• Sonuç bulunamadı

Oito professores, responderam que tiveram boa formação, embasando suas justificativas nos profissionais que ministraram os cursos, nas vivências práticas como um todo e, em especial, em aulas práticas de teatro, escultura e pintura, assim como o conhecimento de várias técnicas artísticas e a articulação teoria e prática, ou seja, o aprendizado para além da teoria, adquirido em experiências práticas, experiências estas que, como afirmam Rodrigues e Lima-Rodrigues (2011) fazem parte da formação com princípio de “Isomorfismo”, ou seja, a partir do momento que o que é ensinado segue estratégias, metodologias, “climas” de aprendizagem e técnicas, semelhantes àquelas exigidas na atuação profissional, o que constitui para os autores um instrumento eficaz para a formação de professores.

Para apenas um dos participantes sua formação inicial não foi satisfatória, pois não contemplou a linguagem teatral.

A reflexão leva a retomar Porcher (1982), Duarte Junior (1983), Costa (2004), Martins et al. (2009), Rodrigues e Lima-Rodrigues (2011), todos de acordo que a vivência de experiências com a Arte é importante para a formação de novos conceitos, tanto para o professor quanto para o aluno.

Embora o professor Cubista considere que teve uma boa formação, não ofereceu justificativa para a afirmativa, mas, apesar disso, retomando a informação registrada em seu perfil de que se formou no ano 2000, sendo habilitado em Artes Plásticas numa universidade pública considerada de renome, é possível considerar a afirmativa do professor de que teve uma boa formação, embora não haja dados para tanto e eventualmente possa ser considerada uma inferência, porém tendo em conta que antes mesmo do ano 2000 o curso de Arte da referida universidade havia passado por reformulação, já com um currículo atualizado para atender as exigências da contemporaneidade.

Em relação às atividades das quais os professores de Arte participaram no ano de 2014 seguem os dados elencados da tabulação do questionário.

Quadro 7 - Atividades de formação complementar das quais os professores de Arte participaram Participantes Cursos e palestras Reuniões e capacitações presenciais Especialização/ Pós-graduação Outras Cubista Elaboração de História em Quadrinhos ___________ ___________ ___________ Fauvista ___________ ___________ Pós-graduação em Gestão Escolar ___________ Impressionista Currículo +25 (SEE/SP) No Núcleo Pedagógico com o PCNP26 ___________ ___________

Modernista ____________ ____________ ___________ Teatro, show, discotecagem. Futurista Online – Conteúdo: Escola de Ensino Integral Curta Metragem ___________ ___________ Dadaísta ___________ ___________ ___________ ___________ Abstracionista ___________ ___________ ___________ ___________ Surrealista ___________ Pela SEE e pela

Escola particular

___________ Congresso de Arte Expressionista Cursos de Música.

Cursos oferecidos pela SEE/SP

___________ ___________ ___________

TOTAL

4

3

1

2

Fonte: Questionário: Elaboração própria

Em relação às atividades voltadas para a formação complementar, das quais os professores participaram, observa-se que dois deles não se fizeram presentes em nenhuma atividade de formação complementar, sendo eles os professores Dadaísta e Abstracionista. Por sua vez, o Modernista e Cubista citam atividades que envolvem o lazer e a ampliação do repertório cultural. Já os participantes Impressionista, Futurista, Surrealista e Expressionista mencionam a participação em atividades distintas, mas todas vinculadas à formação do professor por meio da SEE e a alguma outra instituição de Educação Superior como, no caso do professor Surrealista, que mencionou frequência a um Congresso de Arte.

25

Currículo+ é uma plataforma de busca que reúne objetos e recursos digitais (ODAS) para auxiliar o trabalho

docente e dar apoio ao desenvolvimento do trabalho com o Currículo nas diversas áreas do conhecimento. O curso sobre a plataforma foi oferecido pela SEE/ SP para que o professor aprendesse a utilizar esse recurso.

26

PCNP é o Professor Coordenador do Núcleo Pedagógico que atua junto à Diretoria de Ensino para auxiliar o trabalho dos professores da sua mesma área de atuação.

No que concerne à pergunta sobre as capacitações oferecidas pela SEE ao Professor de Arte, a seguir são apresentados os resultados.

