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The short-term outdoor education increased the gifted students’ perception about the novel environment

Özel Yetenekli Çocuklar Ve Açık Hava Eğitimi: Kısa Süreli Açık Hava Eğitiminin Özel Yetenekli Öğrencilerin (Doğa) Algılamalarına Etkisi

Answer 2: The short-term outdoor education increased the gifted students’ perception about the novel environment

Não somente a natureza social e econômica, mas, também, a grande estrutura ideológica dos grandes proprietários marcaram o seu predomínio sobre a sociedade agrária brasileira. A ideologia das classes dominantes27, desde os tempos do Brasil-colônia, marcou o

26 Teoria da Escravidão: Aristóteles é um dos poucos filósofos da Antigüidade que se colocou explicitamente o problema da legitimidade da escravidão e desenvolveu uma doutrina sobre o tema, em particular no Livro I da Política. Para justificar a escravidão – que era a base do sistema econômico e social do seu tempo - Aristóteles recorre à distinção entre “escravo por lei” e “escravo por natureza”. Na sua época, havia críticos da escravidão que afirmavam que ela havia sido introduzida pela força e pela violência, que não podem ser o fundamento do justo. Aristóteles produz várias tentativas de definição do escravo natural, nem sempre satisfatórias e convincentes, que encontram a sua justificação principal na afirmação de que existe uma distinção entre quem é por natureza escravo e, portanto, destinado a obedecer e quem é por natureza livre e, portanto, destinado a comandar: Comandar e ser comandado (árchein kai árchesthai) estão entre as condições não somente necessárias, mas também convenientes; e certos seres, desde o nascimento (ek genetés), são diferenciados

jeito de pensar e a cultura do interior brasileiro. Essa supremacia foi expressa, sobretudo, porque as classes dominadas assumiram e passaram a utilizar normas, valores, tradições e comportamentos que integravam a ordem patriarcal. As concepções sobre a realidade social do homem do campo, bem como o seu modo de agir, foram influenciados de forma decisiva por esta dominação patriarcal.

Podemos atestar essa influência pelo fato de que o mundo cultural das populações do interior, do sistema de valores e da orientação ideológica assentou-se, mesmo preservando elementos da cultura indígena e africana, nas tradições provenientes do passado colonial ibérico-católico.

A sociedade agrária brasileira passou a ser integrada por mestiços, negros e índios que foram violentamente introduzidos no processo de produção da colônia como simples instrumentos de trabalho, com falta de respeito e consideração à sua maneira de vida, usos e costumes. Suas relações de produção e sua organização social foram devastadas, quando não arruinadas pelas formas de dominação e exploração estabelecidas, de forma impositiva, pelo sistema de produção colonial. Nessa mesma sociedade agrária que se formava houve a presença paramilitar e ideológica do poder colonial no Novo Mundo, que foi inserida e sentida em todas as classes dessa sociedade, e que levou, não somente, ao sucessivo acomodamento das etnias oprimidas no sistema de exploração colonial, mas também à progressiva eliminação de grande parte das noções de ordem social, religiosa, econômica e cultural dos negros e indígenas. Isso impossibilitou o desenvolvimento de seus modos originais de cultura e de vida.

Esse processo foi caracterizado pelas constantes tentativas de inserção das normas e valores característicos da sociedade ibérica na sociedade agrária brasileira e levado à frente pelos colonizadores e pela Igreja. Tentativas que sucederam não somente pelo juízo cultivado pelos portugueses de se considerarem responsáveis por mais uma missão sagrada, de propagação dos valores e da palavra de Cristo aos “incultos pagãos”, mas também pela necessidade de impor as exigências do sistema da colônia às forças produtivas. O antropólogo, escritor e político brasileiro, Darcy Ribeiro, defende que houve uma crescente substituição das relações sociais, normas e costumes. Enfim, concretizou-se o processo de imposição externa e de supressão dos próprios elementos culturais (RIBEIRO, 1975, p. 20)28.

Essa “desintegração” das origens nativas contribuiu para o arrebatamento das etnias subalternas com suas culturas e modos de vida. Elas assimilaram os valores e normas dos senhores coloniais, abrindo a possibilidade de se integrarem, de forma mais fácil, ao sistema predominante, fosse pela atração ou pela força (RIBEIRO, 1968, p.138).

