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ekil 4.2.1.6. Aracın marka durumu (yerli / yabancı)

4.2.2. Servis Memnuniyetinin De

Segundo Bianca Freire-Medeiros:

A atividade turística dispõe-se em imbricação com vários setores – econômico, social, ambiental, político e cultural -, porém há muito os cientistas sociais privilegiam o tema da aculturação e das dinâmicas de recepção (2007: 61).

Reflexões sobre a experiência turística como prática de lazer e as intencionalidades e responsabilidades das instituições que facilitam o seu acesso são sintomaticamente escassas (Freire-Medeiros, 2007). Carlos Henrique Porto Falcão enfatiza que o turismo não deve estar mais unicamente relacionado aos visitantes, mas também aos anfitriões, que devem ter tanto acesso aos benefícios do turismo como aos recursos turísticos (2006). Aliás, o direito à experiência turística é um dos princípios fundamentais enunciados na Carta de Viena44. No entanto, a maioria da população não tem acesso à malha urbana de espaços de lazer da cidade onde vive, nomeada relativamente por alguns teóricos de “experiência turística urbana” (Gastal e Moesch, 2007). Uma pesquisa realizada dentro do planejamento de implantação do projeto

44 A Carta de Viena é um dos principais documentos norteadores da principal organização

política envolvendo o turismo social, a Organização Internacional de Turismo Social (OITS). Darei maiores detalhes sobre a Carta nos capítulos seguintes.

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Carioquinha45 mostrou que grande parte dos cariocas não conhecia os principais cartões-postais e atrativos turísticos da cidade – o que é um paradoxo, pois o atrativo turístico deveria ser pensado, antes de qualquer coisa, como um equipamento de lazer para seus moradores.

Investigação recente coordenada por Fábio de Faria Peres e Victor Andrade de Melo mostra que na cidade do Rio de Janeiro o desequilíbrio espacial na distribuição dos equipamentos culturais – incluindo-se os bens culturais, lugares de memória e atrativos turísticos ou todos estes imbricados num mesmo espaço – é bastante significativo. Ao justificarem a relevância dos dados obtidos, os pesquisadores colocam que “[...] tentar desvendar a que lógica essa distribuição se submete é uma estratégia para mapearmos, literalmente, a relação entre as diferenças de acesso aos patrimônios culturais e os desequilíbrios socioeconômicos” (2009: 13).

De maneira ainda mais profunda, o próprio “direito à paisagem” também é algo sujeito às disponibilidades ou indisponibilidades de classe. Segundo um estudo conduzido por Zenaide Mariano (2009), há uma distribuição muitíssimo desequilibrada das áreas verdes de lazer na cidade do Rio de Janeiro. Isso significa que o consumo simbólico da natureza enquanto paisagem, tal como acontece com uma série de manifestações culturais, reforça e reproduz um quadro geral de desigualdade. Neste contexto, constata-se que não basta levar

45 Projeto patrocinado pela prefeitura do Rio que surgiu com o objetivo de proporcionar aos

cariocas descontos e programações especiais oferecidas por pontos e serviços turísticos da cidade (2007).

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os cidadãos aos equipamentos culturais localizados nas áreas privilegiadas, sem lançar o questionamento sobre a restrição de distribuição.

Nas palavras de Robert Ezra Park, um dos principais pensadores da Escola de Chicago: “[..] em sociedade vivemos não apenas juntos, mas ao mesmo tempo vivemos separados, e as relações humanas sempre podem ser consideradas, com maior ou menor precisão, em termos de distância” (1925: 4). Passados tantos anos desde o diagnóstico de Park inspirado pela realidade de Chicago, ainda cabe perguntar, para o caso brasileiro: será que as ações envolvendo o turismo social têm conseguido minimizar nossa realidade de má distribuição, diminuindo principalmente o distanciamento social colocado por Park? Será este o real intuito destas ações?

Em minha dissertação de Mestrado, realizei uma análise crítica do projeto Turismo Jovem Cidadão (TJC), iniciativa do Sesc do Rio de Janeiro, que intentou, durante aproximadamente 6 anos, proporcionar, a jovens identificados como “de comunidades de baixa renda”, visitas a pontos turísticos e equipamentos de lazer e cultura da cidade.

