Özel Yetenekli Çocuklar Ve Açık Hava Eğitimi: Kısa Süreli Açık Hava Eğitiminin Özel Yetenekli Öğrencilerin (Doğa) Algılamalarına Etkisi
2. Methods 1.Participants
A configuração da sociedade agrária brasileira teve como agentes principais de sua estrutura mestra a grande propriedade sustentada pelo trabalho escravo e um sistema de produção agrícola introduzido com a colonização. Passou de uma simplória unidade de produção econômica para uma unidade importante da sociedade colonial.
A formação de conexões de dominações específicas, em que a ideia básica era a dominação da terra, somente foi possível por causa do isolamento e dispersão das grandes propriedades, do poder praticamente absoluto dos senhores de terras, favorecidos e incentivados pelo sistema de Sesmarias, somando-se uma grande falta de controle da administração pública local (PRADO JÚNIOR, 1965, p. 194).
O caráter rígido e típico da sociedade agrária brasileira começou a ser formado. Foi delineado com a separação da classe dos grandes proprietários da massa dos escravos e dependentes semilivres. Os respectivos posicionamentos na hierarquia e estrutura social da colônia foram situados e influenciados pelo grande vácuo na escala social, responsáveis pela divisão da multidão dos escravos e agregados, da pequena minoria dos senhores de terras. Ao passo que a multidão de escravos e agregados compunha a massa trabalhadora, subjugada aos preceitos da ordem escravista e senhorial, os senhores de terra seriam os beneficiários diretos e dirigentes do empreendimento colonial. O senhor de terras figurou no ápice da pirâmide social, em cada grande propriedade, em torno de quem gravitaria toda a vida do domínio. A freguesia de seu clã era constituída pela sua família, pelo conjunto de escravos e agregados que trabalhavam na sesmaria.
Foi no princípio da colonização que o “clã patriarcal” teve sua gênese, que tanto influenciou no crescimento político e social da sociedade agrária brasileira. Caracterizado como uma instituição, estabelecida no grande domínio rural, agregava todos os indivíduos que ali trabalhavam e viviam ou a ele se juntavam, sob o comando e domínio soberano do
proprietário das terras. Na Coroa portuguesa, que havia entrado numa acelerada decadência desde o término do século XV, encontrava-se a raiz do clã patriarcal que se desenvolveu no Brasil. Queiróz (1976, p. 17) defende que este “clã patriarcal” foi consolidado e resguardado no Novo Mundo em detrimento da forma assumida pela produção colonial.
Em centros únicos e eficazes de soberania política e social, cada uma das grandes propriedades foi constituída, mesmo não sendo representantes políticos de peso, uma vez que a administração pública da metrópole cuidava dos interesses coloniais, pelo menos na fase inicial da época colonial, permaneceram afastadas de sua colônia americana, somente recolhendo o “dízimo”. As relações de produção, os contatos sociais, as vivências políticas e culturais da população foram moldadas sob a autoridade absoluta dos senhores de terras e transcorreram sob o seu amparo. A população livre não tinha condições de livrar-se do alvo do poderio dos grandes proprietários, devido à característica de monopólio da propriedade de solo, porque estavam à mercê de seus domínios e dispunham dos meios de proteção e subsistência que davam garantias à sua sobrevivência num ambiente adverso. O clã patriarcal ainda era abrangido pelos indivíduos de parentesco de segundo e terceiro grau, incluindo seus homens e pedaços de terras, bem como os aglomerados da vizinhança que se instalavam no interior das fazendas ou ao lado e não somente de sua família nuclear e com os seus agregados e escravos, que circulavam em volta de sua influência. E ele ficou ainda mais forte devido aos casamentos “arrumados” entre as famílias, em favor de seus interesses de poder econômico e social, com suas amplas estruturas visando a sua clientela e, principalmente na região do Nordeste, se desenvolveram como uma instituição social predominante (QUEIRÓZ, 1976, p. 17).
A sociedade agrária brasileira, neste período, estabelecida pelo patriarcalismo, demonstrou que as suas ligações íntimas de dominação permitiram que a impetuosa e violenta exploração da mão de obra escrava fosse aparentemente amenizada e disfarçada. Ainda o domínio sobre os homens e as terras não era a única restrição da atribuição do senhor de terras, por ele explorados. No decorrer do demorado processo de pacto forçado entre população dependente e grande proprietário, o restrito contato existente nos domínios e seu relativo isolamento, possibilitou o surgimento de vínculos, que ultrapassaram a simples esfera econômica de produção. Os outros dependentes e os escravos não continuaram reduzidos permanentemente à sua obrigação como a força de trabalho de custo baixo e despojada. O sociólogo, antropólogo, historiador, escritor e pintor brasileiro Gilberto Freyre, em seu livro
“Casa-grande & senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal” (1977), aponta exaustivamente que houve uma íntima relação do senhor de terras
com os trabalhadores livres, semilivres e os escravos, abrangendo não somente o processo de produção, mas, também, a esfera da família patriarcal, envolvendo a sua própria convivência social, criando estreitos laços, várias vezes familiares, entre exploradores e explorados.
As cerimônias católicas, como os casamentos, batizados e compromissos entre “compadres”, tão comuns e difundidos no interior do Brasil, contribuíram para união dos escravos até mesmo com seus senhores, auxiliando a ideia de que a opressão e exploração assumiram uma afeição mais tolerável e suavizada. Esta consciência subjetiva de sua legitimidade permeou a sobreposição desses laços pessoais, fazendo com que a disposição objetiva, desta situação, fosse mais facilmente suportada e aceita pelos envolvidos. As ligações íntimas de dominação, na verdade, apenas reforçavam, de forma disfarçada, toda a autoridade e poder dos senhores de terras.
2.3 A composição ideológica da dominação patriarcal na sociedade agrária brasileira