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Seri Porttan Karakter İletimi

1. SERİ PORTTAN ÇIKIŞ ALINMASI

1.8. Seri Porttan Karakter İletimi

Importante ressaltar que a previdência dessa categoria, também denominada de previdência funcional ou regime próprio, desde o seu nascimento, e durante sua evolução, foi em geral distinta da previdência dos trabalhadores da iniciativa privada, conhecida como regime geral.

Essa diferenciação encontra amparo na argumentação de que a relação entre o servidores e o Estado não se assemelha àquela que se estabelece entre os trabalhadores da iniciativa privada e a empresa. Esses últimos sempre contribuíram para sua previdência, enquanto aqueles contribuíam apenas para o custeio do beneficio de pensão, ficando a aposentação a cargo do Tesouro, em sua integralidade. Conclui-se portanto, que essa aposentadoria era vista como um beneficio decorrente do fato de se ter trabalhado para o setor público, e não fruto de uma prestação paga como resultado de um histórico contributivo.

Sobre o tema, ilustra Cláudia Pereira:

O cidadão que a lei aposentou, jubilou ou reformou, assim como a quem ela conferiu uma pensão, não recebe esse benefício, a paga de serviços que esteja prestando, mas a retribuição de serviços que já prestou, cujas contas se liquidaram e encerraram com um saldo a seu favor, saldo reconhecido pelo Estado com estipulação legal de lhe amortizar mediante uma renda vitalícia, na pensão, na reforma, na jubilação ou na aposentadoria.

O aposentado, o jubilado, o reformado, o pensionista do Tesouro são credores da nação, por títulos definitivos, perenes e irretratáveis.

Sob um regime que afiança os direitos adquiridos, santifica os contratos, submete ao cânon da sua inviolabilidade o Poder Público, e, em garantia deles, adstringe as leis à norma tutelar da irretroatividade, não há consideração de natureza alguma juridicamente aceitável moralmente, moralmente honesta, socialmente digna, logicamente sensata, pela qual se possa autorizar o Estado a não honrar a dívida que com esses credores contraiu, obrigações que para com eles firmou (...).

A aposentadoria, a jubilação, a reforma são bens patrimoniais que encontraram no ativo dos beneficiados como renda constituída e indestrutível para toda a sua vida, numa situação semelhante à de outros elementos da propriedade individual, adquiridos, à maneira de usufruto, com a limitação de pessoas, perpétuas e intransferíveis.

Na espécie das reformas, jubilações ou aposentadorias, a renda assume a mobilidade especial de um crédito contra a Fazenda, e, por isto mesmo, a esta não seria dado jamais exonerar-se desse compromisso essencialmente contratual, mediante um ato unilateral da sua autoridade.44

Outra forma de distinção é que os trabalhadores da iniciativa privada, quando se aposentam, encerram sua relação com o empregador e passam a gozar de beneficio pago por outra instituição. Já os servidores públicos continuam mantendo o vínculo com o Estado.

Nesse contexto, cabem os ensinamentos de Vinícius Pinheiro:

44 PEREIRA, Claudia Fernanda de Oliveira. Reforma da previdência: aprovada e Comentada. Brasília Jurídica, Brasília, 1999. p. 20.

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Conforme os defensores dessa tese, em primeiro lugar, a garantia de uma aposentadoria melhor do que a do restante da população seria uma contrapartida a uma estrutura salarial baseada em progressão funcional (e não em regra de mercado). Em segundo lugar, a aposentadoria do servidor não representa o rompimento do vínculo empregatício, como ocorre na empresa. Assim, o beneficio deveria ser uma espécie de extensão do pagamento do salário ou um salário diferido, configurando-se uma lógica distinta da perspectiva contributiva e atuarial do seguro social. Finalmente, a aposentadoria deveria servir como uma espécie de prêmio em relação às peculiaridades do exercício da função e da autoridade pública, que exige elevados níveis de responsabilidade, lealdade e sacrifícios dos servidores.45

No que tange à legislação histórica dos servidores públicos, necessário se faz dissecar o antigo Estatuto do Servidor Público, criado pela Lei n. 1.711/52, constituindo-se como o maior exemplo do tratamento diferenciado dado à previdência funcional.

