• Sonuç bulunamadı

q 21:Mükemmel işletmeler müşterilerin çıkarları ile candan (U m

2.3.3. SERVPERF Tekniğ

Para melhor compreendermos a importância da apresentação corporal no estabelecimento de relações sociais, vale lembrar que o corpo é, também, locus comunicacional, o que se realiza por duas vias: a linguagem/gestualidade e a forma, que, como coloca Featherstone (1993, p.55), é culturalmente codificada para operar como um indica-

dor de poder social e prestígio. Aqui cabe, mais uma vez, referir

Bourdieu, que aponta para a linguagem corporal como marcadora de distinção social. O consumo alimentar, cultural e a forma de apre- sentação (incluindo o consumo de vestuário, artigos de beleza, hi- giene e de cuidados e manipulação do corpo) são, segundo o autor, as três mais importantes maneiras de distinguir-se.

O corpo é a mais irrecusável objetivação do gosto de classe, que se manifesta de diversas maneiras. Em primeiro lugar, no que tem de mais natural em aparência, isto é, nas dimensões (volume, estatura, peso) e nas formas (redondas ou quadradas, rígidas e flexíveis, retas ou curvas, etc.) de sua conformação visível, mas que expressa de mil maneiras toda uma relação com o corpo, isto é, toda uma maneira de tratar o corpo, de cuidá-lo, de nutri-lo, de mantê-lo, que é reveladora das disposições mais profundas do habitus... (Bourdieu, 2007, p.179)

O espaço de centralidade ocupado pelo corpo no mundo moder- no foi discutido em nossa tese de doutorado (Castro, 2007) que to-

mou o culto ao corpo4 como forte tendência de comportamento e uma

das dimensões dos estilos de vida construídos nas sociedades con- temporâneas. A frequência à academia de ginástica foi percebida como uma das dimensões do estilo de vida e forma de sociabilidade para os indivíduos. O trabalho apontou que a prática do culto ao cor- po constitui-se como forma de consumo cultural e atravessa todas os setores, classes sociais e faixas etárias, apoiada em um discurso que ora lança mão da questão estética e ora da preocupação com a saúde. Partimos do pressuposto de que o corpo é expressão da socieda- de e dos modos de vida cotidianos. Os hábitos adotados sobre o cor- po, os padrões que definem sua normalidade e aceitação são a repre- sentação da organização social na qual ele está inserido, levando a crer que a relação corpo e sociedade é de fundamental importância. A despeito desta importância, o corpo, durante muito tempo, foi negligenciado, como objeto de discussão, no interior das ciências sociais.5 Ainda assim, podemos pinçar alguns marcos teóricos im-

portantes no esforço de problematizar a questão, desde o clássico ensaio de Marcel Mauss (2003, p.401) sobre as técnicas corporais, por ele definidas como “as maneiras como os homens, sociedade por sociedade e de maneira tradicional, sabem servir-se de seu corpo”. Neste pioneiro trabalho, Mauss chama atenção para a compreensão das práticas corporais e suas origens e implicações sociais, apontan- do para o corpo como o arcabouço simbólico da sociedade, signo maior das representações coletivas.

O corpo é também objeto central na análise de Mary Douglas (1976), que demonstra a evidência do simbolismo social no corpo

4 Culto ao corpo é entendido como toda forma de cuidado com a apresentação corporal que busque a aproximação do padrão de beleza estabelecido social- mente, envolvendo não só a prática de atividade física, mas o consumo de cos- méticos, alimentos da linha light e moda.

5 A este respeito, vale consultar Turner (1989). Neste trabalho, o autor relaciona a ausência de reflexões sobre o corpo com a resistência das ciências sociais a explicações de cunho biologizante, como parte da reação ao positivismo que imperava como paradigma dominante.

humano. Segundo a autora (1976, p.143), os rituais públicos sobre o corpo por ela estudados evidenciam interesses coletivos, e não pes- soais, pois se o corpo é próprio do indivíduo que participa do ritual, “o que está sendo gravado na carne humana é a imagem da socieda- de”. Haveria uma espécie de estoque de símbolos criados socialmen- te, que aparecem nos rituais, que, por sua vez, representam as for- mas de relações sociais, o que permite aos indivíduos a compreensão de sua própria sociedade.

Um outro marco importante encontra-se na obra de Michel Foucault, que ao cunhar o conceito de biopoder – definido como uma tecnologia disciplinadora que visa ao controle utilitarista do corpo, buscando maximizar seus esforços e reduzi-lo à dimensão da econo- mia política – revela que as tecnologias disciplinares tinham no cor- po o foco do poder, tendo como principal finalidade o adestramento e a docilização dos indivíduos para extrair dos mesmos as forças ne- cessárias aos interesses do capital.

