• Sonuç bulunamadı

İlk Sentetik Repellentler

199Derleme/Review

KENELERE KARŞI KULLANILAN BELLİ BAŞLI REPELLENT TÜRLERİ

A. İlk Sentetik Repellentler

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados foi a comissão mais importante na tramitação da Lei de Informática no governo FHC não só por ter sido a encarregada do parecer técnico, como também por ter sido a única que conseguiu debater a matéria antes de ela ir a plenário. O projeto de lei também foi destinado às comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania, de Economia, Indústria e Comércio e de Finanças e Tributação, mas essas comissões não se debruçaram sobre a matéria devido à aprovação da urgência para tramitação do texto.

O aspecto que mais merece destaque na tramitação da lei na CCTCI foi o conflito em torno da questão sobre monitores de vídeo e telefones celulares. Os deputados do Amazonas tentaram, na comissão, negociar a inclusão desses itens entre os que não poderiam ser beneficiados pela Lei de Informática. Como não conseguiram, tentaram incluir um artigo que modificava a legislação que excluía a concessão de benefício fiscal para a produção de cosméticos na Zona Franca de Manaus. Ou seja, ao perderem na questão dos monitores de vídeo e telefones celulares, os deputados do Amazonas pleitearam outro tipo de vantagem para a Zona Franca – a possibilidade de oferecer incentivos fiscais para a produção de cosméticos – que era um tema que não tinha relação com a Lei de Informática, como veremos a seguir.

Antes de passarmos a esse fato, é importante observar alguns aspectos sobre o funcionamento das comissões. Elas se caracterizam por ser um espaço onde os parlamentares têm mais oportunidade de se manifestar, seja através do 29 A CCTCI é uma comissão permanente, cujo número de membros é definido a cada início de

uso da palavra ou a partir da proposição de emendas, ao contrário do que ocorre em plenário, principalmente quando se trata de votação em regime de urgência (Figueiredo & Limongi, 2001; Santos, 2002).

O papel de destaque na comissão, contudo, cabe ao relator. É ele quem apresenta o substitutivo ao projeto original a partir de propostas dos membros da comissão. Ao relator cabe, portanto, a função de ajustar os projetos vindos do Executivo, de forma a ampliar a perspectiva de cooperação por parte dos parlamentares, aprovando uma proposta que busque unir a coalizão governamental na comissão, antes de seguir para plenário (Velasco Junior, 2006).

Velasco Junior observa, entretanto, que há uma grande diferença entre o que os parlamentares propõem e o que o relator incorpora ao seu substitutivo. Segundo o autor, isso não significa que o substitutivo apresentado não incorpore demandas de grupos de interesses, mas essas demandas são mediadas pelos líderes partidários. Estes conseguem ainda restringir os trabalhos das comissões solicitando o regime de urgência para a tramitação das matérias, como ocorreu na tramitação da Lei de Informática30

.

É nas comissões, portanto, que os deputados devem tentar incorporar suas demandas. No caso da Lei de Informática, os deputados do Nordeste, em especial o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), conseguiram garantir um benefício fiscal mais vantajoso não só para o Nordeste, como também para o Norte e o Centro- Oeste. Para essas regiões, ficou garantida a isenção do IPI por dois anos (para o Sul e o Sudeste a isenção valeria por um ano) e escala de redução maior a partir do terceiro ano de vigência da lei. Definiu-se ainda que 40% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) seriam

destinados às três regiões31 .

30 Figueiredo & Limingi observam que a aprovação do requerimento de urgência, “além de alterar o ritmo da tramitação da matéria, retirando-a da comissão e forçando a pronta manifestação do plenário, [...] limita a capacidade dos próprios parlamentares de apresentar emendas ao projeto” (2001, p. 29).

31 O texto final da Lei n° 10.176/2001, a partir de emenda de plenário do deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), determinou um ano de isenção fiscal para as empresas do Sul e do Sudeste e três anos para as empresas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A partir do fim do período de

Já os deputados do Amazonas não conseguiram incorporar telefones celulares e monitores de vídeo à lista de bens não incentivados pela Lei de Informática. A questão mobilizou os deputados dos estados onde as empresas de TI estavam situadas (em especial, São Paulo), que apenas concordaram em acrescentar um artigo determinando que a exclusão desses itens da lista de bens incentivados pela lei ficaria a cargo do presidente da República32.

