• Sonuç bulunamadı

Sentezci Yaklaşım

Belgede Siyasi etik ve Kutadgu Bilig (sayfa 31-35)

B. Siyasi Etik Kuramları

3. Sentezci Yaklaşım

Observamos, no decorrer desta dissertação, a complexidade de buscar entender o que vem a ser uma “nova solteira”. Até porque ser uma “nova solteira” não depende, necessariamente, de ser legalmente solteira. São muitas as maneiras, inclusive, de ser solteira. Mas, nem todas são ou podem ser “novas solteiras”. Verificamos que há um conjunto de critérios para que possamos caracterizar uma mulher como “nova solteira” e, tanto mais, para

que uma mulher possa vir a ser sua intérprete – ela deve participar de um cenário cultural cujas circunferências permitem-na localizá-la dentro de uma “casta feminina”.

Nosso esforço em esboçar os interesses e propósitos da promoção desta personagem na mídia equipara-se ao nosso interesse de compreender as razões e os sentidos das formações identitárias de mulheres que demonstrem um itinerário de vida de solteira consonante à representação desta personagem especificada.

Para dar conta deste segundo campo de pesquisa, escolhemos uma metodologia qualitativa biográfica. O método utilizado é o de história de vida e, num padrão de entrevista não-estruturada, pede-se ao sujeito que conte sua história livremente. Tal como o método é utilizado na pesquisa de identidade (CIAMPA, 2008 [1987]), tomamos como ponto de partida as indagações “quem sou eu?” e “quem quero ser?”. Por meio da narrativa que é construída pelo próprio sujeito, temos acesso a sua história de vida e podemos compreender o universo do qual ele faz parte. Ou seja, nos aproximamos mais criteriosamente da sua interpretação de mundo e da dialética das relações que estabelece consigo mesmo, com o outro e com a sociedade. De acordo com Carla Garcia (1998), a história da humanidade é uma narração que, ao trazer impressas as marcas daqueles que narram a partir de suas experiências, permite o devir histórico. Assim, uma história pessoal é também uma narrativa de ações descontínuas. Desta forma, o ato de recordar é entendido “(...) como construção, como um ato de proceder escolhas, de decantar a vida turva, de recordar fatos da corrente da vida para neles colocar razões.” (GARCIA, 1998, p. 14)

Ao contar sua vida, o sujeito fala de seu contexto – fala do processo por ele experimentado, intimamente ligado à conjuntura social onde ele se encontra inserido. Como declara Ciampa, “o singular materializa o universal na unidade do particular” (CIAMPA, 2008 [1987], p.227) e, assim, podemos contemplar “o componente histórico dos fenômenos individuais, tal como (...) o componente individual dos fenômenos históricos” (PAULILO, 1999).

As entrevistadas foram, deste modo, convidadas a construir uma narrativa significativa de suas histórias de vida, pela qual acompanhamos seus projetos e suas propostas identitárias, conferindo os itinerários de uma vida de solteira em meio a estes processos. Todas as entrevistadas foram indicadas por pessoas de comum proximidade que, após serem informadas sobre a pesquisa, dispuseram seus contatos. As entrevistas aconteceram em locais escolhidos pelas entrevistadas, ambientes reservados que lhes

permitiu privacidade para o relato. Foram gravadas e transcritas com o consentimento livre e esclarecido das entrevistadas. Os aspectos éticos de sigilo e privacidade, de acordo com a Resolução 196/6 cujo conteúdo essencialmente de natureza bioética está centrado na proteção do sujeito de pesquisa, foram enfatizados na relação com as entrevistadas e garantidos na transcrição e análise da entrevista, evitando a possibilidade de perda do anonimato das participantes e pessoas citadas por elas durante a entrevista.