A sociedade agrária brasileira e sua conformação histórico-cultural manifestaram-se, de forma nítida, pela disposição de sua absorção de estruturas culturais (língua, valores, tradições, etc.), cristianização e miscigenação. O catolicismo, nesse contexto, serviu para a sujeição dos escravos africanos e indígenas brasileiros, meio para legitimar a sua Conquista, também como meio para que pudesse ser disseminada a sua ideologia patriarcal, tornando mais fácil sua assimilação por parte dos oprimidos.

Nos domínios dos grandes senhores, foi conservada uma parcela dos elementos que constituíram, mesmo a após o evento da Proclamação da Independência, a superestrutura cultural e a ideológica da sociedade portuguesa. A grande propriedade tradicional continuou sendo a principal unidade produtiva fundamental que preservou as relações de produção pré- capitalistas e conservou as principais características das fazendas tradicionais.

A situação de dominação que vigorava na zona rural da sociedade brasileira não teve grandes alterações, mesmo com o a Abolição, que ocorreu no final dos anos 1800. As mudanças foram mínimas na situação dos ex-escravos e, apesar da substituição do trabalho escravo pelo livre, pouco influenciaram nas relações de dominação e classe. Mesmo livres, não tinham como comprar uma pequena área para onde se deslocarem e, sem recursos, não tinham como conquistar sua independência.

A monopolização do solo foi mantida pelas classes dominantes que defenderam e preservaram seus privilégios. Sem disporem da possibilidade de desenvolverem uma identidade cultural própria, os ex-escravos continuaram sendo tratados e considerados simplesmente como instrumentos de trabalho, sem deveres e direitos além daqueles impostos pela ordem patriarcal e, ainda, sem a possibilidade de desenvolverem uma identidade cultural própria. Eles continuaram sendo oprimidos e não puderam apelar para a sua própria cultura e acabaram assimilando e utilizando uma articulação de seus próprios interesses e para seu planejamento de mundo, modelos da cultura e ideologia dominantes. Impedidos de adquirirem uma clara consciência de sua situação de fato, eles interpretaram a realidade social de um ponto de vista, que no fundo, não correspondia às suas reais necessidades, e, por isso, aceitaram esta situação como inevitável.

3 Primeiros entendimentos do contexto da sociedade agrária brasileira

O sociólogo e filósofo marxista francês Henri Lefebvre (1968) defendeu a hipótese de que “o horizonte cultural dos homens é determinado pelos limites do seu conhecimento e práxis, bem como das representações efetuadas a partir dessas limitações”; essas mesmas representações irão refletir circunstâncias concretas dessa práxis, mesmo que tenham sofrido alguma distorção em suas percepções (LEFEBVRE, 1968, p. 63-64). Em seus inter- relacionamentos, os homens e grupos sociais produzem e projetam imagens de sua realidade social, que refletem o modo e a maneira como as atividades e relações sociais lhes apresentam.

A imagem e entendimento de mundo construído pelos trabalhadores da zona rural contêm uma intimidade com os processos objetivos que decorrem no contexto em que eles vivem e atuam. Entretanto, o grau de reconhecimento e a consciência de sua condição social, expressa o estágio de progresso de suas forças produtivas e uma maior ou menor transparência das relações de produção e dominação.

No interior brasileiro, a sociedade agrária, que foi se constituindo, caracterizou-se, até pouco tempo, pelo crescimento de suas forças produtivas com nível baixo. A população rural, há alguns séculos, vem sendo sustentada pelas mesmas relações de produção, onde a maioria dos trabalhadores está sujeita, às mesmas relações e condições impostas pelos donos das terras. O modo de produção agrário conservou e reproduziu o mesmo nível tecnológico pouco desenvolvido por várias gerações. A necessidade de se buscar novas tecnologias e a racionalização do processo produtivo foi alicerçada na relativa existência de uma abundante oferta de mão de obra. E, ainda, diante de tudo isso, a grande maioria dos trabalhadores rurais ultrapassou o horizonte local de seus contatos e relacionamentos com o mundo e mercado externo, que era um privilégio e exclusividade do senhor das terras. Eles permaneceram impedidos de buscar o rompimento dos seus limites de experiências e conhecimentos, em função das obrigatoriedades e coações que lhes foram impostas no desempenho de suas atividades, por estarem inseridos no sistema hierárquico que predominava na sociedade agrária.

