ULAŞIM SEKTÖRÜ VE TERMİNALLER 3.1 Ulaştırma Sektörüne Genel Bir Bakış
3.2. Karayolu Ulaştırma Hizmetler
3.2.5. Karayolu Yolcu Taşımacılığı
DRAG
QUEENS, TRANSEXUAIS:
MONTANDO
CORPO, PESSOA,
IDENTIDADE
E
GÊNERO
Juliana Gonzaga Jayme1
1 Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais/PUC-MG. 2 Travestis, transformistas, drag queens e transexuais são diferentes e fazem ques-
tão de se diferenciar uma em relação à outra. O termo “universo trans” possibi- lita englobar as diferentes autoclassificações dessas pessoas sem “achatá-las” em uma única identidade. “Além das travestis, transexuais e transformistas há uma verdadeira miríade de tipos que poderiam ser listados na categoria univer- so trans” (Benedetti, 2005, p.19). Quando realizei a pesquisa empírica em Lis- boa, uma informante, Jô Bernardo, usava transgender (em inglês) como um ter- mo que englobava todas as categorias, mas mantendo a ideia das diferenças entre elas. Hoje transgênero é largamente utilizado no Brasil, mas não exata- mente com esse sentido. É comum, por exemplo, a diferenciação entre transgêneros e transexuais. Por fim, mas não menos importante, como será dis- cutido ainda neste paper, ainda que enfatizando as diferenças, em certos mo- mentos travestis, transformistas, drag queens e transexuais se unem em uma identidade trans frente aos não trans. Como este artigo foi escrito a partir da-
Introdução
Este artigo busca discutir a construção das identidades cultu- rais e as relações de gênero na sociedade contemporânea a partir de uma etnografia entre travestis, transformistas, drag queens e tran- sexuais – que vou chamar aqui, com Benedetti (2005) de “univer- so trans”, mas também de transgênero2 –, realizada em Belo Hori-
zonte e Lisboa.3 Como se sabe, a etnografia envolve a observação,
conversas informais e entrevistas. Utilizei essas técnicas nas duas cidades. Em Belo Horizonte, a pesquisa de campo foi feita entre 1997 e 1998, com um retorno, no final de 1999, para controle. Em Lisboa, a pesquisa foi realizada entre maio e outubro de 1999. Creio que é se não impossível pelo menos muito difícil fazer etnografia sem pensar nas questões que envolvem a relação entre o sujeito pes- quisador e os sujeitos pesquisados e, daí, suas implicações políti- cas e metodológicas, que, se não se dão apenas no texto, podem, ou devem, ser nele reveladas. Assim, este texto resulta de encontros intensos e de interpretações sobre o que me foi dito – com palavras ou não – e a escrita expressa esse convívio.
Por meio de uma ação que denominam montagem, travestis, trans- formistas, drag queens e transexuais reconstroem gêneros, revelan- do que essa categoria não possui uma estrutura binária, antes, refe- re-se a multiplicidades. Também via montagem modificam corpo e nome, demonstrando a transitoriedade da pessoa e indicando que sua ação é incorporada, visto que mimetizada e aprendida por meio do corpo e nele observada.
A ideia de uma identidade única e permanente vem se perdendo. Travestis, transformistas, drag queens e transexuais são emblemáti- cos para refletir sobre essa questão, já que apesar de desejarem de- monstrar que são diferentes entre si, também se aproximam no que se refere à intervenção corporal e aos efeitos dessa intervenção na re- definição de gênero. Essa ação redefinidora de masculinidade e de feminilidade enfatiza uma interpretação de gênero como cultural e processual. A noção de incorporação é de grande valia para pensar toda essa ação. Ao construir sua identidade – interferindo no próprio corpo – essas pessoas mostram que o corpo é, ele próprio, um meio de expressão. A alteridade provocada por elas é percebida por seu corpo que transmite um significado, mas também expressa a performance.
quela pesquisa, uso também o termo transgênero e da forma como foi pensado naquela época (Jayme, 2001).
As “marcas” no corpo de travestis, transformistas, transexuais e drag
queens podem ser vistas como um código que tanto as une, como as
separa, pois, por meio dessa interferência corporal a um só tempo elas revelam as diferenças entre si e podem se unir em uma identidade frente àqueles que não fazem parte desse universo trans.
Antes de prosseguir a discussão, é importante explicitar – na de- finição êmica – o que são travestis, transformistas, transexuais e drag
queens. As travestis4 dizem que são “mulheres” dia e noite, pois in-
terferem no corpo por meio de roupas, maquiagem, cabelo e trejei- tos femininos e por meio de medicamentos (hormônios femininos) e silicone em partes do corpo. No entanto, afirmam que não desejam fazer a cirurgia de transgenitalização,5 querem manter o órgão se-
xual masculino.
A diferença entre as transexuais e as travestis, é que as primeiras afirmam que “nasceram com o corpo errado”. Seriam “mulheres presas em um corpo de homem”.6 O órgão sexual é visto como um
apêndice, portanto, algo que deve ser retirado. Assim, a transexual é aquela que fez (ou deseja fazer) a cirurgia de transgenitalização.
Para as transformistas, o tempo define o masculino e o feminino. Dizem: “eu sou homem de dia e mulher de noite”. O corpo é modi- ficado com maquiagem, roupa, espuma para fazer seios e ancas. Diante de uma transformista montada não é possível saber se se tra- ta de homem, mulher, travesti ou transexual. A transformação pre- tende ocultar inteiramente o masculino.
A diferença entre transformistas e drag queens refere-se ao fato de que essas últimas não têm a preocupação das transformistas em
4 Em Portugal, diferentemente do Brasil, o termo travesti serve para designar pessoas que se vestem com roupas do sexo oposto, mas que não transformam o corpo com hormônios, silicone etc. Seria o que no Brasil é chamado transformista.
5 “A operação consiste em remover o conteúdo do pênis e dos testículos, usando a pele que sobra para criar a vagina e os grandes lábios” (Rito, 1998, p.177). 6 Esta não é só uma visão êmica. Os médicos, em geral, concordam com essa
definição do transexual. É comum também usarem “… mulheres, presas em um corpo masculino...” (Stoller, 1982, p.73).
“parecer mulher”. A maquiagem é carregada, a roupa exagerada, com altas plataformas, cabelos coloridos etc.