Nos termos dessa Lei, o servidor seria aposentado com vencimento ou remuneração integral quando contasse com trinta anos de serviço, podendo haver redução do referido tempo, em casos específicos, em virtude da natureza do trabalho.

O servidor também poderia receber provento integral se comprovasse a condição de invalidez, em conseqüência de acidente no exercício de suas atribuições, em virtude de doença profissional ou quando acometido de algumas doenças, tais como tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, lepra, paralisia, cardiopatia grave, além de outras que a lei indicasse.

O funcionário, quando completasse trinta e cinco anos de serviço, seria beneficiado com uma promoção, ou seja, seria aposentado com provento correspondente ao vencimento ou remuneração da classe imediatamente superior, ou, quando ocupante da última classe da respectiva carreira, teria seu provento aumentado em 20%.

Em conformidade com a referida Lei, o servidor ainda seria aposentado com proventos proporcionais ao tempo de serviço quando completasse setenta anos de idade, ou em casos de invalidez não abrangidos pelas moléstias supra mencionadas.

45 PINHEIRO, Vinícius Carvalho. Unificação de regimes de previdência dos servidores públicos e trabalhadores privados: experiência internacional. In: MORHY Lauro (Org.). Reforma da previdência em questão. Brasília: Universidade de Brasília; Laboratório de Estudos do Futuro; Editora Universidade de Brasília, 2003. p. 84.

Previa o referido Estatuto que o funcionário que tivesse quarenta anos de serviço e que viesse a exercer, no último decênio de carreira, de maneira relevante e oficial, cargo isolado, interinamente, como substituto, durante um ano ou mais sem interrupção, seria aposentado com os vencimentos daquele cargo, com todos as vantagens inerentes.

Preceituava ainda a referida Lei que o funcionário com mais de trinta e cinco anos de serviço seria aposentado com as vantagens do cargo em comissão ou função gratificada que estivesse exercendo, desde que o tivesse exercido sem interrupção nos últimos cinco anos. Autorizava ainda, com idênticas vantagens, desde que o exercício do cargo em comissão ou função gratificada tenha compreendido um período de dez anos, consecutivos ou não, mesmo que não mais o estivesse exercendo quando da aposentadoria. Importante ainda destacar que o funcionário que tivesse exercido mais de um cargo ou função, naquele período de dez anos, poderia se aposentar com o cargo de maior remuneração, bastando para isso tê-lo exercido por apenas um prazo de dois anos. Fora dessa hipótese, seriam atribuídas as vantagens do cargo ou função de remuneração imediatamente inferior.

A Lei n. 1.711/52 estabelecia que fosse concedida ao funcionário licença especial de seis meses a cada dez anos de efetivo exercício, com todos os direitos e vantagens de seu cargo. O funcionário que não fizesse uso efetivo dessa licença poderia usá-la para completar o tempo de serviço necessário à sua jubilação, só que contado em dobro.

A revisão da aposentadoria dar-se-ia sempre que houvesse modificação geral de vencimentos ou remuneração. O índice de aumento de beneficio, no entanto, não seria obrigatoriamente o mesmo aplicado aos funcionários ativos, não podendo, de qualquer forma, ser inferior a dois terços dele.

A pensão por morte dos funcionários públicos era disciplinada por outra legislação, a Lei n. 3.373, de 12 de março de 1958. Estabelecia essa Lei, pensão correspondente a 50% do salário de contribuição, sendo devida aos seus dependentes. Necessário consignar que a filha solteira, mesmo que tivesse implementado a maioridade, somente perderia o direto à pensão se viesse a ocupar cargo público permanente.

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Era concedido ainda à família do segurado falecido benefício denominado de pecúlio especial, em consonância com o artigo 5º do Decreto-Lei n. 3.347, de 12 de junho de 1941.

O Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (IPASE), que era a organização responsável pela gestão do plano de benefícios da Lei n. 3.373/58, além dos benefícios já descritos, poderia oferecer empréstimos financeiros e hipotecários, bem como promover a construção ou aquisição de imóveis destinados à venda a seus segurados.

Portanto, essas eram as regras previdenciárias contidas no Estatuto do Servidor Público e na legislação posterior, que praticamente se mantiveram nos anos seguintes, sendo confirmadas em seus princípios gerais pela Constituição da República de 1967 e pela Emenda Constitucional n. 1 de 1969.

Benzer Belgeler