Gráfico 4 - Capacitações Oferecidas pela SEE ao Professor de Arte

Fonte: Questionário: Elaboração própria.

De acordo com os dados, sete professores indicaram cursos à distância que versaram sobre conteúdos relacionados com a área de Arte.

Já o professor Dadaísta foi o único que não participou de qualquer uma das modalidades de capacitações, nem em EaD nem, tampouco, presenciais. Nesse sentido, vale ressaltar que esse participante esteve afastado das suas atividades por um período de Licença maternidade, o que, consequentemente, pode ter culminado com sua impossibilidade de participação, configurando assim em ausência nas capacitações e também resultando na sua carga horária básica, com 20 horas aulas semanais, conforme descrito no Quadro 4 apresentado no Método.

De acordo com Reyes, Bianchi e Silva (2011) a Educação a Distância (EaD) tem contribuído para que pessoas sem condições de frequentar o ensino presencial estudem, pois há uma maior flexibilidade para o horário, diferente dos cursos presenciais. Segundo os autores “As últimas décadas foram marcadas por grandes evoluções e inovações na área da educação, principalmente devido ao crescimento da internet e da comunicação” (REYES; BIANCHI; SILVA, 2011, p. 02). De acordo com os autores essa oportunidade de estudo tornou-se possível somente na década de 1.990 quando a internet chegou às universidades para ser usada para o ensino.

Nesse sentido as práticas de formação em EaD, oferecidas pela SEE por meio da Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Professores - EFAP são essenciais para a

0 1 2 3 4 5 6 7

Capacitações Presenciais Capacitações EAD

Participação dos professores de Arte em Capacitações Presenciais e em Ead

Cubista Fauvista Impressionista Modernista Abstracionista Surrealista Expressionista

formação continuada dos professores tendo em conta que cursos dessa natureza facilitam a participação dos professores nas formações oferecidas e/ou realizadas voluntariamente por eles, pois as atividades não presenciais permitem que o professor concilie o trabalho com os cursos, ainda que acumule cargo e disponha de ampla carga horária de aulas, o que não seria possível apenas na modalidade presencial.

No que se refere à disponibilidade dos participantes Fauvista, Modernista e Surrealista em frequentar capacitações presenciais, diferentemente dos demais participantes que estiveram ausentes delas, pode-se coligir que o participante Modernista, habilitado em 2004 em Artes Plásticas, não possui outras formações. Esse professor não tem escolha de ausentar- se das capacitações presenciais, tendo em conta que pertence à Escola de Tempo Integral, com aulas atribuídas na modalidade de projetos e oficinas, logo se exige esse tipo de participação presencial do docente para desenvolvimento do projeto.

Já o participante Surrealista e o Fauvista são formados respectivamente em 2007 e 2008 e ambos possuem formações complementares. O primeiro é habilitado em Artes Cênicas e tem Especialização em Educação Especial e o segundo, é habilitado em Artes Plásticas e possui pós-graduação em Gestão Escolar. Embora atuantes na rede regular, o perfil desses professores é de quem busca, por meios próprios, aprimorar os conhecimentos necessários para a atuação docente por meio de formações complementares à graduação.

Embora os três possuam formação relativamente recente, o participante Surrealista e o Fauvista parecem mais preocupados com a formação continuada do que o participante Modernista que, aparentemente, as frequenta por exigência do ofício.

Conforme referem os dados, a maior parte das capacitações oferecidas pela SEE ocorre por meio da EaD, o que leva a problematizações sobre esse tipo de formação e a visitar a opinião de alguns autores sobre essa natureza de formação docente.

Para Bezerra Neto e Bezerra (2010) a ênfase dada nos processos de EaD decorre da produtividade do ensino na qual é possível atingir muitos em pouco tempo e com custos menores. Segundo os autores, a abertura indiscriminada de Cursos em EaD, visando interesse do capital, tem contribuído para deteriorar a formação continuada no país. O fato de a EaD estar direcionada principalmente para os cursos de formação e, sobretudo às licenciaturas é outro agravante que, para os autores, pode explicar o baixo nível de capacitação dos professores, refletido na formação dos alunos, muitas vezes, concluem o ensino médio sem saber sequer interpretar um texto.

