Dessa maneira, o professor tem o importante papel de fazer com que seu aluno pense criticamente sobre a Arte e reflita sobre as produções de diferentes épocas. Isso fica evidente em Porcher (1982) quando afirma que, por ocasião da industrialização, a feiura e o mau gosto passaram a fazer parte de nossas vidas e que ao invés de tornarmos os indivíduos sensíveis às belas obras de Arte, primeiramente deveríamos sensibilizá-los para a feiura que tem feito parte do ambiente. Segundo o autor, se os indivíduos fossem mais bem educados para a sensibilidade do ambiente não aceitariam qualquer tipo de destruição da sociedade e da natureza.
Nesse sentido Duarte Junior (1983) considera que o contato com as produções artísticas humaniza e sensibiliza, pois mediante uma experiência estética há identificação com as desigualdades e as injustiças.
Quando, no cinema, sinto as emoções do alpinista, quando, no teatro, sinto o drama do preso político, quando frente às telas de Portinari, sinto a tragédia dos retirantes, descubro meus sentimentos frente às situações (ainda) não vividas por mim, que não me são acessíveis em meu dia-a-dia. Assim, a arte pode possibilitar o acesso dos meus sentimentos a situações distantes do nosso cotidiano, forjando em nós as bases para que se possa compreendê-las. (DUARTE JUNIOR, 1983, p. 68, grifos do autor)
Duarte Junior (1983) refere-se, nesse excerto, a conhecer e experimentar coisas para além da nossa cotidianidade o que, na opinião dele, torna possível compreender as experiências vividas por outros homens de diferentes culturas e aprender a respeitá-las a partir do conhecimento que sensibiliza pela experiência estética.
Para Eisner (2008) cabe ao professor, ajudar o estudante a aprender a perguntar não só o que alguém está dizendo, mas, como está dizendo, ou seja, como construiu um argumento, uma partitura, uma imagem virtual, enfim uma obra. Para o autor as atividades do currículo podem chamar a atenção para tais questões, refinando a percepção em cada uma das linguagens da Arte ensinadas. Isso, segundo o autor requer mais atividades para abrandar a percepção do que para acelerar.
Assim, depreende-se que o autor fala sobre a necessidade de desacelerar os sentidos para compreender pormenores, de amainá-los em relação à percepção artística que se constitui na percepção daquilo que não é evidente, mas que muitas vezes está subentendido, ainda que subliminarmente, por meio do código proposto na obra de Arte ou em qualquer outra forma de linguagem e comunicação. Aquilo que por alguma razão disseram-no, embora não diretamente e nem de modo explícito.
Posto isto, resta reafirmar a importância de consumir Arte para poder produzir Arte e recomendar o consumo dela.
Em relação à natureza dos eventos preferidos e das atividades de lazer vivenciadas pelos professores os resultados estão apresentados a seguir:
Gráfico 3 – Eventos preferidos citados e as atividades de lazer praticadas pelos professores de Arte
Dentre os eventos manifestos pelos participantes como sendo preferidos, os mais citados foram: a Música com oito referências, à exceção do participante Futurista, seguida das exposições de Arte, Teatro, Dança, Cinema, Grupos de História em Quadrinhos (HQ) e Palestras de Arte, que foram mencionados uma vez pelo professor Cubista.
Analisando o conjunto é possível perceber que, dentre os eventos preferidos, os predominantes compreendem as linguagens da Música, das Artes Visuais, do Teatro, seguidas da Dança. Sendo assim, a maioria dos professores menciona vivências culturais que permitem a ampliação do repertório relacionado às quatro linguagens da Arte. Destaca-se que o HQ e o Cinema aproximam-se das Artes Visuais e foram consideradas, portanto, como pertencentes a essa linguagem.
Dentre os professores participantes, o que elencou mais eventos da preferência foi o Cubista, que referiu cinco eventos preferidos: Exposições, Música, Dança, Grupos de HQ e Palestras sobre Arte.
Percebeu-se que não há um padrão, pois embora a música seja referida pela maioria, as preferências referem à individualidade, subjetividade e o repertório cultural de cada um dos participantes.
Em relação às principais diversões e atividades de lazer frequentadas pelos participantes foram citadas, preferencialmente, Música e Cinema, destacados por quatro professores, seguida de viagens, Teatro e Eventos Sociais. E finalmente, Família, Criação de HQ, Esporte, Artesanato, Apresentação de Arte e Exposição, que receberam uma citação cada um.
A partir das respostas pode-se notar que o lazer dos professores envolve, principalmente, participação em atividades relacionadas à Arte na condição de espectadores, como também como produtores como no caso da criação de HQ e do Artesanato, embora dois desses participantes tenham apontado anteriormente que não tinham por hábito frequentar eventos artísticos.
Demonstra também que, embora algumas atividades sejam preferidas, não são necessariamente praticadas e vice-versa, como ocorre, por exemplo, com a dança citada na preferência, mas não no lazer vivido. E também com apresentação de Arte, artesanato, esportes, família, eventos sociais e viagens, todos citados como lazeres praticados, mas não como preferidos. Para melhor visualização foram destacadas no gráfico, em colorido, as respostas coincidentes pelos participantes no que se refere à preferência e à prática, sendo: Música, Exposições, Teatro, Cinema e HQ.
A resposta ratifica que as diversões e lazer elencados por eles demonstram proximidade com a área de Arte, proximidade essa que Martins et al. (2009) considera importante quando afirma que as experiências direcionam a forma de poetizar, fruir e conhecer Arte, tanto em professores quanto nos alunos.
A citada autora destaca também que esses professores carecem de vivências artísticas para ampliar seus repertórios porque toda linguagem artística é um modo singular do homem refletir sua relação com o mundo, uma relação íntima, na qual o sentimento não está dissociado da razão.
Sobre a necessidade de conhecer e pesquisar sobre Arte, Costa (2004) comenta que, independente da área, ocorrerá contato com a Arte em algum momento, pois ela faz parte da vida e não se restringe mais a determinados espaços ou a certas pessoas, o que, para o autor, torna oportuno e urgente o estudo das questões de Arte.
Em relação à formação inicial, no Quadro 6 são apresentados excertos das respostas dos participantes.
Quadro 6 - Considerações sobre a formação recebida na Graduação
Participantes Avaliação Justificativa
Positiva Negativa
Cubista X Considero que tive uma boa formação.
Fauvista X A universidade tem excelentes profissionais e fora isso sempre tive bom desempenho na área desde criança. Impressionista X Foi um curso muito bom e prático nas atividades. Mas
com a nossa evolução muita coisa mudou. Modernista X Aulas práticas em teatro, escultura e pintura.
Futurista X A minha formação como artista foi muito boa, tive
oportunidade de conhecer várias técnicas a fundo e hoje falo de todos com muita propriedade, porém como professora não.
Dadaísta X Foi uma formação que hoje vejo que me faz falta que
é o teatro.
Abstracionista X Sim, mas a aprendizagem é contínua.
Surrealista X Sim, pois minha graduação não esteve só em teoria,