Esta sociedade havia se formado, no transcorrer do tempo, com características de desenvolvimento das forças produtivas de nível baixo e espelhou-se nas aspirações e noções das pessoas. A influência marcante do patriarcalismo e a falta de possibilidades de se alcançar o rompimento das barreiras ideológico-culturais de um passado, causou a estagnação relativa

da sociedade e fez com que o horizonte das ações e aspirações das pessoas permanecesse restringido.

Praticamente até o recorte de tempo desta pesquisa, anos de 1940 a 1970, este sistema de dominação foi preservado e delineado em sua essência, com pouquíssimas alterações. Um abrangente e amplo desenvolvimento das forças produtivas criou possibilidades para alterações estruturais profundas, advindas do processo de industrialização. Isso afetou de forma direta as relações de dominação vigentes na zona rural, agravando as circunstâncias de vida e materiais das suas populações.

Devido a dificuldades externas e internas, o modelo de crescimento e desenvolvimento baseado no processo de industrialização por substituição de importações, desde o final da década dos anos de 1950, durante o Governo de Juscelino Kubitschek, enfrentou uma crescente crise de estagnação e empobrecimento das massas populacionais. A crise política foi acentuada paralelamente à crise econômica. Os movimentos e organizações de massas foram radicalizados e aguçados, face ao agravamento dos antagonismos de classe aos conflitos sociais que se espalharam pelo país.

As Ligas Camponesas e os sindicatos rurais no Nordeste emergiram dentro deste cenário de acirramento dos conflitos que abalaram todo o Brasil e foram disseminados para os outros estados brasileiros. Eles ultrapassaram o mero caráter de protesto, representando uma resposta das populações rurais oprimidas ao aguçamento dos antagonismos de classe e à deterioração real de suas condições de vida. Esses movimentos visavam minar o sistema de dominação advindo da época colonial, representavam um produto do processo global de transformações e crises que sacudiam o país. Colocaram em questão o monopólio da terra e a base do poder dos grandes proprietários pela primeira vez na história do Brasil, mas o golpe militar de 1964 tratou de colocar um rápido fim a essa mobilização. Somente 10 anos mais tarde é que começaram a surgir inéditas formas de mobilização e protesto em torno desta questão que caracterizou a sociedade agrária brasileira.

O processo de modernização capitalista na sociedade agrária brasileira, que foi induzido pelo governo militar, trouxe profundas e novas transformações que propiciaram, não somente a emergente necessidade de um novo tipo de movimento social, que eclodiu de forma viril por todo o país, mas provocou uma reformulação nas relações de dominação e de classes. O predomínio passa ser do empresário ruralista e não mais do antigo e tradicional senhor de terras, porém, permaneceu e acentuou o monopólio e a concentração da terra nas mãos de poucos. A insegurança e a dependência dos trabalhadores rurais transformados, em sua

maioria, em boias-frias (que sobreviveram à mercê de trabalhos temporários), aumentaram e engrossaram muito as periferias urbanas, causando o aumento da marginalidade social.

Influenciando o modo de vida das pessoas, bem como o seu comportamento, vários dos componentes ideológico-culturais do antigo patriarcalismo estenderam sua sobrevivência. Os fazendeiros tradicionais, transformados em empresários rurais, executivos do “agrobusiness”, expressaram-se, através de seus hábitos aristocráticos, de sua arrogância prepotente, nos seus interrelacionamentos exclusivistas. Exibem-se em luxuosas feiras agropecuárias e seus suntuosos leilões e, nas suas ações, mescladas de paternalismo, demonstram profunda indiferença pelas classes inferiores.

CAPÍTULO II

A SOCIEDADE URBANO-INDUSTRIAL BRASILEIRA

O propósito deste capítulo é apresentar a ideia de atraso que a sociedade brasileira construiu e se apropriou, em relação ao contexto rural e a ideia de progresso em relação ao estilo de vida urbano, percebidos na transição do modelo agrário para o urbano industrial. Este propósito, neste momento da pesquisa, deve-se ao fato de que o rural desenvolveu um papel importante em nossa sociedade até a metade da década dos anos 1950, quando a grande maioria dos indivíduos residia na zona rural, ocupando uma posição secundária em nossas pesquisas. A falta de prestígio do contexto rural pode ser verificada, pela qualidade da educação oferecida pelas escolas agrícolas, que não possuíam estruturas adequadas.