Para os autores, a despeito do grande crescimento dos cursos em EaD nos últimos anos, esses não satisfazem as necessidades de formação dos professores, nem na qualidade apresentada, que fica a desejar, assim como tampouco a equidade social prometida pela inclusão digital que, obstante o crescimento desses cursos não ocorre a contento.

Por isso mesmo, vários pesquisadores são favoráveis às formações e capacitações em EaD em Arte desde que elas tenham um caráter de hibridismo que mescle oportunidades de vivência com a prática e a teoria pois, como já comentado por Sampaio (2014), a Arte tem especificidades relacionadas à natureza das linguagens que a constituem e que precisam ser consideradas.

Numa abordagem educacional da arte on-line, não podemos nos esquecer de que, mesmo com todas as possibilidades, características e viabilizações técnicas interativas apresentadas e defendidas aqui como positivas para o uso em educação on-line, a arte de um povo é um de seus patrimônios culturais e que, apesar das possibilidades interessantes e inimagináveis antes do surgimento das TIC, os indivíduos exercem sua poética e sua criatividade nesses espaços e refletem, em suas ações e interações, sua cultura de origem, projetando, assim, dentro do todo global o único local, desprendendo-se, às vezes, do local, mas não completamente, e adicionando ao global traços de sua origem e cultura, de seu patrimônio.(SAMPAIO, 2014, p. 28)

Também Rosa (2004, 2006) é favorável à formação em Arte na modalidade EaD, pois acredita que esse tipo de formação amplia as oportunidades de acesso à Arte, embora não seja substitutiva da educação presencial e tampouco da fruição diante dos objetos artísticos no museu.

Propor a formação de professores de arte na modalidade em Educação a Distância (EaD) busca responder à necessidade de inclusão de professores na reflexão crítica do campo tecnológico e desta forma também a inclusão de seus alunos nestes processos. Acredita-se que a ampliação de oportunidades proposta por meio da EaD, num processo qualificado colabora para a democratização do acesso a formação. O espaço virtual possibilita o uso de imagens virtuais de vários museus do mundo inteiro, bem como, o acesso a uma diversidade de produções artísticas de várias realidades. A modalidade de EaD se constitui como ferramenta que possibilita uma ampliação da formação de professores, não substituindo a educação presencial, nem a fruição dos objetos artísticos nos museus de arte. (ROSA, 2006, p. 1)

A pesquisadora enfatiza que a EaD colabora para a democratização do acesso à formação, além de propiciar o acesso a imagens virtuais de vários museus do mundo inteiro e a uma diversidade de produções artísticas, contudo deixa claro que essa formação não

substitui a educação presencial. “A modalidade de EaD se constitui como ferramenta que possibilita uma ampliação da formação de professores, não substituindo a educação presencial, nem a fruição dos objetos artísticos nos museus de arte.” (ROSA, 2004, p. 2)

De acordo com Sampaio (2014) a EaD tem ganho significativa expressão numérica, mas não pode ser vista como substituta da Educação presencial. Sua função é aumentar o acesso ao conhecimento e constituir uma pratica significativa e relacionada aos princípios dos projetos pedagógicos contemporâneos.

Conforme a pesquisadora, as propostas de EaD em Artes Visuais para formação de professores reproduzem os currículos e formações presenciais de modo virtualizado e acabam subutilizando os recursos e vantagens da EaD. Para a autora é preciso ter clara a diferença entre formação inicial e formação continuada. A formação inicial é feita em nível superior numa das quatro linguagens artísticas: Música, Dança, Teatro (Artes Cênicas) e Artes Visuais e a continuada, após a conclusão dessa formação, para aprimorar conhecimentos. Assim compreende o ensino por EaD em Arte algo possível e desejável que ocorra na mesma medida das outras áreas do conhecimento, desde que mescle a prática e a teoria.