Segundo o relator da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), Julio Semeghini33

(PSDB-SP), para compensar o fato de não conseguirem excluir telefones celulares e monitores de vídeo da lista de bens incentivados, os deputados do Amazonas tentaram negociar a inclusão de um artigo modificando o Decreto-Lei n° 288 de 1967, que regulamentou a Zona Franca de Manaus34

. A intenção era alterar a lista de produtos excetuados da isenção fiscal na Zona Franca de Manaus, retirando a parte que tratava de cosméticos. O texto que os deputados do Amazonas pleiteavam determinava o seguinte:

Art. 6°: O § 1° do art. 3° do Decreto-Lei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, passa a vigorar com a seguinte redação:

Art. 3° ...

§ 1° Excetuam-se da isenção fiscal prevista no caput deste artigo as seguintes mercadorias: armas e munições, perfumes, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros.

Para entendermos esse ponto será necessário observar o Decreto-Lei n° 288 de 1967. No capítulo II do decreto, que trata dos incentivos fiscais, o §1º do artigo 3º tem os mesmos dizeres que os deputados do Amazonas tentaram introduzir no substitutivo da CCTCI. Esse texto do decreto, no entanto, havia sido alterado pela Lei nº 8.387 de 1991, como segue:

Excetuam-se da isenção fiscal prevista no caput deste artigo as seguintes mercadorias: armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas, automóveis de passageiros e isenção para estas regiões, seguia-se desconto escalonado do IPI começando com um percentual de 95%. Nesse mesmo ano, o desconto do IPI para as regiões Sul e Sudeste seria de 80%.

32

Importante destacar que na regulamentação da lei, telefones celulares e monitores de vídeo foram incluídos entre os bens incentivados.

33 O deputado Julio Semeghini (PSDB-SP) foi relator da Lei de Informática nas duas tramitações analisadas por esse estudo, entre 1999 e 2000 e em 2004. Formado em engenharia eletrônica, Semeghini possui expertise na área de TI. Conhecimento prévio sobre determinada política é uma variável decisiva para os líderes partidários escolherem os membros de uma comissão (Santos, 2002).

produtos de perfumaria ou de toucador, preparados e preparações cosméticas (...) (Lei nº 8.387/1991).

A alteração do texto para a forma como pretendiam os deputados do Amazonas, portanto, dava margens para o entendimento de que estaria liberada a concessão de isenção fiscal para a fabricação de cosméticos na Zona Franca de Manaus. O artigo que os parlamentares do Amazonas queriam incorporar ao substitutivo era um texto já modificado por lei mais recente, que deixava clara a exclusão da isenção fiscal para perfumes e cosméticos. Na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) o texto não foi aceito pelos demais deputados.

O artigo seria negativo para os estados produtores de cosméticos no país: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul35

. Assim como ocorre com a indústria de TI, a indústria de cosméticos está concentrada em São Paulo. Os principais produtores de cosméticos no país também estão entre aqueles estados que consideramos serem os mais interessados na renovação da Lei de Informática por contarem com significativa presença de firmas de TI.

Se observarmos a composição da CCTCI36

segundo o estado de origem dos parlamentares, vemos que o Amazonas contava com apenas dois representantes (Quadro 2). Quando consideramos a composição partidária da comissão (Quadro 3), vemos que o PFL, partido que apoiou os deputados do Amazonas nessa questão, era o maior partido37. Ainda que contasse com o apoio do PFL, a força do Amazonas na CCTCI era pequena quando comparada ao número de representantes dos estados que seriam mais afetados caso o artigo fosse incluído.

35 São Paulo possui 44,7% das empresas do setor. A outra metade dessa indústria distribui-se como segue: Rio de Janeiro (12,5%), Minas Gerais (11,3%), Paraná (8,9%), Rio Grande do Sul (6,5%), outros (16,1%). Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 2004).

36 O quadro tem como base dados de outubro de 1999, que foi o principal momento da discussão na Câmara.

37 A composição das comissões segue o princípio da proporcionalidade partidária, de acordo com o Regimento Interno da Câmara dos Deputados.