Ainda, neste capítulo, procuramos entender o papel e a importância das cidades na organização do espaço econômico da sociedade urbano-industrial brasileira, que têm sido crescentemente reconhecidos, implicando releituras históricas. Novos centros urbanos foram redefinidos e passaram a comandar espaços de produção cada vez mais amplos. O consumo da sociedade urbano-industrial brasileira gerou e ampliou, permanentemente, novas regiões e redes de localidades em seus espaços de influência. O contexto mundial e macro-regional foi dominado pela unificação e harmonização espacial e econômica multiescalar nessa nova realidade e as articulações dos territórios nacionais em escalas que variam de espaços locais a regiões continentais.

De fato, o que observamos foi uma articulação crescente entre as economias urbanas que concentraram o expansionismo do setor terciário que comandava os espaços de produção industrial e agrícola. Esses espaços estão cada vez mais disseminados nos territórios das cidades globais e mundiais, nas Regiões Metropolitanas, incluindo cidades grandes, centros médios e pequenos e novas aglomerações e sistemas urbanos em formação. Os movimentos articulados de trabalhadores, mercadorias e de pessoas entre regiões e centros urbanos facilitaram, além do espaço virtual de articulações que exigiram territorialidades concretas, o aumento de fluxos de serviços e informações.

De outra parte, e com o intuito de dificultar distinções rígidas, o equipamento e a produção dos territórios ocupados e de novos espaços urbano-regionais avançaram para configurar possibilidades de organização e integração, gerando fronteiras e novas regiões entre campo/cidade e região/cidade. Tornou-se cada vez mais um artifício metodológico uma definição de linhas demarcatórias urbanas, rurais ou metropolitanas em regiões tão diversas e

diferentes como a do Centro-Oeste, as fronteiras recentes da Amazônia e o Sudeste. A grande variedade de possibilidades de articulações socioespaciais e funcionais, que observamos até os dias de hoje no Brasil, foram intensas e redefiniram a marcha da nova espacialidade ordenada e dominada pelos tecidos urbano-industriais sobre os territórios regionais e nacional. A partir do marco histórico-econômico e socioespacial e da formação da sociedade urbano- industrial brasileira é que se redefine e se entende como se organizou e se reestruturou o território nacional e o espaço econômico, sobre o qual fenômeno urbano contemporâneo extensivo se impôs.

1 O crescimento e desenvolvimento urbano do Brasil

O crescimento e o desenvolvimento urbano do Brasil, que faz parte da transição do agrário para o urbano ocorrido, principalmente, nos anos 1940 a 1970, é diretamente proporcional à industrialização brasileira. Deste modo, antes de tecermos uma análise sobre a questão urbana, seria de grande valia, resumirmos as variáveis da história da economia do Brasil.

As relações da economia brasileira com o capitalismo mundial têm características de relações que possuem uma extrema dependência. No final dos anos 1800, o Brasil ainda era um país agrícola, movimentado e atrelado à força braçal escrava. Singer (2002) defende a tese de que o período compreendido no ano de 1888 (marco da abolição da escravatura), e o ano de 1930 (período da Revolução), o Brasil foi submetido a grandes e importantes transformações econômicas, sociais e políticas. Deu-se o início do desenvolvimento brasileiro, caracterizado pela instalação de um grande conglomerado industrial produtor de bens de consumo não duráveis (tecidos, roupas, alimentos) em substituição às importações e de uma ampliação da agricultura, principalmente nos Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, e de uma agricultura voltada para o comércio do mercado interno, sobretudo, nos estados do Sul como Santa Catarina, que tiveram sua colonização caracterizada pelas culturas alemã e italiana.

A imigração européia ganhou grande volume, alcançando o seu apogeu antes da 1ª Guerra Mundial, fazendo a integração dos imigrantes na cultura do café e nas atividades novas do Mercado Interno. Assistiu-se um pequeno processo de urbanização, com o desenvolvimento mais aligeirado das capitais que eram centros de mercados regionais como: Rio São Paulo, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte. (SINGER, 2002, p. 121).