Vale ressaltar que a preocupação com a aparência está ligada à cisão, própria da modernidade, entre o ser e o parecer. A preocu- pação com o corpo e a construção da aparência, cresce em impor- tância na mesma medida em que a preocupação com a construção da identidade torna-se tarefa crucial dos indivíduos. Diferentemen- te de outros momentos históricos, as sociedades modernas impõem aos indivíduos a necessidade de definirem suas identidades, não mais predeterminadas pela tradição e pelo costume. Como aponta Giddens (1997), em uma sociedade em constante mudança, o in- divíduo deve repensar-se e redefinir sua identidade cada vez mais frequentemente.

Segundo Anthony Giddens, no contexto da modernidade, o self – entendido como autoidentidade – é produto de um projeto reflexi- vo, sendo o indivíduo o principal responsável por ele. Nesta pers- pectiva, a reflexividade joga importante influência sobre a dinâmica da vida moderna, uma vez que “diz respeito à possibilidade de a maioria dos aspectos da atividade social, e das relações materiais com a natureza, serem revistos radicalmente à luz de novas informações ou conhecimentos” (Giddens, 1997, p.18).

Percebe-se, claramente, um esforço do autor de pôr em relevo a efemeridade e multiplicidade de espaços e instituições que marcam a condição moderna, situando o indivíduo como ser atuante neste processo. Diante da multiplicidade e segmentação de cenários que constituem a vida social, os estilos de vida configuram-se em espa- ços, ou ambientes de ação específicos, denominados pelo autor de “setores de estilo de vida. Em parte devido à existência de múltiplos ambientes de ação, as escolhas e atividades de estilo de vida tendem com grande frequência a ser segmentárias para o indivíduo: os mo- dos de ação seguidos num contexto poderão variar mais ou menos substancialmente em relação aos adotados em outros contextos” (Giddens, 1997, p.17).

O constante processo de redefinição do self implica a construção de um estilo de vida, no qual o corpo assume papel central: os regi- mes do corpo, como dietas e fitness, na modernidade tardia, tornam- -se abertos a uma contínua atenção reflexiva sobre o pano de fundo da pluralidade de escolha.

Assim, o estilo construído pelos indivíduos possibilita o contra- ponto ou o equilíbrio entre a coletividade da moda e a personalidade individual, garantindo a possibilidade de cada um identificar-se com os outros e ser único. Tal possibilidade de construção de estilos é dada pelo consumo, importante espaço de definição de identidades nas sociedades contemporâneas.

Referências bibliográficas

ANTONIO, A. T. de. Corpo e estética: um estudo antropológico da ci- rurgia plástica. Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em antropologia social, IFCH/Unicamp, 2008. BAUDRILLARD, J. Sociedade de consumo. Lisboa: Edições 70, 1985. BOCOCK, R., THOMPSON, K. Social and cultural forms of modernity. Cambridge/Oxford, Polity Press/Basil Blackwell/ The Open University, 1993.

BOURDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. São Paulo. Ed. Pers- pectiva. 1982.

. La distinción: critérios y bases sociales del gusto. Madrid, Taurus, 1988.

BUENO, M. L., CASTRO, A. L. (Orgs.). Corpo: território da cultu- ra. São Paulo, Annablume, 2005.

BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identida- de. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2003.

CAMPBELL, C. A ética romântica e o espírito do consumismo moderno. Rio de Janeiro, Rocco, 2001.

CASTRO, A. L. Culto ao corpo, modernidade e mídia. Lecturas: educación fisica y desportes, año 3, nº 9, Buenos Aires, marzo 1998. . Culto ao corpo e sociedade: mídia, cultura de consumo e esti- los de vida. 2.ed. São Paulo, Annablume/Fapesp, 2007.

COSTA, S., DINIZ, D. Bioética: ensaios. Brasília: Letras Livres, 2001. COUTO, E. S., GOELLNER, S. V. (Org.). Corpos mutantes: ensaios sobre novas (d) eficiências corporais. Porto Alegre: Ed. UFRGS. 2007.

CRANE, D. A moda e seu papel social: classe social, gênero e identida- de das roupas. São Paulo, Ed. Senac, 2006.

DEBERT, G. G. Políticas do corpo e o curso da vida. São Paulo, Sumaré, 2000.

DE CERTEAU, M. A invenção do cotidiano: artes de fazer, v.1, Petró- polis, Vozes, 1994.