O objetivo central do TJC, presente no cerne da proposta à qual tive acesso, era o de “incentivar a prática de visitas e passeios na cidade onde os jovens moram”. Para tal desígnio, apresentara as seguintes etapas: jovens selecionados de comunidades atendidas pelas unidades do Sesc participavam das visitas temáticas pela cidade por meio de passeios e excursões, sempre acompanhados de guias, professores e técnicos da instituição; durante as visitas eram agregadas apresentações artísticas (esquetes) e dinâmicas

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informativas sobre a formação acadêmica e as principais funções dos trabalhadores envolvidos com o TJC; além disso, os jovens eram munidos de câmera fotográfica para registrarem suas experiências, sensações e momentos marcantes; posteriormente com esse material, eram montadas oficinas e a exposição que encerrava o projeto, ocasião em que alguns deles eram convidados para serem monitores (Cheibub, 2009).

Diante dos vários motes desenvolvidos na pesquisa, concluí que os jovens beneficiados pelo TJC não conseguiram efetivamente ampliar suas possibilidades de lazer após a experiência. Os dados analisados qualitativamente, considerando os marcos teóricos do estudo e as categorias de análise, me levaram a constatar que, pela maneira como o TJC foi desenvolvido - com vários afazeres, obrigações, ditames, regras de como se comportar nos ambientes – os jovens identificaram como a maior contribuição do projeto a ampliação do horizonte profissional e não exatamente a formação cultural, o que no caso deles, significava manter suas restritas opções de lazer (Cheibub, 2009). No decorrer do estudo, pude perceber que os profissionais envolvidos direta ou indiretamente com o TJC apresentavam uma visão restrita de lazer e de turismo. Entendiam o lazer estritamente como sinônimo de atividades físicas, geralmente coletivas e ocorrendo ao ar livre. Já a experiência turística era compreendida como uma ferramenta pedagógica, enxergada unicamente por este prisma: como meio para apresentar outros

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conteúdos, e não como uma possiblidade de lazer e busca de prazer dos jovens 46.

Victor Andrade de Melo - em entrevista concedida ao Observatório Jovem – discute as barreiras que impedem a apropriação do lazer e afirma que o problema não é somente espacial e nem exclusivamente econômico:

Essa é uma questão bastante séria, que mesmo os projetos ditos sociais não dão conta de se constituírem como polos de mediação e animação cultural. Eles não dão conta da ideia de formação de público ativo que possa percorrer os espaços da cidade, reivindicar a cidade como sua e entender que o direito ao lazer é um direito tão importante quanto qualquer outro direito. [...] tem uma questão aí que me parece mais frugal, que poderia ser atacada imediatamente, que é a questão do desenvolvimento de iniciativas de educação para o lazer (2007: 3).

Angela Brêtas47 (2013), coordenadora do grupo de pesquisa Esquina48 (UFRJ), concorda com Melo ao dizer que a barreira simbólico-cultural é percebida “quando o sujeito sabe que existe, sabe que é grátis, mas não vai”, por não reconhecer determinada forma de lazer dentro do seu universo de

46 Um espaço com uma forte discussão a respeito da juventude é o Observatório Jovem (UFF),

coordenado pelo professor Paulo Carrano. Quando se fala dos direitos dos jovens, a questão do lazer invariavelmente está presente em debates que envolvem o tempo “livre” e o tempo de trabalho, disputa comum nesta etapa da vida: de um lado está a busca “natural” por prazer, do outro, a necessidade de se profissionalizar e tornar-se independente financeiramente, ou passar a contribuir para o orçamento familiar. Ao discutir projetos envolvendo juventude, lazer e cidadania, Mary Garcia Castro confirma que “[...] as propostas se preocupam com o próximo ou com o imediato, com a sobrevivência, em suas várias acepções”, o que às vezes atrapalha a concretização do direito ao lazer deste grupo social (2001: 496).

47 Entrevista concedida, em junho de 2013, para alunos da disciplina de “Estudos do Lazer” –

ministrada pelo autor da presente tese - do curso de graduação em Turismo da UFF, na elaboração de um seminário sobre “Lazer e distâncias simbólico-culturais”.

48 Esquina – cidade, lazer e animação cultural: grupo de pesquisa e intervenções pedagógicas

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possibilidades. Em outras palavras, não é suficiente a existência de uma política integrada, com um equipamento moderno, uma programação diversificada, profissionais competentes e divulgação eficiente, se o sujeito não enxergar aquele lugar/prática como algo que lhe possa dar prazer, algo que ele poderia experimentar.

Nas palavras de Melo: "Se os poderes públicos optassem por considerar seriamente o lazer como direito social [...] deveria ser pensada uma política pública de lazer que buscasse realmente atuar para democratizar o acesso às diferentes manifestações culturais do lazer para todos" (2003: 77).

Benzer Belgeler