Souza; Afonso (1977) afirmam que estas transformações aconteceram, de certa maneira, em consequência das crises do capitalismo mundial. A 1ª Guerra Mundial e a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929 fizeram com que o Brasil ficasse isolado de boa parte do mundo e passasse por difíceis momentos e situações. Até naquele período de sua história, era um mero produtor e exportador de sua produção agrícola. A maior urbanização dos grandes centros aconteceu devido ao próspero início da industrialização brasileira e da substituição das importações.

Tais mudanças e transformações ganharam intensidade a partir do ano de 1930, início da Era Vargas (1930 a 1945), onde foi estabelecida uma política voltada para a industrialização, fundamentada

numa legislação para o trabalho que deveria ser aplicada somente em áreas urbanas (na verdade, apenas nas cidades maiores) proporcionando aos trabalhadores urbanos um nível de vida consideravelmente mais elevado que o das massas das áreas rurais, possibilitando, desta maneira, um sistema de incentivos que atraiu uma parcela crescente dos trabalhadores rurais às cidades. A grande parcela da população da zona rural passa a ser confinada na economia de subsistência, passando pela constituição da economia capitalista industrial, tornando-se um enorme reservatório de mão-de-obra ou, na expressão clássica usada comumente por Karl Marx, um exército industrial de reserva (SINGER, 2002, p. 121-122).

A imigração estrangeira diminuía muito e inversamente proporcional ao crescimento da migração interna, principalmente, após o ano de 1930. Singer (2002) ainda demonstra que, na primeira década do século XX (1900-1909), o montante de imigrantes estrangeiros era de 622.397 e que alcançou o seu auge na segunda década (1910-1919) com um número de 815.463 pessoas. Nos anos de 1920-1929, na terceira década, este número cai um pouco, cerca de 3,35% (788.170), mas, nas décadas seguintes, este percentual de diminuição torna-se muito elevado em tão pouco tempo: queda de 60,42% (322.768) nos anos 1930-1939 e queda de 85,98% (114.405) nos anos de 1940-1949.

[...] Pois bem, mesmo com esta queda da imigração estrangeira, a capacidade de absorver a mão-de-obra pela economia capitalista aumentou mais ainda, substituída pelo acréscimo das migrações internas, composta pelo êxodo rural. (SINGER, 2002, p. 122)

Devido à adiantada industrialização e ao forte crescimento dos setores de serviços, sobretudo, o do comércio, verificamos que este processo migratório dava-se em direção, principalmente, aos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Algumas instabilidades regionais foram detectadas no Brasil, causadas pelo crescimento e desenvolvimento econômico brasileiro dos grandes centros - São Paulo

destacou-se entre eles. Este destaque para São Paulo seria baseado na hipótese de que o crescimento e desenvolvimento deste estado estariam fundamentados na exploração de algumas regiões do Brasil, sobretudo, dos estados do nordeste. Esta hipótese é rejeitada pelo economista Cano (2002), que afirma que São Paulo teria crescido apoiado na influência de forças da sua região e que “a liderança do crescimento do capitalismo no Estado de São Paulo, alcançado um pouco antes dos anos 1930, teve um acentuamento, por motivos que apontam, antes de tudo, à dinâmica do próprio pólo” (CANO, 2002, p. 302).

Este mesmo estudioso da economia brasileira rejeita, ainda, a ideia que dá privilégios para a disputa entre regiões e ou estados e declara:

Não há por que brandir arma contra suposta ‘exploração’ de São Paulo sobre a periferia, ao contrário, tornar-se-á, tão somente, a defesa dos interesses capitalistas regionais. É necessário que se estude o óbvio: os interesses dos assalariados de todo o Brasil devem ser solidários, juntamente com os dos trabalhadores rurais. Caso contrário, estaríamos aplicando regionalmente, equivocadas teses sobre o imperialismo mundial e acabaríamos dizendo o absurdo de que os operários paulistas exploram seus confrades da periferia... (CANO, 2002, p. 314)

O caso da união dos trabalhadores tomado, por exemplo, por este mesmo autor, é apontado para demonstrar como os interesses de cada região do país são usados, de forma ideológica, para demover a atenção dos verdadeiros problemas.

A entrada maciça de capital estrangeiro no Brasil ocorrida, principalmente, na segunda metade dos anos 1950, fez com que o processo de mudanças no capitalismo brasileiro