DOUGLAS, M. Pureza e perigo. São Paulo, Perspectiva, 1976. ., ISHERWOOD, B. El mundo de los bienes: hacia una antropo- logia del consumo. México, Editorial Grijalbo, 1990.

EDMONDS, A. No universo da beleza: notas de campo sobre cirurgia plástica no Rio de Janeiro. In: GOLDENBERG, M. (Org.) Nu e

vestido: dez antropólogos revelam a cultura do corpo carioca. Rio de

Janeiro, Record, 2002.

ENTWISTLE, J. The fashioned body: fashion, dress and modern so- cial theory. Oxford, Polity Press, 2000.

., WILSON, E. (eds.). Body dressing. New York/Oxford, Berg Ed., 2001.

FEATHERSTONE, M. Cultura de consumo e pós-modernismo. São Paulo, Studio Nobel, 1995.

. O curso da vida: corpo, cultura e imagens do processo de en- velhecimento. In: DEBERT, G. G. Antropologia e velhice: textos didáticos IFCH/Unicamp, março de 1993.

FEATHERSTONE, M. The body: social process and cultural theory. London, Sage, 1992.

FOUCAULT, M. O cuidado de si. In: História da sexualidade. Rio de Janeiro, Graal, 1985, v.3.

. Microfísica do poder. Rio de Janeiro, Graal, 1979.

GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro, Zahar Edi- tores, 1978.

GEORGE, M. Identidades passadas, presentes e emergentes: requisi- tos para etnografias sobre a modernidade no final do século XX ao nível mundial. São Paulo, Revista de Antropologia, USP, 34, 1991, p.197-221.

GIDDENS, A. Modernidade e identidade pessoal. Oeiras/Portugal: Celta Editora, 1997.

HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: Ed. DP&A, 2000.

HARAWAY, D. Um manifesto para os cyborgs: ciência, tecnologia e feminismo na década de 80. In: HOLANDA, H. B. de (Org.) Ten-

dências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Ja-

neiro: Rocco, 1994.

HOLANDA, H. B. de (Org.). Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

JAMESON, F. Pós-modernismo e Sociedade de Consumo. Novos Es-

tudos Cebrap, (12), 1985.

LE BRETON, D. Adeus ao corpo: antropologia e sociedade. São Paulo: Papirus, 2008.

LIPOVETSKY, G. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Cia. das Letras, 1999.

LOWY, I. L´Emprise du genre. Paris: La Dispute, 2003.

MACCRAKEN, G. Cultura e consumo. Novas abordagens ao caráter

simbólico dos bens e das atividades de consumo. Rio de Janeiro: Mauad,

2003.

MAGNANI, J. G. C. Tribos urbanas: metáfora ou categoria. In: Ca-

dernos de campo. PG/Antropologia, FFLCH/USP, São Paulo, 2(2),

p.48-51, 1992.

MAUSS, M. As técnicas do corpo. In: Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2003.

MIRA, M. C. O global e o local: mídia, identidades e usos da cultura.

ORTIZ, R. Mundialização e cultura. São Paulo, Brasiliense, 1994. PISCITELLI, A., GREGORI, F., CARRARA, S. (Orgs.) Sexualida-

de e saberes: convenções e fronteiras. Rio de Janeiro: Garamond,

2004.

ROCHE, D. A cultura das aparências. São Paulo: Ed. Senac, 2007. SANT’ANNA, D. B. (Org.). Políticas do corpo. São Paulo: Estação

Liberdade, 1995.

. De. Corpos de passagem: estudos sobre a subjetividade con- temporânea. São Paulo: Estação Liberdade, 2001.

SCHPUN, M. R. Beleza em jogo: cultura física e comportamento em São Paulo nos anos 20. São Paulo: Ed. Senac/Boitempo Editorial, 1999.

SEVCENKO, N. Orfeu extático na metrópole: São Paulo, sociedade e cultura nos frementes anos 20. São Paulo: Cia das letras, 1992. SIMMEL, G. “La mode”. Philosophie de la modernité. La femme, la

ville, l’individualisme. Paris: Payot, 1999.

SOUZA, G. de M. O espírito das roupas. São Paulo: Cia das Letras, 1987.

TOLEDO, L. S. Corpo, estética e cirurgia plástica. In: DANTAS, E. (Org.). Pensando o corpo e o movimento. Rio de Janeiro: Shape, 1994. TURNER, V. The anthropology of performance. New York: PAJ

Publications, 1988.

VEBLEN, T. A teoria da classe ociosa: um estudo econômico das insti- tuições. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Col. Os economistas). WAIZBORT, L. As aventuras de Georg Simmel. São Paulo: Editora 34,