Vejo a Formação de Professores de Arte, independente do suporte onde seja feita, como o caminho para que os profissionais do Ensino de Arte venham a se tornar profissionais conscientes, reflexivos, ativos e atuantes, não somente em relação ao domínio de conteúdos e práticas em arte, embora sejam pontos importantíssimos, mas sim, e principalmente, a formação é a oportunidade de que os professores de arte se transformem em seres políticos. (SAMPAIO, 2014, p. 263)

A autora acredita numa interação entre os processos de EaD e a transdisciplinaridade para constituição de processos de ensino e aprendizagem em arte que ocorram, se não totalmente a distância mas, prioritariamente, a distância, desde que se considere que a natureza do conhecimento artístico não cabe em metodologias rígidas e científicas, que funcionam em outras áreas do conhecimento, mas que “O conhecimento em arte tem especificidades que devem ser consideradas na EaD em arte”. (SAMPAIO, 2014, p. 265) Para Scavazza e Sprenger (2009) “Como qualquer profissão, a docência pressupõe uma formação inicial de qualidade que não prescinde de formação continuada permanente e em serviço igualmente qualificada.” (SCAVAZZA; SPRENGER, 2009, p.263) As autoras consideram os professores como peças fundamentais do processo educativo e, portanto acreditam que sejam necessárias ações de formação continuada desses profissionais. De

acordo com elas essas formações serão bem sucedidas na medida em que abranjam a totalidade dos educadores de um sistema, seja ele da equipe escolar ou uma rede de ensino, considerem o contexto dos educadores e os auxiliem na transformação da prática docente em sala de aula, transformando-os em formadores e aprendizes para que repliquem os conhecimentos e suas práticas por meio de um acervo em EaD, oriundos da gestão de processos de formação continuada em serviço. Consideram fundamental que práticas exitosas de formação continuada de professores sejam divulgadas para o desenvolvimento de novas experiências.

Sobre os cursos de formação em EaD oferecidos pela SEE dos quais os professores de Arte participaram, seguem os resultados. Na apresentação dos mesmos foram listados alguns nomes de cursos de que a pesquisadora tem conhecimento que ocorreram pela EFAP contemplando os docentes de Arte. O Curso Oficinas Virtuais do Currículo + foi o de maior frequência pelos professores, tendo uma participação de cinco deles, seguido do curso Tão

Perto Tão longe II – Entrelaces com o Currículo de Arte realizado numa parceria Fundação

Bienal e SEE/SP e com uma participação de outros três docentes. Além desses dois cursos, houve ainda a participação em outros: Introdução à Libras online, Programa Práticas de

Leitura e Escrita na Contemporaneidade, Especialização para Docentes em Arte – UNESP/ REDEFOR, sendo que cada um desses contou com a participação de um professor.

O participante com maior número de capacitações foi o Impressionista, tendo cursado três das sete listadas no questionário, sendo elas: Tão Perto Tão longe II- Entrelaces com o

Currículo de Arte, Oficinas Virtuais – Currículo + e Programa Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade. Vale observar que os professores Fauvista e Dadaísta não

participaram de nenhuma dessas capacitações ofertadas pela SEE- SP.

Embora tenha sido oferecido o curso REDEFOR27- Educação Especial e Inclusiva e o curso Currículo e Prática Docente nenhum dos professores participou deles.

A despeito de qualquer apoio dado ao professor nessas formações, e do tipo de capacitação recebida, os resultados evidenciam que a maioria dos educadores tem se esforçado e tentado fazer alguma coisa para potencializar sua atuação docente.

.

27

O programa Rede São Paulo de Formação Docente (Redefor) é um convênio estabelecido entre a Secretaria Estadual da Educação de São Paulo (SEE/SP) e as Universidades Estaduais de São Paulo: UNESP, UNICAMP e USP com a finalidade de realizar a formação continuada dos professores por meio de cursos de especialização, em nível de pós-graduação, na modalidade a distância e com encontros presenciais. Para saber mais acesse: http://edutec.unesp.br/redefor.html

No Gráfico a seguir estão sintetizados os dados relativos à participação em capacitações em EaD. Sendo assim, o gráfico 5 é um desdobramento das capacitações em EaD apresentadas no gráfico 4.

Gráfico 5 - Participação em capacitações em EaD oferecidas pela Secretaria Estadual da Educação

Fonte: Questionário: Elaboração própria

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 UNESP/ Redefor Tão Perto tão longe II Currículo e Prat. Docente Oficinas Virtuais Práticas Leitura e Escrita Libras Online Redefor - Ed. Especial Outros

Benzer Belgeler