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O primeiro impacto direto a ser analisado são as despesas para a construção do campus, que somaram cerca de R$ 7 milhões em 2006, hoje sendo equivalente a R$ 10 milhões em R$ de 2013. No projeto encaminhado ao BNB para obtenção do financiamento consta a relação das empresas contratadas. Tendo em mãos essas informações e fazendo uma busca na internet é possível encontrar o município onde essas empresas têm sede. Sua localização ajuda a determinar o fluxo dos recursos investidos.

Entretanto, independentemente do local da sede, uma parcela sempre ficará no local da obra. Normalmente as construtoras têm um corpo técnico fixo e contratam outra parte dos trabalhadores no município da obra, principalmente nas atividades que exigem uma menor especialização. Além disso, tributos municipais como o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) têm incidência de 5% sobre os serviços prestados na obra.

A análise das empresas que prestaram serviços de construção civil, que representaram 63,9% do total investido, permite afirmar que nenhuma possuía sede em Mossoró. Do total gasto nas obras, verificou-se uma forte concentração das empresas em Natal (58,7%), e Fortaleza (41,2%). Isso evidencia que houve uma destinação dos recursos para a atividade produtiva da região Nordeste, com elevado percentual de internalização regional, o que contempla os objetivos do BNB. Porém, do ponto de vista da economia local de Mossoró, o mesmo não se verificou.

Três possíveis aspectos podem ser apontados como determinantes para uma baixa capacidade de internalização dos financiamentos do BNB na economia local: a oferta na cidade dos produtos e serviços necessários; o local de origem da

Em relação ao primeiro, intuitivamente pode-se afirmar que a compra de produtos e serviços no município do investimento depende da existência de empresas aptas a fornecê-los. Nesse sentido, quanto mais robusta e diversificada for a economia da cidade, maior será o percentual de internalização do projeto. Atualmente, o BNB não faz uma análise formal desse aspecto ao avaliar os projetos encaminhados pelas empresas. O banco poderia incluir no formulário padrão do projeto uma análise de internalização do investimento, utilizando para isso o mesmo critério adotado aqui, ou seja, a origem da empresa contratada. Nele seriam calculados os percentuais de

fornecedores por unidades geográficas (município, mesorregião, estado, semiárido e área de atuação do BNB). Essa analise seria uma informação

adicional para os gestores na hora de aprovar projetos de financiamento. Tendo em vista que atualmente já existe no projeto o registro do nome dessas empresas a inclusão dessa análise aparentemente não teria maiores dificuldades.

Porém, a existência local de empresas fornecedoras não garante que a mesma será contratada, até porque entram na escolha outros aspectos, como qualidade e preço. Destaca-se que essas duas variáveis têm uma relação muito forte com a escala da empresa. Em tese pode-se afirmar que maiores empresas possuem mais facilidade para adquirir ganhos de escala, reduzindo preços sem perda de qualidade. No caso especifico de Mossoró, a proximidade de duas grandes capitais (Natal e Fortaleza) traz dificuldades para internalização, tendo em vista que o mercado consumidor dessas duas capitais viabiliza a existência de grandes empresas. A presença de preços mais competitivos associados ao baixo custo de logística para trazer produtos ou contratar empresas dessas duas capitais torna ainda mais viável uma atitude empresarial que favoreça o vazamento dos projetos financiados em mercados menores. No capitalismo a estrutura produtiva tende a se concentrar espacialmente, e um dos objetivos principais de qualquer política regional é buscar impedir essa tendência. Nesse sentido, uma análise de projeto em um banco de desenvolvimento regional que não leva em consideração o grau de internalização do investimento contradiz o papel primordial desse tipo de instituição.

Um segundo aspecto que sobre a escolha dos fornecedores se refere à origem da empresa contemplada com financiamentos através de recursos do FNE. Quando a mesma tem sede em outras localidades as decisões do setor responsável pelas compras e de toda a parte administrativa e financeira responsável pelo projeto está centralizada em um município diferente de onde ocorrerá o empreendimento.

Configura uma tendência natural que as empresas solidifiquem relações com fornecedoras do entorno dos centros de decisões. Critérios como qualidade do serviço, pontualidade e maior acesso dos clientes antigos para negociação de preços são percepções que vão depender das experiências efetivadas em negociações passadas. Como o referido projeto não foi o primeiro executado pela instituição a procura por antigos fornecedores bem avaliados apresenta-se como a decisão mais correta do ponto de vista empresarial. Nesse sentido, é possível afirmar que empresas com origem na localidade tendem a procurar fornecedores na mesma região. Talvez, se o empreendimento fosse uma iniciativa de empresários locais, como é o caso da Faculdade Diocesana ou da Faculdade Mater Christi, a internalização dos recursos poderia ter sido maior.

Por último, o terceiro aspecto analisado tem forte relação com os dois anteriores. Corresponde ao descolamento de onde o projeto de financiamento deu entrada, o andamento e o local onde o empreendimento será realizado. Como a análise de internalização do investimento não é feita formalmente no projeto, acaba dependendo informalmente dos gerentes das agências, que ao perceberem essa ausência fazem as recomendações. No caso do projeto do campus da UnP em Mossoró, até esse feedback ficou comprometido, tendo em vista que toda a tramitação do financiamento ficou restrita à agência de Natal. De acordo com o Agente de Desenvolvimento da Agência de Mossoró, Eliezio, o projeto não passou em nenhum momento pela agência da cidade. Esse problema tem relação também com o segundo aspecto, relacionado à internalização na economia local dos projetos de financiamento, que é a origem da empresa que obteve o financiamento. Como no presente caso a sede da empresa é em Natal, natural que procure uma agência do BNB na mesma cidade. O possível estranhamento do funcionário da agência ao constatar a ausência de fornecedores locais não aconteceu em Natal, porque sob sua perspectiva isso foi devidamente contemplado.

Esse aspecto reforça uma das recomendações colocadas pelo Agente de Desenvolvimento de Mossoró, que defende como fundamental uma maior participação da agência do município que será o destino do projeto. Isso não somente nos projetos de financiamento, mas principalmente nos incentivos do Banco do Nordeste por meio do FUNDECI às pesquisas. De acordo com Eliezio, “os grandes projetos que envolvem milhões são feitos pela agência Natal Centro.

de Mossoró, foi feito pela agência de Natal. Os grandes projetos envolvendo milhões são feitos por lá”.

Benzer Belgeler