosa

AIBA, GOTTLIEB e MAGALHAES, 1976 Benzaldeído O. pretiosa HICKEY, 1948

Esteroides β-sitosterol

O. argyrophylla ALVARENGA et al., 1978 O. corymbosa CHAVEZ, GOTTLIEB e

YOSHIDA, 1995

Flavonoides Epicatequina O. porosa

DAVID, YOSHIDA e GOTTLIEB, 1994 Catequina O. holdrigiana CASTRO; RUIZ, 1994

Lignoides

Iangambina O. duckei MORAIS et al., 1996 Eudesmina O. duckei MORAIS et al., 1996 Sesartemina O. duckei MORAIS et al., 1996

Sesamina O. usambarensis SEHLAPELO, DREWES e SANDOR, 1993

Monoterpeno

α- Pineno

O. opifera LORENZO et al., 2001 O. pretiosa HICKEY, 1948 O. pentalanthera GOTTLIEB et al., 1981 Carvacrol O. corymbosa CHAVEZ et al., 1995

Cânfora O. pretiosa MOLLAN, 1961

α- Terpineol O. opifera LORENZO et al., 2001

Caraleno O. duckei LACERDA, 2004

Sesquiterpeno

β- Eudesmol O. duckei LACERDA, 2004 δ-Cadineno O. opifera LORENZO et al., 2001

Spatulenol O. catharinensis LORDELLO; YOSHIDA, 1997

Nerolidol O. caparrapi BROOKS; CAMPBELL , 1969