B- İBADETLERİ ÖĞRETMEDEKİ NEBEVİ METODUN İNCELİKLERİ
13- Sembolik Anlatımlarla Mesajına Dikkat Çekmesi
Do lado germânico surgiram novas publicações em 1914, claramente para defender a
política alemã. “Destacam-se nesse sentido, Monatsblätter des Germanischen Bundes”
(GERTZ, 2004b, p. 102).
Talvez, em virtude de uma sensação de necessidade de contribuir em meio ao caos, de uma nítida tendência histórica pró-francesa nas artes e nas ciências, da sensação de estar acuado, tenha a Liga das Sociedades Germânicas (a Verband Deutscher Vereine) optado por fundar o semanário intitulado A Guerra, no final do ano. Com propósito claro, a publicação visava a fornecer ao público leitor uma análise da guerra que levasse em consideração e explicasse os problemas mundiais na perspectiva dos povos germânicos. Em um dos seus primeiros exemplares, foi publicado, um artigo de grande fôlego de autoria do deputado Dunshee de Abranches (A GUERRA, número 4, novembro de 1914, pp. 2-28), no qual fazia uma pormenorizada e extenuante explicação da situação econômica, social e política da Alemanha. No final, o deputado condenou o mítico e sem sentido “perigo alemão”, concluindo que a Alemanha era apenas uma vítima dos países invejosos do seu pujante desenvolvimento.
Para combater a má impressão do exército, propagada devido aos episódios em território belga, o periódico ilustrava suas páginas com casos de valentia da parte de soldados alemães. A título de ilustração, sobre essa questão publicou um suposto depoimento de um soldado francês dizendo:
A luta, que continuou até a madrugada, foi a mais cruenta que vi desde o início da guerra. Devo confessar que os alemães faziam tudo o que podiam; eles não mediam sacrifícios e, pelo seu desprezo pela morte, e seu valor, podia calcular que estão convencidos a vencer ou morrer (A GUERRA, número 4, novembro de 1914, p. 30).
Assim, igualmente foram publicados relatos “verídicos” de belgas, desmentindo as
calúnias da propaganda Aliada, porque a questão belga era o fulcro dos argumentos dos antigermanistas. Verdadeiramente, A Guerra se entregou a um exercício hercúleo para debelar os boatos que asseveravam o caráter irascível e covarde dos povos germânicos, sempre procurando trazer informes que humanizavam o soldado alemão, ressaltando as virtudes do guerreiro e do cavalheiro. Sempre que possível, trazendo à tona aquilo que realmente estaria se passando na Bélgica. Como o relato de uma senhora que não teria o menor
constrangimento em revelar como estava sendo “tratada com toda a consideração pelas autoridades alemãs” (A GUERRA, número 5, dezembro de 1914, p. 6).
A revista também chegou a publicar evidências de comportamento indigno, o que seria a prova da vilania, portanto, da injustiça, da causa inimiga. Como, por exemplo, no caso revelado dos maus tratos provocados a prisioneiros de guerra alemães pelos franceses. Em um comentário, afirmava-se que os franceses estariam pensando em transferir os prisioneiros para o sul da Argélia, lugar no qual o clima seria insuportável para os padrões europeus (A GUERRA, número 6, dezembro de 1914, p. 32). Comportamento que se contrapunha àquele que os alemães dispensavam aos seus prisioneiros. Diferença essa percebida quando um
oficial francês confessava: “Sou muito bem tratado. Diga aos nossos que eles devem tratar bem os alemães, porque estes são muito bons para conosco” (A GUERRA, número 5,
dezembro de 1914, p. 5).
O final desse primeiro ano de conflito viu surgir uma outra publicação relevante. Diferentemente da anterior, essa nada tinha de militante. Ligada à Faculdade de Engenharia da cidade, a Egatea era uma publicação que enveredava pela área técnica, própria do corpo docente que a compunha e nela escrevia, no entanto, estes não se furtaram a opinar sobre os acontecimentos mundiais. Nela podemos encontrar pareceres fascinantes, embora a mesma fizesse questão de frisar a imparcialidade.
Na guerra atual, Egatea professa absoluta e imparcial neutralidade, quaisquer que sejam as opiniões pessoais dos seus colaboradores. Como expoente dessa neutralidade, pensaremos banir inteiramente a matéria de nossas páginas e cuidadosamente de nossa seção “Através das Revistas” eliminamos interessantíssimos dados estatísticos, que poderiam, entretanto, ser interpretados como se mostrássemos a superioridade relativa deste ou daquele adversário em determinado terreno (EGATEA, v. 1, novembro-dezembro de 1914, n. 3, p. 114).
Todo o tato empregado no editorial acima expresso tinha uma boa justificativa, o fato de muitos professores colaboradores da revista serem alemães, como afirma Vivaldo Coaracy
(1962), que fora o editor da revista e o responsável pelas cautelosas palavras acima. Até porque, alguns dos professores da faculdade haviam interrompido os seus contratos com a escola para irem se apresentar ao serviço militar. Portanto, alguma palavra fora de contexto poderia ser interpretada como propaganda de guerra.
2.10 CONCLUSÃO PARCIAL
A eclosão da Primeira Guerra foi acompanhada de grande interesse em Porto Alegre. Em virtude daquilo que se pôde levantar, a população demonstrou vivo interesse no efeito dominó representado pelas mobilizações de tropas, seguidas pelas múltiplas declarações de guerra. Afinal, eram permanentes e diárias as notícias sobre os combates, as explicações históricas com o propósito de ajudarem os leitores a entender os acontecimentos, bem como as crônicas. Esse interesse também pode ser afirmado a partir da intensa veiculação de documentários de guerra que eram fartamente reproduzidos nas telas das casas de espetáculo da cidade.