Contamos com a narrativa de três mulheres, residentes na cidade de São Paulo em domicílios próprios e unipessoais. Optamos por delimitar a localização das entrevistadas, cujas identidades inscritas neste contexto, efetivam-se em personagens peculiares a uma atmosfera urbana e metropolitana. Por ocasião, são nas grandes cidades que as tendências sociais e os modelos identitários despontam. Todas as narradoras possuem nível de escolaridade superior e não tem filhos. A opção para que houvesse uma distância geracional entre estas mulheres se explica pelo fato de que procuramos preservar as possíveis distinções entre as condições históricas de elaboração de projetos de vida solteira, tanto quanto a necessidade de observarmos os movimentos de reposição da personagem em diferentes prospectos de história de vida. Assim, apresentamos uma narradora com 70 anos, uma com 55 anos e outra com 35 anos de idade. As duas primeiras citadas (a de 70 e a de 55 anos) são solteiras legalmente, enquanto que a mais jovem (35 anos) é separada. Todas as três não possuem vínculo conjugal estável e permanente, do período em que realizamos o primeiro contato até o fechamento desta pesquisa (2009-2010).

Nosso intuito é contribuir com a publicização de algumas possibilidades de ser uma “nova solteira”, assinalando, em suas histórias de vida, contextos de colonização, por uma ordem sistêmica, da produção de suas identidades e itinerários de vida. Atentamos, pois, a duas dimensões simbolicamente estruturadas no mundo da vida: o imaginário social sobre os aspectos do feminino e os itinerários de vida que implicam projetos de carreira profissional.

Pela metodologia adotada, pretendemos também proporcionar um exercício de narração que venha a ser significativo à auto-reflexão e auto-referência destas mulheres, a partir da própria experiência de entrevista. Ou seja, ao se “re-presentar” como ator e autor da própria história, vislumbramos que as narradoras tenham sido instigadas a refletir sobre a concretização de um si mesmo. Desta forma, é pressuposto, já na escolha desta metodologia, que a pesquisa atenda uma dimensão ética de uma práxis em Psicologia Social.

Como uma interação comunicativa mediada intersubjetivamente, a entrevista traz à tona intenções e razões que sustentam as ações na vida cotidiana. De acordo com Maria Luísa M. Nogueira (2007), pesquisador e pesquisado assumem uma relação de cumplicidade, o que torna possível àquele que narra sua história experimentar uma resignificação de seu percurso, dando continuação à construção de um sentido para este relato endereçado. Pode, até mesmo, suscitar nas entrevistadas outras metamorfoses da identidade Quando, por exemplo, ao elaborar e ouvir a própria narrativa são levadas a reexaminar as posições e determinações das personagens as quais são intérprete e os níveis de autonomia de suas escolhas. Reconhecer as situações de opressão, estigmatização e subordinação a que são submetidas em decorrência de relações desiguais de gênero. Desnaturalizar os componentes socioculturais que conformam seus projetos futuros, ou ainda, reconsiderar seus scripts sociais, em vista do panorama cultural que trama um itinerário prestes a orientar seus projetos e conceder sentido à sua história de vida.

Conforme destaca Williams (1989), devemos levar em conta as dimensões de afeto que estruturam a sociedade, a fim de compreender a dinâmica articulação entre elementos novos e arcaicos na cultura da vida cotidiana. Estes elementos atuam como pontos de tensão e articulação dos significados culturais que dão suporte e sentido às tramas de histórias de vida. Neste intuito, buscamos abarcar a singular maneira com que algumas mulheres incorporaram tendências sociais, a ponto da personagem “solteira” congregar-se como uma proposta identitária. Bem como, acolher o sentido que esta personagem concatena perante seus projetos de vida. Propomos, ainda, verificar a percepção destas mulheres sobre a proposição deste papel em seu entorno social, de modo que possamos desenvolver uma reflexão crítica a respeito da possibilidade de que esta venha a ser um estilo de vida frente os sentidos disponíveis culturalmente.

Também nos interessa localizar movimentos de autonomia e luta por reconhecimento, o que conjectura formações de identidades políticas, precipitadas pela síntese de heteronomias normativas e pela conjunção de scripts sociais que permitam o pleno exercício da cidadania sexual na vida cotidiana. Podemos pensar que, ao compreender o caráter da metamorfose da identidade pela acepção de “sujeito-agente” (PAIVA, 1999), abordamos o projeto político que configuraria suas pretensões identitárias e finalidades do agir.

Belgede Siyasi etik ve Kutadgu Bilig (sayfa 31-35)

Benzer Belgeler