Quadro 2: Composição estadual da CCTCI em outubro de 1999 Estado de origem Número de membros titulares São Paulo 11 Bahia 8 Paraná 6 Maranhão 3 Pará 3 Rio de Janeiro 3 Pernambuco 2 Amazonas 2 Ceará 2 Minas Gerais 2

Rio Grande do Sul 1 Mato Grosso do Sul 1

Goiás 1 Roraima 1 Rondônia 1 Alagoas 1 Distrito Federal 1 17 Estados + DF 49 membros

Elaboração própria. Fonte: Diário da Câmara dos Deputados

Quadro 3: Composição partidária e estadual da CCTCI em outubro de 1999 Partido N° de membros titulares e estados de origem

DEM 11 deputados: 3 BA, 2 MA, 2 SP, 1 PE, 1 AM, 1 PR, 1 PA

PMDB 10 deputados: 2 BA, 2 SP, 1 DF, 1 PA, 1 RJ, 1 RS, 1 MS, 1 CE PSDB 9 deputados: 5 SP, 1 RJ, 1 MG, 1 GO, 1 PE

PT (1 do PL) 5 deputados: 2 BA, 1 CE, 1 PA, 1 PR + 1 vaga PPB 1 MA, 1 PR, 1 RR, 1 BA

PTB 3 deputados: 2 PR, 1 AM PDT 3 deputados: 2 RO, 1 SP Bloco PSB/PCdoB 2 deputados: 1 AL, 1 SP Bloco PL, PST,

PMN, PSD, PSL 2 deputados: 1 RJ, 1 MG

Elaboração própria. Fonte: Diário da Câmara dos Deputados

Na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), apenas os deputados de São Paulo, da Bahia e do Paraná estavam numa situação confortável em relação ao deputados dos demais estados onde se encontra a indústria de cosméticos no país. Mas, somados, os deputados dos

estados produtores de cosméticos representavam 46% do total de membros da CCTCI. Acreditamos que esses deputados contaram ainda com o apoio da Bahia, que apesar de ter uma pequena porcentagem das empresas de cosméticos (3% do total de firmas do país)38, era um dos estados mais interessados na renovação da Lei de Informática. Acreditamos que os deputados da Bahia participaram do grupo que não permitiu, na CCTCI, que o Amazonas incluísse o artigo excluindo monitores de vídeo e telefones celulares da lista de bens incentivados, pois eles estavam entre os parlamentares mais atuantes em todo o processo. Com a Bahia, o grupo dos produtores de cosméticos garantia maioria na comissão.

Portanto, na CCTCI, os deputados do Amazonas saíram perdendo porque não tinham força para vencer o grupo majoritário (representantes dos estados produtores de TI e de cosméticos). No entanto, o Amazonas recorreu ao Executivo federal para tentar reverter o resultado da comissão. Numa reunião de governo com a Casa Civil, representantes do Amazonas conseguiram inserir no projeto de lei o artigo que tratava de cosméticos. Segundo o deputado Julio Semeghini (PSDB-SP), a Casa Civil aceitou a reivindicação do Amazonas para que a questão não atrasasse a tramitação da lei. Além disso, tinha a convicção de que o texto seria reprovado em plenário39

.

O texto modificado na Casa Civil não voltou à CCTCI. Mas, de acordo com o deputado Julio Semeghini, houve uma mobilização para que o artigo sobre cosméticos fosse retirado do texto em plenário. Segundo ele, o próprio governador de São Paulo, Mario Covas (PSDB-SP), telefonou, no mesmo dia da reunião dos representantes do Amazonas com a Casa Civil, pedindo a mobilização do PSDB e dos deputados de São Paulo para que o texto fosse reprovado40.

38 Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

39 Entrevista realizada com o deputado Julio Semeghini, por telefone, em 13/07/2007

40 Vale observar que, no entanto, o deputado Julio Semeghini votou a favor da manutenção do artigo em plenário.

3.2.2 – A VOTAÇÃO DO ARTIGO SOBRE COSMÉTICOS: ANÁLISE DA

Benzer Belgeler