Em realidade, a cidade viveu nitidamente os efeitos da euforia da declaração de guerra, aproximando-se do sentimento de ansiedade experimentado na Europa (KEEGAN, 2005; LUDWIG, 1931). Homens de diferentes nacionalidades, apesar das dificuldades de transporte, alistavam-se e procuravam embarcar o mais breve possível para se apresentarem nos quartéis de seus países. Enquanto isso, eles recebiam apoio moral de populares. Por seu turno, os membros abastados, engajados na luta de seus países eleitos por nacionalidade ou por afetividade, levantavam fundos para o amparo das famílias (que aqui permaneciam) dos soldados.
Para o Brasil, que nutria boas relações com os países beligerantes, a posição adotada diante dos acontecimentos fora de neutralidade. O principal efeito gerado pelo início dos combates europeus fora econômico. Em virtude da posição destacável da Alemanha, houve
um impacto na balança de comércio, mas o principal e mais maléfico efeito acabara sendo a inflação.
Quanto ao Rio Grande do Sul, estado que mantinha relações ainda mais próximas com a Alemanha, quando comparado ao Brasil, pode-se dizer que os efeitos foram mais impactantes. Além da inflação (problema para todo o país), deve ser destacado, principalmente, a questão da perda de numerário pelo governo. A diminuição das importações gerou problemas de arrecadação. Contudo, a questão econômica não provocou qualquer distúrbio de ordem social. Por fim, é digna de nota a insinuante, porém tímida, manifestação dos franceses, que será progressiva, como teremos a oportunidade de observar.
Apesar de um manifesto realizado por um segmento da classe operária, aparentemente, nada de mais grave, relacionado à guerra, alterou a rotina entre os operários. Contudo, as opiniões começaram a aflorar gradativamente, fazendo com que os rancores existentes, e antes abafados, fossem verbalizados. Tanto naquilo que se refere às críticas feitas contra os teuto-brasileiros, oriundas daqueles que se encontravam do lado de fora da comunidade germânica. Também existiram aquelas que eram inerentes à própria comunidade, entre luteranos e católicos, cuja vazão fora dada a partir de comentários pessoais que tiveram como mote os conflitos nos campos de batalha europeus.
Sabe-se que a convivência entre os descendentes dos germânicos e o restante dos brasileiros se caracterizou por sobressaltos contínuos. Apesar disso, até o início dos conflitos, as divergências pessoais que pudessem existir estavam sob controle. Frederick Luebke (1988) ressalta que jovens lideranças brasileiras, admiradoras da causa Aliada (provavelmente acadêmicos, embora isto não seja especificado) estimularam a multidão contra membros proeminente da comunidade germânica, que teriam sido insultadas com recorrência. Algo assim seria plausível, principalmente nas circunstâncias colocadas pelo caso do pretenso sumiço de Bernardino de Campos. Luebke refere também que a campanha avessa à Alemanha deve ter sido perpetrada, desde o começo da guerra, através da imprensa, principalmente em virtude de notícias relacionadas à violência na Bélgica.
Enquanto a imprensa mais respeitada no centro do Brasil, particularmente a do Rio de Janeiro (GARAMBONE, 2003), manifestou franco posicionamento, a imprensa porto- alegrense foi mais discreta no início das hostilidades. Claro que muitos artigos de outros estados brasileiros foram reproduzidos na capital gaúcha, o que poderia deixar entrever
alguma preferência, mas o trato local que a guerra teve foi caracterizado pela parcimônia. Embora uma das limitações da tese seja a incapacidade de abarcar com amplo espectro a produção da imprensa local, alguns dos jornais de maior circulação (caso de A Federação e de
O Diário) foram comedidos nas palavras sobre a Alemanha. Em idioma português, inclusive,
fora criado o pequeno, embora substancioso, A Guerra. Portanto, nesses primeiros momentos, mesmo tendo ocorrido algum atrito e alguma rispidez, predominou o bom senso, tanto que os pequenos mal-entendidos ficaram à margem dos textos, velados.
As recriminações vindas de fora do estado gaúcho existiam e foram intensificadas após a invasão alemã à Bélgica, provocando comentários mais extensos. Esse contexto deve ser considerado para compreender o rápido crescimento da boataria que antecedeu as primeiras desavenças de que se tem notícia nesta guerra. Portanto, muito marcante acabou sendo a falta de segurança, quanto à veracidade, dos informes de guerra que por aqui chegaram.
No capítulo terceiro serão abordados os anos de 1915 e 1916. Ambos ainda se circunscrevem ao período de neutralidade brasileira. Sendo assim, embora seja possível encontrar indisfarçáveis demonstrações de preferência, os periódicos ainda buscavam lidar com os assuntos da guerra com distanciamento crítico. Veremos o quanto isso foi possível, bem como, veremos o quanto a rotina da cidade de Porto Alegre foi afetada pela guerra.
Há de se considerar também a evolução das relações econômicas do estado com o exterior, uma vez que a perda da Alemanha como parceira representou um baque para as rendas. Além disso, houve também a mudança de comportamento dos ingleses, que passaram a fazer uma política agressiva.